[Off-Topic] Primeiras Impressões do iPad (2/2)

2010 April 05, 11:56 h - tags: apple obsolete

Leiam a introdução na Parte 1

E finalmente, vamos falar um pouco sobre o aparelho :-)

Como disse antes, o iPad é tudo aquilo que todos já disseram na maioria dos sites de tecnologia que são relevantes: é um aparelho muito bem feito, que passa uma sensação de robustez quando você segura. O sistema operacional é elegante, refinado e trás a experiência ganha com quase 3 anos de iPhone. Na prática, se você já usou um iPhone, definitivamente vai conseguir usar um iPad com zero problemas, afinal o iPad é um iPhone Touch grandão, o que é excelente e inteligente.

Tela

A tela de 9.7" com 1024×768 pixels de resolução é excelente. Muitos reclamaram da borda ser muito larga quando viram as primeiras fotos, mas eu diria que não poderia ser menor. Como o aparelho pesa mais de meio quilo, seria muito desconfortável segurá-lo com a ponta dos dedos. Mesmo assim eventualmente eu ainda acabo apertando alguma coisa por acidente nas bordas dependendo de como estou segurando. Portanto a borda é do tamanho certo.

A tela tem o mesmo tratamento oleofóbico do iPhone 3GS, que tenta evitar marcas de gordura dos dedos. Mesmo assim, não tem jeito, o aparelho vai ficar sujo de gordura, não importa o que você faça. Só resta limpar com um pano seco de tempos em tempos. O que também é uma coisa óbvia porque a tela é de vidro. Vidro fica manchado de gordura, é um fato da física, não há o que fazer.

Por outro lado, a Apple foi uma das primeiras a fazer telas de vidro em vez de plástico e isso é excelente porque pelo menos não risca com facilidade. Aliás, você precisa se esforçar muito para riscar essa tela. Além disso o vidro não distorce as cores e as imagens como muitos tipos de plástico, o que garante imagens com cores saturadas e vivas, e tudo muito nítido. Do lado ruim, vidro reflete e por isso, dependendo de onde você está e com qual iluminação, o reflexo será um problema. Quanto mais a imagem mostrada for escura mais reflexiva é a tela. Desligado ele funciona como um espelho.

Muitos dizem que não e eu não testei diretamente, mas pelo que vi sob luz do sol será difícil de usar o iPad. Se você tem um iPhone a qualidade é muito parecida, então teste com seu iPhone, será a mesma coisa. Por outro lado eu não gosto de filtros anti-glare porque escurecem a imagem, diminuem a nitidez. Eu não acho que seria bom usar aparelhos como esse sob luz direta do sol e não vejo porque isso seria necessário. Abaixo de qualquer sombra já é usável.

Na maior parte dos casos o uso de um iPad será dentro de casa ou no escritório, ou seja, em ambientes fechados. Nesse caso não vejo nenhum problema para o reflexo já que não é difícil mudar um pouco de posição para não ficar bem contra uma fonte de luz. Usando dentro de casa, não tive nenhum problema. Como ele é mais flexível para se movimentar do que um notebook, esse problema é bem menor do que com um Macbook.

Chassi

Mesmo os botões em hardware são quase os mesmos de um iPhone. Tem o botão de “Home” na frente do aparelho que faz a mesma coisa. O botão de sleep/wake no topo, o botão de volume na lateral direita. De diferente tem um botão extra para travar o acelerômetro, o que facilita porque diferente do iPhone ele é grande e não é difícil que a tela fique rotacionando dependendo se você está no sofá, deitado na cama e assim por diante.

Fora isso você pode colocar um fone de ouvido no topo do aparelho, tem o conector padrão de iPod embaixo e saída de som que, por acaso, é muito bom. Nada comparado a uma caixa de som independente, mas para um aparelho como esse é um som suficientemente bom e alto o que é útil para assistir vídeos do YouTube! por exemplo.

O WiFi suporta 802.11n em vez de a/b/g do iPhone, ou seja, a conexão de rede nele é mais veloz que no iPhone, mas ainda assim menor que no Macbook porque ele não suporta usar múltiplos canais simultaneamente, ainda. Na prática, a velocidade é muito boa.

Testei meu teclado Bluetooth conectado ao iPad, vou falar sobre isso mais abaixo.

Aplicativos

Novamente, todos viram ou assistiram como os aplicativos no iPad funcionam, se por acaso ainda não viram, apenas assistam o Guided Tour da própria Apple.

Apple iPad – Guided Tour from Daniel Peters on Vimeo.

E eles funcionam exatamente como propagandeado nesses vídeos. Rapidamente, o Safari é idêntico ao do iPhone, mas maior, com suporte a aba de bookmark na barra de ferramentas e é muito mais veloz e performático. Como a tela é maior, você não precisa ficar fazendo muito zoom para ler. Tudo é muito nítido e extremamente agradável para navegar na web.

Outros aplicativos como Calendar, Address Book, Notes, Google Maps, Videos, YouTube, Photos, Mail, iPod, funcionam exatamente como deveriam. São simples, mais bonitos que no iPhone por causa da tela maior. Mas continuam com uma usabilidade comparável ao do iPhone, o que é bom.

A maioria deles foi feito para funcionar com o iPad em modo landscape. Isso faz o aplicativo girar e mostrar uma versão com duas colunas. Ele foi feito para segurar com as duas mãos, daí cada mão pode fazer scroll em uma das colunas. A coluna da direita normalmente tem o mesmo comprimento de quando se está em modo portrait, de pé.

De qualquer forma, se você já tem um iPhone, não há nada de muito notável nos aplicativos. Eles tem as mesmas características e exatamente as mesmas limitações também.

Uma coisa que a Apple sempre foi muito boa é em transições. Quando migrou do Mac OS 9 para Mac OS X, eles forneceram um ambiente virtual chamado “Classic” para conseguir rodar os aplicativos velhos. Quando migrou de processadores Power PC para Intel, eles embutiram o “Rosetta” que traduzia os binários de um para o outro dinamicamente, dando uma experiência transparente ao usuário.

Agora, no iPad, os aplicativos de iPhone funcionam perfeitamente. Porém eles não foram feitos para uma tela com tanta resolução. A solução é “estourar” os pixels do aplicativo, provavelmente com um filtro OpenGL acelerado pela placa gráfica. O efeito final tem algum tipo de anti-alias para não ficar estourado demais. Mas pense no resultado de se pegar uma imagem JPG de 460×320 e aumentá-la para 920×640. É exatamente esse o resultado que você tem no final. Funciona, mas não vou dizer que é confortável.

A imagem abaixo é um trecho da aplicação do LinkedIn com os pixels estourados para ficar maior na tela:

Eu prefiro não rodar aplicações que já não tenham sido feitas para o tamanho do iPad. Mas se precisar muito, funciona idêntico ao iPhone, inclusive o teclado digital é o mesmo do iPhone e não o do iPad. É como se os aplicativos estivessem rodando numa “máquina virtual”, embora isso não seja necessário porque ambos os binários rodam no mesmo processador.

Uma coisa que muitos desenvolvedores estão fazendo é criando Universal Binaries, ou seja, um único pacote que contém os binários tanto para iPhone quanto iPad. No próprio iTunes, a seção de aplicativos agora os agrupa em “iPhone, iPod Touch, and iPad Apps”, para aplicativos Universal, “iPhone and iPod Touch Apps”, para os que ainda não foram migrados e “iPad Apps” para os que são exclusivos do iPad.

Por exemplo, o Evernote, Instapaper Pro, Kindle App, Marvel Comics, Pandora, são Universal. Já o 1Password, Twitterific, Shazam, Pages, Keynote são exclusivos ou tem versões separadas de iPhone e iPad.

Uma coisa que poucos comentaram mas que é relevante é que o iPad, assim como o iPhone, não tem conceito de “arquivos” e “diretórios/pastas”. Ou seja, não existe o equivalente a um navegador de arquivos. Ainda não está claro qual é a estratégia da Apple nessa mudança de paradigmas pois até então os arquivos eram o centro da metáfora de Desktop com a interface gráfica. Agora no iPhone OS, o central é o aplicativo e dentro dele há o container dos “documentos”.

Em uma era de armazenamento online como o iDisk do Mobile Me, Amazon S3, DropBox, Box.net e outros, os documentos ficam fora dos aparelhos, nos servidores dos provedores de serviço. É o caso do Evernote, que sincroniza tudo online. Ou mesmo aplicativos de social networking como Facebook, Foursquare, Loopt, Gowalla, LinkedIn onde os dados são muito dinâmicos e precisam ser consultados online.

Porém, alguns aplicativos como o pacote iWork para iPad (Pages, Numbers, Keynote), permitem trocar arquivos entre o iPad e seu computador. Para fazer isso, o aplicativo se registra no iTunes e com isso na aba Apps aparece o seguinte:

Está claro que a Apple ainda não decidiu o que fazer com arquivos e como torná-los transparentes para os usuários comuns. Existem duas coisas que me incomodaram bastante e que quebraram a experiência para mim. A primeira é essa forma pouco prática de trocar arquivos entre os aplicativos do iPad e meu computador. A segunda é o aplicativo de Mail, que consegue visualizar arquivos como documentos de Word, Excel, PDFs e mesmo Pages, Keynote, mas não consegue salvar esses documentos em lugar algum. Se você quiser ver o mesmo documento depois, ele vai precisar baixar do seu servidor de e-mail todas as vezes, o que é bem pouco prático.

Além disso, claro, os aplicativos iWork são versões com menos opções do que os originais. Quando eu transfiro um arquivo, por exemplo, de Keynote, eu preciso explicitamente convertê-lo a partir do aplicativo no iPad. Eu testei com 2 apresentações bem pesadas que eu tenho, um com 125Mb e outro com 1.12GB (com muitos vídeos). No final do processo de conversão você recebe informações como esta:

No caso do Keynote, ele não suporta instalar fontes alternativas. Eu sempre uso a fonte Myriad-Pro que não vem nem no Mac e nem no iPad, ele substituiu para Helvetica. Para exemplos de códigos de programação, eu costumo usar o Monaco ou Menlo, que vem no Snow Leopard, mas não tem nenhum dos dois no iPad. Efeitos como gráficos 3D animados não funcionam. Algumas transições não funcionam. Me surpreendeu que alguns tipos de envelopes de vídeos não funcionaram, por exemplo, slides com vídeos em MP4 com encoding H.264 funcionaram sem problema, mas vídeos em formato MOV, mesmo codificado com H.264, não tocaram.

Imagino que documentos mais simples vão funcionar sem grandes problemas, mas apresentações com muitos efeitos de animação e que puxa o limite do Keynote, terão mais trabalho. Eu, por exemplo, precisaria adaptar bastante minhas apresentações. Infelizmente eu não recebi o cabo que permite conectar num projetor com VGA. Assim que puder testar falarei sobre ele, porque uma opção interessante é substituir o notebook para dar apresentações, o que me parece muito atraente.

Isso tudo dito, ainda estamos na primeira geração de aplicativos para iPad. Mesmo em se tratando de APIs idênticas ao do iPhone, o fato da tela ser muito maior muda bastante a usabilidade da aplicação e as formas possíveis de interação. Não basta apenas pegar o mesmo aplicativo e aumentar suas dimensões – alguns fizeram isso e o resultado é menor que medíocre. Imagino que em 2 ou 3 meses vamos de fato começar a ver aplicativos usando todo o potencial do iPad e imagino bons resultados até lá.

Killer Apps

Não dá para enfatizar o suficiente que neste momento, os Killer Apps para iPad são Livros e Revistas digitais. Por alguma razão, isso me lembra muito o começo dos anos 90, a era dos Multimedia-PC quando o CD-ROM para computador tinha acabado de sair e todo mundo vislumbrava um mundo digital com enciclopédias interativas, revistas com vídeos, e uma nova era de interatividade.

Muito disso morreu com a popularização da Internet. Ninguém mais houve falar de um Encarta, por exemplo, já que existe Wikipedia. O que temos hoje em dia são os “híbridos”, aplicativos que oferecem mais interatividade do que a Web comum, mas puxando muitos dados a partir da Internet. Algo impensável no começo dos anos 90 é que a maioria dos consumidores modernos já teriam acesso ubíquito à Internet não só em casa ou no escritório mas também na rua, graças a 3G e hot-spots Wifi. Podemos tirar vantagem disso.

Muitos dos aplicativos mais legais do iPad hoje são justamente revistas, jornais e livros educativos. Eu particularmente gostei dos aplicativos da Thomson Reuters para notícias, e da Time Magazine:

Outros como USA Today, Wall Street Journal, New York Times já lançaram ou estão preparando versões digitais de suas revistas e jornais. Com o sistema de você pode fazer micro-compras dentro de aplicativos, que a Apple liberou com o iPhone OS 3, é possível assinar revistas, comprar edições avulsas. Eles estão caprichando na tipografia para tornar a leitura agradável e na interatividade para navegar pelo conteúdo de forma não-linear.

Um péssimo exemplo de aplicativo foi o brasileiro “Estadão Tablet”. Ele é justamente o que eu disse acima: uma versão de aplicativo de iPhone esticado. A tipografia é ruim, muito mal uso do espaço útil. Enfim, comparado ao aplicativo da Reuters ou do Wall Street Journal, é uma vergonha. Espero que eles façam um novo do zero com algum conceito de “produto” envolvido no desenvolvimento. É exatamente o aplicaitvo que um “web designer” da era da Internet 1.0 faria.

De qualquer forma, eu consigo me ver totalmente eliminando revistas em papel da minha vida. Eu já quase não os consumo, e em versões digitais na verdade eu voltaria a comprar seu conteúdo. Os protótipos como da excelente revista Wired, deixam a expectativa em alta:

Se alguém aqui de revistas como Época, Veja, estiveram lendo, copiem a Wired, no mínimo copiem a simplicidade e beleza da Time, não copiem o Estadão! Eu totalmente consumiria uma Época Negócios se tivesse a mesma qualidade da Time, mais do que isso, assinaria a versão digital.

Aliás, o tamanho da tela é adequado para ler gibis (como o excelente da Marvel Comics), revistas periódicas (como a Time), jornais (como o WSJ). Muito se falou sobre eBooks mas o verdadeiro filão são os periódicos, justamente porque eles são “periódicos”, ou seja, se a aplicação for bem feita, o conteúdo for bom, as pessoas vão assinar e consumir indefinidamente. Imagine poder ler as notícias de negócios da Gazeta Mercantil enquanto toma um café sem precisar carregar aquele monte de papel-jornal. Eu acho isso muito melhor, sem dúvida. E os periódicos tem a chance de expandir seu conteúdo, colocando mais fotos, mais vídeos, agregando mais valor e tornando seu conteúdo muito mais atraente.

Para quem lembra, é a mesma coisa da era do CD-ROM. Eu lembro porque trabalhei com Macromedia Director, produzi CD-ROMs e a promessa era interessante, mas tinha um problema: a experiência acabava no instante em que você precisava se dar ao trabalho de colocar o CD-ROM no computador e instalá-lo. Isso deixava um monte de lixo instalado no seu sistema. Fora que você só tinha acesso ao conteúdo quando estava na frente do computador, portanto conversas informais num jantar, num bar, nunca tocariam nesse conteúdo, mas com o iPad a configuração é zero, dá para usar em ambiente informais com amigos para compartilhar e discutir a informação e você pode comprar “over the air” com zero fricção já que todos são no estilo “1-click-buy”, ou seja, clicou, comprou, e já fez download, especialmente à medida que conexões 3G vão melhorando de qualidade.

Apple vs Amazon

A Amazon.com foi pioneira com seu Kindle. Muito se falou sobre ePaper na época. É realmente fascinante falar sobre uma tela que exige zero energia para manter seu estado, tendo uma aparência parecida com papel, incluindo a possibilidade de ler sob luz direta do sol sem problemas.

Mas a verdade é que o aparelho sempre foi muito limitado. A taxa de redesenho da tela ainda é lento demais para ser interativo ou mais sofisticado. O fato de ser preto-e-branco com poucos tons de cinza não ajuda nada. Mesmo assim, foi um grande avanço.

A premissa é que com o ePaper sendo mais parecido com papel, facilitaria às pessoas comuns migrar com mais faciidade, cansando menos a vista. De fato, para leituras mais longas, com horas e horas de duração, o ePaper é bem mais confortável. Além disso, se a leitura for ao ar livre, num ambiente com sol, novamente o ePaper ganha.

Porém, eu imagino que do tempo de uso total de todas as pessoas que lêem, somente uma fração lê sob luz direta do sol e nem todos ficam uma tarde inteira lendo um livro. Se considerarmos que a maioria faz leituras de poucas horas, em ambiente fechado com iluminação controlada, o ePaper já não faz tanta diferença. Pior ainda, existe outro ambiente onde as pessoas lêem muito: à noite, no quarto, antes de dormir; ou dentro de um avião; ambientes com pouca iluminação. E nesse caso o ePaper começa a ser uma desvantagem.

As telas de LCD evoluíram muito, tanto em densidade de pixels, tempo de atualização da tela, iluminação de LED. Você pode controlar o brilho, elas são nítidas, legíveis, funcionam mal sob luz direta mas bem em ambientes controlados ou escuros. Na prática: para a grande maioria dos casos de uso, o LCD é bem melhor que o ePaper. Para as poucas ocasiões onde não é, você tem duas opções: levar uma revista em papel embaixo do braço (motivo pelo qual a mídia impressa ainda não vai morrer), ou simplesmente não ler.

A relação da Apple com a Amazon é meio “estranha” e pouco explicada. Mas há uma guerra de preços acontecendo no pano de fundo, entre eles e as editoras, uma disputa de precificação. Com a entrada da Apple, a Amazon perde sua exclusividade e ganha uma concorrente e as editoras ganham mais possibilidade de negociar. Por isso muitos se apressaram a dizer que o Kindle morreria.

Mas a equação não é tão simples assim. Para começar, o Kindle continua sendo adequado, e focado. O Kindle DX se parece muito com o iPad. Também tem uma tela de 9.7", mas de ePaper. Pesa 952g contra os 680g do iPad, mas tem apenas 4GB contra os 16GB (que pode ir até 64GB). Ele é mais fino em espessura. Por outro lado, custa US$ 489 contra os US$ 499 do iPad 16GB. Se eles baixarem mais o preço, continuarão sendo competitivos.

Por outro lado a loja online da Amazon conta com mais de 450 mil títulos entre livros, revistas, contra os cerca de 30 mil do iBookstore da Apple. Essa diferença deve diminuir rápido à medida que a Apple fechar negócios com as diversas editoras. Em breve elas serão quase equivalentes, mas a vantagem ainda é da Amazon.

Para os consumidores de iPad, seria uma grande desvantagem não ter acesso ao acervo da Amazon. Por alguma razão que eu não encontrei explicação, a Apple deixou de fora a aplicação iBook (o leitor de eBooks que também embute o iBookstore): você precisa acessar a App Store e explicitamente fazer o download gratuito do aplicativo antes de poder comprar e ler livros. Isso o coloca no mesmo patamar do Kindle.app, a aplicação nativa para iPad feita para se conectar à loja da Amazon. Agora você pode escolher não instalar o iBook e instalar somente o Kindle.app, ou ter os dois. E como a Apple não bloqueou esse aplicativo nem no iPhone e agora nem no iPad, outras lojas como a Barnes & Noble podem entrar na festa.

Na prática, para nós usuários, é como se pudéssemos escolher entre comprar na Saraiva Megastore, ou na Fnac, por exemplo. Quem tiver o menor preço e melhor qualidade vai ganhar. As editoras devem estar gostando e isso é um ganho para nós consumidores também.

O aplicativo iBook permite ler livros comprados no iBookstore da Apple, mas felizmente também permite ler livros digitais no formato EPUB, como meus livros que comprei na The Pragmatic Bookshelf. Basta arrastar os arquivos para o iTunes e eles aparecem na aba de Livros e sincronizam normalmente.

O aplicativo Kindle não possui uma loja online embutida, ele redireciona para o Safari e abre a versão Web. Não é ruim, mas seria muito melhor se no futuro eles implementassem uma loja de verdade como o iBookstore, que torna a experiência de comprar muito mais simples e agradável. Aliás, essa é outra coisa que a Apple faz direito: todas as suas lojas online da família iTunes são muito simples, muito diretas, escola essa que foi a própria Amazon que inovou mas ainda não refinou o suficiente.

Ambos os aplicativos permitem mudar o tamanho e a família das fontes, controlar brilho. A mudança de páginas, claro, é muito mais rápida do que no Kindle de ePaper. Podemos ver imagens coloridas em vez de cinza e ainda podemos usar recursos com o “pinch” com dois dedos para dar zoom nas imagens. Existem recursos de bookmark para guardar a posição onde estamos, dicionário embutido. Enfim, são muito completos e práticos.

Eu particularmente fiquei muito feliz de poder baixar meus livros da Amazon sem problemas no iPad. Significa que seu investimento em livros da Amazon não será em vão.

De qualquer forma, este é o grande nicho do iPad: livros, revistas e material educativo em formatos digitais. Eles ainda devem evoluir bastante na forma de interagir, baixar conteúdo. Temos aqui duas coisas crescendo juntos: o próprio iPad e o mercado editorial digital. Ambos estão no jardim da infância ainda, mas tem grande potencial como a Amazon já demonstrou. Uma coisa é certa: a Amazon encontrou um concorrente à altura.

Jogos

Eu só gosto de jogar em videogames, ponto. Jogar casualmente no meu iPhone também, mas não é algo que sou hardcore, portanto não poderei dar uma análise à altura para isso. Por isso podemos começar com alguns números:

O que os analistas estão acompanhando é que à medida que o consumo de iPhones/iPod Touches cresce, também cresce o número de compras de jogos no App Store e isso está canibalizando os mercados de players veteranos como Nintendo e Sony. Em 1 ano a participação do iPhone OS no mercado de jogos portáteis subiu de 5% em 2008 para quase 20% em 2009, e não parece que isso vai parar.

E não se esqueçam, 5% de um mercado que fatura US$ 10 bilhões por ano, não é pouca coisa. Novamente, parece que a Apple acertou sem querer. A plataforma Mac nunca foi adequada para jogos, mas parece que eles querem fazer diferente com o iPhone OS. O Nintendo DS tem a seu favor franquias conhecidas como Mario, Metroid e outros. O PSP tem franquias como Tekken, Gran Turismo. O iPhone ainda não tem grandes franquias, mas até mesmo a Square Enix resolveu entrar com um excelente RPG chamado Chaos Rings para o iPhone.

Ela vem se juntar a outros fabricantes como Electronic Arts, Sega, Namco, Taito, Capcom e franquias como Need for Speed, FIFA, Megaman, Sonic, Monkey Ball, Street Fighter IV. O iPhone/iPod Touch não começaram com o intuito de ser uma plataforma de jogos, mas rapidamente atingiram essa categoria por merecimento. O fato de ter um bom processador gráfico, o Power VR, ajuda muito. Suportar tecnologias como OpenGL ES ajuda mais ainda. Ao que parece o iPad deve herdar tudo isso, mas ao contrário dos seus irmãos menores, o iPad é grande demais para ser prático. Imagino que ele seja mais adequado para jogos de tabuleiro, cartas, poker e coisas do tipo do que jogos de ação.

De qualquer forma, o multi-touch preciso exclusivo da Apple é ainda mais importante em jogos, onde lags são mortais. Nesta categoria, uma tela que não tem a mesma precisão do iPhone não serve para nada. O acelerômetro é igualmente preciso, permitindo simular volantes virtuais e tudo mais. Enfim, engines de física se dão bem no iPhone OS graças a um hardware de qualidade superior a todos os outros do mercado. A Nintendo deve responder com algo à altura muito em breve. Se duvidam disso, assistam a demonstração do Nintendo DS 3D que foi anunciado recentemente.

De qualquer forma, a categoria que mais cresce no App Store sem dúvida são os jogos. Particularmente gosto do Super Monkey Ball e a versão de iPad está ainda melhor por ter gráficos de maior qualidade e tela maior que permite movimentos mais precisos. Para passar o tempo jogos como Bejeweled 2 ajudam e nesse caso estou jogando a versão de iPhone no iPad e apesar da tela esticada posso dizer que não ficou tão ruim assim. Já no caso de jogos com joysticks simulados como Megaman e Street Fighter IV, os controles ficaram comprometidos porque no iPhone estão no tamanho certo para usar os dedões, mas no iPad eles ficaram grandes demais para conseguir controlar com precisão.

Espero que eles lancem versões Universal logo, e com atualização grátis para quem já tinha comprado a versão de iPhone. Mas mais importante ainda é o fato do iPhone OS estar em uma plataforma estável. No mundo dos videogames, estabilidade de plataforma é mais essencial ainda. Os desenvolvedores precisam saber com que tipo de hardware podem contar. Por exemplo, não costuma ser um bom investimento fazer um jogo muito caro que necessita de um acessório externo a menos que você seja uma franquia como Guitar Hero. Se o hardware varia demais antes de você conseguir lançar seu jogo, suas vendas futuras estarão prejudicadas.

Esse é um dos problemas do mundo PC, porém, como é um mercado que já passou seu Tipping Point, ainda é lucrativo. Mas em mercados com menos gente como portáteis, a estratégia da Microsoft e do Google de licenciar seus sistemas operacionais e deixá-los ser muito customizados pelos fabricantes de hardware é uma péssima idéia. A experiência do jogador fica prejudicada porque um jogo que foi feito para rodar num Droid não necessariamente vai rodar bem num Eris. O que resta ao desenvolvedor é ir por baixo e usar menos recursos que os disponíveis e aí os jogos tem menos qualidade. É uma das razões do Windows Mobile nunca ter decolado como plataforma de jogo, a não ser para os triviais como Paciência. Nesse caso, o ambiente mais controlado e estável da Apple é ideal.

Mundo Corporativo

Este é um nicho que a Apple nunca se interessou muito e não é agora que vai mudar. Especialmente porque o mundo corporativo é, por definição, averso à inovação, averso à mudanças. Simplesmente a filosofia da Apple e os “engravatados” não combinam.

Mesmo assim, o iPad trás o mínimo. Eles até fizeram uma página mostrando algumas das características do iPad para os “enterpriseys”. Existe uma página similar, com soluções corporativas com o iPhone também.

O que grandes corporações precisam é de controle e facilidade. Eles querem conseguir configurar e reconfigurar centenas de dispositivos de uma só vez de um local centralizado usando túneis seguros de comunicação. O iPad e o iPhone suportam Policies e Profiles que podem ser empurrados aos dispositivos remotamente.

O iPad e o iPhone suportam conectar-se à sua VPN usando Cisco IPSec, L2TP, PPTP. Encriptação 802.1X com WPA/WPA2 Enterprise. Suporta RSA SecurID e CRYPTOCard. Tem suporte a Remote Wipe que permite apagar os dados do dispositivo à distância caso sejam roubados. Fora isso o cliente de e-mail consegue se conectar a servidores Microsoft Exchange usando ActiveSync.

Falando no cliente de e-mail, ele também suporta receber anexos em formatos conhecidos como Word, Excel, Powerpoint, além dos similares do iWork da Apple que são Pages, Numbers e Keynote, respectivamente. Mesmo com o iPad ele não é ideal para editar arquivos muito grandes ou complexos, no máximo para fazer alguns ajustes. E nem é perfeito ainda porque com a suíte iWork (que você precisa comprar no App Store a US$ 9.99 por aplicativo) você precisará converter de Word para Pages, por exemplo, antes de poder editar.

Em breve devem aparecer clones de Microsoft Office feitos para iPad que permitirão editar diretamente esses arquivos. E se a suíte iWork é alguma indicação, a tela multi-touch de 9.7" definitivamente tornará isso muito menos difícil do que era no iPhone.

Não deixe de ler a documentação disponível no site da Apple se você é do departamento de TI da sua empresa:

Para iPad:

Para iPhone:

E não podemos esquecer que todo o conjunto de ferramentas, IDEs, compiladores, depuradores, documentação e tudo mais para desenvolver aplicativos de iPhone e iPad são de graça (as in beer) e disponíveis para download a partir do site da Apple. Eles tem tutoriais, exemplos, ferramentas, fóruns e tudo mais que você pode precisar para começar a criar aplicativos para sua empresa.

Acessórios

De longe o melhor acessório para se adquirir é a Capa protetora da própria Apple. De longe o pior acessório é o Dock (se você comprar a capa).

No iPhone, qualquer capa faz o aparelho parecer muito maior e mais pesado do que deveria, por isso eu acho ruim qualquer coisa além de um desses “skins”, que são adesivos feitos para proteger apenas de riscos. No caso do iPad ele já é grande e pesado por isso uma capa extra não faz tanta diferença assim.

A capa da própria Apple é bastante justa e é difícil tanto colocar quanto tirar. Mas uma vez colocado ele é perfeito. Fechado parece um caderno bem fino de anotações e o peso não fica muito maior. A melhor funcionalidade da capa é poder dobrá-la para trás e usar como um apoio para deixar o iPad de pé. Para assistir vídeos mais longos, ou mesmo para usar o teclado digital, ele ajuda muito.

Só cuidado porque ele não é impermeável, então evite molhar. Aliás, o iPad não é à prova d’água então cuide dele assim como você cuidaria do seu notebook.

O Dock é apenas um Dock e eu disse que foi ruim comprar junto com a capa porque ele é difícil de encaixar enquanto o iPad está com a capa. Por sua vez a capa é difícil de tirar, então eu provavelmente vou acabar não usando esse dock para nada.

Ainda não estava disponível para comprar nem o dock equipado com teclado externo, nem o adaptador para VGA, nem o adaptador para câmera digital e SD Cards. Sim, o iPad vai permitir você ligar uma câmera digital e importar as fotos diretamente sem precisar importar primeiro no computador. Mas para isso será necessário um pequeno acessório da Apple.

Outro acessório que você talvez queira comprar é o extensor para tomada. O problema é que as baterias do iPad realmente duram mais de 10 horas de uso contínuo. Você literalmente esquece que existe uma bateria sendo consumida porque acaba a preocupação que temos com smartphones de “será que estou usando demais, será que a bateria vai acabar logo?” Porém, para recarregá-la é necessário mais energia do que muitas portas USB tem disponível. Por isso o ideal é sempre ligá-lo na tomada comum mesmo. Só que o cabo que vem com ele é bem curto e por isso um extensor pode ser útil.

A Macworld explicou que as portas USB em computadores da Apple fornecem 5 V (volts) e 500 mA (miliampéres). Isso está de acordo com os padrões para USB. Em alguns computadores mais novos, quando um dispositivo ligado pede mais energia eles conseguem dar até 12 V e 1200 mA. Mas os computadores mais antigos não conseguem fazer isso, então quando você ligar seu iPad ele vai dizer no topo da tela “Not Charging” (não recarregando). Cuidado com isso.

Pelo que pude ver – não cronometrei, apenas a olho – o iPad pode levar 4 horas ou menos para recarregar a partir do zero. Não é demorado. Para a maioria dos usos, você terá usado não mais que metade da bateria num dia normal de uso (em que você não está o tempo todo usando o iPad ininterruptamente), então em 2 horas ou menos você conseguirá recarregar. Se estiver fazendo uma viagem daqui até os EUA ou Europa, daí sim vai uma bateria inteira de 10 horas. Essa experiência será interessante, farei assim que possível.

Um acessório que inicialmente eu achei que seria legal mas pensando melhor vejo que não é o teclado acoplado ao dock e o problema é o seu formato. O teclado em si é fino e idêntico ao excelente teclado bluetooth da Apple. Porém o Dock tem um apoio na vertical para segurar o iPad e pé e ele não é dobrável. Por isso o formato do teclado é ruim para se colocar em qualquer lugar. Ele é ruim de encaixar numa mochila ou numa mala. Ou seja, ele não é portátil.

Provavelmente pensaram nele mais para ficar fixo no escritório ou em casa. Se você precisar de um teclado para usar enquanto estiver viajando ou coisa assim, o melhor é comprar o próprio teclado bluetooth mesmo. O iPad se sincroniza facilmente e imediatamente tudo funciona. Melhor ainda: como o iPad tem configuração para layout US International, é possível usar o teclado bluetooth para entrar com letras acentuadas.

Porém, se você já tem um teclado bluetooth – da Apple ou não – ele não pode ser compartilhado entre dois computadores diferentes. Você precisa desparear de um e parear no outro. É assim que a especificação USB manda fazer, não é uma escolha. Só que desparear e reparear toda hora é ruim, então o certo é comprar um teclado separado dedicado somente ao iPad. E eu vejo que a combinação da capa protetora mais o teclado bluetooth é ideal. Eu consigo ver isso facilmente funcionando num avião, num ônibus de viagem, ou outros lugares mais apertados.

Uma coisa a ter em mente é que o teclado digital do iPad ainda não suporta Português do Brasil. Portanto ele não tem dicionário para auto-correção e digitar acentos nele é ruim (você precisa mantar a vogal apertada até subir um sub-menu com as opções de acentuação). Portanto é impossível digitar rápido em português com ele até a Apple lançar uma atualização com esse suporte.

Em inglês a coisa flui sem maiores problemas. O teclado digital não é ruim, especialmente para quem não sabe digitar direito. Ou seja, tem muita gente que não fez aula de digitação e consegue digitar razoavelmente rápido usando no máximo 3 dedos, do indicador ao anelar (vai ter problemas de articulação no futuro, mas enfim). O problema é que quem usa os 5 dedos terá alguns problemas para ficar recalibrando os dedos no teclado.

Touch typists digitam sem olhar para o teclado. De tempos em tempos sabemos recalibrar instintivamente especialmente usando as marcações em relevo que todo teclado tem nas letras “F” e “J”. Isso nos permite localizar todo o resto automaticamente. O problema do teclado digital é que ele não tem esse feedback. Especialmente os dedos mínimos terão problemas em apertar as letras certas e voltarem ao locais corretos. Pretendo insistir mais, mas acho que é uma questão de física mesmo. Para textos curtos, olhando para o teclado de vez em quando, é possível manter um ritmo razoável. Mas não espere conseguir escrever uma novela inteira nele.

Enfim, a experiência de digitar no teclado digital só será boa em Português quando tiver o suporte com auto-correção porque daí podemos digitar sem se preocupar com acentuação porque o dicionário irá corrigir no ato. Sem isso é impossível digitar rápido em Português.

Conclusão

No final das contas, o iPad é tão bom quanto falam? É só hype?

Eu gosto bastante, e confesso que ele tem menos utilidade do que inicialmente aparenta. O gosto é pessoal, como eu disse antes, é como gostar de um time de futebol. Eu sou um Early Adopter, e essas coisas sempre me empolgam independente de para que serve. Eu sou do tipo que compro e depois encontro um uso para ele.

A grande maioria das pessoas não precisa de um iPad. O conjunto notebook e smartphone é mais do que suficiente especialmente porque as pessoas normais não se sentem confortáveis usando equipamentos eletrônicos por muito tempo. A maioria usa mais porque é obrigado e não porque gosta.

Equipamentos como iPad e iPhone não são para as massas, elas são para um nicho muito específico de consumidores. Em comum é que todos tem poder aquisitivo razoável, portanto não vamos falar nada sobre inclusão digital ou coisas do tipo, não é esse o mercado da Apple. Desse grupo tem os uber-geeks, os fanboys, que vão comprar independente se tem utilidade ou não.

Outros vão comprar por impulso. A vantagem dos produtos da Apple é que há um certo “status” em usá-los. Chame de superficial, mas muitos que tem iPhones e Macbooks compraram não porque gostam da plataforma UNIX por baixo dos panos, das tecnologias e sensores embutidos, etc, mas sim porque isso os faz parecer mais “cool” quando está numa sala de reunião ou num Starbucks.

É “cool” usar Apple.

É superficial mesmo, assim como é vestir Calvin Klein, Dolce & Gabana, se perfumar com Dior ou Kenzo, mas muitos gostam, eu gosto. Detesto me vestir mal assim como detesto equipamentos que me fazem passar vergonha. Inclusive muitos dos Haters, os que sentem o impulso de falar mal de quem usa Apple formam justamente o grupo de pessoas que precisam urgentemente de um personal stylist, que se vestem mal, cheiram mal, falam mal, apesar de serem de uma classe social maior, mas não conseguem ter estilo próprio. Apple não é apenas um fabricante de equipamentos, é um estilo. Assim como Chanel, como Mercedes.

Como eu disse, o iPad faz tudo que os artigos que listei no começo da Parte 1 dizem. Em termos utilitários, ele cumpre seu papel. Esse é o básico. Acima disso ele é de fato tão “cool” quanto aparenta. E é divertido de usar. Viciante e vai me fazer gastar mais dinheiro do que o normal porque é muito divertido navegar pelas lojas virtuais e sair comprando. Portanto esse jogo será o mais legal quando mais fundo for o seu bolso. É como estar em Las Vegas.

Daqui a algum tempo surgirão diversos clones, dezenas. Com funcionalidades “superiores”, mais memória, com câmera embutida, que sabem até fazer café pra você. Nem por isso serão melhores, mas serão o suficiente para aqueles que simplesmente são haters ou trolls. O mundo não é reducionista:

O todo é muito maior do que a soma das partes.

Mas as pessoas continuam pensando apenas na pequenês das partes. De que adianta um dispositivo pior que o iPad “mas que tem uma câmera de 8MP”. Oras, compre uma câmera de 8MP de verdade, que terá qualidade muito superior. “Mas este outro tem um slot para SD Cards”. Oras, quantas vezes durante o dia e quantos dias durante uma semana você efetivamente precisa de um slot de SD Card? “Mas este outro tem uma bateria removível.”. Novamente, oras, quantas vezes você realmente acha que vai precisar trocar a bateria de um aparelho que dura mais de 10 horas?

A soma dessas pequenas partes não faz um todo significativo, apenas faz um frankenstein. E todos sabemos quão “atraente” é um frankenstein. Mas isso não importa porque a real grande massa do Terceiro Mundo não se importa por qualidade, apenas por preço. Por isso mesmo aqui existe o fenômeno Xing Ling:

Quem consome produtos como esse são piores que os Fanboys que criticam. Eles querem consumir, mas não querem pagar pela qualidade, então compram genéricos que “parecem” o original, mas que, obviamente, simplesmente não funcionam. E ainda acham que estão sendo muito mais inteligentes por ter algo com uma “cara” parecida e que saiu muito mais barato. É triste.

Mas, se você aprecia boa tecnologia, fique tranquilo: o iPad é uma excelente aquisição e a Apple acertou de novo.

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