[Off-Topic] Se Você Precisa de "Validação", Provavelmente está Errado

2016 April 20, 15:49 h - tags: off-topic

TL;DR: este é um dos meus famosos posts Off-Topic, portanto, longos! Vá diretamente à conclusão para ver aonde quero chegar. Mas por favor não critique antes de ler o texto todo, será mais produtivo.

Em tempos em que todo mundo parece ter uma opinião ativa sobre certos assuntos, eu prefiro não proferir ativamente nenhuma, nem a favor, nem contra. Porque ambos têm certeza absoluta que estão certos, é um jogo de soma zero, e eu odeio soma zero.

Se eu tiver uma opinião e ativamente forçá-la sobre as pessoas, muitas vão acabar concordando, muitos vão odiosamente discordar. Muitos vão comprar meu ponto de vista. Muitos vão me odiar e ativamente tentar desacreditar o ponto de vista ou o autor. E o principal: todos nós só temos a perder se entrarmos nesse tipo de visão maniqueísta.

Isso significa ficar "em cima do muro"? Também não é isso. Uma coisa que eu tenho há anos no meu perfil do Quora é isso:

"I never live for the sake of another person and I never ask anyone to live for the sake of mine. I only accept voluntary trade for mutual benefit."

Que quer dizer:

"Eu nunca vivo por causa de outra pessoa e eu nunca peço a qualquer pessoa para viver por minha causa. Eu aceito somente trocas voluntárias para mútuo benefício."

Portanto, antes de continuar, eu peço, encarecidamente, que você pense por si mesmo - não pelos outros, nem muito menos por mim -, independente se concorda ou discorda do que eu tenho a dizer.

Dito isso, quero começar com um pequeno exemplo - de magnitude microscópica perto das grandes questões da atualidade, claro.

"Bem Vindos"

Em 07 de Julho de 2016, às 1:52:39 completará 10 anos que publico posts dedicados à comunidade de tecnologia, particularmente de Ruby on Rails. Eu disse o seguinte, após escolher cuidadosamente minhas palavras:

Vamos ver até onde essa comunidade pode chegar.

Ruby on Rails poderá ser muito ou nada, tudo vai depender de como o mercado vai encarar a novidade. Mas muita coisa pode ser feita agora. Para começar, aprendendo sobre o assunto.

Vou postar os principais assuntos sobre a plataforma aqui e espero que todos colaborem com ideias e sugestões ou mesmo críticas e opiniões.

Infelizmente ainda existem muitos desafios a serem vencidos. Para começar, materiais de Rails em português virtualmente inexistem. Sites brasileiros idem. Portanto quando digo "começar do zero", estou falando sério.

O maior desafio será convencer o mercado. E isso não se faz da noite para o dia. Significa que ainda não será possível deixar o legado do Java totalmente de lado. Vamos começar um período de transição no qual tentaremos as duas coisas em paralelo.

Os pioneiros sempre caminham por território árduo, mas a recompensa dos primeiros sempre será maior também. Esse é o sentido do investimento.

Meus Princípios

Se você ainda não sabia (nunca leu meus Off-Topic) vamos deixar claro: eu não sou altruísta (no sentido literal da palavra, não no jeito errado como é interpretado). Nada do que fiz até hoje foi puramente em prol de algum tipo de ideologia de "bem maior".

Meu objetivo é muito simples: eu só quero o direito de poder produzir, nos meus próprios termos.

No caminho, o que eu fizer deixará efeitos colaterais, como ajudar os outros. Por exemplo, hoje tenho uma pequena empresa chamada Codeminer 42 que emprega mais de 60 pessoas. Pessoas com famílias, que encontram não só seu sustento mas sua própria auto-melhoria, através dos resultados que eu e meus amigos buscamos e conseguimos conquistar juntos. E isso é um efeito colateral direto.

Eu organizo a Rubyconf Brasil, faz 9 anos junto com a Locaweb. Os palestrantes, patrocinadores, eu, a própria Locaweb, têm um ponto de encontro anual onde empresas conhecem novas pessoas pra contratar, profissionais encontram seu próximo emprego, empreendedores se juntam para testar idéias que depois podem gerar valor a mais pessoas, e assim por diante. É uma oportunidade de mais de 1.200 participantes todo ano de produzir alguma coisa. Isso é um efeito colateral indireto.

Um grupo como o Ruby on Rails Brasil no Facebook - que não fui eu quem criou - tem mais de 8.500 participantes trocando idéias, aprendizados, experiências.

A base disso é o mundo open source - a maior experiência capitalista do mundo do software e um exemplo vivo para todos do que é um Mercado Livre Laissez-faire. O melhor lugar para manter e melhorar commodities de tecnologia.

Empresas investem tempo e dinheiro contratando programadores para manter projetos abertos não porque são "boazinhas" - independente do que digam - mas porque essas tecnologias realmente trazem muitos benefícios diretos e indiretos aos seus negócios.

Porque se fossem fazer sozinhas, precisariam investir muito mais do que dividir o problema entre dezenas de outras empresas para todas lucrarem juntas. É a plataforma ideal para indivíduos demonstrarem suas capacidades ao mundo, melhorando suas próprias capacidades, buscando novas oportunidades. Mais do que isso, é um dos lugares mais brutais e agressivos - e por isso mesmo muito bom - para um indivíduo aprender a lidar com pressão, comunicação, soluções técnicas criativas, exatamente porque não tem recursos infinitos.

Todos lucram, não só de maneira monetária, seja com novo aprendizado, seja com novas oportunidades. E mesmo aqueles que têm seu lucro na pura satisfação de ajudar os outros de alguma forma (porque ajudar os outros não é altruísmo, é uma troca justa: troca do que você sabe produzir pela recompensa de ter sua consciência mais tranquila, afinal ninguém ajuda quem não gosta - o que seria altruísmo de verdade).

O que eu NÃO fiz, e NÃO faço

Quando eu comecei essa jornada - lembrando, eu não fui o primeiro - sempre busquei fazer coisas para meu benefício próprio, sabendo que isso poderia trazer benefícios para outras pessoas e, com benefícios mútuos, todos andariam mais rápido e melhor. Minha proposição nunca foi promessas, seja de recompensas materiais ou morais, apenas a promessa de trabalhar no que se gosta.

Se fosse puramente por moral ou ideologia, nunca teria dado certo. Ou pior, se tivesse dado certo, seria frágil, por ter a fundação errada.

Porque se eu realmente tivesse acreditado que "Ruby on Rails é a única melhor tecnologia" eu teria forçado essa visão nos outros. Muitos teriam acreditado. Mas pior, nós teríamos que acreditar que outras tecnologias não são boas e teríamos lutado contra elas, independente das evidências. Isso teria sido desastroso.

Eu sempre soube que Rails é bom em certos casos, em particular no contexto do crescente mercado de startups a partir de 2004. Software as a Service, Infrastructure as a Service, Platform as a Service. Muitos pensaram como eu, independentemente, e daí nasceram gemas como Github, o maior mercado livre de software já criado.

Se eu tivesse acreditado que meu jeito era o certo e o dos outros sendo automaticamente errado, eu teria me frustrado e fracassado amargamente. Meu pensamento natural teria sido:

"Por que esse povo não me segue se meu caminho é certamente o correto?"

Eu nunca tentei convencer ninguém de que meu ponto de vista é correto "pelo bem" de alguma coisa ou "porque é free software" ou "porque atende alguma visão política". Eu sempre evangelizei tentando ensinar como lucrar.

Porque num nicho com as características como a de Rails se acumularam profissionais de qualidade ímpar. Porque todo novo programador tinha como "role model" esses pioneiros. Porque todo Rubista almejava qualidade em primeiro lugar. Porque a nova geração de startups estava demonstrando como fazer produtos lucrativos sem a torneira aberta de investidores alucinados como em 2000. Era esse o discurso da 37signals em 2005: todo mundo queria fazer o próximo Basecamp. E fizeram! De Engine Yard, a Heroku, a Github, a Pivotal Labs, a Living Social, a Shopify, a Twitter, a Groupon, a Zendesk, a Hulu, a Square, a Airbnb, a Soundcloud.

Importa que eles não são puristas 100% feito em Ruby? Lógico que não! Ninguém está defendendo uma visão extremista e religiosa. Este não é o "Culto do Ruby". Rails é um meio para um fim, nunca o fim. Quem adota Rails queria filtrar os melhores programadores - porque precisava gostar muito da arte de programar pra aprender Rails em 2006. Quem adota Rails queria qualidade de vida na rotina de programação - porque os princípios por trás do design do Ruby e do Rails criaram uma visão única de como software poderia ser feito. Ninguém escolheu Rails como se escolhe um time de futebol ou uma afiliação política. Todos que escolheram almejaram algum tipo de ganho pra si próprio e, pensando assim, criaram um gigantesco ecossistema que acabou beneficiando muito mais gente.

O que eu não fiz? Não fiz promessas. Não dei certificados. Não garanti ministérios. Não prometi "um futuro brilhante". Não adicionei visão política à comunidade. Talvez a única promessa tenha sido de muito trabalho à frente, oportunidades de produção. Releiam o último parágrafo do meu primeiro post:

"Os pioneiros sempre caminham por território árduo, mas a recompensa dos primeiros sempre será maior também. Esse é o sentido do investimento."

Esse é o espírito de um empreendedor: arriscar o que se possui, não o que os outros têm.

É proposital porque desde o começo eu raramente palestro nos eventos que eu mesmo organizo. Por isso desde o começo existem outras tecnologias em exposição num evento de Ruby (tivemos palestras de Node.js desde 2009, antes de existir eventos de Javascript). Por isso a "Ruby"conf tem trilhas de todas as outras novas tecnologias em crescimento: porque só temos a lucrar com isso.

É minha forma de poder produzir nos meus próprios termos, com o que eu gosto.

O "Ruby-way" Não é convencer os outros que usar Ruby é o único caminho, mas sim que trilhar o caminho mais difícil, o da qualidade, de se importar com o que faz, provavelmente pode trazer resultados melhores. É o que um empreendedor faz: assume riscos calculados e trabalha brutalmente por si próprio. É o que um artista faz: diferente do comum.

O caminho de um empreendedor, ou um artista, ou alguém que produz, é necessariamente individualista. Porque vamos contra o status-quo, contra o que é considerado o "certo" hoje. Contra o que é "comumente aceito" por uma "maioria".

"Loucura é querer resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa." - Albert Einstein

Seremos sempre apedrejados por isso, mas são pessoas que escolhem o caminho diferente que todos vão tentar impedir. E são elas que nos fizeram atingir as grandes conquistas da humanidade. Uma das coisas que me fez reconhecer o real significado logo de cara foi quando o criador do Rails, o até hoje controverso David Heinemeir Hansson - alguém que eu concordo e discordo em vários aspectos - disse logo nos primórdios da comunidade:

“Primeiro, eles o ignoram. Depois, o ridicularizam. Finalmente, eles brigam contra você. E então, você vence.” - Mahatma Gandhi

É pecado sequer imaginar que não é o Sol que gira em torno da Terra. Precisou da visão individualista e absolutamente "egoísta" de um "Galileo vs Inquisição" para ajudar a abrir caminho para hoje não só já termos ido à Lua mas estarmos nos tornando excepcionalmente bons em mandar maquinário para o espaço.

Uma Nação Nazista

"Somente um Sith pensa em absolutos." - Obi-wan Kenobi

Existe um termo para quem pensa em absolutos no mundo real: Extremistas Terroristas. Ser extremista, por si só, não é ruim. É forçar sua visão extrema - o campo de um terrorista - que leva ao lado negro da Força.

Um terrorista é perigoso, porque ele absolutamente acredita que está certo.

"Porque algumas pessoas não estão procurando por alguma coisa lógica, como dinheiro. Eles não podem ser comprados, antagonizados, ensinados, ou negociados. Algumas pessoas somente querem ver o mundo pegar fogo." - Alfred, The Dark Knight

Que é a razão de porque não se deve tentar negociar com terroristas. É impossível, você sempre vai perder.

E o pior: o lado negro da Força sempre pode ser sedutor. Porque ele é facilmente travestido de algo "bom":

"Não tente me ensinar, Obi-wan! Eu vejo através das mentiras dos Jedi. Eu não tenho medo do lado negro como você. Eu trouxe paz, liberdade, justiça e segurança ... ao meu Novo Império!" - Anakin Skywalker, Episode III

Não é difícil entender como surgiram pessoas tão inequivocadamente reconhecidas como "o mal". Coletivistas, extremistas, como Adolf Hitler, Joseph Goebbels, Heinrich Himmler, Hermann Göring.

Mas eles são apenas algumas pessoas. A questão principal é mais importante e mais difícil: como se convence toda uma Nação, como o povo Alemão, a aceitar e agir em favor da ideologia de um partido como o Nacional Socialista até o ponto do genocídio de 11 milhões de pessoas no Holocausto!?

Existem muitas teorias para o que realmente aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial e é um assunto até hoje delicado, mas eu tenho uma pequena teoria pessoal (não é suportada por evidências, por isso este 'disclaimer'):

Apesar de saber que muitos devem ter cometido esses atos com intenções puramente maléficas, é muito difícil de acreditar que num curto espaço de tempo, milhares de alemães de repente se tornaram transformaram automaticamente em agentes do Mal.

Naquela época, a Alemanha havia sofrido a humilhação pós-Primeira Guerra, a economia estava em frangalhos após terem sofrido a Grande Depressão pós-1929. Num contexto desse, uma ideologia política populista, pelo bem social da nação do Partido Nacional Socialista ganhou força. A idéia do "Terceiro Reich" era sedutora por trazer de volta a esperança do futuro brilhante de uma "Nova Alemanha".

E eles encontraram alguém para realmente odiar, no caso, os Judeus. E a idéia anti-semita pegou tração no discurso populista.

Agora, em nome do "futuro brilhante da Nova Alemanha" pode ter levado até o extremo do Holocausto. E mesmo assim, como isso se justifica?

Se vocês não conhecem as teorias psicológicas de Stanley Migram, recomendo que assistam ao filme The Experimenter (2015) para entender.

Em resumo, o Experimento da Autoridade de Migram - que foi repetido inúmeras vezes ao longo dos anos - demonstra como não é tão difícil como o senso comum imagina, que um grupo de pessoas executem a coisa errada - mesmo tendo consciência disso - em nome de um "bem maior".

Obviamente estou sendo simplista na explicação, mas vale ter isso em mente: a maioria das pessoas reage com comportamento de rebanho (Herd Behavior).

Não é muito longe da Lei do Mínimo Esforço, afinal, porque gastar tempo pesquisando se uma coisa pode ser "certa" ou "errada" quando é muito mais fácil seguir o que a "maioria" pensa que é certo?

"Um Pouco de Conhecimento é Uma Coisa Perigosa"

Não é completa ignorância, mas sim "um pouco de conhecimento", que pode ser a coisa mais perigosa de todas; como já nos alertou o grande poeta Alexander Pope.

"A little learning is a dangerous thing; Drink deep, or taste not the Pierian spring : There shallow draughts intoxicate the brain, And drinking largely sobers us again." - Alexander Pope

E uma das coisas que eu gosto de escrever é justamente este alerta: não sabemos tudo, nunca saberemos tudo, e tudo que sabemos pode estar errado. Se você viver constantemente com isso em mente, estará seguro.

A Raíz de Todo o Mal, os Inimigos da Razão é o que eu falo faz tempo: o pensamento "religioso".

E não digo isso puramente para falar mal da religião dos outros, mesmo porque a "religião" a que me refiro não é meramente Cristianismo, Judaísmo, Xintoísmo, etc. É pior: é a Religião do Pouco Conhecimento.

Vemos exemplos desse tipo de coisa todos os dias, basta ler as notícias:

Basta procurar por "morte" nas notícias e muitas delas são, infelizmente, resultado da ignorância ou pior, "pouco conhecimento" das pessoas. Não é algo que vai se resolver automaticamente, mas nós já resolvemos milhares desses problemas. Felizmente, o século XX em diante foi um grande avanço para eliminar todos os preconceitos, conhecimentos ultrapassados, e ignorância geral da população global.

O problema: nenhuma dessas pessoas tem dúvidas se está errado. Todos tem certeza que estão certos, fazendo o que é moralmente correto - dado o pouco que sabem.

Dogmatização é a consequência. E Dogmas são Inquestionáveis. Você segue uma cartilha inquestionável? Você provavelmente já foi dogmatizado. Ninguém gosta de ser provado errado, especialmente se acreditar em alguma mentira com muito afinco por muito tempo, isso se torna sua identidade. E quem quer ter sua própria identidade quebrada?

Cisnes Negros e o Antídoto do Pouco Conhecimento

Finalmente, chegamos ao ponto. Como se resolve os problemas do mundo?

Com a "filosofia científica". E não é necessário ser um cientista para pensar dessa forma.

O mundo é injusto, é um fato. É impossível resolver o problema de todo mundo de uma só vez. Mas podemos resolver um problema de cada vez, ao longo do tempo. Sinto muito aos impacientes.

E eu acho que começa com uma coisa muito simples: raciocínio crítico não-baseado puramente em indução simples.

Para mim, Karl Popper me ensinou uma das coisas mais valiosas no meu jeito de pensar. Eu não procuro falsos-gurus, falsos-especialistas, falsos-líderes, falsos-heróis ou falsos-ícones.

Não preciso de ninguém de "autoridade" para me dizer o que é o certo. Nem tampouco preciso do consenso de alguma forma de "maioria" para validar minhas ações.

Há quem advogue uma "afirmação inviolável", "a" forma correta; seja pela tradição, seja por escrituras, seja pela vontade de uma entidade abstrata e amorfa como "a sociedade", "as pessoas"; ou pior, por "provas invioláveis", então sei que se tratam de falsos profetas.

A explicação para você se tornar incorruptível é simples. Deixe-me fazer a explicação clássica:

"Imagine que todos os cisnes do mundo são brancos."

Digamos que sua afirmação vem do fato que nos 40 anos que viveu, você, sua família, seus amigos, somente viram cisnes brancos com seus próprios olhos. Sua conclusão natural e "lógica", por "indução", é extrapolar para uma lei geral, absoluta, e dizer que "todos os cisnes do mundo são brancos".

Isso vem do seu pouco conhecimento. Não importa se foram 40 anos. Não importa que você já viu 1.000 cisnes durante sua vida, e todos eram brancos.

Você claramente nunca viajou pra Austrália, ou pra Nova Zelândia, onde encontraria a variedade de cor preta.

Mas, pelo seu "pouco conhecimento", você chegou a uma conclusão errada. E, pior, extrapolou e proferiu essa afirmação a outros, que agora pensam como você. É sua responsabilidade.

"Eu sei que vacinas são ruins porque eu ouvi casos de várias crianças que foram vacinadas e morreram, portanto nunca vou vacinar meus filhos."

"Eu sei que remédios não funcionam mas homeopatia funciona, porque minhas tias usam faz anos e nunca tiveram problemas de saúde, portanto nunca vou usar remédios."

"Eu sei que o capitalismo é coisa de gente maléfica, porque eu conheci empresários na minha cidade que exploravam meus amigos e vizinhos, portanto o sistema capitalista tem que cair."

"Eu sei que o socialismo funciona, porque meus amigos que visitaram Cuba ficaram muito impressionado com o que ouviram dos hospitais de lá, e por isso acho que tinha que usar em todo lugar."

Você faz isso todos os dias: vê uma notícia com título chamativo, vê dezenas de "Likes" e concorda que está certo e, pior, ainda compartilha para mais gente, disseminando mentiras.

"Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade" - Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda Nazista

O problema é a "procura da verdade". A grande maioria das coisas - tirando teoremas matemáticos - raramente é possível mostrar a prova correta. E muitas vezes recorremos ao reverso, mostrar que é incorreto. Nenhuma quantidade de evidências é suficiente para provar qualquer teoria como absolutamente verdade. O máximo que podemos fazer é "desprovar" uma teoria, porque para isso bastar uma única evidência que a refute.

"Afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias." - Carl Sagan, Cosmos

E eu adiciono: nem mesmo com evidências extraordinárias podemos afirmar a descoberta de uma "verdade absoluta", apenas podemos dizer que temos um conhecimento sólido o suficiente para usar mas que pode ser desprovada a qualquer momento.

É importante ter esse conceito em mente pois isso nos torna mais fortes contra rumores, pseudo-ciência, superstições, "ditos comuns", tradição ultrapassada e todo tipo de falsas-"verdades".

Qualquer teoria que não dá formas claras de desprová-la não é uma boa teoria e, certamente, não é científica. Qualquer afirmação que depende de uma divindade que não se pode provar a existência, ou qualquer "moral" inviolável, ou uma autoridade "inquestionável", é pseudo-ciência e é errada.

A Moral Cinzenta dos "Justiceiros Sociais"

Esse é um assunto que evito ao máximo me envolver porque esta geração dos chamados Justiceiros Sociais (Social Justice Warriors - SJW) é particulamente perversa. Não todos! Apenas uma pequena minoria muito influentes. Verdadeiros lobos em pele de cordeiro.

Disclaimer: considero quem luta por causas sociais uma pessoa perversa? NÃO Existem diversas iniciativas sociais legítimas, com excelentes resultados, com pessoas com real afinco em resolver um problema legítimo. Espero somente coisas boas a essas pessoas. Aqui estou falando somente de quem está desvalorizando essas pessoas. O objetivo desta seção é justamente separar o real do ilegítimo.

Não sou contra as causas sociais, a maioria das pessoas civilizadas não é. Certamente existe muito a se fazer para continuar a melhorar o mundo. E no último século certamente melhoramos o mundo de maneira extraordinária, principalmente se compararmos aos séculos anteriores ao XX.

Ao contrário do que muitos dizem e uma coisa que eu repito desde 2013: "O Mundo Hoje está Melhor". Acredite que o mundo está piorando e aí você começará a justificar atos perversos como moralmente corretos.

E não foi graças a eventos e movimentos pontuais, mas pelo progresso contínuo de gente que "produz", não de gente que "rouba". E roubar não é somente diretamente tirar um bem material de alguém. Alguém pode roubar mais que isso: seu tempo, sua moral, sua mente e sua liberdade.

Roubo da Liberdade é Escravidão.

Até o século XIX todos precisavam trabalhar arduamente somente para tirar seu sustento básico. Hoje temos uma sobra enorme, um surplus, porque descobrimos formas mais eficientes e aplicamos para fins individuais. Isso acabou ajudando mais do que apenas o indivíduo que as criou. O motor a vapor, a eletricidade, a agricultura, a medicina, tudo criação de gente egoísta, cujo único objetivo é produzir, acabou por tornar o mundo ordens de magnitude melhor. Nenhuma revolução social na história pode clamar pelos mesmos resultados.

Você se importa em diminuir a pobreza? Milton Friedman já explicava porque o Livre Mercado é melhor para os pobres.

Existem apenas 3 liberdades básicas que realmente importam:

  1. o direito à liberdade de expressão;
  2. o direito a produzir e manter para si o que se produz via trocas voluntárias, sem roubo ou escravidão;
  3. o direito a procurar e conquistar seus próprios objetivos, sem obrigação de servir à vontade de outros.

Um indivíduo produtivo "egoísta" tem como único objetivo produzir, criar. Nunca roubar.

Ninguém tem direito de restringir a liberdade de qualquer outra pessoa, forçando sua própria moral cinzenta, sua própria agenda, seus próprios objetivos, se não for pelo meio exclusivo de "trocas voluntárias". Nenhuma moral cinzenta tem direito de se justificar a imoralidade da escravidão de um indivíduo, por nenhuma justificativa, não importa por qual objetivo.

E esse é o problema: um falso justiceiro social tem como único objetivo ser um justiceiro social; ter a aceitação e validação dos demais. E para isso ele necessita da existência do sofrimento alheio, qualquer um, para justificar sua existência e sua identidade. Portanto o objetivo não é acabar com o sofrimento alheio. Se uma forma de sofrimento acaba, logo será necessário outro tipo de sofrimento para se levantar uma causa, e esse é o círculo vicioso. Pois seu objetivo não é produzir, é se alimentar do sofrimento dos outros, é a escravidão do sofrimento alheio à validação de sua própria identidade.

Um produtor, um criador, não está necessariamente interessado em "causas". Certamente não é uma regra. Independente dos motivos, ele quer criar. E isso basta. Para um falso justiceiro, isso não basta, ele precisa tomar de quem produz em benefício de alguma "causa". Um justiceiro quer tirar o que você tem, mas não o que ele próprio tem - porque ele não produz - em nome de alguma moral cinzenta. E não é por qualquer causa, somente as que interessam a ele. É a velha e eterna briga entre os que produzem e os que tomam, a moral cinzenta de Robin Hood.

E isso é uma pena pois desvaloriza quem realmente dedica sua vida a causa sociais. Sejam médicos, bombeiros, policiais, soldados, e diversos anônimos que não gastam seu tempo postando em redes sociais, julgando os outros e criando discórdia, mas que trabalham silenciosamente, sem expectativa de reconhecimento público.

Quer reconhecer um real justiceiro social dos parasitas sociais? Procure por Não demonstração de busca por reconhecimento.

Conclusão

O objetivo deste longo artigo? Apenas expor conceitos universais, meus princípios pessoais, que são invioláveis e incorruptíveis. Os principais pontos:

  • A única coisa realmente moral são as trocas voluntárias. Nunca forçar a escravidão, física ou moral, de qualquer indivíduo.
  • Não existe "verdade" decretada por algum grupo ou maioria. Existem idéias, algumas válidas outras inválidas. Mas se não forem idéias falseáveis, refutáveis, provavelmente são falsas por premissa, não importa a aparente moral que representam ou a quantidade de "evidências" que existam.
  • Não existe "autoridade moral", isso é o domínio dos charlatães. Duvide de qualquer um que force sua propriedade (sua ação é sua propriedade, sua liberdade é sua propriedade) em nome de qualquer tipo de "causa", não importa quão justa ela pareça. Não procure por heróis.
  • A única coisa que realmente nos tirou da Idade Média e nos lançou à modernidade foi graças às mentes que produziram para benefício próprio (sem exigir unilateralmente a tomada da propriedade de ninguém, seja material ou mental).

Veja o século XX e compare ao século XIX e anteriores. Ninguém explicou isso melhor que Hans Rosling, da Gapminder:

Gapminder

Não se torne uma vítima da minoria dos falsos justiceiros sociais, aprenda mais sobre esse perigoso grupo Orwelliano - nada menos do que a "Polícia do Pensamento", como profetizado no universo despótico de 1984. Esse tipo de pensamento Não é novidade, existiu por todo o século XX, mas o advento da Internet e principalmente da Redes Sociais nos trouxe um ambiente selvagem onde reinam os rumores, notícias falsas, pseudo-ciência em geral. É onde o Racionalismo Crítico pode te salvar.

Princípios invioláveis e incorruptíveis são simples. No mundo axiomático da matemática, 2 + 2 é 4, não existe "maioria" ou grupo que, por clamor ou voto, pode mudar esse resultado para 5 ou 6, não importa a moral ou autoridade de quem faz o clamor. Você não precisa de validação! Você precisa, sim, assumir a responsabilidade pelas próprias ações e não justificar seus erros como sendo o resultado de seguir a moral cinzenta de outra pessoa.

Repetindo:

"Eu nunca vivo por causa de outra pessoa e eu nunca peço a qualquer pessoa para viver por minha causa. Eu aceito somente trocas voluntárias para mútuo benefício."

E com esse princípio vamos continuar a evoluir o século XXI como fizemos no século XX, não importa quem nos tenta roubar, quer você concorde com esta exposição ou não.

Já estamos fazendo isso.

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