Da Microsoft para a Apple e de Volta

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21 de novembro de 2017 · 💬 Participe da Discussão

Este vai ser um artigo bem longo, se preparem.

Para quem tem pressa, o resumo é este:

  • Windows 10 ainda é Windows, mas não chega nem perto do pesadelo dos anos 2000. Merece uma segunda chance de verdade.
  • O OS X está a caminho de se tornar apenas um runtime do Xcode. Rumores dizem que a Apple nem tem mais uma equipe dedicada ao SO de desktop. O foco é total no iOS e em transformar o iPad no substituto do computador.
  • Linux é ótimo. Se você é desenvolvedor web em tempo integral, consegue trabalhar confortavelmente com Ubuntu ou Manjaro/Arch (minha recomendação pessoal).

Melhor custo-benefício: o Dell XPS 13. O Surface Book 2 vale cada centavo se você é nerd como eu. Mas, como sempre, há ressalvas a discutir.

Book 2

As Especificações

Não vou duplicar cada review de hardware que você encontra por aí. Todos são verdadeiros. Como o iFixIt diz: é a pior pontuação em reparabilidade. Como o MacBook, a linha Surface é uma declaração. É a melhor combinação de design e funcionalidade. A contrapartida é que tem zero de expansibilidade e você precisa tomar cuidado para não quebrá-lo. Se quebrar, garanta que tem garantia e exija a substituição.

Em termos de especificações, fica próximo dos outros notebooks top de linha.

O Surface Book 2 top de linha custa USD 3.299 e vem com SSD de 1 TB, 16 GB de RAM, GTX 1060 com 6 GB GDDR5, Intel Core i7 8ª geração Kaby Lake R, display 4K. Caríssimo, mas dá para justificar. Explico mais abaixo.

O Dell XPS 15" Touch top de linha custa USD 2.459 e vem com SSD de 1 TB, 32 GB de RAM, GTX 1050 com 4 GB GDDR5, Intel Core i7 7ª geração Kaby Lake, display 4K. O design do XPS é impecável faz pelo menos 3 gerações. Para mim, é o melhor custo-benefício.

O Razer Blade top de linha custa USD 2.599 e vem com SSD de 1 TB, 16 GB de RAM, GTX 1060 com 6 GB, Intel Core i7 7ª geração, display 4K. É provavelmente o melhor design industrial do grupo, com a atenção impecável da Razer aos detalhes. Mas também é o que tem menos suporte disponível e mais problemas de construção relatados, então cuidado ao comprar no exterior.

O HP Spectre x360 top de linha custa USD 1.499 e vem com SSD de 512 GB, GeForce MX150 com 2 GB GDDR5, Intel Core i7 8ª geração, display 4K. O design é lindo, super fino e conversível. As especificações não são lá essas coisas, mas é o mais barato entre os notebooks premium.

O Lenovo Yoga 920 14" Vibe top de linha custa USD 1.899 mas vem apenas com gráficos integrados Intel (sem GPU secundária), SSD de 1 TB, 16 GB de RAM, Intel Core i7 8ª geração, display 4K, e já inclui a Caneta. O design é ótimo, com uma dobradiça de quase 360 graus para usar como tablet. Um bom 2-em-1.

Agora, o MacBook Pro 15" top de linha custa USD 3.399 e vem com SSD de 1 TB, Radeon Pro 560 com 4 GB, Intel Core i7 7ª geração, display UHD e a infame touch bar (50% de chance de gostar). É isso. O design industrial e a construção ainda são excelentes, mas os concorrentes chegaram bem perto.

Se você usa aplicações gráficas intensivas, a Radeon Pro 560 é boa, mas a GTX 1060 é superior. Os displays UHD IPS (LCD) da Apple têm resolução máxima de 2560x1060. Todos os notebooks premium hoje vêm com displays 4K completos (LED) com resolução máxima de 3840x2160. A diferença é perceptível. Se você nunca viu um display 4K moderno, o display do MacBook vai parecer bom. E isso sem mencionar que todos são touchscreens com 4.096 pontos de sensibilidade. O que antes era gimmick hoje rivaliza com o melhor que a Wacom tem a oferecer. A linha Surface chega perto do topo da linha Wacom Cintiq e do novo iPad Pro. Estão no mesmo nível.

Há 2 aspectos do Surface Book 2 que deixam a desejar. Primeiro, a ausência de uma porta Thunderbolt 3 de verdade. Sem ela, você não consegue conectar armazenamentos externos modernos ou GPUs externas. O segundo é a fonte de alimentação fraca. Relatos indicam que em jogos muito exigentes (como Destiny 2 sem configuração adequada), o sistema throttla e drena a bateria mais rápido do que consegue carregar da tomada. The Verge quebrou essa história e a Microsoft ainda não apresentou solução. Então, se jogos são prioridade máxima, compre um Razer ou qualquer notebook específico para games, como um Alienware. O problema de bateria não é tão dramático quanto alguns relataram anteriormente.

Em termos de construção: Macs são todos feitos com a mesma construção unibody de alumínio. O Book 2 usa magnésio. Fica muito sólido e bem leve. Aliás, depois de tantos anos, todo mundo dominou o alumínio. E estão indo em outras direções. A Dell, por exemplo, usa fibra de carbono nos apoios de pulso, o que acho muito mais confortável. O magnésio também não é tão gelado quanto o alumínio. Gosto que os fabricantes superaram a fase de copiar e estão experimentando materiais novos e interessantes.

it’s not as thin

A Proposta de Valor

Já estabelecemos que o Surface Book 2 é caríssimo e nem é bom o suficiente para jogos muito exigentes como Destiny 2.

Onde ele realmente brilha é no fato de não ser um 2-em-1 conversível comum como o Spectre ou o Yoga. Você já sabe que a tela pode ser desacoplada da base.

A grande conquista da equipe Surface é a dobradiça fulcrum dinâmica. Uma maravilha de engenharia. Quando acoplada, não balança nem perto do que se esperaria. É muito sólida — você pode pegar o conjunto inteiro pela tela sem se preocupar que a base vai cair ou quebrar.

Quando ouvi falar nisso pela primeira vez, 2 anos atrás, achei legal mas pensei que poderia quebrar com o tempo, então esperei. Agora estou totalmente convencido porque 2 anos depois não se vê nenhum “hinge-gate” ou relatos massivos de dobradiças se desfazendo. E 2 anos depois nenhum outro fabricante tem isso. Se você não vê uma cópia barata vinda da China, é porque é muito difícil de construir. A Microsoft acertou em cheio nessa parte.

Com a tela removível, os componentes principais ficam todos atrás dela. CPU, GPU, RAM, SSD. Você tem um Intel i7 top de linha em um tablet! A bateria é compreensivelmente pequena (no máximo 3 horas) para alimentar um display 4K de 15" com capacidade touch e precisão suficiente para rivalizar com o iPad Pro e o Wacom Cintiq ou Mobile Studio.

O que a maioria não menciona é que, por causa disso, é o chassi da tela que esquenta. A base de performance fica fria! É super confortável ficar com ele no colo por muitas horas sem risco de ficar estéril ou cozinhar ovos no processo.

Tem potência para conectar 1 display 4K externo a 60hz ou dois displays 4K a 30hz. O MacBook Pro, com sua porta customizada, consegue alimentar um display 5K. Algo que a maioria dos notebooks ainda não consegue. Aí vai depender do uso.

Não sou designer de profissão, mas sou hobbyista. Depois de muitos anos de trabalho duro, acredito que posso me dar ao luxo de ter algo assim. E não me entendam mal, o Surface Pro é outra ótima opção para designers. O Surface Pro top de linha tem tudo que o Book 2 tem, sem a GTX 1060, mas custando USD 600 a menos, em USD 2.699. Acho que é um produto mais adequado para a maioria das pessoas que querem uma solução de esboço fácil de carregar.

Profissionais criativos são os que precisam ser mais cuidadosos nas especificações. Mas para a maioria dos profissionais sem demandas tão pesadas, dá para pagar bem mais barato. Não precisam de GPU extra, nem do i7 (um i5 já resolve), 8 GB de RAM são suficientes, até 256 GB de SSD já dão conta porque tudo hoje está na “Nuvem”. Esse é o Dell XPS 13 de USD 999. Ou a única opção comparável da Apple é o MacBook de USD 1.299 com um ridículo processador Intel m3. Para a maioria dos profissionais, o Dell XPS 13 mais barato é uma proposta de valor muito melhor do que o MacBook.

Para profissionais com demandas pesadas, o Dell XPS 15 é o melhor custo-benefício. O Surface Book 2 é o premium para quem valoriza a touchscreen mais do que o fluxo de trabalho. Em termos práticos: designers vão de Book 2, editores de vídeo ou modeladores 3D vão de Dell XPS.

Ah, e mais uma coisa sobre preço. O MacBook Pro 15" custa USD 3.399 e o Book 2 custa USD 3.299. Mas se você quiser um tablet, ainda precisa adicionar USD 949 por um iPad Pro de 12" com Wi-Fi e 256 GB de armazenamento. E vai acabar carregando uma mochila mais pesada.

Por que não instalar Linux?

Você não compra um produto Surface a menos que tenha interesse na experiência e no ecossistema da Surface Pen. Isso me parece óbvio, caso contrário você está melhor com um Dell XPS ou qualquer outro notebook mais barato.

Também é óbvio por que não faz sentido perguntar “Por que não abandona o Windows e instala Linux nele?”. Porque nenhuma distribuição Linux tem suporte à Caneta. A base de performance também tem uma tecla física que você precisa pressionar para que a dobradiça libere a tela.

Você vai querer ter Adobe Photoshop, Autodesk Sketchbook, Sketchable ou qualquer outro pacote de software excelente disponível. Não vou repetir cada review disponível mostrando quão boa é a caneta. Confirmo apenas que sim, a caneta é excelente, precisa, fiel, e flui de forma muito natural. É um estúdio inteiro numa caixa só.

Desenvolvedores de software deveriam evitar esse tipo de produto porque a maioria das distribuições Linux não terá os drivers adequados para tantas soluções de hardware exclusivas. Para essas situações, recomendo muito o Dell XPS 13, especificamente a configuração de USD 1.759 com Windows 10 Pro (ou economize USD 60 pegando a edição Home se pretende instalar Linux por cima), o ótimo display touch InfinityEdge QHD+ (3200x1800), Intel Core i7 8ª geração, 16 GB de RAM, SSD de 512 GB. É, de longe, o melhor custo-benefício para um desenvolvedor de software em tempo integral.

O OS X tem uma comunidade excelente apesar da Apple não fazer muito para ajudá-la. Historicamente, a transição do MacOS legado para o OS X significou ter um kernel e toolchain compatíveis com UNIX disponíveis. Até hoje, ainda não é comparável a uma distribuição Linux moderna. Mas o OS X compensa isso por ter, de longe, o melhor Compositor Gráfico do mercado. A GUI é fluida, responsiva.

O kernel Darwin Mach suporta múltiplas políticas, e a mais importante para Profissionais Criativos, especialmente músicos, era a capacidade de soft real-time do scheduler. Até hoje, o Linux Real Time não é a opção padrão, e não é tão bem ajustado nem estável. E o kernel do Windows evoluiu, mas ainda está longe de ser tão polido.

O Soft Real-Time evita o efeito de travamento que observamos. E é um dos fatores pelo qual a experiência Mac é, no geral, superior mesmo em hardware menos potente.

Em particular, todos na comunidade do Homebrew merecem muito elogio pelo esforço de continuar trazendo ferramentas open source para o OS X, apesar de cada nova atualização do Xcode e do OS X quebrar tudo.

Meu Ambiente

Magnesium Body

Depois de muita experimentação, decidi usar o Windows 10 nativo como host e uma distribuição Linux completa (Manjaro GNOME) em um ambiente Virtualbox, alocando 4 dos 8 cores (2 cores físicos, cada um com 2 hyperthreads) e metade da memória (8 GB).

Por que não usar o novíssimo Windows Subsystem for Linux (WSL)?

Porque embora seja promissor, ainda precisamos esperar que resolvam as arestas. Em particular, um suporte melhor a GUI e uma abstração de I/O mais rápida. O que dói mais é como a camada de sistema de arquivos é dolorosamente lenta agora. É uma ordem de magnitude mais lenta do que usar Linux no Virtualbox.

Poderia usar uma solução híbrida estilo Vagrant, com uma distribuição Linux headless no Virtualbox e acessando arquivos via CIFS/NFS. Funcionaria bem se você gosta de editores como Sublime Text 3, Visual Studio Code ou Atom. Mas sou do time Vim e gosto do GVIM, que funciona melhor dentro do GNOME, dentro de uma distribuição Linux com GUI de verdade.

“Por que não usar Docker? É super rápido e tal.”

Me surpreende quando as pessoas perguntam isso, porque demonstra como pouco entendem das ferramentas que recomendam.

Docker faz sentido de verdade em uma distribuição Linux nativa. No Windows, precisa rodar Linux no Virtualbox ou Hyper-V. No Mac, usa o framework Hypervisor, que — como o Hyper-V da Microsoft — é uma camada de virtualização. É basicamente o mesmo que Virtualbox, para todos os efeitos práticos.

Docker, como o LXC, apenas faz um processo “acreditar” que está rodando sozinho no SO ao ocultar os outros processos. Então, no Linux, é super rápido. Em qualquer outra plataforma, precisa virtualizar o Linux e então rodar o Docker lá dentro.

O cliente Docker está na verdade se comunicando com um Linux virtualizado no Windows ou Mac. Se você acreditou que é mais rápido que Virtualbox ou Hyper-V de forma significativa, foi enganado. Não há mágica aqui.

“Por que não dar dual-boot então?”

Isso também não resolve meu cenário. Quero um ambiente GNOME completo com GUI. E não quero manter Outlook no Windows e Thunderbird ou Evolution no Linux, gerenciando contas diferentes em todo tipo de aplicação (e sim, prefiro muito binários nativos a web apps, sou old-school assim). Não quero reiniciar quando quiser usar o Photoshop e reiniciar de volta para Linux para usar o Vim.

Quero ter software de ambas as plataformas disponível ao mesmo tempo. Não acredito em cenários de dual-boot a menos que os usos sejam completamente separados. Por exemplo, usar uma distribuição Linux o dia todo e à noite reiniciar no Windows para rodar o Steam e jogar.

Sim, o Virtualbox terá uma UI menos responsiva por causa do pipeline gráfico virtualizado. Mas para desenvolvimento de software, funciona perfeitamente. Até vejo pessoas fazendo coisas mirabolantes como ter um ambiente de desenvolvimento inteiro em uma instância EC2 da AWS e acessar via SSH com Vim e Tmux. Isso é bem mais complicado, na minha opinião. Não iria tão longe.

Todo o hardware top de linha que listei acima tem Cores e RAM suficientes para rodar 2 SOs ao mesmo tempo. Não faça isso em hardware básico.

E se não precisar de um notebook para carregar, com o mesmo dinheiro você compra um computador desktop muito superior.

“Mas no OS X você tem tudo nativo, porque é UNIX e tal”

Sim, mas desconfio muito das grandes atualizações do OS X da Apple. Elas sempre, sempre estragam alguma coisa. Depois de ter minha cota de dias de trabalho perdidos pós-atualizações, migrei meu ambiente de desenvolvimento para o Vagrant pelo menos 5 anos atrás. Então já estava usando Linux no Virtualbox (ou VMWare) o tempo todo. Nunca olhei para trás. Ficava lendo as reclamações das pessoas depois das grandes atualizações e eu estava lá, ileso e produtivo. O Virtualbox era muito pior naquela época, hoje não é tanto. Não me lembro da última vez que travou, se é que travou alguma vez.

“Mas por que não usar Hyper-V em vez do Virtualbox?”

Tentei. E não recomendo agora. Foi construído para que o Windows rode caixas Linux em servidores. Então é excelente para particionar recursos de hardware entre diferentes instâncias virtuais. A menos que você seja sysadmin em treinamento ou precise de um servidor simulado no seu notebook, não é para você.

Tem suporte muito ruim para gráficos (servidores headless não precisam de gráficos). A resolução máxima no monitor virtual é um ridículo 1152x864. Meu Virtualbox suporta meu monitor LG Ultrawide 2560x1080 tranquilamente. O Hyper-V não consegue e isso é um dealbreaker.

Virtualbox, VMWare, Parallels e Hyper-V vão todos usar as mesmas instruções VT-X fornecidas pela Intel. A performance base não vai ser tão diferente. As ferramentas de guest podem diferir. Alguma estabilidade pode diferir. Mas no geral, são basicamente a mesma coisa do ponto de vista da usabilidade.

Sei que parece “estranho” rodar o Windows 10 como host nativo principal. Mas funciona bem no geral.

E também sei que parece ainda mais estranho rodar uma distribuição Linux como SO convidado secundário no Virtualbox. Mas posso dizer que quando estou usando em tela cheia, trabalhando, não tenho a sensação de que está lento ou sem resposta.

O Software

Se você está no OS X, provavelmente está acostumado com muitas ferramentas. Pagou dinheiro por algumas delas. E trocar de SO sempre é uma dor.

Em resumo, o único software que realmente senti falta no começo foi o Keynote. Mas superei meu preconceito contra o PowerPoint e tenho que admitir que ele faz tudo que preciso agora.

Sempre odiei Pages e Numbers — são ótimos para amadores. Mas nada, nem o LibreOffice, muito menos o Google Docs, substitui o Office. O Google Slides é terrível e o Impress é além de inútil para mim (e é super lento). Sério, o PowerPoint hoje é uma ferramenta muito melhor.

O Office no Mac sempre foi “suficiente”, felizmente. Mas o Office no Windows é muito superior. Sem dúvida na minha mente. Então um grande benefício de voltar ao Windows 10 é ter a experiência completa do Office.

Se você usa as ferramentas da linha Pro, vai sentir falta do Final Cut Pro. Se é músico profissional, vai sentir falta do Logic Pro. Não há nada como o GarageBand para músicos hobbyistas. Não há nada a fazer aqui. E mesmo tendo hardware melhor no PC, a Apple customiza o Final Cut para render excepcionalmente melhor no AMD Radeon Pro. Então os tempos de exportação do Final Cut ainda são superiores aos do Adobe Premiere. O Motion 5 ainda é mais fácil e responsivo que o After Effects.

Dito isso, a margem não é enorme. A Adobe Creative Suite é muito forte, e a menos que você seja um one-trick pony, qualquer profissional consegue migrar para a Adobe e fazer o trabalho.

Em termos de desenvolvimento de software, a menos que você seja um one-trick pony do .NET, vai querer toda a parafernália open source. O WSL deveria fornecer isso — no futuro. Agora mesmo, sua melhor aposta é rodar o Virtualbox e você não vai se arrepender.

Sim, existem pequenos softwares exclusivos como 1Password, Tweetbot, Alfred. Não sinto falta de nenhum deles. Especialmente porque meu último iPhone foi o 4, lá em 2010. Depois migrei para Android com o Galaxy S4 e também nunca olhei para trás. Estou usando um S8 e prestes a receber meu Pixel 2, então estou bem em termos de cliente de Twitter ou gerenciamento de senhas (uso o LastPass e, embora não seja perfeito, resolve).

Ou existe um substituto nativo bom o suficiente para desktop ou mobile, ou existe um serviço Web. Posso me sentir desconfortável com a mudança, mas na prática não há nada no macOS que me impeça de trocar. Mesmo que você tenha comprado músicas ou filmes no iTunes, existe iTunes para Windows.

“Mas espera, o Windows Update vai te enlouquecer!”

Achei o mesmo. A Microsoft finalmente resolveu isso. Ainda existe, você ainda precisa reiniciar. Mas não é nem de longe tão irritante quanto era antes. A maioria das atualizações roda em segundo plano e você nem vai notar. E há várias opções como agendar para rodar apenas à noite quando você não está trabalhando.

“E os problemas de segurança e vírus!?”

Sim, recomendo fortemente não navegar na Deep Web numa máquina Windows, você vai ser comprometido. Nem com um browser Tor. Vai ser comprometido.

Também recomendo usar o BitLocker (disponível apenas no Windows 10 Pro) para criptografar sua partição. E fazer backup em HDs externos com a maior frequência possível. Nada te protege melhor do que um backup frio prontamente disponível.

E sim, instale alguma solução de terceiros como o Avast antivírus. Tenha comportamento saudável de navegação e evite sites duvidosos. Você sabe do que estou falando. Vai ser comprometido.

Se necessário, instale uma distribuição Linux segura dentro do Virtualbox e abra o Tor de lá.

“E a bagunça que é o Registro!?”

Ainda existe. Se você nunca experimentou, o Registro é o equivalente Windows do “/etc” nas distribuições Linux. É um banco de dados binário. Fica corrompido. Fica com entradas sujas.

Mas minha recomendação é: esqueça-o. Se você ficar pensando e mexendo nele, vai corromper o sistema. Não tente limpá-lo (nunca, jamais use algo como o CCleaner).

O próprio Windows agora tem snapshots automáticos de restauração do sistema toda vez que algo importante acontece. E é bastante confiável. Chegam ao ponto de duplicar o diretório atual “C:\Windows” em um “C:\Windows.old” quando há uma grande atualização do Windows, só por precaução. Se atiraram no próprio pé tantas vezes que finalmente aprenderam a ter várias camadas de opções de recuperação.

Hoje você pode até baixar a ferramenta de Criação de Mídia diretamente do site da Windows. Não precisa nem se cadastrar em lugar nenhum. E a licença do Windows vem no firmware (BIOS) da máquina. Não precisa nem lembrar onde está sua chave de ativação do produto. Ativa automaticamente e como cada máquina já vem com uma licença, o processo é transparente. E a maioria dos fabricantes tem atualizações automáticas para drivers e firmware.

Então você deve ter uma experiência razoavelmente tranquila, aconteça o que acontecer.

“Mas o Windows não é open source!”

O OS X também não. E essa é uma vantagem do Linux. Então, se for obrigatório, use apenas Linux nativamente. O ponto da discussão é encontrar uma alternativa ao Mac. Então estamos alinhados.

O Efeito Ruby on Rails e os Hipsters

Sendo honesto: no mundo do desenvolvimento de software, migramos para o Mac principalmente por causa do Rails e do Textmate 2. Tínhamos acesso a algumas ferramentas open source embutidas, tínhamos GCC para compilar o resto. O Windows XP estava bem além da validade. O Windows Vista foi uma experiência horrível. Os fabricantes de hardware para PC nem estavam tentando, e a Apple lançava hardware bom e boa experiência o tempo todo.

Os desenvolvedores migraram em massa após a transição de PowerPC para Intel em 2005. Meu primeiro Mac foi um Mac Mini G4 com OS X 10.4 Tiger. Depois comprei o primeiro MacBook branco Intel e nunca olhei para trás.

As ferramentas de software no Windows eram risíveis. O Visual Studio .NET era terrível. IDEs baseadas em Eclipse eram terríveis. Não tínhamos PowerShell ainda. E definitivamente nunca tivemos nada como o WSL para linha de comando. Você podia instalar o Cygwin, mas era uma experiência sofrível.

E rodar Linux como SO principal também era terrível. O Wine ainda é terrível, apesar de seus melhores esforços. Infelizmente, as GPUs da NVIDIA e AMD só rodam no melhor de sua capacidade no Windows. E Linux nunca foi realmente bom para criação de conteúdo. Não é nem questão de aprender um novo fluxo de trabalho — as ferramentas são medíocres. Precisam fazer engenharia reversa de tudo, e isso leva tempo. E na velocidade das redes sociais, não temos tempo suficiente, então precisamos aceitar compromissos.

O ecossistema Windows parou de fingir e finalmente abraçou tudo que o ecossistema open source e da Apple construiu. Agora todos nos beneficiamos.

A propósito, se você gosta do iTerm 2, vai adorar instalar o Tilix para Linux, que é muito similar.

Com o Passar do Tempo

Acompanho a evolução da linha Surface ao longo dos anos. No começo, era muito cético. É muito fácil lançar um produto gimmick e descontinuá-lo. Confio em empresas que continuam evoluindo seus produtos ao longo dos anos. Não só um ecossistema se forma em torno deles, como você tem tempo para montar serviços de suporte, peças disponíveis nas lojas oficiais e no mercado secundário. Depois de todos esses anos, a Microsoft merece ser chamada de fabricante de hardware.

É a Microsoft finalmente cumprindo o que Alan Kay disse uma vez:

“Pessoas que são realmente sérias sobre software deveriam fazer seu próprio hardware.”

Só falharam de verdade no mercado de smartphones, onde a competição é muito mais difícil e as margens são super baixas por causa disso. Mas acertaram no mercado de tablets, no desktop, no notebook, nos games, nos servidores (com seus próprios serviços Azure). Então agora acredito que eles realmente entendem as necessidades específicas de todas essas áreas, e isso aparece no software. Têm um entendimento muito superior de cada mercado — exceto smartphones — em relação à Apple. Finalmente têm skin no jogo de verdade.

Porque agora a Microsoft fabrica seu próprio hardware e fez um negócio disso, há um incentivo real dentro das equipes da empresa para um ciclo de feedback positivo que resulta em mais refinamentos no código do Windows.

Ficaram tentando e falhando em soluções touch desde o início dos anos 2000. Agora a Caneta não é mais um gimmick, é um produto real, com qualidades reais e casos de uso reais.

Também mantiveram sua visão de se dar bem com o Open Source. Ninguém pode razoavelmente esperar que a Microsoft vire totalmente open source. Mas aparece. São os segundos apenas para o Google no GitHub em termos de contribuições open source. Adquiriram a Xamarin e sua estratégia de .NET Core está em andamento e forte. O próprio Visual Studio recebeu tratamento open source. Ainda há um longo caminho, mas é preciso reconhecer os passos gigantescos.

O que é muito mais do que podemos dizer sobre a Apple, onde os coitados do Homebrew sofrem a cada atualização do OS X.

A tentativa do Surface RT e do Windows Mobile até possibilitou que o Windows fosse finalmente compilado para rodar em processadores ARM. É um bom sinal para o futuro. Me lembra quando o OS X foi compilado pela primeira vez para rodar em processadores Intel (antes rodava em PowerPC) em 2005.

E o MacBook? Ganhou uma touch bar gimmick. A Apple está realmente desconectada da realidade.

Por Que Saí do Ecossistema Apple?

O foco da Apple não é no Mac. Pior: o Mac está rapidamente se tornando abandonware, apesar dos comunicados de relações públicas.

São claramente uma empresa de iPhone, com um negócio paralelo hobbyista que fabrica Macs e MacBooks, que existem principalmente para servir como toolchain de desenvolvimento de apps para iPhone. Esse é o modelo de negócios.

Você viu o último anúncio deles para o iPad?

Sim, é super fofo e eu curto.

Mas a mensagem é cristalina: a visão é para as pessoas usarem apenas iPhones e iPads. Não existe tal coisa como um “computador”.

São a empresa de tecnologia mais valiosa no momento. Mas desde o ano passado, não têm mais nem uma equipe dedicada ao OS X. O que isso diz?

A linha iOS é um “monopólio” dentro da linha Apple. O Mac não consegue competir. O próprio Steve Jobs alertou sobre o que acontece com os monopólios.

Estamos começando a ouvir a mesma história por toda a indústria:

A Microsoft jogou bem suas cartas. Levou quase 15 anos. Mas valeu muito a pena. A Apple realmente alienou os leais, os que costumavam “Think Different”.

A Apple é “vítima” do “Dilema do Inovador” de Clayton Christensen. Se ainda tivessem visão, poderiam se estender e manter. Mas ao invés disso, escolheram apostar tudo em uma única linha de produtos.

A Microsoft parece ter lido a “Solução do Inovador: Criando e Sustentando o Crescimento de Sucesso” de Clayton.

Quando o iPod estava no auge, a Microsoft havia “perdido”. Estavam fora do jogo. Era deprimente de ver. Steve Ballmer foi um CEO vergonhoso. O Windows Vista foi um SO vergonhoso. O Zune falhou em capturar a aura do iPod. O Windows Mobile era uma bagunça. E o Sharepoint… ah, o Sharepoint. Chegaram a comemorar quando o jQuery foi adicionado ao ASP.NET! Falar em tarde demais.

E a Amazon — uma loja de varejo — lançou com sucesso a melhor infraestrutura do mundo e se tornou sinônimo de “Nuvem”, enquanto a Microsoft ainda estava tentando entender o que era Linux.

Falha após falha, em vez de defender sua posição baixa, finalmente decidiram se erguer e seguir em frente um passo de cada vez. Refinar. Evoluir. Sustentar.

Agora, o Windows 10 recapturou a aura do XP no seu melhor. Está fazendo atualizações incrementais e sólidas. Primeiro a Anniversary Edition, depois a Creators Update e finalmente a mais recente Fall Creators Update. Todas atualizações sólidas.

A linha Surface está indo forte como a melhor referência de design industrial e funcionalidades em desktops, notebooks e acessórios. Sério, a Apple ainda vende aquele terrível Magic Mouse 2 escorregadio e difícil de segurar, mas a “mágica” é que alguém de fato compra. A Microsoft tem o Arc Touch e o Precision Mouse, dois dos melhores já fabricados.

Profissionais criativos, desenvolvedores de software — todos migramos em massa para o OS X quando era a “Coisa Diferente” da campanha “Think Different”. Ajudamos a evangelizar. Ajudamos a construir ferramentas. Ajudamos a construir serviços. Escrevemos toneladas de posts e documentação para ajudar.

Steve Jobs morreu e a Apple morreu com ele. Basicamente não fizeram nada novo desde então, e seus produtos antes bem-sucedidos foram deixados para decair e morrer. O que resta é o efeito halo, a inércia, e o crescente apetite por ordenhar a mesma vaca indefinidamente, abandonando todo o P&D.

A Apple Não Liga. Por Que Eu Deveria?

A Microsoft jogou com inteligência, continuou corrigindo e evoluindo, ano após ano. Perdeu a geração dos anos 90. Recuperou a geração dos anos 2010. E começaram cedo, atraindo atenção pelo Xbox até chegar ao Windows.

Sério, o Dashboard do XBox é melhor do que o do PS4. Prefiro muito mais.

E agora estão em boa posição. Os jogadores estão invertidos. O “Think Different” agora se refere ao Windows 10 e ao hardware PC. A Intel está conservadora. A NVIDIA fabrica as melhores GPUs. Há muitas ótimas opções que não estão disponíveis no Mac.

A transição de 32 para 64 bits e as necessidades do XBox até ajudaram a Microsoft a repensar como isolar e empacotar seu software. Mesmo que a Windows Store ainda seja uma piada de mau gosto neste ponto.

E Bill Gates estava absolutamente certo em meados dos anos 90: o browser tornaria o monopólio do Windows obsoleto. E tornou. Do lado bom, você tem os mesmos Chrome e Firefox disponíveis no OS X, Windows 10 e qualquer distribuição Linux. Isso significa acesso imediato a tudo que a maioria das pessoas precisa: Gmail, Google Docs, Office 365, Dropbox, LastPass, Spotify, Slack, Discord, Twitter, Netflix, HBO, Hulu, etc.

Odeio wrappers de desktop baseados em Javascript como a praga. O Electron é pesado demais. Mas o que posso fazer? Pelo menos hardware poderoso e RAM estão baratos hoje em dia, e podemos nos dar ao luxo de abas de browser que consomem 100 MB cada.

O browser é o novo SO para a maioria das pessoas. Muita gente se vira com Chromebooks! Todo o resto está nos celulares, não no desktop. Então ferramentas pesadas são necessárias. Ferramentas leves você já carrega no bolso.

O ecossistema Apple ainda não está morto. A Apple ainda tem tempo de corrigir a situação. Tenho esperado pelos últimos 3 anos, mas ainda zero sinais de melhora. Meu primeiro artigo sobre a troca foi publicado em 10 de novembro de 2015.

Diferente de outros artigos sobre troca de plataforma, não estou dizendo isso de forma leviana. Já fiz a troca, nos últimos 2 anos.

Como digo em muitos dos meus posts e palestras: não sou definido pelas minhas ferramentas. Não carrego bandeiras. Não sou leal a ninguém por padrão. Nunca fui pago pela Apple para defendê-la. E não sou pago pela Microsoft para dizer coisas boas sobre ela. Apenas analiso os fatos e aponto o melhor caminho a seguir.

E os fatos me dizem que o macOS chegou ao fim. Foi uma boa viagem. Adeus ao Mac e obrigado pelos peixes.