Tradução: Contar é Perda de Tempo
Posted on September 01, 2007
Fred George é um ex-IBM, é programador há quase 40 anos e está na área desde antes da IBM criar o processo Waterfall (que ele enfatiza e eu concordo: funciona). Em seu blog Process, People, and Pods ele discute as vantagens dos métodos Ágeis do ponto de vista de alguém que realmente passou por todos os processos e tem experiência suficiente para discutí-las. Este último post seu eu achei particularmente engraçado. Então, aqui vai mais uma tradução:
Está lá, Você vê. Você tem essa urgência incontrolável de contar. É uma obrigação moral, uma chamada à guerra; sua missão pessoal.
Me refiro à contagem e medição de artefatos. Estou falando de gerentes de projeto e líderes de equipe, e algumas vezes programadores, testadores e analistas.
E se você parar um instante e pensar sobre isso, é uma grande perda de tempo. Uma filosofia melhor:
“Nunca conte seu dinheiro enquanto estiver sentado à mesa. Haverá tempo suficiente para contar quando o negócio estiver feito.” – Kenny Rogers, de The Gambler
Este pensamento é baseado em Lean (Inclinação), um processo emprestado da manufatura. Uma das práticas que Lean suporta é a identificação e eliminação do desperdício. Desperdício é largamente definido como qualquer coisa que não adiciona valor ao produto entregue.
Desenvolvimento Ágil de software produz uma montanha de artefatos, como stories, tarefas, casos de teste e código. Todos esses artefatos tem diferentes vidas úteis. Código permanece. Tarefas são artefatos transientes de desenvolvimento. Existe um tempo e lugar para contar cada um. Mas se a contagem ultrapassar essas barreiras: desperdício!
Aqui vai um exemplo real de um projeto Ágil. Ocorreu entre a administradora de projetos do cliente (meio que uma mistura entre um administrador e um gerente de projetos) e eu, em meu papel como líder técnico e treinador de processo. A discussão foi sobre cartões de tarefa. Uma tarefa é uma pequena unidade de trabalho de desenvolvimento identificado pelo programador para uma story, que por si só tem uma média de 10 ou mais tarefas, com uma grande variância.
Administradora de Projeto (AP): “Eu preciso rastrear os cartões de tarefa.”
Eu: “Vai existir um monte deles.”
AP: “Ainda assim quero rastreá-los.”
Eu: “Não poderia rastrear só as stories? Desenvolvimento só leva alguns dias.”
AP: “Ainda assim quero rastreá-los.”
Eu (vendo um padrão aqui): “Bem, se você realmente quer …”
AP: “Ótimo. Precisamos numerá-los.”
Eu (Estou começando a pegar): “Para que você possa rastreá-los?”
AP: “Sim.”
Eu: “Você pode colocar os números que quiser. Eles estão todos na parede.” (Note a técnica de delegar à pessoa que parece ter mais tempo livre).
AP: “E eu preciso das iniciais do par que trabalhou neles.”
Eu (não conseguindo ver um jeito mais fácil para livrar disso): “Ok. Marcaremos os acabados à medida que progredirmos. Colocaremos nossas iniciais neles.”
AP: “Preciso de uma estimativa para cada tarefa.”
Eu: “Duas a quatro horas.”
AP: “Não, eu preciso de uma estimativa para cada tarefa.”
Eu: “Duas a quatro horas. Nós dividimos a story em tarefas de 2 a 4 horas. Isso é uma estimativa.” [repeti várias outras vezes.]
AP: “Ok, marcarei um intervalo de 2-4 horas. Depois vou precisar dos tempos reais.”
Eu: “Não.” (Eu realmente tento não usar essa palavra com clientes, mas algumas vezes não há palavra melhor.)
AP: “Mas como vou rastrear quanto tempo realmente levou?”
Eu (tentando usar poderosa lógica Vulcan): “Se eu lhe der um número, será somente uma estimativa do tempo real. Temos que estimar para acomodar reuniões, distrações, paradas para o banheiro e assim por diante. Mesmo nós não sabemos o tempo real que levou.”
AP (depois de uma longa pausa para processar): “Mas eu preciso do tempo real.”
Eu (sentindo um pouco culpado por sugerir isso): “Você pode rastrear quanto tempo leva para fazer uma story, e apenas dividir isso.”
AP: “Ok, acho que isso funcionará.”
Eu estava sendo um pouco injusto com nossa administradora de projeto. A conversa toda acabaria incerta tão logo ela viu o número de tarefas que foram criadas, iniciadas e completadas a cada dia (cerca de 20-25 em média, por dia) a contagem custou somente uma semana.
A maioria dos consultores iriam sucumbir (e sucumbem) à pressão de contar. Alguns até defendem isso. Francamente, eu explorei meus cabelos brancos e usei minha voz de autoridade para levar o dia nesse caso.
Imagine o trabalho extra se esse processo tivesse sido estabelecido? Mesmo alguns minutos por tarefa impactam quando existem 3 mil tarefas em um projeto. E a pergunta matadora para isso:
… E como você usará essa informação?
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