[Akitando] #58 - Aniversário de UM ANO!! | Bastidores do Canal

2019 August 07, 17:00 h

Finalmente!! Chegamos a 1 ANO do Canal Akitando!

Foi uma jornada incrível, absolutamente difícil, eu praticamente me coloquei na missão de fazer o equivalente a 1 palestra completa, densa e detalhada, TODA SEMANA ao longo de 1 ano inteiro!

Quero compartilhar com vocês um pouco de como eu pensei no conceito do canal, como eu produzo os vídeos e um pouquinho de bastidores.

O vídeo de hoje não tem nenhuma grande missão a não ser comemorar! Obrigado a todos vocês que acompanham o canal e espero que continuem compartilhando os vídeos pra que esse acumulado de informações consiga chegar a mais pessoas.

Continuem compartilhando os videos pra ajudar o conteúdo a chegar a mais pessoas!

== Links:

=== Script

Olá pessoal, Fabio Akita

Se eu não errei minhas contas, o canal completa um ano esta semana. Eu tinha algumas metas na minha cabeça quando comecei o canal e hoje é o dia de falar dos bastidores. Acho que a meta mais interessante é a quantidade de inscritos, no momento que estou gravando este video o canal está com mais de 26 mil inscritos. Ainda tá longe de eu ganhar uma plaquinha, mas quando comecei o canal eu tinha na cabeça que se eu conseguisse chegar em 10 mil assinantes depois de um ano, já seria suficiente. Então eu diria que mais do que o dobro da minha meta não é nada mal. Obrigado a todos vocês pela ajuda e espero que continuem compartilhando os videos pra ajudar a levar o conteúdo pra mais gente.

Este canal não é a primeira vez que eu busco canais diferentes pra compartilhar meu conhecimento. Quem me acompanha faz tempo já leu os posts do meu blog, já deve ter ouvido o podcast de Ruby on Rails que eu fazia com o Carlos Brando ou minhas participações no Grok Podcast do camarada Rafael Rosa, os screncasts de Git e Vim que soltei em 2011, o primeiro livro de Ruby on Rails em 2007, enfim, é meio que uma obsessão pessoal documentar as coisas que aprendi de alguma forma. Eu acho um desperdício ter aprendido um monte de coisas que até hoje não são tão óbvias e esse conhecimento acabar em mim quando eu morrer.

Todo mundo já deve ter tido vontade de escrever um livro. Se você assistiu meu episódio sobre o Diário de Henry Jones, já sabe que eu sempre quis. Nos anos 2010 a mídia é video, e o canal é YouTube, então o objetivo foi começar a dar um dump do meu cérebro em forma de video. Vocês já devem saber que os videos não são monetizados e nunca foi objetivo eu tirar meu sustento do canal no futuro nem nada disso. Inclusive vocês vão notar que eu sequer uso pra fazer propaganda das minhas próprias empresas, porque eu quero que os videos sejam atemporais, que se você assistir em 2030 eles continuem valendo. Espero que o YouTube dure até 2030. Por isso também já recusei algumas propostas de patrocínio. Agradeço a quem teve interesse mas eu não quero colocar coisas no video que se tornem obsoletas com o tempo, como anúncios.

Na realidade o objetivo original do canal é que um dia eu termine. Ainda não tenho certeza de como as coisas vão andar, mas se for conforme eu visualizei um ano atrás, em breve vai acabar as coisas que eu tenho a dizer, e quando escrevi o primeiro episódio meio que comecei um rascunho do que seria o último capítulo também. Mas vou dizer que quanto mais gente aparece pra assistir menos me dá vontade de terminar o canal, então vamos ver.

(...)

Todo mundo quando pensa em bastidores de video começa imaginando um Adobe Premiere, ou Final Cut X e eu editando os diversos clips. Como eu já disse no episódio sobre os problemas que tive com o Premiere um mês atrás, a parte da edição na realidade é a mais fácil. A parte difícil começa antes. Quando eu sei o que eu quero escrever eu simplesmente sento na frente do computador, abro o Google Docs, e começo a escrever como se não houvesse amanhã. Se for um dia que eu estou na zona de concentração, eu consigo escrever 20 páginas de word de uma só vez. É a melhor sensação do mundo. Em particular, estou escrevendo os episódios 56, 57 e 58 tudo de uma só vez, meio porque eu já sabia o que queria falar.

O problema são as semanas que eu não tenho tanta certeza sobre o que dizer. Eu assisto dezenas de canais do YouTube e achei engraçado quando vi um no canal do Gigguk que fala de animes. Assim como eu, ele também escreve scripts antes e o processo dele é muito parecido com o meu, então olhem como a gente faz pra escrever scripts:

(.... video gigguk ….)

Pois é, a parte mais chata é escrever os episódios. Muitos episódios eu escrevo e reescrevo múltiplas vezes. Eu estou na página 6 ou mais, e resolvo que tudo que eu escrevi tá uma droga, apago tudo e começo tudo de novo. Vários episódios foram assim. No começo do canal eu ainda não tinha idéia de quanto tempo os videos deveriam ser. Algum lugar alguém falava que o ideal eram vídeos de não muito mais que 10 minutos, ou 15 minutos no máximo. Isso são umas 6 páginas de Word. Por isso vocês vão ver que meus primeiros vídeos são curtos.

Eu também odeio, odeio o formato de vlogs ou simplesmente videos que o autor dilui o conteúdo demais. Sério, tem videos por aí que entre apresentação, introdução, propaganda, leva uns 5 minutos pra chegar no assunto do vídeo, daí esse assunto é super simples e dava pra resumir em um slide de 30 segundos, mas aí ele dilui mais ainda esse conteúdo pra mais 5 minutos e finalmente leva outros 5 minutos fazendo gracinha e piada sem graça. E assim foram 15 minutos jogados fora. Horrível, fora o pacing lento, ritmo irregular, dicção ruim, áudio não normalizado que fica saltando o volume toda hora. Horror, horror.

Se eu ia fazer um video de 15 minutos eu faço questão que no mínimo 14 minutos sejam de conteúdo, e não mais que 1 minuto pra apresentação, intro e finalização. Eu como consumidor de conteúdo prefiro esse formato então é assim que eu ia fazer.

O nome do canal veio numa conversa com o povo do escritório. Eu ia gravar no meu quarto, como gravo até hoje, então num momento cheguei a pensar em “No quarto com o Akita” …. Éee eu sei! Felizmente camarada Harry deu a idéia de fazer o nome como um verbo e virou Akitando. Com o nome definido eu procurei algumas intros pré-prontas de After Effects, comprei, editei e assim você tem a intro que aparece em todos os videos. E o formato seria um Olá pessoal logo no começo e direto ao assunto. E no final eu queria parodiar fazendo a mesma coisa que todo YouTuber faz que é pedir o joinha e pra assinar o canal, e no final acabou ficando no formato também.

Os primeiros videos foram bem experimentais. Eu queria aproveitar que tinha acabado de começar uma peregrinação pelo mundo de blockchain, tinha acabado de lançar minha própria exchange de criptomoedas e comecei fazendo um vídeo sobre minha viagem pra Coréia do Sul. Assisti alguns tutoriais de Premiere, achei um site de teleprompter que é o easyprompter e coloquei no monitor. Como câmera eu tinha uma DJI Osmo que serve como estabilizador mas como eu não tinha uma câmera de verdade e nem tripé pro celular, acabei usando esse DJI como câmera, por isso a composição e foco são bem diferentes dos videos de hoje. Eu coloquei o DJI na frente do monitor e ficava lento o monitor atrás dele.

Os primeiros videos foram feitos assim, a camera na frente do monitor e lendo. Foi horrível fazer assim porque obviamente a camera uma hora ficava na frente do texto passando atrás. Mas eu ainda nem sabia se ia continuar com o canal mesmo ou não. Apesar de eu já ter estabelecido o conceito que eu não ia monetizar o canal e que não importava quantas pessoas assistissem, eu só queria tentar gravar alguma coisa, mesmo assim publicar o video e não ter mais que algumas pessoas assistindo, dói um pouco. Porque pra fazer cada video demora algumas horas de trabalho. Todo canal começa do zero, zero pessoas, zero views, zero interesse. Inscritos, visualizações e likes são métricas de vaidade, eles não são e não devem ser o objetivo, mas todo mundo gosta de ter um pouco mais de visualizações.

Enfim, independente disso, com zero views ou não, o processo de fazer um video realmente era divertido. Mas com o equipamento que eu tinha até então tava difícil. Foi quando decidi investir em comprar uma câmera de verdade, nada super fancy, só uma Canon EOS Rebel T7i e um teleprompter de verdade. No 6o video só que comecei a usar o novo equipamento, e já melhorou um pouco a qualidade mas a lente padrão que vem na câmera era bem ruinzinha. Então comprei uma lente 50mm chinesa via mercado livre que usei em alguns vídeos, mas vocês vão ver que a qualidade da imagem era uma droga. Acho que foi só no video do Diário de Henry Jones que comecei a usar a lente 50mm original da Canon e o auto foco é ordens de grandeza melhor. Daí venho usando a mesma configuração de câmera desde então.

Um bom video de conteúdo deve ser feito com um teleprompter, a menos que seja show ao vivo, claro. Todo bom YouTuber profissional deve planejar o conteúdo antes de apresentar. Eu acho um desrespeito sair filmando de qualquer jeito e ficar só enchendo linguiça. Eu não gosto de perder tempo e também não quero que quem assista meus vídeos perca tempo. Por isso eu gasto tempo escrevendo e refinando os scripts e depois uso um teleprompter. A dificuldade foi acertar a velocidade do prompter. Os primeiros videos ficaram mais lentos do que eu gostaria, levou alguns videos pra achar a velocidade certa, que na verdade é a velocidade máxima que eu consigo falar e manter a dicção correta sem mastigar palavras. Eu gosto de pessoas que falam corretamente, então o mínimo que eu devo fazer é falar o mais corretamente possível pra que todos possam entender.

O problema de usar um teleprompter é que ele é um sistema de espelhos e uma câmara escura. A gente coloca o tablet deitado, tem um espelho em 45 graus que vai refletir o que tem no ipad pra que eu possa ver mas não reflete pra dentro que é onde a câmera está posicionada, dentro de uma câmara escura. O segredo de uma boa imagem em qualquer câmera é dar a ela o máximo de luz possível e esse setup na realidade reduz a quantidade de luz que chega na câmera.

Eu também prefiro filmar de noite, depois das 20h pra garantir que tem menos movimento no prédio, nos vizinhos, na rua. Meu apartamento felizmente é bem vedado contra som, mas mesmo assim dá pra ouvir alguma coisa. Eu odeio barulho de fundo, então só me resta gravar de noite mas não tão tarde que eu fico com sono. Já notei que quando eu filmo com sono minha dicção piora bastante, daí eu sou obrigado a repetir vários trechos do texto, várias vezes e demora bem mais pra gravar.

Somando o prompter e filmar de noite, significa que eu preciso de luz artificial, muita luz artificial. Eu comecei com um ring light mas ele é muito fraco e só depois eu entendi que esse ring light é pra pessoas que querem aparecer com os olhos brilhantes. Mas como eu uso óculos isso nem ia funcionar. Finalmente comprei um bom soft box, que é um difusor de luz, e testei vários tipos de lâmpadas frias e finalmente consegui uma configuração de uns 4 mil lumens, que é o mínimo que meu ambiente precisa pra câmera conseguir captar boas imagens. O ideal seria ter mais um softbox com a mesma potência, mas por enquanto eu estou usando o ring light do meu lado esquerdo fora do frame pra criar edge light, que é uma delineação de luz no meu rosto de um lado.

(apagar ring light)

Falando no ambiente, meu quarto é um quarto normal, branco, tédio. Aos poucos fui colocando alguns elementos pra tentar criar camadas na composição. Vocês já devem ter visto meu lava lamp que não funciona no fundo. Eu quebrei o primeiro e comprei um segundo que não funciona. E falando em quebrar coisas, já quebrei um ou dois teleprompters na real. Eles ficam num tripé e são pesados em cima, então gravar com sono a noite tem outro problema além da qualidade: você esbarra nas coisas e quebra, pois é.

Recentemente eu resolvi comprar leds pra colorizar o fundo. Eu já tava de saco cheio do fundo branco. Outro erro que cometi aprendendo a editar foi errar no color grading, eu queria tentar deixar a imagem um pouco mais quente e exagerei em alguns videos que vocês podem ver que são um pouco demais alanranjados ou avermelhados. Só alguns meses atrás que eu finalmente acertei o color grading pra algo mais neutro, com mais saturação. Veja a diferença do que a câmera grava e de como fica quando eu coloco a correção de cores. Até aqui você está vendo com correção, agora vamos remover a correção …… e …. Colocar de volta, viram a diferença?

Ah sim, e vocês devem ter visto meus amiguinhos de pixel art que eu sempre deixo no fundo. Finalmente vou mostrar em maior qualidade. Eu comprei eles na Comic Con do ano passado, que aliás é onde eu comprei todas as camisetas que eu uso no canal. Todo mundo me pergunta onde comprei, e foi em lojas como Piticas, Geek, Riachuelo, e outras marcas que não lembro agora, e alguns eram exclusivos pra Comic Con então não se acha fácil. Além disso eu tinha comprado algumas em galerias da Liberdade também, como no Sogo. Este ano eu vou na BGS e na Comic Con de novo então vou acabar comprando mais camisetas suficientes pros videos do ano que vem.

Com o tempo também eu fui acertando a posição da câmera. Antes aparecia uma parte da minha cama, eu preciso jogar ela pro fundo do quarto pra dar distância pra câmera. Com o tempo eu achei uma composição que não preciso mais mostrar a cama. E com as luzes de fundo fica algo um pouco mais abstrato e com texturas. Não sei se todo mundo gosta, mas eu acho que pelo menos cria uma identidade diferente do que só um fundo branco. Eu particularmente não gosto de fundo verde e chromakey feito com câmeras como a minha. Eu só usaria chromakey num ambiente maior, onde eu posso jogar spots de luz no fundo verde pra tirar as sombras e mais softbox na minha frente com uma câmera 4K de verdade onde posso ajustar melhor a separação. Um dia eu vou tentar fazer isso mas não vai ser com esse equipamento e nem no meu quarto. Se um dia eu mudar pra um estúdio aí sim. Não tem nada pior que um chromakey amador, que fica cheio de aliasing nas bordas tipo cabelo, acho horroroso e jamais faria com o equipamento atual.

Uma coisa que realmente dá trabalho na edição é ficar toda hora pesquisando google images e outros bancos de imagens e mesmo capturar algum clipe de video pra colocar do meu lado no video. Eu sempre escrevo os textos já assumindo alguma ajuda visual pra reforçar algumas partes do que estou falando e dar referências pra quem está assistindo. E é um dos motivos de porque eu não transformo meus vídeos em podcasts. Muita gente pediu esse formato, mas eu não pretendo fazer agora porque eu escrevi todos os scripts assumindo a midia de video. Sem isso só o audio fica incompleto. Eu teria que reescrever os scripts considerando uma midia só audio e realmente não tenho tempo pra fazer isso agora.

A mesma coisa é sobre gravar uma versão em inglês. Seria o dobro de trabalho, e eu realmente não tenho tempo pra fazer isso agora. Uma coisa que pretendo fazer a partir de agora é começar a liberar os textos dos scripts no meu blog. Estou protelando isso faz algum tempo, mas é mais preguiça do que qualquer outra coisa. Daí se alguém se interessar em contribuir, poderia adicionar legendas em inglês por exemplo, eu ia achar bem da hora se alguém tivesse tempo pra fazer isso.

A gravação é feita em etapas, em clipes de no máximo 30 minutos porque as câmeras fotograficas como a Canon que eu uso, pra poder ser considerada uma câmera de fotos na Europa, não pode gravar clipes de video maiores que 30 minutos. É mais uma dessas regulamentações que a Europa adora inventar. O que eu faço é deixar meu celular conectado na câmera e me mostrando o que a câmera está vendo e aí eu fico monitorando o tempo e páro antes dos 30 minutos. O problema era quando eu gravava com sono como eu falei e esquecia de verificar o tempo. Várias vezes eu ficava falando que nem um idiota achando que tava gravando mas a câmera tinha batido nos 30 minutos e parou de gravar... Quando eu via que não gravou os 20 minutos que eu fiquei falando a mais, dá aquela vontade de pegar a câmera e jogar no teto.

Eu cheguei a comprar um capturador da Elgato pra ligar a câmera diretamente no computador e capturar o feed, que é o que os streamers de Twitch fazem. Mas eu nunca confiei muito nesse setup, fora que meu computador ligado faz barulho e eu preferia não ter que editar o barulho depois, então ainda estou gravando direto na câmera só. Outra coisa que eu faço é usar um gravador de áudio bom, no caso eu tenho esse Tascan que eu ligo um microfone de lapela simples da Sony. A câmera grava o áudio ambiente mas é um áudio porcaria que não dá pra usar, mas serve como referência pra sincronizar com o áudio melhor. Áudio é extremamente importante, uma imagem ruim é até perdoável, mas se o áudio for ruim todo mundo pára de ouvir. Por isso eu acho o equipamento de áudio e a acústica do ambiente muito mais importante do que a câmera. Felizmente tenho pouco eco no meu quarto então não precisei colocar placas pra cortar eco.

No geral, se eu estou inspirado, um script leva entre 4 a 8 horas pra ficar pronto. Algo na média de 20 páginas de word revisados. Depois eu levo algo entre 1 hora a 1 hora e meia pra gravar. Finalmente mais umas 5 a 8 horas pra editar o video. Primeiro eu sincronizo o video da câmera com o áudio do Tascan. Coloco um adjustment layer pra adicionar a correção e graduação de cores, e agora vou cortando fora os trechos que eu errei e toda pausa entre parágrafos pra ficar o mais compacto e linear possível. Depois do rough cut eu começo a assistir e vou adicionando os elementos visuais e efeitos especiais se precisar. E só no final eu escolho uma trilha sonora pro começo e pro fim do video. Antes, quando os videos eram mais curtos, eu tentava manter uma música tocando em background pelo video inteiro, mas eu já percebi que sou muito ruim pra acertar a música e o volume em todo episódio, teve vezes que acertei, teve vezes que errei, mas no fim já vi que não é necessário ter música pela maior parte do video, por isso reduzi.

Aqui entra também o workstation que eu comprei pra editar. Faz muita diferença. Eu noto uma diferença clara na responsividade do Premiere se rodar nesse workstation ou se rodar no meu notebook, que não é fraco, sendo um Thinkpad X1 Extreme. Um vídeo de uma hora no meu workstation leva tempo real ou menos pra renderizar, ou seja no máximo uma hora. Mas no meu Thinkpad o mesmo video pode levar quase 2 horas. E quando você está terminando de editar 1 hora da manhã, essa 1 hora faz muito diferença, especialmente se você erra e precisa renderizar de novo. Eles não me patrocinam mas eu comprei a workstation online na Rocketz, que tem configurações muito boas pra quem mexe com edição de video ou renderização 3D profissionalmente e precisa de uma máquina decente. Fiquei surpreso quando depois de comprar recebi um e-mail do dono da Rocketz dizendo que já lia meu blog. O mundo é mesmo bem pequeno!

Finalmente, eu escolho um frame do video e uso em cima de um template de thumbnail que eu fiz no Photoshop. Escolho uma cor diferente por video, só no final eu decido qual vai ser o título, e daí a última coisa a fazer, normalmente 2 horas da manhã é subir o video pro YouTube, subir o thumbnail, descrições, cards e é isso aí, tudo pronto!

Todo mundo diz que é fácil começar a ser YouTuber, que basta pegar seu smartphone, gravar de qualquer jeito e subir. E de fato, se você for algum desses com carisma natural, talento de presença de câmera e tempo de comédia ou algo assim, talvez consiga mesmo atrair audiência mesmo com baixa qualidade técnica. Mas isso é exceção, não é regra. Dá pra começar barato, mas precisa investir o quanto antes se quer levar isso a sério. E não espere ganhar a vida fazendo YouTube, isso é super raro de acontecer e eu não recomendo como carreira. Se eu tivesse aberto monetização eu ainda não estaria ganhando mais que alguns poucos reais por video, e não estou nem falando centenas de reais, eu diria que seria menos que isso. No meu caso eu já disse que não tenho expectativa nenhuma de ganhar a vida no YouTube. Eu estou usando o YouTube pra hostear meus videos e só, meu único objetivo é fazer meus videos do jeito que eu quero fazer, independente se vai atrair muita gente ou não, porque pra mim é como se eu estivesse escrevendo um tipo de biografia, com começo, meio e eventualmente um fim.

A vantagem do jeito que eu estou fazendo é que eu já tenho mais de 40 anos, eu já tenho uma carreira que está ótima, eu economizei, acumulei recursos e finalmente tenho tempo pra poder contar sobre experiências e pesquisas de verdade. Como eu falei nos meus videos, tudo tem seu tempo. Eu não vejo nenhuma vantagem de falar sobre programação quando eu ainda nem tinha anos de experiência suficiente. Eu gosto de ver gente que tem experiência falando. Se for pra ver tutoriais básicos, eu leio um post de blog ou a documentação oficial, não precisa de video pra isso. Por isso eu quis falar sobre coisas que não se encontra facilmente por aí.

E também por isso chegou uma hora lá no começo que eu estava fazendo 2 videos de 15 minutos por semana, resolvi fazer um video semanal de 30 minutos. Quando eu vi que ninguém reclamou, fui subindo, 40 minutos, 45 minutos, 50 minutos e alguns batendo uma hora. O video de Ubuntu tem uma hora e vinte quase e é o segundo video mais assistido do canal nos últimos tempos. Portanto eu vou fazer os videos do tamanho que eu quiser mesmo. Na prática, quem prefere videos mais curtos pode simplesmente pausar e continuar depois. Se eu fosse obrigado a manter os videos no tamanho de 15 minutos o de Ubuntu teria levado umas 5 semanas pra todo mundo ver tudo. Isso é muito devagar! A série de Começando aos 40 que levou mais de 10 semanas pra ficar pronto teria levado 30 ou 40 semanas pra publicar tudo, eu teria ficado o ano inteiro falando só disso. É muito tedioso! Eu quero falar de outras coisas rápido.

E tudo isso é uma faca de dois gumes. Porque num formato longo eu me vejo na obrigação de quase escrever papers em cada script. Eu não queria só dizer “é assim que as coisas são e pronto” eu quero explicar em detalhes o processo de como se chega nessa conclusão, e aí os scripts vão ficando mais e mais complicados. O da semana passada por exemplo compila num único script argumentos que saíram de mais de meia dúzia de livros diferentes. E eu escrevi tudo em 2 dias. Pensa a dificuldade de lidar com esse tipo de densidade de informações de uma só vez. Por isso mesmo eu acho que nesse design, uma hora essa série vai ter um último capítulo.

No começo do canal eu tentei falar de outros assuntos como filmes, mas acho que eu não tenho vocação pra falar desse tipo de conteúdo, então vou me focar nos temas que eu me sinto mais a vontade falando, que são os videos que vocês viram durante este ano. E se você ainda não assistiu todos eu recomendo que veja, eu estou fazendo de um jeito que sejam complementares uns aos outros, especialmente todos a partir de janeiro de 2019. Se você assistir em sequência eles vão fazer mais sentido.

E é isso aí, é assim que eu penso sobre meus videos e como eu produzo. Espero que tenha satisfeito a curiosidade de vocês e, claro, se ficaram com dúvidas não deixem de mandar nos comentários abaixo, se curtiram o video mandem um joinha, assinem o canal e não deixem de clicar no sininho pra não perder os próximos episódios especialmente porque vou tirar uma pausa de 2 semanas este mês por conta do evento The Conf e outras palestras, mas eu volto em breve. Aproveitem pra assistir os videos do canal que ainda não assistiram e compartilhem com seus amigos pra ajudar o canal. A gente se vê, até mais!

tags: akitando bastidores Fabio Akita

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