Conectando no MS SQL Server 2005 - Parte 1

2009 March 01, 07:42 h - tags: rails obsolete

Hoje, passei a tarde experimentando o básico da gem rails-sqlserver-2000-2005 que é a melhor versão de adapter para SQL Server que temos hoje. Só para entender, antigamente havia a gem activerecord-sqlserver-adapter que vinha junto com o Rails. A partir da versão 2.0.2, se não me engano, ela foi considerada obsoleta e retirada do pacote ActiveRecord. Depois de algum tempo, ninguém mais deu manutenção e ela foi esquecida. Foi quando o Ken Collins e amigos resolveram ressucitar esse projeto e ela se tornou a nova gem “2000-2005” no Github. Portanto, se você esbarrar em algum tutorial velho mencionando a antiga gem, esqueça-a.

Tecnicamente, tive vários pequenos probleminhas que levaram horas para eu entender por isso resolvi compilar num artigo para que eu não me esqueça de novo (já não é a primeira vez que faço a mesma coisa e sempre esqueço os detalhes).

Minha configuração é bem simples, um Macbook Pro com VMWare Fusion rodando duas máquinas virtuais: um Windows XP SP2 e um Ubuntu Intrepid Ibex Server. No meu cenário, o XP tem o SQL Server 2005 Express rodando e com o Management Studio também instalado. Eu quero uma aplicação Rails básica que simplesmente conecta nesse banco. E quero conectar a partir do próprio Windows, do Mac OS X e do Ubuntu como clientes desse banco.

Configurações do SQL Server

A instalação do SQL Server é simples, sem Windows Authentication mode (conectando via usuário e senha). Estou assumindo que você obviamente sabe usar SQL Server, caso contrário você precisa resolver esse problema primeiro antes de continuar. Eu mesmo tenho pouca experiência com a versão 2005. O único motivo de se usar Rails com SQL Server é se for obrigado a usar um banco legado. Hoje vou falar apenas de como configurar para conectar nele, outro dia falarei sobre como mapear tabelas legadas (por isso este artigo é Parte 1).

Outra coisa, neste exercício eu instalei também a base de dados de exemplo Adventure Works. Assim como o bom e velho NorthWind, este também é um banco de exemplo já populado de dados que usaremos no próximo artigo como exemplo. Baixe o primeiro MSI da lista e depois faça o attach do MDB. Uma última coisa, abre a partir do menu Microsoft SQL Server 2005 → Configuration Tools → SQL Server Configuration Manager. Configure conforme a figura abaixo. A idéia é ter a porta TCP 1433 ouvindo conexões porque não estaremos usando um driver nativo que suporta named pipes. Também assegure-se que o Firewall do Windows tem essa porta aberta.

Instalando e Configurando ODBC no Unix

Se você estiver usando Windows para criar sua aplicação Rails que vai conectar no SQL Server, pode pular esta seção inteira. Essa seção é apenas para os desenvolvedores em Ubuntu ou Mac.

Estou considerando que você já tem o Ruby instalado na sua máquina, que você entende o que são rubygems e que já tem o Rails instalado também. Se você estiver no Mac ou Ubuntu, antes de mais nada precisará manualmente instalar o antigo ODBC Binding for Ruby. Faça assim:

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cd /tmp
wget http://www.ch-werner.de/rubyodbc/ruby-odbc-0.9996.tar.gz
tar xvfz ruby-odbc-0.9996.tar.gz
cd ruby-odbc-0.9996/
ruby extconf.rb
make
sudo make install

Isso instalará as dependências que a gem dbd-odbc vai precisar. O DBD é um módulo para a gem Ruby-DBI. Em Unix, vamos usar ODBC para conectar no SQL Server. No Windows podemos conectar nele nativamente. Para continuar, precisaremos também ter o UnixODBC e o driver FreeTDS instalados (curiosidade: TDS – Tabular Data Stream – é o protocolo de comunicação cliente-servidor do SQL Server). No Ubuntu faça o seguinte:

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sudo apt-get install unixodbc unixodbc-dev
sudo apt-get install freetds-dev sqsh

No Mac OS X, assumindo que você já tem MacPorts instalado, faça o seguinte:

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sudo port install unixODBC
sudo port install freetds +msql

Só para garantir, no Ubuntu, coloque as seguintes linhas no final do arquivo /etc/profile

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ODBCINI=/etc/odbc.ini
ODBCSYSINI=/etc
FREETDSCONF=/etc/freetds/freetds.conf

Digite “source /etc/profile” para recarregar esses novos valores.

Se estiver no Ubuntu, edite o arquivo /etc/freetds/freetds.conf. Se estive no Mac OS X, edite o arquivo /opt/local/etc/freetds/freetds.conf. Sem apagar o que tem nele, apenas adicione no final do arquivo o seguinte conteúdo:

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[vmware]
        host = vmware.windows
        port = 1433
        tds version = 8.0
        encryption = required

Esclarecendo “vmware.windows” é uma entrada no meu arquivo /etc/hosts apontando para o IP do VMWare onde está rodando meu Windows XP (de dentro do Windows, digite ‘ipconfig’ num command prompt para saber qual o seu IP).

Agora, no Mac OS X, edite o arquivo /Library/ODBC/odbc.ini com o seguinte:

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[ODBC Drivers]
tds = Installed

[tds]
Driver = /opt/local/lib/libtdsodbc.so
Setup  = /opt/local/lib/libtdsodbc.so

Já no Ubuntu, edite o mesmo arquivo /etc/odbc.ini com o seguinte:

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[ODBC Drivers]
tds = Installed

[tds]
Driver = /usr/lib/odbc/libtdsodbc.so
Setup  = /usr/lib/odbc/libtdsodbc.so

O que muda entre o Ubuntu e o Mac é a localização do driver, um está a partir de /usr e o outro a partir de /opt (o MacPorts sempre instala tudo a partir de /opt já o Apt-get instala sempre a partir de /usr). Finalmente, vamos editar o último arquivo, /etc/odbc.ini no Ubuntu ou o /Library/ODBC/odbc.ini no Mac, onde ambos tem o mesmo conteúdo:

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[ODBC]
Trace = 0

[WindowsServer]
Driver      = TDS
Description = ODBC connection via FreeTDS
Trace       = No
Servername  = vmware
Database    = AdventureWorks

“WindowsServer” é o DSN (Data Source Name) do ODBC. No ítem “ServerName” colocamos “vmware” que é o nome da configuração que colocamos no arquivo freetds.conf. Isso liga o DSN ao servidor e porta TCP corretos. Finalmente, no ítem “Database” coloquei “AdventureWorks” que é o banco de dados de exemplo instalado que mencionei no começo do artigo. Você pode colocar o nome de qualquer banco de dados com o qual queira se conectar. Na realidade, nesse arquivo você pode configurar quantos DSN quiser, basta colocar um nome diferente de “WindowsServer” que eu coloquei de exemplo.

Configurando seu Projeto Ruby on Rails

Com tudo em ordem, primeiro instale as gems que vamos precisar:

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sudo gem install dbi --version 0.4.0
sudo gem install dbd-odbc --version 0.2.4
sudo gem install rails-sqlserver-2000-2005-adapter -s http://gems.github.com

No seu projeto Rails – assumindo que estamos usando a versão 2.1 ou superior – acrescente as dependências no config/environment.rb:

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config.gem 'dbi', :version => '0.4.0'
config.gem 'dbd-odbc', :version => '0.2.4', :lib => 'dbd/ODBC'
config.gem 'rails-sqlserver-2000-2005-adapter', :source => 'http://gems.github.com'

Agora vem a parte importante: no arquivo config/database.yml, se estiver no Ubuntu ou Mac OS X, coloque:

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development:
  adapter: sqlserver
  mode: odbc
  dsn: WindowsServer
  username: sa
  password: sua_senha_do_sql_server

Veja que colocamos aqui o DSN que configuramos no arquivo /etc/odbc.ini. Os únicos dados extras que você precisa passar são o usuário e a senha corretos que você já deve ter configurado no seu SQL Server. Note que estamos considerando que você não está usando Windows Authentication Mode – e nem pergunte se isso funciona, porque mesmo antes de Rails eu sempre preferi à moda antiga com usuário/senha mesmo.

No Windows, use o bom e velho Administrative ToolsData Sources (ODBC) para configurar o DSN apontando para seu SQL Server. Não se esqueça de especificar o banco de dados – no caso o AdventureWorks – no ítem “Change the default database to” no Wizard da ferramenta de ODBC do Windows. Então coloque o nome adequado no ítem “dsn” do arquivo config/database.yml. O comportamento deve ser idêntico em todos os sistemas.

Mapeando o primeiro model ActiveRecord a uma tabela do Banco

Feito tudo isso – ufa – crie um arquivo chamado app/models/person_address.rb com o seguinte conteúdo:

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class PersonAddress < ActiveRecord::Base
  set_table_name "Person.Address"
  set_primary_key "AddressID"
end

Crie também um outro arquivo app/models/person_state_province.rb com o seguinte:

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class PersonStateProvince < ActiveRecord::Base
        set_table_name "Person.StateProvince"
        set_primary_key "StateProvinceID"
end

Agora, você pode abrir o “ruby script/console” como de costume e já consegue:

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$$ ./script/console 
Loading development environment (Rails 2.2.2)
>> PersonAddress.count
=> 19614
>> address = PersonAddress.first
=> #<PersonAddress AddressID: 1, AddressLine1: "1970 Napa Ct.", AddressLine2: nil, City: "Bothell", StateProvinceID: 79, PostalCode: "98011", rowguid: "9AADCB0D-36CF-483F-84D8-585C2D4EC6E9", ModifiedDate: "1998-01-04 00:00:00">
>> address.state_province
=> #<PersonStateProvince StateProvinceID: 79, StateProvinceCode: "WA ", CountryRegionCode: "US", IsOnlyStateProvinceFlag: false, Name: "Washington", TerritoryID: 1, rowguid: "16274DF0-6F05-43A6-BC18-AD171017A1EB", ModifiedDate: "2004-03-11 10:17:21">

Finders básicos já devem funcionar. Porém, as tabelas definidas no banco AdventureWorks está bem fora das convenções do Rails e num próximo artigo pretendo explorar como fazer para mapear pelo menos a maior parte da forma correta. No estado atual, o ‘save’, por exemplo, já não vai funcionar por causa das colunas ModifiedDate e rowguid. Estou sentindo que o próximo artigo vai acabar gerando alguma biblioteca customizada para fazer monkey-patching no ActiveRecord de forma a ultrapassar esses obstáculos. Mas pelo menos se você pretende conectar a um banco legado apenas para ler seus dados, isso já deve ser suficiente, basta criar arquivos de model para cada tabela. As associações mais básicas também funcionam, como podem ver.

Para mais informações aguarde o próximo artigo ou já comece por esta página do antigo Wiki de Rails. Mais detalhes sobre ODBC, veja também os antigos artigos específicos para OS X e para Linux. Esses links são cache do Google para páginas do antigo Wiki do Rails, que já não existem mais, portanto esse cache pode ser apagado a qualquer momento.

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