[Akitando] #62 - Aprendendo "Fotografês" | Brinquedos de Miami

2019 September 26, 11:00 h

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Semana passada eu fui pra Miami e resolvi trazer alguns upgrades de equipamento pro canal. No caminho tive que aprender mais algumas coisas sobre fotografia que eu só sabia na teoria mas nunca tinha praticado.

O vídeo de hoje vai ser uma introdução a esses conceitos de fotografia e como eu configurei os brinquedos novos de Miami pra criar um novo "look" pro canal (que só vou mostrar mais pro fim do vídeo, claro)

Semana que vem também vou viajar de novo, então perdoem-me por estar semana sim, semana não com vídeos. Já já vamos voltar ao normal.

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SCRIPT

Olá pessoal, Fabio Akita

Semana passada eu tava viajando, acabei de voltar de Miami. Semana que vem estarei no sul, então vai ter outra semana de intervalo. Este mês tá mais complicado que o normal, acabou juntando viagens e palestras tudo na sequência. Paciência que em breve volto ao normal aqui no canal.

O episódio de hoje vai ser mais simples. Aproveitando que fui pra Miami resolvi tentar fazer mais alguns upgrades aqui pro canal. Se você assistiu meu episódio de um ano que soltei no fim de Agosto já tem uma idéia de como eu produzo meus vídeos. Mas eu ainda queria fazer algumas mudanças. Meu cenário é bem claro como vocês podem ver e eu queria mudar pra um cenário mais escuro, até o fim do vídeo vamos ver se consigo fazer isso.

Hoje vou ser mais geek sobre o equipamento e o que eu resolvi comprar pra ver se melhora um pouco mais a qualidade técnica dos vídeos e também consigo facilitar um pouco minha vida pra gravar e editar. A imagem final não necessariamente vai ficar melhor, mas diferente e eu vou explicar o processo do que eu queria fazer.

O vídeo de hoje vai repetir algumas coisas que já contei no vídeo de um ano do canal pra dar contexto. Pra variar, não vou só mostrar as coisas, quero aproveitar pra registrar o que eu aprendi pra não esquecer. Lembrando que eu não sou fotógrafo profissional, nem tenho treinamento em fotografia, tudo que eu sei eu aprendi sozinho e por isso eu sei que ainda tem várias coisas que eu não sei. Se tiver fotógrafos mais experientes assistindo, não deixem de me mandar mais dicas nos comentários! Enfim, em agosto de 2018 eu ainda não sabia se ia ou não conseguir mesmo manter a frequência necessária pra se ter um canal decente com vídeos no mínimo semanais. Por isso fui colocando equipamentos aos poucos. Eu comecei usando esta DJI Osmo, nenhum motivo em especial, só porque eu já tinha ela. Se não tivesse estaria usando meu celular mesmo, com um tripezinho vagabundo qualquer de 50 reais.

Mas depois de meia dúzia de vídeos, eu senti que comecei a pegar o ritmo, daí achei que era hora de comprar uma câmera de verdade. E sim, câmeras de verdade são BEM diferentes de câmeras de celular, mesmo do seu melhor iPhone 11 Pro ou Huawei P30 Pro. Antes de continuar, vamos repetir o que todo profissional deve estar cansado de repetir: megapixels não significa imagens melhores. Entre uma câmera de sessenta e oito megapixels com um sensor bosta versus um sensor de doze megapixels com um sensor decente, obviamente sempre escolha o sensor decente. Por isso, pelo custo benefício, eu escolhi a Canon Rebel T7i que em outros mercados também é chamada de 800D. Ela é uma câmera de vinte e quatro megapixels, mas ela é crop, não é full frame, é o tal custo benefício que eu falei.

Muitos youtubers melhores do que eu usam uma linha acima da Rebel, como as Canon 5D Mark III ou Canon 6D Mark II que em termos de megapixel é um pouco menos que a Rebel de vinte e quatro pra vinte e dois megapixels se não me engano. Porém, a 5D e 6D são full-frame. Além disso a Rebel grava vídeos de 1080p e a 6D grava 4K. A diferença é que a Rebel T7i custa 800 dólares e a 6D Mark III custa 1500 dólares, é quase o dobro de diferença.

Mas a escolha não foi só o preço. Se eu gravar em 4K só vai aumentar o peso pra edição e o tempo pra processar e exportar o vídeo depois. Ou seja, vai aumentar meu trabalho sem ganhos significativos. Na prática, existem duas grandes vantagens de se gravar em 4K, a primeira é que depois que você faz downsampling de 4k pra 1080p, a imagem vai ficar mais nítida. A segunda vantagem é que eu posso fazer zoom em alguns shots e não perder resolução se eu estabelecer a base de 4K, porque daí consigo fazer zoom de até 2 vezes sem as desvantagens de supersampling.

YouTubers, vamos dizer, semi-profissionais como um Peter McKinnon ou Casey Neistat usam algo como a Canon 5D Mark II ou a Sony A7 II. Na verdade, se você for investir em algo como a 5D eu altamente recomendo ver a Sony A7 II, ela é menor, mais leve, e pra coisas como vlog tende a ser melhor porque ela tem in-body stabilization, enquanto as Canon dependem de estabilização que vem na lente.

Youtubers, vamos dizer, mais profissionais, como o pessoal da Linus Tech Tips, MKBHD, Corridor Digital, usam o topo de linha das câmeras como as Hasselblad, ou BlackMagic que é a mesma que faz o editor DaVinci Resolve, ou as lendárias RED. São câmeras superiores que gravam 6K a 8K, mas uma Hasselblad acho que não tem por menos que 15 mil dólares, as BlackMagic já são mais acessíveis começando lá pelo 1,400 dólares mas você vai precisar de acessórios caros. Já a RED você precisa comprar o Brain que é o núcleo da câmera mais diversos acessórios também como os Mini-Mags de SSDs, o monitor, baterias. Algo como o Gemini Camera Kit pra começar não sai por menos que 27 mil dólares!

Definitivamente são câmeras pra quando se tem 1 milhão de inscritos pra mais com muitos patrocinadores. Como eu disse antes, não é só a câmera, fora o tanto de acessórios caros que essas câmeras exigem, agora você tem um workflow que exige editar videos em 8K que dependendo do codec como o REDCODE ou Cinema DNG ou Apple ProRes e da taxa de compressão pode ser algo na faixa de 200 GB por hora de vídeo e você precisa dar um jeito de editar e processar isso. Agora você precisa de uma workstation realmente potente, ainda mais potente do que o meu que eu já considero muito bom.

Esse é o teto que dá pra chegar, acima disso seriam câmeras como as Arri Alexa que Hollywood usa, mas tecnicamente falando, na grande escala das coisas, eu sou ainda um canal hiper pequeno, então a escolha de equipamentos tem que levar isso em consideração. Voltando ao que eu comprei, pra vídeos curtos, só o que vem na Canon Rebel seria suficiente, mas ultimamente eu ando tendo problemas. Meus vídeos estão começando a estabilizar em 40 minutos pra cima, alguns indo pra cima de uma hora. A bateria de uma Canon eu acho MUITO ruim, eu acho que ela não aguenta mais que uma hora de vídeo. Algumas vezes eu estou gravando, e dependendo do script eu acabo errando e esticando e pode chegar a 2 horas ou mais que eu preciso cortar depois, mas aí chegando perto do fim a bateria não aguenta e a câmera desliga. E quando isso acontece eu fico assim: (XINGANDO)

Primeiro que ele corta o que eu tava falando, daí eu tenho que regravar esse trecho. Mas o que mais me incomoda, pra trocar a bateria eu preciso mexer na câmera, e mesmo tendo cuidado é muito difícil manter a câmera exatamente na mesma posição. Olha só o mecanismo pra abrir o compartimento da bateria.

Esses cliques vão tirar a câmera da posição e se você estiver prestando atenção vai notar quando o cenário desalinha de um shot pra outro. Mesmo que vocês não notem, eu noto, e isso me incomoda muito. Então pra resolver isso comprei esse grip com compartimento pra duas baterias! Pro tamanho dos vídeos que eu gravo, duas baterias é mais que suficiente pra ir até o fim sem eu precisar trocar no meio e isso já me alivia muito!

O próximo item é a lente. As lentes não são só pedaços de vidro num case. As lentes da Canon são motorizadas pra ter estabilização e auto foco, ou seja o que eles chamam de AF Motor. E aqui vem o primeiro erro que eu fiz na minha compra, vocês vão dar risada. Eu jurava que estava usando a 50mm f/1.8 e por isso comprei uma 50mm f/1.4. Porém só quando voltei que fui ver que na verdade eu já estava usando a f/1.4 então no final acabei ficando com duas lentes …. Puta burrice. De qualquer forma, vou aproveitar a deixa pra falar um pouco sobre o que aprendi sobre lentes.

Lentes 50mm dizem que é uma das melhores pra coisas como portrait ou retrato mas mais do que isso ela é boa porque parece que é a que mais se assemelha com como nossos olhos vêem então deve ser mais natural. A lente que vem com a câmera também pode ser ajustada pros 50mm já que ela tem um range de 18-55 mas o f-stop dela é maior em f/4 ou seja, não é boa pra ambientes pouco iluminados, daí aqui no meu quarto eu sou obrigado a aumentar o ISO ou o shutter speed. Vou falar disso já já.

Aliás, se você queria saber a diferença de full-frame e crop, ou seja, entre a 5D e a Rebel T7i, é que a lente de 50mm na minha câmera na realidade seria como uma lente 80mm numa full-frame, ou seja, quase um short telephoto. Agora fodeu né? Relaxa, não é tão difícil assim. Deixa eu tirar a lente da câmera.

Olhem no centro, este é o sensor da câmera. Esta é a parte mais importante da câmera, aliás, NUNCA, JAMAIS enfie seu dedo nojento e gorduroso em cima do sensor. É este sensor que vai se sensibilizar com a luz e captar a imagem. Ela é que define os megapixels, por exemplo. Quanto mais luz cada pixel receber, melhor vai ser a imagem, essa é a regra. Por isso mais megapixels não se traduzem em imagem melhor se ela não recebe mais luz por pixel. Veja o tamanho de um celular em comparação, o sensor dela é muito menor, ou seja, a área física que recebe luz por pixel é muito menor.

Numa câmera full-frame, de cara você vai ver que o sensor é maior. Fora isso a câmera se chama "crop" porque ela faz um crop do frame completo. Por isso cada fabricante tem um fator de multiplicação, no caso da Canon é 1.6 então você precisa multiplicar a distância focal, no caso de 50mm, por 1.6 e por isso eu disse que a 50mm na realidade seria equivalente a uma lente 80mm numa full frame. Aliás, distância focal é a distância da lente pro sensor.

E isso é outra coisa que me confundia no começo. Maior distância focal não é só zoom. Existe diferença entre zoom e telephoto. Zoom pode ser wide-angle ou telephoto. Mas a maioria das pessoas acaba chamando quando tem mais milímetros de telephoto. Eu achei um exemplo bom no Quora pra explicar.

300mm é telephoto mas não é zoom porque ele tem longa distância focal mas não cobre um range de distâncias focais, por exemplo, não dá pra ir pra 250mm ou 400mm, é o que se chama de lente prime, que só cobre uma distância focal.

Uma lente 10-20mm não é uma lente telephoto mas é zoom, porque cobre um range de 10 a 20 mas com baixa milimetragem, por isso é wide-angle. Uma lente de 18mm não é nem telephoto e nem zoom porque é de baixa milimetragem e não tem range. Poderíamos chamar de lente prime wide-angle.

Já uma lente tipo 18-200mm é estranho. Ela é uma lente com zoom porque tem range mas pode ser considerada tanto wide-angle a 18mm quanto telephoto a 200mm.

Enfim, telephoto é bom pra esportes por exemplo, quando você tá na arquibancada e quer tirar a foto da cara do jogador em campo. Por isso você vê aquelas lentes gigantes na frente da camera, porque ele precisa de uma distância focal enorme pra conseguir enxergar tão longe. E por isso nenhum celular, por si só, tem capacidade de telephoto.

Pra dar uma idéia, a câmera da minha Samsung S10e só tem 12mm com f/2.2 de abertura. Aliás, é hora de falarmos de abertura, porque é grande diferença em lentes, eu achava que estava com a f/1.8 por exemplo mas era a f/1.4. A primeira coisa que sempre me confundiu é essa maldita medida de f-stops. Na prática aperture ou abertura é exatamente o que o nome diz, a abertura do shutter ou objetiva que é por onde a luz vai passar quando você aperta o botão de shutter. Quanto maior, mais luz passa.

No artigo que vou deixar linkado nas descrições abaixo você tem uma explicação melhor e mais detalhada mas na prática pense na objetiva fechada. Agora divida a área por esse número de f-stops, por exemplo, na lente padrão acho que ela é f/4 então a abertura seria um quarto dessa área. Se fosse uma lente f/16 seria 1 dezesseis-avos, ou seja, um buraquinho bem pequeno por onde passa pouca luz. Então num f/1.4 seria a área dividida por 1.4, ou seja, um buraco bem maior do que a metade da área por onde passa mais luz.

Então, um f-stop grande significa uma abertura menor, menos luz, e um campo de profundidade maior, em inglês seria large depth of field, onde você vê nítido tanto objetos próximos quanto objetos à distância como prédios ou montanhas. É bom pra ambientes iluminados, fotos de natureza, com muito sol. Daí a abertura tem que ser menor, ou a imagem vai ficar clara demais e vai estourar os brancos por causa de exposição demais à luz, que é o que chamamos de over-exposed.

Quando tiver um f-stop pequeno, como essa minha lente de f/1.4 a abertura é bem maior, então entra o máximo de luz possível, e também oferece um campo de profundidade mais raso, em inglês seria o tal shallow depth of field, onde você tem objetos próximos mais nítidos mas tudo no fundo fica blur, borrado, que é o tal efeito bokeh ou bokah que os celulares começaram a oferecer com o tal modo retrato ou portrait.

Só que em celular é um blur artificial feito digitalmente recortando a pessoa e aplicando blur digital no fundo, por isso o efeito é normalmente ruim se comparado a uma lente de abertura grande de verdade. E com abertura grande significa também que entra mais luz, mesmo em ambiente com pouca luz, como fotos durante a noite ou em ambientes fechados e pouco iluminados. Novamente, os celulares oferecem o tal night mode, que é outro processamento digital tirando várias fotos e recombinando pra conseguir extrair o máximo de detalhes mesmo com pouca luz. Aberturas grandes custam mais caro e por isso camera de celular normalmente são f/2 ou no máximo f/1.8.

Isso é um dos motivos de porque recomenda-se a lente 50mm f/1.8, pois ela tem abertura grande suficiente pra maioria das fotos em lugares menos iluminados e oferece o tão desejado efeito bokeh de verdade, sem processamento digital. Uma lente dessas tá na faixa dos 100 dolares. Agora qual a diferença desses 0.4 f-stops? 200 dólares! É isso mesmo, uma lente 50mm f/1.4 custa uns 300 dólares.

Deixa eu fazer outra tangente em fotografia. Exposição de fotos estão fundadas em três grandes pilares: aperture, ISO e shutter speed. Aperture eu acabei de explicar, basicamente objetiva que abre mais ou menos e deixa entrar mais ou menos luz. ISO varia de 100 a 12000 ou 50 mil em lentes mais caras ou 100 mil em lentes mais caras ainda. Mas ela é tipo você ir no Photoshop e aumentar o brilho ou exposure, você consegue tirar fotos em lugares escuros e aumentar o ISO se a imagem estiver muito escura, só que a contrapartida é que quanto mais você aumentar o ISO mais cheia de noise e grain ela vai ficar, sabe aquela sujeira digital que aparece em imagens escuras?

Pois é, idealmente você quer estar o mais próximo possível de ISO-100, raramente você quer subir pra mais que ISO-1000, eu não sei onde ISO acima de 12 mil é útil porque eu não sou fotógrafo, mas no meu caso acho que eu estou em ISO 600 ou 800 e pro meu caso acho que isso já é limite.

Quanto maior for a abertura, ou seja, quanto menor for o f-stop como meu f/1.4, menor pode ser o ISO e melhor vai ser a imagem, em ambientes escuros. Em ambientes claros uma abertura menor, ou seja f-stop 2 ou acima vai deixar entrar luz suficiente e também seu ISO pode ser menor. Idealmente, se você vai filmar ou tirar fotos em ambientes escuros, de noite principalmente, menor tem que ser o f-stop da lente, então esta minha lente 50mm f/1.4 seria boa pra tirar fotos mais nítidas a noite, evitando eu ter que subir o ISO demais.

A terceira variável é shutter speed. Aqui depende do efeito e da situação. Shutter speed é quanto tempo a objetiva vai ficar aberta coletando luz. Ela é medida em frações de segundo como 1 dividido por 4000, ou seja a objetiva fica aberta por 1 quarto de milisegundo. Shutter speed faz mais diferença quando você tá tirando fotos ou filmando objetos em movimento, tipo uma corrida, ou animais ou pessoas e você quer que apareça o blur do movimento na imagem em vez de congelar o movimento e tirar uma foto nítida de um instante do movimento.

Quanto mais lento for o shutter speed, ou seja, quanto mais tempo a objetiva fica aberta, mais desse movimento é registrado em cada frame, e isso causa blur de movimento. Quanto mais rápido for o shutter speed mais nítido é a imagem em movimento e menos blur. Aqui eu não tenho ainda muita sensibilidade de qual o melhor shutter speed pro meu caso, mas na prática, quanto mais rápido for o shutter speed, maior você quer que seja a abertura, porque o tempo pra luz entrar vai ser menor. Então a lente f/1.4 teoricamente deve ser melhor pra conseguir imagens mais nítidas de coisas em movimento também, onde você vai querer shutter speeds cada vez mais rápidos, sem aumentar o ISO.

Em resumo, você quer o menor ISO possível, sempre. Você quer a maior abertura possível, ou seja, menor f-stop, principalmente se quiser tirar fotos a noite, e você quer escolher shutter speeds rápidos pra imagens mais nítidas a menos que queira um efeito mais artístico de blur de movimento. As câmeras tem diferentes modos pra te ajudar, no padrão ele vem no modo automático, onde a câmera vai escolher shutter speed e aperture automaticamente pra você.

Pra maioria dos casos simples isso deve ser suficiente pra amadores como eu. Daí existe o modo manual, onde você deve escolher tudo manualmente, ISO, shutter speed, aperture e outras configurações de balanço de cor e tudo mais. Mas existem modos intermediários como o modo AV que é o modo Aperture-priority autoexposure, onde eu posso escolher o aperture manualmente e a câmera vai escolher o shutter speed e eu acho que vou testar mais esse modo, assim como também tem o modo TV que é Shutter-priority Autoexposure, onde eu poderia escolher o shutter speed e a câmera escolhe o aperture mais adequado.

Eu sou amador então eu estava usando o Creative Auto, que é um pouco menos automático mas eu deixo a câmera escolher o shutter speed e aperture. Como eu estou usando um softbox com muita luz e vocês podem ver que o ambiente fica bem claro, então mesmo no modo automático a câmera não precisa subir o ISO e por isso não fica com sujeira ou noise na imagem. Eu acho que ele deve manter o shutter speed por volta de 60, ou seja 1 sessenta-avos de segundo a um ISO de uns 200 usando o f/1.4 máximo da lente. Nas modificações que estou testando vou começar a usar modo manual mesmo e já já vou explicar como estou configurando tudo isso.

O desafio é escolher o exposure, a exposição adequada, ou seja, quanto de luz vai atingir o sensor e como. Quanto mais luz é melhor até o ponto onde não fique over-exposed. Mas você quer que o tempo de exposição seja o mais curto possível pra ter imagens nítidas. Falando em estático, quanto mais devagar for o shutter speed menos você pode mexer a câmera e vai precisar de um tripé. No meu caso eu quero evitar blur o máximo possível. O correto na realidade não é forçar os limites da câmera e da lente pra sugar a pouca de luz que eu tenho no meu quarto. Em vez disso a coisa mais óbvia que se precisa num ambiente de pouca luz é colocar mais luz. E agora a coisa fica mais complicada.

Você não quer qualquer luz, você quer luz soft e direcionada, ou seja, key light através de um difusor. Manipular a luz é uma ciência em si só. Desde o começo eu venho testando algumas luzes, mas na maior parte dos episódios do canal eu estou usando este softbox barato que comprei no mercado livre, e hoje ela tem quatro lâmpadas brancas fluorescentes de uns 1000 lumens cada. Isso seria mais ou menos equivalente a uns 16 watts por lâmpada. Existem diversos tipos de lâmpada, como lâmpadas incandescentes de tugstênio, halogênio, LED e assim por diante.

Quando se fala em luz pra estúdio, a maioria dos YouTuber semi-profissionais vai automaticamente dizer Aputure. É uma marca altamente reconhecida e toda vez que eu pesquiso esbarro neles. E o produto mais recomendado é o Aputure Light Storm C120D II, um canhão de LED voltado pra temperatura de luz do dia a 5500 kelvin e com capacidade de iluminação de 135 mil Lux. É a luz perfeita pra ser key light de qualquer YouTuber, especialmente se combinar com filtros opcionais como Fresnel.

O problema é que ela custa nada menos que uns 700 dólares. Assim como eu não preciso ainda de câmeras Blackmagic ou RED eu também ainda não preciso de uma Light Storm. Só se um dia eu decidir usar um estúdio mesmo. Felizmente existem outras opções, e eu achei a marca Godox. A mais ou menos equivalente à 120D II seria a Godox SL-200w.

A 120D tem LEDs de 180 watts e a Godox tem LEDs de 200w e custa quase a metade do preço, entre 300 a 400 dólares. Mas mesmo assim eu não preciso de tanta luz assim, as minhas pobres lâmpadas fluorescentes são só uma fração disso e iluminam razoavelmente bem. Aliás, as Aputure tem lâmpadas de tungstênio e LEDs, acho que a 120D é LED e a 120t é tungstênio ou algo assim, mas posso estar dizendo besteira.

Por isso eu escolhi esta Godox SL-60 watts, que deve ser mais ou menos equivalente às lâmpadas que já tenho. Isso aumenta minhas opções de trabalhar a luz a 100 dólares. Nada mal. E isso porque meu espaço é pequeno. Mas mais importante do que só a luz é o difusor e por isso eu resolvi parear essa Godox com um domo difusor da Aputure, o Light Dome Mini II. De novo, o ideal seria a versão maior, mas eu não ia conseguir trazer na mala então escolhi a mini mesmo por agora. O que eu achei interessante foi que eles incluíram o grid pra colocar na frente do difusor.

Aqui mais um pouco de tangente pra explicar. A luz que sai de uma fonte como uma lâmpada ou LED, pense nela como se fosse uma substância saindo em forma de jato direcionada pra frente. Quando ela bate em você ela vai projetar uma sombra bem definida, dura, ou "hard". Pra situações como a minha, luz na minha cara diretamente, isso destaca demais os defeitos faciais, buracos na pele, espinhas, ou qualquer coisa que torna a superfície irregular. Ela define suas características de forma muito dura, sombra do nariz, da boca, do pescoço. Luz hard é uma luz que mostra tudo, mais do que devia.

Pra melhorar essa cara feia aqui, começamos colocando um modificador. Modificadores são coisas como um Fresnel, space light, barn doors, no meu caso começo com o Light Dome e na frente dele um difusor. Assim o tal jato de luz que sai da lâmpada reflete no modificador e é quebrado no difusor que vai dividir essa luz pra tudo que é direção diferente.

Ela diminui a intensidade desse jato e ao mesmo tempo aumenta a área de iluminação porque agora a luz vai pra tudo que é lado, e por isso se diz que a luz vai ao seu redor, e com isso as sombras se tornam mais suaves e todos os seus defeitos também se tornam mais suaves, e por isso você pensa que eu sou muito mais novo do que eu realmente sou, porque essa luz apaga muitos defeitos. E é assim que eu venho filmando até agora.

Mas pro meu caso, o problema da luz ir pra tudo que é direção, como o meu softbox antigo também já fazia, é que ela ilumina meu cenário inteiro. Isso pra mim sempre foi um inconveniente porque eu acho que meu ambiente fica meio boring, chato, sem contraste entre as camadas da frente e de trás. Por isso eu coloquei os leds coloridos lá atrás pra deixar o fundo um pouco mais interessante.

Mas existe um segundo item que eu posso colocar na frente do difusor, que é um grid, e a função do grid é devolver controle, pra onde a luz vai iluminar. Ela ainda vai ser uma luz soft mas agora direcionada mais pra mim e menos pro fundo. Em teoria, no meu caso, isso deveria me destacar mais do que o fundo, criando duas camadas na composição. Além de colocar o grid que já veio no Light Dome Mini, eu também resolvi trocar o tripé que eu estava usando por um tripé girafa. A idéia é que em vez da luz ficar na minha frente, eu quero colocar ela mais pra cima de mim, dessa forma a luz vai ficar direcionada mais pra mim e menos pro resto do ambiente. Então deixa eu trocar meu softbox antigo por esta nova configuração e vamos ver no que dá.

(TESTE DE LUZ)

O que acham? Acho que todo fotógrafo e videógrafo profissional vai concordar que não tem nada mais importante do que o key light, e eu acho que a combinação desse Godox SL-60w com o Aputure Light Dome Mini deve ser o upgrade mais interessante até agora, embora isso tenha deixado minha configuração mais complicada e a qualidade da imagem não necessariamente tenha ficado melhor. O problema é que do ponto de vista da lente, o ambiente ficou de fato mais escuro. Como eu já estava usando o máximo da abertura em f/1.4, pra não subir o ISO e manter ela em 100, eu fui obrigado a diminuir o shutter speed de 60 pra 30.

Eu passei horas e horas testando essa configuração, mantendo o aperture fixo em f/1.4 eu comecei tentando aumentar o máximo do shutter speed pra mais de 500 pra ver se a imagem fica mais nítida. Mas aumentando o shutter speed tem menos tempo pra luz entrar e por isso eu era obrigado a aumentar meu ISO pra 1600. Só que eu já falei que aumentar o ISO aumenta a sujeira na imagem. O ideal é o ISO estar em 100. E a única configuração que chegou nisso foi shutter speed em 30 e isso mantendo a ilumintaçao da Godox em 100%. Eu preferia conseguir manter a luz da Godox em 50% ou menos, talvez aumentar o ISO pra uns 200 ou 400 e aumentar o shutter speed pra 125 a 250.

Só que nenhum dos testes que eu fiz com todas as combinações dessas variáveis me deixou muito contente. Então até eu testar mais vezes, por enquanto vou manter o Godox em 100%, o aperture em f/1.4, o ISO fixo em 100, e o shutter speed fixo em 30. Aqui é a hora que se alguém que tem mais experiência quiser mandar sugestões, não deixe de comentar abaixo.

Eu sempre quis meu fundo mais escuro mas isso significa forçar mais a câmera. A idéia da nova luz foi ter um difusor direcionado mais em cima de mim e com mais força mesmo colocando um grid na frente, por isso a Godox. Uma desvantagem que eu não sabia é que o Godox tem uma ventoinha barulhenta pra caramba e por isso eu preciso aumentar o filtro de redução de barulho em pós-produção, no Premiere. No futuro um upgrade seria trocar a ventoinha dele pra uma da Noctua por exemplo, que é mil vezes mais silenciosa. Aumentando o filtro de som em pós provavelmente a qualidade do som pode cair um pouco, espero que não dê pra notar.

Finalmente, vamos ao terceiro e último upgrade, e a segunda coisa mais importante depois da luz: o som. Muito antes de começar o canal, quando eu só tinha idéias de um dia gravar alguma coisa, eu já sabia que o som seria fundamental e eu também sabia que o som gravado num mísero celular ou mesmo em qualquer câmera como minha Canon Rebel seriam medíocres. No mínimo eu precisaria ligar um microfone com cabo ou wireless direto na câmera e deixar esse microfone o mais perto possível da minha boca. Mesmo gravando num ambiente fechado, sem barulho ambiente, como vento, e com pouco eco, só a distância de mim até a câmera já é suficiente pra garantir um som porcaria.

Por isso desde o primeiro episódio eu gravo o som separado num gravador com um microfone de lapela da Sony. Eu mostrei no episódio de um ano que eu uso este gravador da Tascan DR-05. Não chega a ser um problema mas é um inconveniente ter que gravar separado porque eu continuo gravando o som na câmera pra servir de referência pra sincronizar com o áudio do gravador e eu preciso fazer essa sincronia em pós-produção, na edição. É um passo extra que não consome tanto tempo porque a sincronização do Premiere é bem rápida, mas é um passo extra e mais uma variável pra causar problemas. Por exemplo, mais de uma vez eu tive problemas em esquecer de ligar o gravador numa pausa. Lembra que a câmera tem um tempo limite de 30 minutos? Então, a cada 30 minutos eu preciso religar a gravação do video e do áudio, e adivinha se eu já não esqueci de religar o áudio. Quando isso acontece eu tenho que falar tudo de novo. Quando eu vejo que não está gravado eu saio assim (XINGANDO)

A outra opção é um microfone wireless ligado direto na câmera e sendo gravado junto com o vídeo. Existem boas opções pra isso como o Senheiser 112P com microfones Lavalier pra ligar na câmera. Mas, como tudo até agora, essa opção é tudo menos barato. Iria me custar uns 600 dólares. Outra marca muito reconhecida é a Rode, muita gente usa o Boom Kit deles. Se você não sabe o que é um microfone boom é aqueles que fica em cima da gente usando um tripé girafa e que a gente coloca numa posição em cima da cabeça e que não aparece no vídeo.

Eu pensei em usar um boom kit mas eu fiquei com medo dele gravar eco junto e eu não estava muito a fim de encapar todas as minhas paredes com placas acústicas pra cortar eco. Sem contar que agora essa Godox faz um barulho enorme e ia ficar bem do lado do Boom. A Rode também tem outro produto que muito YouTuber usa, o RodeLink Wireless Filmmaker Kit, que é um microfone sem fio que eu posso colocar perto de mim e outro componente que liga na entrada de áudio da câmera. O problema é que esse kit não sai por menos de 400 dólares, não muito longe da opção da Senheiser.

Mas recentemente a Rode lançou um novo produto, o Rode Wireless Go, que é este conjunto de dispositivos. Essa parte vai ligada em cima da câmera e esta outra parte fica junto de mim. É um conjunto sem fio. Claro, a qualidade técnica é menor do que o Filmmaker Kit ou a Senheiser mas ela custa só 200 dólares. E eu comprei também este microfone de lapela Rode smartLav+ Omnidirecional Lavalier de 65 dólares com o adaptador 3.5 milímetros Rode SC3 de 15 dólares.

Ou seja, uma solução de 280 dólares versus uma solução de potenciais 600 dólares por uma qualidade razoavelmente similar pra substituir meu gravador Tascan de 100 dólares. Andei fazendo alguns testes e eu até acho que o som da Tascan é um pouco melhor e mais encorpado, e isso faz sentido considerando que é um equipamento dedicado só pra processar e gravar áudio. Mas considerando o passo extra que estou cortando na produção, é menos trabalho e menos possibilidades de eu errar, e isso já compensa.

Pronto, agora sim, som novo, luz nova, lentes novas, e é esta a nova qualidade técnica do canal pelos próximos meses. Em resumo então o upgrade inclui o pack de baterias pra câmera, o canhão de luz Godox SL 60w com o Light Dome Mini II da Aputure, o tripé girafa que eu comprei aqui no Brasil mesmo porque era grande demais pra trazer na mala, o Rode Wireless Go com o microfone de lapela Lavalier. O que vocês acharam? Fez alguma diferença esse novo estilo visual?

Eu também ia trocar o teleprompter por um Glide Gear TMP-500 mas esse foi o único item que a Amazon errou e me mandaram outra coisa nada a ver. E aqui vai uma diferença grande da logística nos Estados Unidos. Na mesma hora que eu recebi e vi que estava errado, entrei no site e cliquei em Refund. A UPS vai buscar no hotel onde eu estava, eu não preciso fazer mais nada, e em alguns dias o valor retorna pro meu cartão de crédito. Posso estar errado, mas se fosse no Brasil, eu ia precisar ir pessoalmente nos Correios pra mandar de volta, o que seria um puta saco. Pra qualquer e-commerce ir pro próximo nível a gente precisa de uma UPS que vem até aqui em casa buscar, não faz nenhum sentido eu ter que me deslocar até uma agência de correios pra devolver um ítem que foi entregue errado. Ter que ir até uma agência é muito anos 80.

De qualquer forma, fiquei contente com essa nova configuração. Ah sim, e por último uma coisa que esqueci mesmo de mencionar no episódio de bastidores de um ano, eu acabei de explicar sobre difusão da luz, mas não é só isso. Pra ajudar eu também uso outro truque que é este pó branco na cara. Isso é outro componente que ajuda a suavizar os defeitos dessa cara feia. Some isso à luz soft e o efeito é que parece que você tem pele boa, na verdade é tudo truque.

Enfim, tudo que falei hoje é aspecto técnico. Equipamentos não fazem um canal, é o conteúdo que faz e a forma de apresentar esse conteúdo. Não importa quantos milhares de dólares de equipamento você gaste se essa parte não está resolvida primeiro. Da mesma forma um Macbook Pro caro Não vai te tornar um bom programador. Um Porsche não vai te tornar um bom motorista. O máximo que um bom equipamento pode fazer é ajudar a ir um degrau mais longe se você já subiu os mil degraus anteriores da prática e do conteúdo. Eu só comprei esse equipamento todo depois de mais de um ano fazendo videos praticamente toda semana. E eu só comecei o canal quando eu acumulei mais de 20 anos de conteúdo e quase uma década de prática falando em público pra ter certeza que eu ia ter coisas úteis pra dizer que não é só copy e paste do que se acha facilmente googlando um pouco.

Como eu disse no começo, eu não sou nem fotógrafo e nem videógrafo profissional, eu ainda sou nível junior aqui e mesmo depois de muitas horas recombinando e reconfigurando tudo, ainda não está 100%, então se você tem dicas de como eu posso usar melhor ainda esses equipamentos novos, não deixe de mandar nos comentários abaixo, se curtiram o vídeo deixem um joinha, compartilhem com seus amigos pra ajudar. E não deixem de assinar o canal e clicar no sininho pra não perder os próximos episódio. Provavelmente semana que vem de novo não vai ter vídeo porque vou viajar de novo. Então mais um motivo pra clicar no sininho pra serem notificados quando eu soltar os próximos videos. A gente se vê, até mais!

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