[Akitando] #6 - 33 exemplos de projetos de ICOs e blockchains

2018 August 30, 17:00 h

Disclaimer: esta série de posts são transcripts diretos dos scripts usados em cada video do canal Akitando. O texto tem erros de português mas é porque estou apenas publicando exatamente como foi usado pra gravar o video, perdoem os errinhos.

Descrição no YouTube

FINALMENTE! Este é o último episódio da série Blockchain Week Seoul. Este episódio está BEM mais longo que o normal, mas não se preocupem, é só porque eu queria fechar o assunto o quanto antes. Eu selecionei e menciono nada menos do que 33 projetos neste vídeo, por isso ficou tão longo.

Para facilitar eu dividi este episódio em 7 grandes grupos que você pode pular de acordo com as seguintes marcações:

  1. Novas Tecnologias de Blockchains (1:49)
  2. Exchanges e Investimentos (6:33)
  3. Pagamentos (11:42)
  4. Cartório e Auditoria (15:16)
  5. Inteligência (17:12)
  6. Games (20:58)
  7. Outros (25:29)

O objetivo desta série foi mostrar quão maior é o mundo, quão diverso é o mercado de criptomoedas, blockchains e ICOs e quais são as possibilidades sendo perseguidas hoje para inspirá-los. O mesmo mercado na América do Sul é extremamente atrasado, por isso quis mostrar um pouco mais do futuro que já está em construção.

Se você se interessou por algum dos projetos de ICO e blockchain que mencionei no vídeo, vá direto ao site deles. Os projetos estão listados abaixo em ordem alfabética.

E não deixe de visitar minha corretora:

Script

Olá pessoal, Fabio Akita!

HOJE é um dia especial! Depois de 5 episódios sobre a Coréia do Sul, vamos FINALMENTE, chegar ao final dessa jornada com um pequeno tour sobre ICOs.

Se você ainda não assistiu os episódios anteriores, pause este vídeo e faça isso agora pelo link acima, vamos lá, eu espero. ...

(abertura)

Ótimo, já viram? Assinem o canal para não perder mais. HOJE vamos explorar rapidamente as diversas startups e ICOs que eu vi durante os eventos que participei. Não todos, mas MUITOS!

Como DISCLAIMER: nada do que eu disser aqui constitui recomendação a favor ou contra. Qualquer opinião é pessoal e produzida com intenção de encaixar na narrativa deste episódio. Se você ficar interessado em qualquer uma delas, veja os links na descrição do vídeo abaixo e estude por conta própria em detalhes e com muito cuidado!

Além disso estou me restringindo somente ao que estava exposto nos eventos, o mundo de ICOs é infinitamente maior do que isso. Muitos não eram da Coréia propriamente dito, mas de outros países da Ásia como Cingapura ou Indonésia e outros eram da Europa e até mesmo Estados Unidos. Neste video você certamente terá exemplos de ICOs que claramente são muito ruins e outros que podem ser os próximos candidatos a unicórnios, quem sabe? Mesmo assim os exemplos aqui não são representativos do mundo como um todo. Mas, se você nunca tinha parado para pensar nas possibilidades, talvez este vídeo ajude a aumentar seus horizontes.

Vou separar o vídeo em SETE grandes grupos para facilitar um pouco. Vamos começar!

(... 1 - novas técnicas de blockchains)

No primeiro grupo temos projetos que se colocam para "resolver" os problemas das primeiras gerações de blockchains. Para quem não sabe, alguns categorizam as criptomoedas em gerações. Bitcoin, obviamente é da primeira geração, o blockchain canônico. Ethereum meio que iniciou a segunda geração com smart contracts. E assim por diante.

Existem várias formas alternativas de implementar blockchains com consenso distribuído. Muitos derivam o código de criptomoedas existentes e fazem um tuning ou fazem uma do zero mesmo.

A Fleta diz ter uma arquitetura diferente, permitindo shards do blockchain, múltiplos chains e também distributed apps ou o DAPPS. Dapps podem ser usados para gerar tokens e no caso da Fleta eles podem ficar em sub-chains e inclusive podem escolher o método de mineração, como Proof of Work (PoW) ou Proof of Stake (PoS). Mas a chain principal pode ter blocos minerados via um método proprietário deles chamado Proof of Formulation baseado em uma "formulação" de ordem de recompensa. Com o suporte a shards e limitação na propagação dos blocos eles dizem conseguir atingir 10 milhões de TPS ou transações por segundo (o bitcoin por exemplo não consegue mais do que 7 blocos por segundo, ethereum é só uma ordem de grandeza mais rápido). Cada shard diz conseguir 20 mil TPS. Além de terem a capacidade de confirmação em quase tempo real via nós de observadores.

Exemplo semelhante é a MagnaChain, mais um blockchain que dizem ser escrito em C++ e implementa a virtual machine Lua para executar smart contracts em vez do Solidity usado no Ethereum. Novamente, eles também tentam melhorar o consenso usando um híbrido entre PoW e PoS que eles chamam de VirtualHash-PoS. Além disso também vai pelo caminho de side chains e tem como primeiro use case a indústria de games, para isso estão preparando SDKs para games mobile e outras ferramentas. A idéia, claro, é poder ter tokens In-app que podem ser usados fora do game em exchanges ou marketplaces. Diferente do Fleta os números que eles clamam são um pouco mais realistas, na casa das 100 mil TPS. Na testnet deles dizem ter chegado a 13 mil TPS.

Outra alternativa é a HYCON ou hyper connected coin. Seu genesis block foi publicado já no GitHub em janeiro desse ano. Ele tenta também mexer no sistema de consenso e embora tenham começado com o blake 2b, eles abandonaram para usar cryptonight, o mesmo do Monero. A vantagem é tornar a vida de fabricantes de ASIC como a Bitmain mais difícil porque ele faz leituras/escritas pseudo aleatórios em memória e corta a diferença de processamento também entre CPU e GPU, na prática impede mineradores de usarem ASICs potentes, tornando o sistema mais decentralizado em máquinas mais lentas. O protocolo de consenso usa o SPECTRE que generaliza o blockchain um direct acyclic graph ou DAG, como um IOTA onde você tem um algoritmo de voto entre pares de blocos. Por conta da estrutura de DAG múltiplos blocos podem ser adicionados simultaneamente o que aumenta a velocidade da mineração mesmo sendo PoW. Dizem que conseguem confirmar um bloco a cada 1 segundo. Um dos diferenciais é que eles tem do seu lado um grande evangelizador de criptomoedas da Coréia, o Taewon Kin, da Glofer.

Mas, falando em celebridades, a Platin também tem um do seu lado, como advisor eles conseguiram chamar o controverso Robert Scoble, que parece que já foi mais famoso alguns anos atrás. Essas celebridades na prática não influenciam o desenvolvimento técnico, mas muitos procuram figuras reconhecidas para ficar mais fácil se destacarem. Mas a Platin tem um conceito um tanto ousado, eles implementaram um PoL ou Proof of Location. A idéia é fazer um Pokemon Go de tokens, para lojas fazerem airdrop de tokens e você ter que ir até a loja para coletar os tokens. É a mesma idéia dos pokemons, mas daí você “minera” tokens baseado na localização. Então é um blockchain pensado para ser mobile-first, porque precisa do GPS. Por baixo ele vai trazer o PTN token e vai poder customizar a moeda para estabelecimentos comerciais. Não tenho idéia se faz sentido ou se vai funcionar, mas achei inteligente um Pokemon Go que te dá alguma coisa em troca por ficar tendo que andar tanto para achar os bichos. No Pokemon Go você sequer pode treidar os pokemons que consegue, o que eu sempre achei uma limitação bem ruim.

(.. 2 Exchanges and Investments)

Todo mundo deve achar que o mundo já tem corretoras demais, mas não se desesperem ainda. Tem muitas mais chegando! Mas certamente uma categoria que tem ganhado cada vez mais espaço são as exchanges decentralizadas. A idéia é tentar ser o mais peer to peer possível. Infelizmente as blockchains desta geração ainda não tem velocidade suficiente para manter order books com trades ultra rápidos on-chain. Seria extremamente lento tentar implementar um order book dentro de um smart contract, como fazemos com tokens. Mas existem implementações tentando coisas como usar side-chains, mantendo os books off-chain e de tempos em tempos colocar as trades on-chain.

É o que fazem projetos como a Dex.top, - entenderam? Desk-top dex top? um dos nomes mais interessantes. Ele é construído obviamente em cima do ethereum, eles tem uma app de wallet chamada TrustWallet para iniciar os trades. Já aparecem até no famoso site coinmarketcap com pelo menos 30 pares de tokens. Mais do que isso, eles são incubados por ninguém menos que a famosa Bitmain - lembram, dos hardware ASIC para mineração? E eles fazem o que expliquei: um sistema que chamam de RoC ou Replayed On Chain. Tecnicamente eles dizem não ter funções de custódia, mas não são 100% decentralizados também. Um dos diferenciais é que dizem ter sido auditados pela Bug Bounty, HackerOne, ChainSecurity e Sentinel Protocol.

Outro exemplo parecido é a DX.exchange, onde uma das propostas é em vez de cobrar taxas por transação, eles cobram uma mensalidade fixa. Então é “marketamente” zero fees. Outro diferencial é que dizem serem regulados pela Unidade de Inteligência Financeira da Estônia, obviamente eles ficam na Estônia.

Um pouquinho diferente parece a proposta da Tottle DEX que está em beta agora. A idéia deles é ser um agregador de exchanges descentralizadas como as que mencionei acima. Unificar os order books de todo mundo em um só. De similar novamente é ser implementado em cima do ethereum, então obviamente o target são tokens ERC20. Fico em dúvida se fazendo isso eles conseguiram implementar um protocolo rápido para liquidar as ordens. Tecnicamente eles precisam manter contas abertas em todas as que integram e ter reservas de criptos em todas elas para conseguir fazer as trades serem liquidadas o mais rápido possível. Não sei se foi assim que implementaram mas é a única solução que me vem à cabeça. Se depender de transferência on-chain, seria absurdamento lento.

Antigamente havia um app chamado TradeHero que é uma exchange simulada com moeda realmente “virtual” para você aprender a tradar sem risco. Uma excelente ferramenta para quem quer aprender o mundo de trading. Daí eles criam um novo app o BitHero que começa como um simulador mas daí você pode trocar para tradar criptos de verdade. Como plataforma educacional achei uma excelente idéia e a idéia é aprendizado baseado em gamificação e interação social com seus amigos. Eles tem um token próprio, claro, o BTH e um dos investidores é ninguém menos que a Samsung.

Até agora, apesar de se chamarem “decentralizadas” parece como qualquer outra corretora moderna. Mas aí temos projetos como a EMX, que diz conseguir possibilitar o trading de futuros com cripto, coisa que nenhuma corretora tradicional consegue fazer. Normalmente você é obrigado a ter conta em múltiplas corretoras, vender suas criptos por moeda fiduciária, transferir pra outra corretora e aí comprar futuros ou outros derivativos e commodities. Isso é extremamente ruim e lento, mas na EMX ele diz facilitar isso dentro de uma mesma corretora. Obviamente ele tem seu próprio token para negociar internamente, o EMX Token. Além disso você pode pegar emprestado de um margin syndicate ou emprestar a eles para não precisar movimentar suas criptos e ganhar taxas por isso além de manter os assets dos traders que pegaram emprestado com você, como colateral. Me chamou a atenção ter como advisor o Simon Kim, lembram, CEO da Hashed.

E nessa linha ainda temos a CRED, que eu conheci no evento Blockchain Partners como Libra Credit, mas mudaram de nome. Eles dizem ser uma plataforma descentralizada de emprestimo. A idéia é trazer mais acesso a crédito. Você precisa de moeda fiduciária, tem cripto, mas não quer ter que vender suas posições em cripto. Então você pode deixar suas cripto como colateral em empréstimo. Ou, se simplesmente quer fazer hedge, se proteger da volatilidade, pode transformar suas criptos numa stablecoin deles. Falta no mundo de exchanges de cripto mais opções de produtos financeiros como os oferecidos pela EMX e pela CRED. Outro detalhe que me chamou a atenção é eles serem incubados na Binance Labs. A Binance também está continuamente pesquisando diferentes produtos para aumentar seu portfolio.

(... 3 Pagamentos)

Na sequência, o que todo mundo reclama é que criptos tem sido usados somente como armazenamento de valor e papel especulativo. O real uso seria quebrar a barreira do comércio de verdade e ser usado em pagamentos no mundo real. Eu vi várias propostas como a PumaPay que já tinha mencionado nos outros vídeos ou esta Pay Protocol, que é de ninguém menos que a Danal que já tem um negócio em meios de pagamento e POS para lojas. Eles também implementaram SDK para aplicações mobile, querem suportar múltiplas criptomoedas e ser o mais amigável possível para o comércio. Na prática o POS poderia escanear um código de barras direto do app do seu celular para efetuar o pagamento ou se for e-commerce um app equivalente Amazon ou MercadoLivre teria no checkout a opção de pagar com meios normais como cartão de crédito ou Pay Protocol. Provavelmente ele deve oferecer uma wallet ou se integrar a existentes.

Outra que tenta criar a ponte com o mundo real é a FuseX que está fabricando cartões de plástico como os de crédito ou débito que usamos. Eles já fabricaram pelo menos 30 mil unidades. Tem um micro processador, uma tela tipo e-paper, bateria recarregável que dura de 45 a 60 dias e 3 botões dentro do espaço que ocupa um cartão de crédito tradicional. Novamente ele quer suportar múltiplas criptomoedas e ele tem um módulo backend que provavelmente se integra com adquirentes. Não ficou muito claro mas é uma solução que depende de parcerias no mundo tradicional, e com empresas como VISA não tendo sido muito amigável com cripto ultimamente, não sei ainda até onde isso vai.

A Nexty é uma que olhando o site, eu imaginaria não ser muito real, mas parece que tem mesmo um sistema funcionando hoje, talvez. Na prática me pareceu outro fork de ethereum um pouco customizado, onde eles inventaram um modelo de confirmação usando dois tokens ERC20, que eles chamam de NTY e NTF. Nesse sistema quem quiser participar da mineração precisa de tokens NTF e os fees vão baixando até zero conforme o uso, um tipo de smart staking. No fim o usuário dessas tokens baixa um wallet proprietário deles que, segundo reviews na página do Google App Store não tem tido boas notas não ….

Na mesma linha temos o COTI ou Currency Of The Internet. Eles tem um blockchain próprio implementado na estrutura de um DAG também (de novo, como a HYCON), eles chamam de TrustChain. A idéia deles é um sistema de scores para promover bom comportamento e penalizar mal comportamento na rede. O objetivo também é chegar em fees muito baixo ou zero. No fundo ele é para ser um blockchain mais genérico mas a primeira aplicação que eles querem é um meio de pagamento, o COTI PAY. Não fiquei muito convencido vendo a página deles, mas vejam vocês mesmos.

Como a COTI a T.OS é outra moeda para pagamentos, também tem uma wallet e dizem eles ter uma solução pelo menos 10x mais rápida que o Bitcoin (que apesar de ser o mais difundido é de fato o mais lento de todos), 3x mais rápido que ethereum, e até 14x mais rápido que isso se usar o modo de pagamento deles (provavelmente alguma side-chain também). Ser 10 ou 100x mais rápido que Bitcoin não é exatamente rápido o suficiente na minha opinião, mas enfim, é mais uma alternativa.

E … eu disse que este seria o último episódio mas pra variar acabei escrevendo muito! Então, vamos fazer o esquema Harry Potter and the Deathly Hallows e dividir o final em parte 1 e parte 2! Das SETE grandes categorias cobrimos hoje novas técnicas de blockchains, exchanges descentralizadas e pagamentos com cripto. No próximo episódio vamos finalizar as 4 últimas categorias e concluir a série!

Não deixem de comentar abaixo, dêem um joinha se gostaram, assinem o canal e cliquem no sininho para ser notificado nos próximos episódios! Até mais!

E aí pessoal, Fabio Akita

Agora sim! Eu juro! É o última parte do último episódio da série sobre a Coréia do Sul. Na parte 1 passamos por vários projetos de criptos em 3 grandes categorias de 7. Hoje vamos cobrir as últimas 4.

Se não assistiram o episódio anterior, clique no link do topo do vídeo para assistir! Eu espero …

(... abertura)

Pronto! Vamos continuar a parte 2 do último episódio.

( … 4. Cartório e Auditoria)

Além de trading e pagamentos, outro grande caso de uso que ouvimos muito falar é a eliminação de cartórios. Cartórios existem como um terceiro que valida um documento entre duas pontas. Mas se usarmos blockchains para isso poderíamos tecnicamente eliminar esse intermediário burocrático.

Exemplo disso é a ChainKey que diz ser uma platforma que se conecta com a mainnet da ethereum, ou você pode usar uma rede privada como hyperledger ou grandeo. Usa tokens ERC20 CKEY ou GDO como crédito e permite armazenar qualquer arquivo de forma pública ou privada (tipo um dropbox ou google drive) mas com identidade do arquivo certificado no blockchain.

A Orion Vault é uma opção mais especializada que quer ser uma mistura de IMDB de peças de arte fina junto com um marketplace, cortando os intermediários e levando o artista mais próximo do comprador. O comprador ganha um certificado digital da peça que comprou, que identifica unicamente aquela peça. Na prática é adicionar um identificador único a uma peça no mundo real que é outra tendência que muitos já vinham discutindo.

E temos também a Evident Proof que provê serviços de verificação de dados e prova. Ele tem tokens próprios os EPT, porque, porque não? Eles dizem prover provas imutáveis que mantém encriptado no blockchain (espero que eu não tenha entendido errado quando li, mas do jeito que falaram parecia que querem guardar o arquivo dentro do blockchain. Apesar de possível, não é pra isso que serve o blockchain. Mas eles também suportam blockchains públicas e privadas como a ChainKey e tem como alvo mercados que levam privacidade e veracidade dos dados a sério, quando precisam de coisas como HIPAA no mercado hospitalar ou SOX (Sarbanes Oxley) em auditoria financeira.

(... 5 Inteligência)

Outro uso que sempre falam de blockchains é otimizar a cadeia de suprimentos, ou supply chain. Toda cadeia de produção tem muitos intermediários no meio do caminho e no fim o produtor tem muito pouca informação do consumidor final. Fora coordenação dos diversos fornecedores numa cadeia de produção de um produto. Tudo isso poderia ser otimizado mesmo com blockchains privados, mas tem mais valor ainda se as soluções conseguem se manter públicas sem sacrificar a privacidade dos consumidores.

A Hint Chain tem como alvo uma vertical muito específica, no caso a cadeia de suprimentos de comida. Onde eles querem criar perfis de comida, algo mais na linha de data mining. A idéia é catalogar uma estrutura padrão para esse perfil para delinear o que cada consumidor prefere em cada situação para comer, seus hábitos alimentares, premiar a participação com tokens, claro, e levar esses dados aos produtores no começo da cadeia que, hoje, normalmente tem pouco contato e conhecimento do consumidor final, e no futuro adicionar até inteligência artificial para melhorar o lado da produção de comida baseado nesses dados. De fato eu sei que existe um mercado para esse tipo de dados, vamos ver se eles conseguem entregar o que prometem.

Um pouco diferente é a PATH que pelo menos à primeira vista parece nada mais do que um sistema de monitoramento de servidores como centenas que já existem no mercado. Checar uptime de servidores, monitoramento de performance, monitoramento de ataques de distributed denial of service ou DDOS, testes de interação, etc. Mas em vez de um sistema centralizado eles querem distribuir os agentes de monitoramento em forma de apps ou plugins de browser que usuários normais podem instalar e serem recompensados com tokens por prover os dados de monitoramento. Eu achei a idéia até inteligente porque eles conseguiriam muitos mais pontos de dados de usuários em cenários reais de rede e computador e fornecer dados mais interessantes - se eles conseguirem adoção.

Mais um que quer otimizar a cadeia é a Lucidity, no caso no mundo de advertising. Um dos problemas que os anunciantes enfrentam é não saber qual o real resultado de seus investimentos em campanhas digitais de marketing. Eles são obrigados a acreditar em qualquer relatório que as agência constróem. O que a Lucidity quer é assinar blocos de dados de analytics, que eles vão manter armazenados em seus sistemas, mas cuja assinatura de verificação estará disponível no blockchain do ethereum. Os participantes na validação desses analytics são usuários também, que receberão tokens pela participação. Dessa forma eles estão distribuindo o trabalho de auditoria e mantendo dados verificados que depois podem ser usados para gerar relatórios que podem ser rechecados para autenticidade, melhorando a credibilidade do mercado de advertising e garantindo resultados mais reais aos anunciantes. Para ter a performance necessária eles também tem uma segunda camada off-chain, como a Orbs que falei em outro vídeo, usando a solução chamada Plasma - recomendo pesquisar sobre isso e sobre a arquitetura de side-chains / off-chain em geral.

A Pinmo tem uma proposta para um mercado similar, mas no caso a intenção é trazer os anunciantes mais próximos dos influenciadores em redes sociais, novamente a intenção é cortar os intermediários como as agências. Novamente também tem seus próprios tokens. Novamente implementado sobre ethereum como uma dapp para prover soluções cross-chain. Achei um pouco superficial ainda, pelo menos vendo pelo site.

(... 6 Games)

Já mencionei rapidamente em alguns vídeos, mas games é um target meio óbvio hoje em dia. Especialmente pelo enorme mercado de loot crates, e in-app purchases que basicamente todo game online tem hoje em dia. Os gamers já estão acostumados a comprar todo tipo de digital assets usando moedas virtuais que eles compram com cartão de crédito e depois usam em marketplaces virtuais fechados dentro do próprio jogo.

A Game X Coin quer ser uma moeda universal para games. Eles tem seu próprio blockchain construído como uma versão customizada do EOS, estão criando SDKs para integrar nos games, tem um gerador de tokens para cada game, wallet e uma exchange descentralizada onde os jogadores podem tradar os tokens de um game por outro. Ainda é bem no começo e tem só um pequeno game de demo que vocês podem baixar no site deles.

Muito parecido seria a MobileChain que tenta ser uma solução um pouco mais genérica do que só games, eles também vão oferecer SDKs para in-app wallet deles. Permitir os publicadores de apps recompensar diretamente os usuários com tokens. É a solução padrão; em cima de ethereum, smart contracts, tokens ERC20 e opções para permitir coisas como recompensa de tokens baseado em localização para lojas físicas, meio como a Platin.

E também um pouco parecido é Mfun, mas diferente porque vem da Indonésia, um mercado que parece que cresce rápido no mundo de games na Ásia. Um mercado de 50 milhões de jogadores e o 3o maior da Ásia. A solução é parecida, tokens in-game, cortar intermediários, dar recompensa ao jogador quanto mais ele joga. Em vez do publicador gastar caro com ads, ele pode pagar direto ao usuário e evitar spam de ads em todo lugar, dando ads mais direcionados. Diferencial é ter a marca da Agate que já fez mais de 250 mobile games, e outros parceiros como a Duniaku e Yogrt.

Um pouco mais evoluído seria a Chilliz, mais voltado para os fãs de e-sports. No caso a idéia é você ser um investidor do seu time de e-sports, comprar tokens que dá direito a ter “voz” e participar de pesquisas para ajudar a decidir a direção do seu time preferido. Eles estão monetizando a “voz”, a participação do fã nas escolhas do time. É um sistema parecido com de sócio de clubes. Uma mistura de crowdfunding com cripto. Eles já levantaram USD 27 milhões na primeira rodada e estão juntando forças com a Binance numa joint venture estabelecida … na Ilha de Malta.

Agora, temos a SGame Pro. Proposta? Mesma coisa: in-game tokens cuja “mineração” é jogar. Seria PoP ou Proof of Play como “algoritmo” de consenso. Novamente tokens ERC20, wallet, etc. O diferencial deles foi ter recrutado ninguém menos que o mais famoso gamer da atualidade o Pewdiepie como garoto propaganda do ICO deles.

Na mesma categoria ainda temos um mais evoluído, a Gifto cujo propósito é vender presentes virtuais. Sim! Chegamos à era onde você presenteia amigos com digital assets. Parece bem idiota mas em 2017 eles já faturaram USD 150 milhões e eles vendem 25 milhões de presentes virtuais por mês. Integram com apps como Uplive que é tipo o Periscope da Ásia para streaming, tem opções de doar pra caridade, opções para criadores de presentes virtuais e já tem mais de um milhão de usuários da wallet deles. No caso acho que seria um reverse ICO porque parece que querem adicionar integração com ethereum como forma de pagar os criadores de presentes, ou algo assim.

E você nota que muitas dessas ICOs trazem alguma celebridade pra tentar dar alguma notoriedade aos projetos, como o PewDiePie que acabamos de falar, ou o Taewon na HYCON ou o Robert Scoble na Platin, mas que tal a GCOX ou Global Crypto Offering Exchange, como o nome diz uma exchange mas cujo propósito é gerar um ecossistema para gerenciar tokens de celebridades, novamente a idéia dos fã clubes como a Chilliz mas em vez de ser só pra e-sports é para celebridades em geral, ou Celebrity Token que pode ser usado para comprar merchandise da sua celebridade favorita, entrar em contato com essa celebridade ou doar para a caridade que eles apoiam e coisas desse tipo. No time de fundadores eles tem celebridades, duh, como o boxeador superstar e senador das Filipinas Manny Pacquiao e o ex-jogador de futebol da Inglaterra, Michael Owen.

( … 7 Outros)

E para a última categoria vamos começar falando de 2 projetos na área de energia. Que tal o Electrify Asia. Parece que em alguns países como Singapura a eletricidade foi democratizada desde 2001. E qualquer um que consuma mais que 2000 kWH pode escolher seu fornecedor de energia - coisa que nem ouvimos falar por aqui. Eles querem criar um marketplace onde você pode comprar energia usando o token deles, o ELEC, abrindo o mercado para pequenos produtores, por exemplo prédios que tem células solares no teto e queiram vender seu excesso de energia. Eles também estão querendo fabricar o PowerPod que é basicamente um medidor de saída de energia para pequenos produtores, para medir e executar as trades p2p em seus smart contracts. É uma idéia interessante em países mais avançados que já estão chegando nesse estágio.

No mesmo setor mas com outra proposta é a WePower, no caso é mais um crowdfunding para projetos de energia renovável. Eles também querem conectar compradores e produtores, também usam smart contracts ethereum, e também tem seus próprios tokens de energia.

Enfim, bons ou ruins, todos os projetos envolvem tokens como vocês podem ver. Em comum é que a maioria são tokens no padrão ERC20 que é uma interface padrão de smart contracts, normalmente programados em Solidity, uma linguagem meio primária que não te protege muito não, e é muito fácil cometer erros graves. E pra piorar, uma vez instalado no blockchain o contrato é imutável. Muitos casos graves de bugs em smart contract já levaram muitos ICOs a perder todos os seus tokens. E por causa disso achei interessante um projeto que vi lá chamado CertiK que é uma plataforma que executa uma séries de checagens de análise estática de código (como um Brakeman, que usamos em projetos Ruby) para achar erros comuns como buffer overflow e coisas do tipo, com o twist que obviamente else rodam as análises de forma descentralizada. Eles dizem criar um certificado para dizer que seu smart contract é “sem bugs e resistente a hackers”, isso eu já acho um exagero. Tudo bem que tokens ERC20 não são exatamente difíceis de fazer, então quem sabe eles já tenham mesmo coberto tudo nesse tipo específico de smart contract.

E, claro, se você não é exatamente o tipo que consegue programar seus próprios smart contracts, não se preocupe, existe o projeto TOKEDO que oferece produtos como wallet, uma exchange e nada menos que um Criador de Tokens para ICOs usando o modelo DAICO que é um modelo sugerido por ninguém menos que o criador do ethereum Vitalik Buterin para incorporar certos aspectos de uma DAO ou organização autônoma descentralizada em tokens para crowdfunding. Na prática é uma governança automatizada onde o projeto que levanta o ICO não tem acesso a todos os fundos gerados pela venda dos tokens, em vez disso ele vai soltando os fundos à medida que o projeto realmente entregue os milestones que ele mesmo prometeu ou os fundos restantes são devolvidos aos compradores. É meio como funcionam rounds de investimento tradicional em startups. Você atinge metas e recebe o próximo round, e é um modelo mais correto para ICOs que é o que muitas regulamentações devem começar a exigir de qualquer jeito. Então, se você ficou interessado em criar seu próprio ICO, estude o modelo DAICO.

E, finalmente, chegamos ao fim!! Nem acredito! A parte 1 e esta parte 2 listam a maioria dos projetos que circularam no meetup da CoinUS e BRP, na Beyond Blocks e na Blockchain Partners. Não é a lista completa mas pelo menos dá uma boa idéia de diferentes casos de uso para novos blockchains, tokens ERC20, security e utility tokens e explora mais como os tokens podem ser usados em aplicações mais reais. É muito importante que ecossistemas de ICOs floreçam para abrir o caminho para um uso mais cotidiano de criptomoedas no mundo real. E como vocês já devem ter concluído é uma pena que ainda não exista nada perto disso deste lado do planeta. Da minha parte, em breve teremos suporte a tokens ERC20 na minha exchange a OmniTrade, então vão preparando seus ICOs ;-)

Chegamos ao fim desta enorme série sobre a Coréia do Sul e o Blockchain Week que tive a oportunidade de visitar. Talvez tenhamos uma nova série como esta em breve já que pretendo fazer uma visita um pouco mais curta na Ilha de Malta que tanto mencionamos nos últimos vídeos. Até lá quero fazer vídeos sobre outros assuntos. O que vocês gostariam que eu discutisse nos próximos vídeos? Não deixem de sugerir assuntos nos comentários abaixo. Se gostaram deem um joinha, assinem o canal e cliquem no sininho! A gente se vê, valeu galera!

tags: startups blockchain criptomoedas ico ethereum erc20 smart contract token seoul akitando

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