[Off-Topic] Meu Backup Pessoal (Drobo/Time Capsule)

2009 September 19, 16:16 h - tags: mac obsolete

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Eu não sou muito paranóico com backup mas tomo meus cuidados. Por exemplo, eu não tenho 100% de confiança em storages remoto, seja ele Gmail, Amazon S3, Dropbox ou qualquer coisa desse tipo. Esse tipo de serviço é uma ajuda extra, mas jamais deve ser o storage primário. Meus e-mails, calendários, contatos estão todos centralizados no Mobile Me, meu Gmail faz forward de tudo pro Mobile Me servindo basicamente como um bom filtro de spam.

Eu tenho uma cópia de tudo isso sincronizado no meu Macbook, e tudo no meu Macbook está guardado no Time Capsule de 1TB, via Time Machine. Portanto eu tenho pelo menos 3 cópias de todos os meus dados mais importantes.

Para outros dados menos voláteis como vídeos, programas, projetos antigos e coisas desse tipo eu tinha dois discos externos ligados, um de 400GB e outro de 500GB, via USB 2 no meu Mac Mini de casa. Eles faziam rsync entre si todos os dias às 4 da manhã. Eu deixo meu Mac Mini ligado o tempo todo, ele não consome muita energia, e é silencioso ao nível de parecer que está desligado, o que é muito importante. Ele próprio também faz backup de si no mesmo Time Capsule. Desta forma todos os meus dados tem pelo menos um backup.

Para o dia-a-dia carrego outro disco externo LaCie de 500GB. Todo dado importante nele tem uma cópia nos discos externos de casa, ele serve apenas para transporte. Porém, essa configuração ainda é muito ruim. Primeiro porque esses cases de disco externo tem cada um uma fonte de energia e um cabo USB. É muito cabo bagunçado. Segundo, eles não foram feitos para ficar ligados o tempo todo, não tem inteligência e consomem muita energia, são muito barulhentos, acumulam muito pó, enfim, são péssimos para esse propósito. O próprio rsync uma vez por dia não é adequado, pois eu fico com uma janela de 24 horas descoberto.

Redundância é extremamente importante. Eu já me vi pensando “que desperdício, tenho 2 discos que somam quase 1TB mas só posso usar 400GB.” Mas esse é o ‘seguro’ que se deve pagar. De nada adianta usar 1TB e depois um dos discos quebra e você perde metade dos seus dados. Por isso há pelo menos 2 coisas que se pode fazer: um mirror bem caseiro com rsync como eu fiz, ou montar um micro caseiro com RAID via software.

Há alguns anos uma empresa chamada Data Robotics apareceu em cena e lançou um dos produtos que está na minha lista de compra faz quase 3 anos: o Drobo. Ele é literalmente um robô.

Como diz a definição da Wikipedia:

Um robô é um agente artificial virtual ou mecânico. Na prática, é normalmente uma máquina eletro-mecânica que é guiada por um computador ou programação eletrônica e, portanto, é capaz de realizar tarefas sozinho.

É exatamente isso que ele faz. Ele é um “enclosure”, uma caixa-preta, onde você pode encaixar facilmente até 4 discos SATA. Ele inteligentemente sabe como gerenciá-los sem precisar se preocupar em configurar partições, volumes, etc. Basta encaixar os drives e ele faz todo o resto. Internamente, ele faz a configuração que for necessária para otimizar o uso do espaço, seja um mirror simples se houver apenas 2 drives até algo parecido com um RAID-5 quando se tem pelo menos 3 drives. Mas nada disso é visível, ele apenas “faz”.

Claro, existem opções muito mais “baratas” em termos de custo de material. Como já disse, qualquer PC velho com software no estilo do FreeNAS ou mesmo um Linux normal onde você configura RAID via software manualmente serviria. A chave aqui é não pensar só no “agora” e pensar no “daqui a pouco”. Os cenários que um storage desse tipo (seja feito em casa, um drive externo como o LaCie, um Windows Home Server ou coisa do tipo) é justamente rápida recuperação quando um dos drives falha, de preferência o mais próximo possível de downtime Zero e fácil expansão: quando eu comprar um drive maior, quero somente encaixá-lo e quero que o sistema se vire para fazer tudo funcionar.

Nenhuma das alternativas, montadas em casa ou comerciais, tem capacidade para garantir downtime zero e expansão flexível inteligente. Este é o diferencial do Drobo, que atualmente simplesmente não tem nenhum equivalente no mercado. Ele é literalmente à prova de BIOS, ou mais adequadamente “Zero Configuration”: você liga na tomada, liga o cabo Firewire 800 ou USB 2 no micro e pronto, ele faz o resto.

Assista este vídeo com a Cali Lewis, é tudo que você precisa saber sobre o funcionamento dele:

É apenas isso mesmo. Veja mais detalhes no site oficial dele. Sim, o preço dele é “salgado”, não sai por menos de USD 400, isso sem contar os drives. Se considerar com mais 2 drives de 1TB cada (ele precisa de pelo menos 2 drives, de qualquer tamanho), o conjunto não sai por menos de USD 600. E junte a isso, claro, a taxa do seu “importador”.

Disclaimer

Antes que alguém comece, não, não estou dizendo que soluções caseiras de RAID são ruins. Se o Drobo não existisse seria exatamente o que eu faria: compraria um micro com gabinete pequeno, um controlador RAID, instalaria um FreeNAS ou algo assim e pronto. Porém, dado que o Drobo existe esta é a solução que eu pessoalmente preferi.

O preço é bem mais caro, pelo menos 2 ou 3 vezes mais, sem sombra de dúvidas, mas a comodidade e segurança de longe compensam. Não é o tipo de coisa que você decide comprar num piscar de olhos. Eu esperei quase 3 anos antes de finalmente comprar.

Qualquer solução que: 1) possibilitar downtime zero de recuperação e; 2) expansão elástica com drives de diferentes capacidades, também com downtime zero; será uma alternativa tão boa quanto o Drobo.

Para começar, veja o tamanho dele comparado ao meu Mac Mini:

Minha experiência até aqui

Meu Drobo está em funcionamento a menos de 24 horas ainda. Mas até agora ele é exatamente o que eu esperava. A primeira coisa que fiz foi ligá-lo na tomada, instalar o Drobo Dashboard (que pode ser baixado do site). Na primeira vez ele pede para formatar os discos e gerar o volume. Depois disso ele já aparece no meu desktop como mais um volume montado.

Daí eu transferi todo meu conteúdo dos drives externos para ele. Fiz isso via rsync mesmo (caso a transferência parasse no meio). Foram quase 400GB de conteúdo que levou mais de 10 horas durante a noite transferindo (USB 2 não é exatamente a coisa mais rápida do mundo).

Isso pronto, pela manhã eu já pude retirar os drives externos. Só isso já me deu um enorme alívio: foram toneladas de cabos a menos embaixo da minha mesa, cabos USB em cima e aqueles cases feios e empoeirados. Minha mulher agradece. Veja como o case estava acumulando muita poeira:

Retirei os drives dos cases, limpei e imediatamente inseri nos dois slots sobrando do Drobo. Ele imediatamente reconheceu os novos drives e, sem precisar desmontar o volume ou parar de copiar arquivos para ele, o espaço disponível aumentou dinamicamente. Essa é a facilidade inegável dessa arquitetura: agora tenho 2 drives de 1TB cada, um de 500GB e outro de 400GB formando um espaço útil de quase 1.7TB redundantes.

Claro, a brincadeira não estaria terminada se eu não pudesse testar a maior funcionalidade dele: retirar e recolocar drives dinamicamente sem perder acesso do micro ao volume. Foi o que eu fiz: retirei um dos discos, enquanto tudo estava ligado, para simular um drive com falha. Meu Mac Mini nem pestanejou e para ele o volume continuava ali, intacto, e eu conseguia acessar os dados sem problemas. Recoloquei o drive e após alguns segundos todas as luzes já estavam verdes novamente.

Veja a quantidade irritante de cabos que tinha no chão embaixo da mesa:

A principal vantagem se chama paz de espírito: eu sei que na hora de um aperto, quando um dos drives falhar (e um deles vai, eles sempre falham) será tão simples quanto comprar um novo drive e espetar no lugar. Ainda tem tempo para encher esses 1.7TB, mas se encher, basta comprar um drive maior e espetar no lugar do drive mais velho. E assim por diante.

Em termos visuais, o fato de ter tirado aquele monte de coisas atrapalhando da mesa e colocado um monolito elegante e simples é uma grande ajuda. Ele é um produto que foi feito com cuidado: nada de parafusos aparecendo, ventoinhas barulhentas. É um monolito negro, e com ótimo acabamento. Inclusive a tampa da frente, que dá acesso aos drives, é anexado magneticamente, também dispensando a necessidade de uma chave de fenda. São detalhes desse tipo que demonstram o cuidado que um fabricante tem com seu produto.

Agora, veja como minha mesa ficou muito mais agradável:

Tem tudo que um bom produto precisa: é efetivamente funcional, extremamente simples de usar, transmite segurança, e tem um excelente acabamento, é bonito. O software também é simples, tem o suficiente para informar e operar tudo que preciso – e na grande maioria do tempo ele vai ficar desligado – além disso o hardware em si é eficiente em mostrar as informações mais importantes como o estado dos drives (luzes verde, vermelha e laranja) e um indicador azul onde cada led aceso indica 10% do espaço físico real já utilizado. Ou seja, basta olhar para ele para saber o que fazer.

O Drobo em si não é um NAS (Network Attached Storage – Storage anexado à rede). Para torná-lo um NAS é necessário outro produto chamado DroboShare que é basicamente um mini-computador, num design bem pequeno, que permite compartilhar o Drobo à uma rede. Você pode adquirir esse produto ou simplesmente ligá-lo a qualquer computador na rede. No meu caso, o Mac Mini é um excelente micro para ser um servidor caseiro. É pequeno, silencioso, consumo adequado de energia, e por isso vou manter os dois conectados e ligados o tempo todo. Com recursos com o Back to My Mac que vem no Mobile Me, consigo ter acesso a ele, de forma segura usando um canal encriptado, de qualquer lugar a partir do meu Macbook, seja do escritório, seja de algum hotel, aeroporto, etc. Muito conveniente.

Ainda tem pouco tempo de uso, esse tipo de produto precisa de meses para realmente começar a mostrar seu valor, mas para mim já valeu a pena o investimento.

Conclusão

Definitivamente estou muito contente com esta solução. Com o tempo esse tipo de solução deve ficar mais barata. Já está mais acessível do que era quando foi lançado, se não me engano era na faixa dos USD 500 ou mais. Além disso discos de 1TB há 3 anos eram muito caros. Hoje os discos de 2TB estão ficando acessíveis.

Ou seja, discos, assim como memória RAM e pendrives, estão literalmente baratos. São ítens que já foram bastante comoditizados. Pensando que a velocidade dos provedores deve crescer, que o nível de downloads deve aumentar, que o preço dos drives está caindo, a dinâmica de trocar de drives deve ser mais comum e a preocupação em manter tanto volume sem redundância é muito pior. É exatamente esse tipo de proteção contra o tempo que o Drobo vende. É isso que estou pagando.

Esta solução é mais do que adequada para uma pessoa física, como um storage para residências. Deve também ser mais do que suficiente para micro-empresas que precisam de storage para um servidor compartilhado de arquivos. Para pequenas empresas que lidam com volumes maiores de dados como estúdios, produtoras, vocês vão querer o Drobo Pro. É a mesma coisa mas em vez de 4 slots ele tem espaço para até 8 drives paralelos, permitindo inclusive montar o storage usando iSCSI via Gigabit Ethernet.

Para empresas média ou grandes, claro, não é esta a solução que você precisa. Procure storages de verdade, de grande porte, com hardware especializado. Além disso, lembrar que o Drobo não é a mesma categoria de produto que um HP Mediasmart. As características que mencionei no “Disclaimer” acima não se aplicam a quase nenhum outro produto. A maioria dos “storages” vendidos ao consumidor não são mais do que um HD SATA com um case glorificado. Pior ainda quando eles vendem um case com 2 HDs configurados em mirror como um striped set, onde se você perde um drive, perde todos os dados.

Finalmente, esta solução ainda não é completa. É o suficiente para uma residência. Mas se você tem uma micro-empresa e tem dados valiosos, você vai querer backup on-site e off-site (ou seja, guardado fisicamente fora do seu escritório). De nada adianta um backup onsite se seu escritório pegar fogo, ou se sofrer um roubo e ele for levado embora. Sempre garanta que seus dados estejam seguros fora daqui. No meu caso, residencial, é por isso que eu pago por um Mobile Me, para que meus dados mais importantes como meus e-mails estejam off-site, como contingência.

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