[Off-Topic] Software Livre: Exercício de CAPITALISMO

2016 April 22, 15:30 h - tags: free software open source off-topic

Uma frase que eu disse no meu artigo anterior pode ter causado estranheza para algumas pessoas:

"A base disso é o mundo open source - a maior experiência capitalista do mundo do software e um exemplo vivo para todos do que é um Mercado Livre Laissez-faire. O melhor lugar para manter e melhorar commodities de tecnologia."

Pelos princípios de Liberdade de "Free" Software, muitos erroneamente atribuem o mundo de código aberto e livre como sendo uma grande experiência "socialista". E não é, ela é absolutamente capitalista, é um Laissez-Fair, Laisser-Passer, eu iria mais longe e diria mesmo que é quase um real Livre Mercado, a utopia capitalista - que não existe hoje e muitos acham que só existiu nos primeiros 20 anos do século XX nos EUA.

Como a C|NET reportou em "Código Aberto: É sobre capitalismo, não brindes gratuitos"

"O segredo é usar software de código aberto como um meio para um fim, não o fim em si mesmo. Código aberto é um meio de distribuição barata, uma maneira de colocar software nas mãos de potenciais compradores por pouco ou nenhum custo. É uma maneira de tornar a experiência de software social e menos arriscada, porque os usuários podem experimentar antes de comprar e porque eles podem customizar (ou pagar alguém para customizar) o software para suas necessidades por um custo menor do que software proprietário."

Ou neste outro artigo da C|NET "Desculpe, socialistas: Código Aberto é um jogo capitalista"

"[Sarah] Grey escreve que 'existem alternativas ao capitalismo'. Ela está certa. Infelizmente, código aberto não é uma delas. Código aberto é a essência do Livre Mercado do Capitalismo."

A maioria das pessoas tem idéias muito distorcidas de porque "capitalismo é o império do mal dos tiranos" ou porque "socialismo é justiça, igualdade e democracia para todos", quando na realidade é exatamente o oposto.

Aliás, uma noção que muitos não tem é que ou você é defensor do socialismo ou você é defensor da liberdade. Ambos são diametralmente opostos.

Vejamos como Livre Mercado e interesses individualistas é o único caminho que leva a um efeito colateral positivo: a possibilidade de realmente fazer a diferença em "causas sociais". Através de princípios capitalistas, não socialistas.

O princípio? Como eu disse no meu artigo anterior:

"Eu nunca vivo por causa de outra pessoa e eu nunca peço a qualquer pessoa para viver por minha causa. Eu aceito somente trocas voluntárias para mútuo benefício."

O que é Livre Mercado em Software Livre?

Vamos entender:

Um "Livre Mercado" é a condução de transações sem coerção.

Eu posso usar um software livre gratuitamente, é a licença que seu proprietário me deu. Eu posso contribuir com partes de código a esse software, sem a coerção, por minha própria escolha. O proprietário do software tem o direito de aceitar ou não minha contribuição, com base nos critérios que ele quiser.

Um software é propriedade privada, copyright, de seus autores. Ter o código "aberto" não o torna domínio público e você não pode clamar direitos se este software não tiver uma licença que lhe dê esse privilégio. Enforçar ou não esse copyright é um direito exclusivo de seu proprietário.

Laissez-Fair é a intervenção mínima ou quase inexistente de uma entidade governamental ou reguladora. Nenhuma entidade controlando a oferta e a procura. Deixando a dinâmica desse mercado - quem oferta, quem adquire, a moeda e os preços - totalmente na mão de seus participantes. As trocas são voluntárias, quem quer contribuir código deve convencer os demais de seus méritos baseados unicamente na moeda "competência técnica". Pelo menos esse é o "ideal", no mundo real existem obviamente pressões sociais e políticas em alguns casos.

Convencer os outros é sobre demonstrar, com resultados, porque sua idéia tem valor. A partir do momento em que você acha que os demais deveriam apoiar sua "causa" porque você tem certeza que ela tem valor e "quem discorda é um imbecil e merece morrer", você acabou de desvalorizar e fazer um desserviço à sua causa. Se você não consegue convencer os demais do seu valor, não são os outros que são burros ou preconceituosos, provavelmente é você que foi incompetente.

"Coerção é o domínio dos Tiranos."

"Tentar regular a propriedade dos outros via coerção é o domínio dos Tiranos."

"Preços" não se refere meramente a transações financeiras com moeda, como seria numa Economia Capitalista. "Valor", o termo mais geral, pode ser determinado por qualquer coisa que tenha oferta e procura. Quem configura esse "preço" é a competição.

Um Livre Mercado tem sua competição desregulamentada. Por causa disso, uma verdade muitas vezes não mencionada quando se fala de software livre é que para cada 1 (um) projeto famoso como PostgreSQL que existe, dezenas de outros tentaram e morreram, ou porque não eram tão bons quanto ou porque falharam em convencer os outros de seus méritos. Para cada uma distro Linux que dá certo, centenas de outras deram errado ou vivem meramente num pequeno nicho - o que por si só é valor suficiente pra muita gente.

Eles morrem, porque não há nenhuma "agência reguladora" tentando mantê-los vivos artificialmente, muito menos importa se existia alguma agenda social por trás. E isso é justo, porque ou a justiça é realmente cega, ou não é justiça, é apenas vigilantismo e coerção.

E o preço não é o valor do código que entra, mas quanto vale para um programador ter seu código envolvido num projeto famoso. É uma inversão de valores em relação a empresas comerciais: normalmente se paga em dinheiro a um programador para ele produzir um código proprietário. Num projeto de software livre é o programador que deve "pagar" - com seu tempo livre e sua capacidade - para ter seu código aceito num projeto famoso porque ele recebe algum valor como retorno.

Software Livre = Propriedade Privada + Licença de Uso

Como bem lembrou Jeff Atwood, do Coding Horror em "Escolha uma Licença, qualquer Licença":

"Porque eu não indiquei explicitamente uma licença, eu declarei implicitamente um copyright sem explicar como outros poderiam usar meu código. Já que código está sem licença, eu poderia teoricamente forçar o copyright a qualquer momento e demandar que as pessoas parem de usar meu código. Desenvolvedores experientes não tocariam em código sem licença porque eles não tem direito legal para usá-lo."

Como testar a propriedade privada num mundo de software livre? Eu posso, a qualquer momento, apagar meu código de um repositório público que eu criei. Aconteceu recentemente com o controverso caso do Leftpad que quebrou o projeto de muita gente. "Quebrou a Internet" como muitos exageraram.

Concordar ou discordar do Koçulu ou da Kik é irrelevante. Koçulu exerceu seu direito: ele destruiu sua própria propriedade e isso é legítimo. É sua propriedade, ele faz o que quiser com ela, não importa quem clame o contrário ou quanto prejuízo isso possa ter causado. A situação foi ruim? Então vamos aprender a criar um ambiente mais robusto sem retirar a propriedade privada de seu autor. E seguindo o exemplo, uma possível solução foi a mudança na política de unpublish do NPM.

Na comunidade Ruby tivemos um episódio assim. Claro, foi muito menor, com muito menos consequências ou repercussão, em 2009, com o sumiço de Why. Aliás, notaram que antigamente qualquer "mimimi" na comunidade Ruby logo era chamado de "Ruby Drama"? Notaram que ninguém mais fala disso? Por que "dramas" se tornaram tão comuns e tão banais em todas as comunidades que deixou de ser percebido como exclusivo da comunidade Ruby. Como evidência, o último tweet da conta @rubydramas é de 2013.

E quando existe conflito pode acontecer os famosos casos de "fork", onde um projeto pode ser clonado e uma segunda comunidade pode acabar se formando se os critérios fizerem sentido o suficiente e o resultado for realmente melhor. Exemplo recente foi o fork do Node.js para IO.js, o período de transição e negociação e o resultado de fazerem "merge" de volta sob a liderança da nova Node Foundation.

Existiram diversos forks que deram certo, como o Webkit a partir do KHTML, o Ubuntu a partir do Debian, o próprio OS X a partir do BSD.

Projetos devem poder Fracassar. E nada pode forçar seu Sucesso.

Num Livre Mercado não existe garantias de sucesso, só existem garantias de que você pode tentar.

Livre Mercado é "justo" (como em "justiça cega") e, por consequência, não é igualitário nem "moral" dependendo do seu ponto de vista pessoal. Aliás, "ponto de vista" é necessariamente tendencioso e pessoal, não objetivo, por isso não serve de parâmetro para justiça. Para entender isso assista O Povo Contra Larry Flint. Você pode discordar completamente de Larry Flint, mas nem por isso pode condená-lo. E ao não condená-lo, não significa que você apóie o que Flint diz ou faz.

Sucesso em código, no geral, independe de qualquer característica pessoal de seus autores, somente do mérito técnico do resultado do seu código. A beleza do código é que ele é anônimo desprovido de qualidades pessoais ou agendas políticas. Mesmo se temporariamente ele acabar desvalorizado por causa de vínculos políticos, quanto menos afiliações um projeto tiver, mais chances tem de sobreviver ao longo prazo.

Só porque você criou um projeto e abriu seu código, não quer dizer absolutamente nada. Muito menos que vai ter sucesso, não importa suas boas intenções, não importa sua história, não interessa sua afiliações.

Essa é justamente a melhor parte do mundo de Software Livre, porque a competição, os interesses individuais, garantem que haverá alguns poucos que darão muito certo, muitos que terão pouco ou nenhuma tração e a maioria que simplesmente vai desaparecer da existência e da memória das pessoas.

Um exemplo? Alguém se lembra do sistema operacional móvel Symbian da Nokia, que era proprietário e nos seus últimos dias anunciaram que iam abrir seu código na tentativa de ver se ganhava alguma tração? Muito pouco, muito tarde.

Livre Mercado é a manifestação econômica da Natureza (Darwiniana) de Seleção Natural, que eu já expliquei num screencast/palestra. O software que tiver as melhores características e que continuar se mutando e adaptando às demandas do ambiente, é quem terá melhores chances de reproduzir (ser usado e distribuído) e ser selecionado para sobreviver. Existem mais projetos morrendo todos os dias do que prosperando. E isso não é uma falha ou fracasso do sistema, é a garantia de sua robustez.

Apache HTTP vem perdendo cada vez mais espaço para NGINX. MySQL veio perdendo espaço primeiro para outros RDBMS mais competentes como PostgreSQL e depois para NoSQL como MongoDB e agora até pra forks como MariaDB. Mozilla Firefox veio perdendo espaço drasticamente para Google Chrome. Perl perdeu espaço para Python e diversas novas linguagens como Go.

Software Livre "Socialista" é um Paradoxo

Num mundo "socialista" teríamos necessariamente o sucateamento do software.

Como toda propriedade seria monopólio da entidade "governo", não haveria competição, apenas incentivo a conluio, cartel e monopólios. Todo projeto ruim - se atendesse à agenda política de alguém - se manteria vivo, a despeito de outro se provar tecnicamente melhor. A escolha não seria de quem usa, mas de quem controla. Não haveria acidentes como leftpad, mas seria pior: existiria tanto lixo que o mundo de software livre simplesmente perderia relevância.

Sem benefícios aos voluntários como: propaganda em benefício próprio, exercitar suas capacidades técnicas em projetos desafiadores, distribuir seu software livremente, alimentar seu ego e suas métricas de vaidade; nenhum programador de real capacidade técnica perderia seu tempo se esforçando. Pior: se num governo socialista o governo decretasse arbitrariamente que todos deveriam contribuir para determinado projeto por causa de algum "bem social", ninguém daria o melhor de si, faria apenas o mínimo para cumprir determinada "cota".

Quando não há competição e não há oferta e procura derivada de valor, não existe mais inovação. Inovação surge de uma vontade individualista de resolver seu próprio problema do seu melhor jeito, independente do que os outros clamarem. Por isso mesmo o mundo de free software começa com a famosa frase:

"Todo bom trabalho de software começa coçando uma coceira pessoal de um desenvolvedor." - Eric Raymons, The Cathedral and the Bazaar

Inovação é naturalmente transgressora. Inovação é naturalmente competitiva. Quando alguém inventa um robô de fábrica, está eliminando empregos, portanto para muitos a Inovação também é anti-social. Uber realmente acaba com o emprego de taxistas. Airbnb acaba com o emprego de corretores. Uma máquina para sacar dinheiro (ATM) acaba com o emprego de bancários.

Em software, você acha que o cara de Hurd ficou muito contente com Linux? Acha que o cara de Symbiam achou legal o Android? Acha que o cara de Clipper ficou feliz com Java? Acha que o cara de MySQL está contente com PosgreSQL? Se essas pessoas forem resistentes à dinâmica do mercado, ficou para trás e, honestamente, está valendo menos e menos e provavelmente também vai perder seu emprego. Injusto? Não, absolutamente justo.

Inovação é anti-socialista porque acaba com a necessidade de força bruta de trabalho e trabalho intelectual é necessariamente individual, porque não existe tal coisa como uma "mente coletiva", assim como não existe um "estômago coletivo".

Um software proprietário não é necessariamente ruim porque não é livre. Ele é ruim quando representa um monopólio. Por exemplo, se o Windows tivesse sido mesmo a única opção, teríamos testemunhado o sucateamento da tecnologia. No longo prazo não teria sido bom nem pra própria Microsoft.

A Microsoft era um monopólio de fato. Podemos discutir eternamente se era mesmo ou não, se seu julgamento foi justo ou não. Mas o advento do software livre, particularmente dos sistemas operacionais baseados em GNU e Linux e depois o advento da Internet comercial, que desvinculou a necessidade de softwares nativos instalados localmente, quebrou esse monopólio. Com ou sem o Departamento de Justiça, o monopólio teria sido derrubado por pura dinâmica do mercado. Não no curto prazo, mas no longo prazo.

Imagine se, num futuro alternativo distópico, a Microsoft tivesse convencido o governo federal que o Windows era tão essencial à segurança nacional que seria do benefício da nação apoiar e manter seu monopólio?

Tudo teria parado. Até hoje estaríamos usando Pentium 100Mhz (porque, quem precisa de mais velocidade?), rodando um derivado de Windows 98 (porque, pra que criar um NT ou 2000 se o 98 já atende?), com Internet discada (porque, quem precisa de banda larga?), onde somente alguns poucos consumidores profissionais estariam usando (porque, pra que a população em geral precisa de computadores?)

Se alguém com a cabeça dos anos 80 e 90 tivesse sido decretado como a referência de "moral" e "necessidade social", pra que escolher evoluir qualquer coisa? Deixe as coisas como está. Mudanças fazem a população sofrer, pessoas perdem seus empregos, perdem sua segurança e estabilidade - ora, Inovação é sobre insegurança e instabilidade.

Não crie e-mail, isso pode prejudicar o emprego dos carteiros. Não crie websites, isso pode prejudicar quem trabalha nas fábricas de impressão de papel. Não crie software livre, isso pode prejudicar quem trabalha como programador do governo.

É isso que acontece quando se deposita as decisões que deveriam ser do mercado às mãos de um indivíduo ou mesmo uma entidade. Ela naturalmente se torna tirânica e despótica, porque é a única postura popularmente aceita como "moralmente correta".

Todo ditador, tirano, tem o mesmo discurso: "para o bem da população" e o inverso também é verdade: todos que tem o discurso de "para o bem da população, não importa os meios", quer se tornar um ditador tirânico.

Tirania e o Fim do Software Livre

Uma situação que começou a se tornar comum é a tentativa de desapropriação de uma propriedade privada para benefícios tirânicos usando como desculpa quaisquer causas sociais. Novamente, para deixar claro, não há culpa nas causas sociais em si, na maioria legítimas, mas sim em quem se auto-entitulou seus representantes ilegítimos.

É muito fácil pegar a conquista de outra pessoa e se apropriar dela em nome de uma "causa maior".

Não se engane, isso é simplesmente roubo. E não importa quantos apoiem esse tipo de coisa - coisa que é muito fácil nesse mundo de redes sociais. Roubo é errado, sempre, não existem justificativas.

Veja um cenário: você é um desenvolvedor que quis resolver um problema e criou um pedaço de software. Como achou que outros poderiam ajudar a evoluir sua solução, você disponibilizou como código aberto. Durante 20 anos muitos desenvolvedores se beneficiaram desses códigos e ajudaram a melhorá-lo. É a história de centenas de projetos de software livre.

Agora, em nome de diversas causas, não importa quais, alguém intervém e, por pura pressão social e propaganda, etiquetam todos os que estão há anos trabalhando, como verdadeiras párias anti-sociais. A mídia especializada - sempre à espreita de controvérsias para atrair mais leitores - noticia exatamente dessa forma.

E com o advento das Redes Sociais, por motivos que nada tem a ver com o mérito técnico e o valor que esse código aberto outrora tinha, vê seus colaboradores expostos e automaticamente julgados e condenados como criminosos perversos e anti-sociais.

Os donos do projeto eventualmente cedem e, por um pequeno período de tempo o projeto é obrigado a rodar sob intervenção despótica, onde suas identidades, passados, carreiras, vida particular, estarão sob constante escrutínio. Não mais seu código, mas suas opiniões pessoais. Não mais seu código, mas suas atitudes. Não mais seu código, mas sua aparência.

Consequentemente, se essa intervenção continuar, o valor do projeto decai drasticamente. Não há mais valor que o programador voluntário pode receber, pelo contrário, participar se tornou uma "liability", portanto a reação correta é deixar de participar. Um a um quem realmente estava produzindo código começa a desaparecer. E essa é uma forma perversa de tomar uma propriedade e remover seu valor.

Isso já começou a acontecer, ainda não tivemos casos que chegaram tão longe, mas é o que acontece quando você adiciona uma camada política sobre um projeto que era puramente livre. É assim que você destrói um Livre Mercado, dando poder político a quem não concorda com trocas voluntárias, apenas em remover propriedades de quem se "julga" que não merece para dar a quem se "julga" que merece.

Eu postei sobre isso em 2011 se estiver interessado.

"Eu sou um arquiteto. Eu sei o que se resulta pelos princípios sobre os quais foi construído. Estamos nos aproximando de um mundo onde eu não posso me permitir viver. Minhas idéias são minha propriedade. Eles foram tirados de mim à força, por quebra de contrato. Nenhuma escolha me foi dada."

"Acreditaram que meu trabalho pertencia a outros, para fazerem com ele o que quisessem. Eles clamaram por mim sem meu consentimento - que era meu dever servir a eles sem escolha ou recompensa."

"Agora vocês sabem porque eu dinamitem Courtland [condomínio de baixo custo]. Eu desenhei Courtland. Eu tornei possível. Eu destruí. Eu concordei em desenhá-lo pelo propósito de vê-lo como eu queria. Esse foi o preço que dei pelo meu trabalho. Eu não fui pago. Meu prédio foi desfigurado pelo capricho de outros que tomaram todos os benefícios do meu trabalho e não me deram nada em retorno."

"Eu vim aqui dizer que eu não reconheço o direito de qualquer um a um minuto da minha vida, ou a qualquer parte da minha energia, nem a qualquer conquista minha - não importa quem clame por isso!"

"Tinha que ser dito: O mundo está perecendo em uma orgia de auto-sacrifício. Eu vim aqui ser ouvido em nome de todos os homens independentes que ainda existem no mundo. Eu queria ditar meus próprios termos. Eu não me importo de trabalhar ou viver por causa de outros."

"Meus termos são: os DIREITOS de uma pessoa de existir apenas por si mesmo."

Isto é um aviso do pior caso que pode acontecer.

Conclusão

Toda esta exposição é para tirar o falso verniz "social" tão comumente associado a software livre.

Significa que se alguém contribui para software livre puramente porque acredita que isso vai trazer benefícios a causas sociais, é algo ruim? Claro que não, como eu disse, cada um se voluntaria porque obtém algum benefício nessa troca. Para alguns o pagamento é simplesmente a sensação de estar ajudando alguém. Alguns gostam de trocar seu código por consciência. Muitos fazem isso fora de software, chama-se "doação" ou "trabalho voluntário". E obviamente não existe nenhum problema justamente porque continua sendo uma troca voluntária.

Agora, resolver os problemas do mundo é algo extremamente complicado. É extremamente complicado até de começar a explicar. Mesmo pessoas que estão nisso com muito afinco tem dificuldade em obter os resultados que gostaria.

Bill Gates é notório por ter a visão de influenciar positivamente em realmente resolver os problemas do mundo e ele tem o melhor aviso à nossa geração de programadores que, independente de classe social, posse, raça, gênero, temos acesso à Internet e recursos suficiente para nos dar ao luxo de sermos "Drama Queens" em discussões irrelevantes em redes sociais sobre "salvar o mundo". E quem está fora desse circuito, realmente executando em vez de só falar?.

"Ótimo, vá até os centros da Infosys em Bangalore, mas saia do oásis e vá só 3 milhas um pouco mais pra fora e procure pelo cara que vive sem privada, sem água encanada ... O mundo não é plano e PCs não são, na hierarquia das necessidades humanas, entres os Top 5" - Bill Gates

Você está empenhado em tentar transformar uma propriedade privada (projeto de software livre) numa plataforma política para uma suposta "causa social"? Pense de novo. Você provavelmente está desperdiçando seu tempo em mais maneiras do que imagina.

Para fechar, vou dar um exemplo de um caso real que me foi relatado - mas removendo nomes e detalhes para proteger os envolvidos:

A: - Puxa vida, ninguém dá chance à minha [minoria].

B: - Não diga isso, porque você não me ajuda a resolver estes problemas neste projeto open source, daí você pode palestrar sobre isso.

(depois de algum tempo ... A some, B cansa de esperar e chama C, que ajuda a resolver os problemas e ganha o espaço de palestrar)

A: - tá vendo B, você é parte dos opressores que não dão espaço a gente como eu e preferiu dar a oportunidade pro C, que nem precisa e faz parte dos opressores.

E antes que você discorde porque se trata de conceitos de Ayn Rand (tem muita gente que não gosta dela, não sei porque), não seja um idiota e avalie a idéia por causa de seu autor, avalie o argumento que foi dado pelo seu próprio mérito. Muitos me criticam porque acham que eu "sigo" Ayn Rand, e não poderiam estar mais enganados: Ayn Rand simplesmente foi a única que pôs por escrito exatamente o que eu sempre pensei e como sempre agi desde que me conheço por gente. Poderia ter sido qualquer outra pessoa.

Aliás, da mesma forma, eu não sou "seguidor" de Bastiat, Friedman, Hayek, Menger ou qualquer outro. Eu sigo minha vida nos meus próprios termos, por princípios que eu mesmo defini anos atrás e essas referências são apenas isso: referências.

Considero um insulto à minha inteligência simplesmente me taxarem de seguidor de alguém e eu não respondo bem a "Ad Hominem" ou outros tipos de falácias.

"Voilà! In view, a humble vaudevillian veteran cast vicariously as both victim and villain by the vicissitudes of Fate. This visage, no mere veneer of vanity, is a vestige of the vox populi, now vacant, vanished. However, this valorous visitation of a bygone vexation stands vivified and has vowed to vanquish these venal and virulent vermin vanguarding vice and vouchsafing the violently vicious and voracious violation of volition! The only verdict is vengeance; a vendetta held as a votive, not in vain, for the value and veracity of such shall one day vindicate the vigilant and the virtuous. Verily, this vichyssoise of verbiage veers most verbose, so let me simply add that it's my very good honor to meet you and you may call me V." - V for Revenge

Comments

comentários deste blog disponibilizados por Disqus