[Off-Topic] O Mundo Hoje é Muito Bom! Feliz 2013!

2013 January 02, 02:05 h - tags: philosophy off-topic principles insights

Atualização 15/01: Este é outro artigo Why 2012 was the best year ever dizendo a mesma coisa: estamos muito melhor hoje do que em qualquer outro momento do passado. Por que parece que não? Porque muita gente alarmista diz o contrário. E por que eles espalham que o mundo está pior? Óbvio, para que elas possam se sentir "heróis" de fazer "alguma coisa", para elas te fazerem sentir pior por não fazer como elas. Claro, sempre devemos estar melhorando mas não às custas de alarmismo irracional e pânico.

Resolvi começar este ano de 2013 com um artigo que espero que ressoe como uma mensagem positiva para iniciar bem este ano. A mensagem é simples:

O mundo hoje é bom, muito bom, e está ficando cada vez melhor.

Por outro lado fico frustrado toda vez que vejo gente teoricamente "estudada" que prefere acreditar que o mundo está piorando, que estamos pior hoje do que estávamos ontem. Hoje somos "impessoais", não brincamos mais na rua, não temos mais solidariedade, queimamos nossas florestas, todas as corporações são vilãs, o povo sofre mais.

Deixe-me dizer que eu, respeitosamente, discordo de todas essas e todas as outras idéias de que estamos piorando. Um dos motivos simbólicos deste artigo hoje é porque passamos por 2012, uma das últimas profecias conhecidas de "Fim dos Tempos" e passamos por ela como se não fosse nada (aliás, nunca foi nada mesmo).

É claro, qualquer um que lê as notícias sabe que temos metrópoles cada vez mais superlotadas, surtos de violência acontecendo o tempo todo em várias partes do mundo, ainda temos diversas guerras acontecendo no Oriente Médio, intolerância religiosa e terrorismo, desastres naturais que "parecem" resultado do famigerado "Aquecimento Global".

Tudo isso verdade. Nada disso é sintoma algum de que o mundo está piorando.

First World Problems

O Mundo está melhor

A despeito de todas as profecias cataclísmicas, vou resumir rapidamente: o mundo é melhor hoje do que já foi 50 anos atrás, 100 anos atrás ou milênia atrás. Felizmente existe gente de ciência, fazendo pesquisa e trabalho sério, que conseguiu acumular dados durante anos e anos e hoje temos como comparar ítem a ítem. Uma dessas organizações é a Gapminder que disponibiliza todos esses dados para vocês podem ver com os próprios olhos.

Recomendo assistir as palestras no TED de Hans Rosling interpretando esses dados. Ele vai demonstrar como nas últimas décadas nós de fato aumentamos a expectativa de vida da maioria das pessoas do mundo, melhoramos a qualidade de vida, diminuímos drasticamente os níveis de pobreza, diminuímos a malnutrição, diminuímos as diferenças. Em resumo, a grande maioria das pessoas hoje vive melhor, com mais conforto e por mais tempo. A violência também está diminuindo como mostra essa palestra do Steven Pinker pro TED. O livro Abundance de Peter H. Diamandis também vai lhe dar mais dados dessa nossa era de abundância.

E mesmo o tão temido Aquecimento Global é constantemente questionado. Muitos cientistas não estão convencidos com os dados que temos. E não é importante se o Aquecimento Global é "real", claramente existe gente ganhando muito dinheiro e notoriedade a partir do "medo" causado por esse possível fenômeno natural. Assista ao documentário Cool It onde o pesquisador Bjorn Lomborg desmistificará cada um dos ítens que você - leitor deste blog - certamente não parou para pensar até agora.

Exemplo: se o protocolo de Kyoto tivesse tido sucesso como os lobistas queriam, ela apenas diminuiria a temperatura do mundo em 0.008 graus Fahrenheit até o ano de 2100! E se a política climática da União Européia diminuiria a temperatura em somente 0.1 graus Fahrenheit ao custo de ridículos USD 250 bilhões anualmente pelo próximo século! Com metade desse dinheiro poderíamos acabar com a pobreza, a fome e as doenças do mundo.

Mesmo se todo mundo dos Estados Unidos passasse a dirigir Prius, isso não colaboraria com 0.5% do carbono que tecnicamente deveria ser cortado até o meio do século. E mesmo se todo mundo nos Estados Unidos passassem a usar somente lâmpadas que economizam energia, isso não colaboraria com 0.2% do carbono a ser cortado.

O comediante George Carlin foi quem explicou isso da forma mais clara que já vi:

Estão entendendo?

A Quem isso Beneficia?

Nenhum "pequeno ato", como reciclar uma latinha de alumínio, individualmente hoje faz muita diferença - não se preocupe, também não faz mal por si só. O que realmente faz a diferença são os avanços contínuos da ciência. Foi a experimentação disciplinada e acúmulo de conhecimento que um dia nos levou à agricultura, eliminando a possibilidade de fome com a superpopulação do mundo - coisa que vem regredindo com modas como "comida orgânica", que nega anos de evolução da tecnologia agrônoma que garantiu que nossa geração existisse.

Agora a razão desse artigo é questionar o óbvio: a quem tudo isso beneficia? A resposta que parece mais óbvia são as grandes corporações que sabem tirar vantagem financeira disso. Mas eles não são o problema. O problema são as pessoas que tornam isso fácil pras corporações, transformando todas essas discussões em julgamentos morais.

Hoje em dia se eu digo que não ajudo nenhuma causa "social" eu sou culpado de alguma forma pela desgraça de alguém. Uma história que me perturba até hoje foi contada por um amigo meu que respeito muito. Me contou como ele, que é um empresário bem sucedido, se sente um pouco culpado por ter mais do que os outros. Por isso, quando pode, ele oferece esmola e coisas do tipo. Um dia, se me lembro direito, um desses mendigos esnobou essa esmola. E esse meu amigo não sabia se podia se sentir frustrado como estava se sentindo.

Essa é minha longa discussão sobre os Direitos do Homem. E para deixar bem claro vou dizer em todas as palavras: eu não tenho nenhuma obrigação de ajudar ninguém, da mesma forma como ninguém tem nenhuma obrigação de me ajudar.

A palavra-chave aqui é "obrigação". Eu sempre tenho a escolha de ajudar ou não, mas nunca a obrigação. Exercer essa escolha é uma opção individual que não deve ser julgada por ninguém.

O mundo é simples: tudo aquilo que eu produzi, pelo meu esforço, é meu e de mais ninguém. Se eu quiser doar a alguém, é uma escolha minha. Se eu quiser jogar fora, é outra escolha absolutamente válida minha. E ninguém pode ter direito a algo meu, e ninguém pode julgar o que faço com algo meu. A recíproca é verdadeira: eu nunca terei direito a nada de ninguém de graça, e nunca devo julgar o que os outros fazem com suas próprias posses. É simples.

Esmola e doação é a mesma coisa. Eu darei a quem quiser, quando quiser e se quiser. E não julgo ninguém que doe ou que não doe. Agora, me deixa muito irritado alguém ter a audácia de achar que pode me julgar pelo que eu faço com algo que é inteiramente meu. Volte à minha história: porque esse meu amigo precisa se sentir "culpado" por algo que ele não tem culpa? Tudo que ele ganhou foi pelo próprio esforço e suor, é dele. Mais do que isso, o trabalho dele possibilitou muitos empregos, possibilitou inclusive que outras empresas existissem, gerando riqueza indireta a muita gente. Porque ele precisa se sentir culpado por não dar de graça algo que é dele?

Essa é a prostituição da mente que pessoas que trabalham sofrem diariamente. Quanto mais trabalham, quanto mais se esforçam, quanto mais ganham, proporcionalmente mais se sentem culpados, mais se sentem julgados pelos outros. E quem são esses "outros"?

Este é o verdadeiro alvo do meu artigo, quero explicitamente expor os que se beneficiam dessa orgia de falso-altruísmo e ignorância. Pessoas carismáticas, que falam bonito, com discursos inspiradores (principalmente quem fala em justiça, inspiração e motivação), que usam muita hipérbole, que apresentam quase nenhum dado com fontes de credibilidade.

Todos usam os mesmos discursos, as mesmas formas pomposas e sem conteúdo, eles mostram vídeos com o mundo se despedaçando, pessoas apáticas, criancinhas, falando os mesmos "Devemos ..", "Precisamos ..." de sempre:

"Precisamos nos unir", "Precisamos ser mais solidários", "Precisamos nos preocupar mais", "Precisamos pensar no próximo", "Precisamos largar o celular e nos conectar de verdade", bla, bla.

BULLSHIT!

Qualquer um que diz muitos "Precisamos", falando sempre em primeira pessoa do plural "nós", está claramente querendo ser o ditador de um grupo. Alguém que individualmente tem pouca capacidade e por isso incita mais gente para ganhar a credibilidade das massas. E uma vez que existe um certo número de pessoas, qualquer coisa que ele disser parece ter alguma validade.

E isso só é possível porque permitimos. Porque não olhamos os dados, não procuramos saber os fatos, nos emocionamos facilmente por qualquer vídeo bem montado que tenha animais, paisagens, crianças, especialmente se mostrar vídeos de crianças em alguma região miserável do interior da África. Batemos palma a todos esses demagogos.

E sabe o que fazem demagogos como esse quando tem massas seguindo? Fazem todos os que estão efetivamente trabalhando, criando e produzindo riquezas no mundo se sentirem culpados. Fazem suas massas olhar para essas pessoas e pressioná-las para "compartilhar" sua propriedade, fazendo-as se sentir mal caso não dividam. E elas fazem isso não de forma violenta, mas de forma "alegre", colocando as pessoas de propriedade no meio de suas massas e dizendo coisas como "pessoal, esse cara não seria hiper-legal se doasse o que tem para nossa causa?" batendo palmas e sorrindo sarcasticamente, ao mesmo tempo que envergonha, coloca o produtor na parede, sem saída.

Isso senhores, chama-se estelionato. É uma atividade fraudulenta, criminosa e, obviamente, ofensiva. Vamos ser claros: eu não vou me sujeitar ao sofrimento de atos criminosos. E você também não deveria.

A lição aqui é simples. Se alguém vem lhe falar de outra pessoa, ou grupo, faça a pergunta, "a quem isso beneficia?". Se alguém lhe diz "a empresa tal deve estar falindo já que não tem dinheiro nem pra doar pra essa causa social tão importante". Por que essa pessoa repassando a informação se importa? A quem isso beneficia? E mude a pergunta: "por que a empresa não doar significa necessariamente que ela está ruim financeiramente?". Claro, porque a alternativa "porque a empresa não tem interesse em doações" parece "moralmente ruim" demais para ser considerada. E justamente essa alternativa é a mais óbvia. Porém chegamos num ponto tão degradante da moral que ela é quase considerada um crime.

Memes

Não caia na conversa

Por isso prestem atenção: o mundo hoje é melhor do que ontem. Não tenha dúvidas disso. E doações, participar de causas sociais, são todas coisas válidas. Mas julgar os outros por não participar não é: é um crime.

Qualquer empresa, qualquer trabalhador, realiza uma operação muito simples: trocas. Um trabalhador troca o valor do que produziu por dinheiro. Uma empresa troca um produto que produziu por dinheiro. Já uma pessoa que participa de causas sociais troca sua capacidade de trabalho por outro tipo de dinheiro: consciência. Todo tipo de doação é uma transação financeira do seu dinheiro ou posses por "você se sentir bem consigo mesmo". É efetivamente uma troca comercial como qualquer outra, afinal você já viu alguém doar com o objetivo de se sentir mal por isso depois?

E isso é mais óbvio quando você encontra os famigerados solidários-de-fim-de-semana. Gente que quer comprar karma positivo por estar frustrado, deprimido, infeliz consigo mesmo. Daí resolve querer participar dos movimentos de "salvar o mundo", doar dinheiro, doar tempo, doar trabalho ou algo assim. Mas tão logo se cansam disso logo estão na praia, num churrasco jogando futebol, debaixo do sol na piscina. Mas agora eles estão "moralmente com crédito" e se colocam na posição de julgar os outros dizendo "eu ajudei e você não".

Só para constar, não estou falando de todos que são solidários. Muitos levam isso a sério de verdade, são anônimos na maioria dos casos, porque elas não estão nisso pra chamar a atenção mas sim pra ajudar os outros. Porém o tipo que estou falando está no negócio de "se sentir bem" e isso requer atenção, requer dizer pros outros como são pessoas boas, como todos deveriam fazer como elas para se sentir bem da mesma forma. Como viciados oferecendo drogas porque elas fazem se sentir bem.

E elas estão preocupadas com as criancinhas? Veja o trauma que as estão fazendo passar contando falsas histórias de fim do mundo:

Agora, a existência de pessoas assim é justamente mais uma evidência de como nossos tempos hoje são melhores. No começo do século XX ninguém estaria dando nenhuma atenção a "causas sociais" como hoje, muitos sequer tinham o que comer direito, não tinham roupas, morriam por doenças comuns.

Só que esse grupo está cada vez mais incômodo, mais chato. Se não ficou claro, eu sou totalmente a favor de causas sociais sérias, e odeio totalmente os hipsters-solidários-de-fim-de-semana. Existem movimentos sérios que merecem respeito sendo manchados por esses grupos. Quer realmente se doar a uma causa? Por favor junte-se a organizações como a Cruz Vermelha, trabalhe nisso tempo integral, e nunca obrigue fisicamente ou moralmente alguém a tomar a mesma escolha que você.

Aliás, isso vale para causas sociais mas também para qualquer tipo de "causa". Fiquem espertos pra variar, tem muita gente esperta querendo que você faça o trabalho sujo por eles. Suspeite de qualquer um que fale por "nós", pelo "bem de todos" ou qualquer demagogia barata desse tipo.

O mundo hoje é melhor, verifique os dados, ela está cada vez melhor e tudo que precisamos fazer é trabalhar e produzir mais e mais riquezas. É assim que o mundo chegou ao ponto de hoje e é assim que ele vai continuar melhorando. Não é retirando (pejorativamente também dito como "compartilhando") riqueza dos outros, é produzindo mais.

Silicon Valey

First World Problems: I have a job

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