Rubyconf Brasil 2013: Sua Primeira Vez em São Paulo, Brasil

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15 de agosto de 2013 · 💬 Participe da Discussão

Atualização (24/08/2014): Acabei de publicar um artigo complementar a este, destacando os pontos turísticos da cidade.

Atualização (02/2014): Este artigo foi escrito para a Rubyconf Brasil 2013, então não se confunda com o contexto.

A Rubyconf Brasil está chegando, não perca nos dias 29 e 30 de agosto. Faça sua inscrição hoje mesmo no site oficial. Vários palestrantes estão vindo ao Brasil — não perca a chance de conhecer Hal Fulton, Hongli Lai, Laurent Sansonetti, Kevin Tripplet, Jaime Andrés, Dávila, Ben Langfeld e Pablo Astigarraga.

Entendo que pode ser intimidador vir ao Brasil pela primeira vez, então resolvi listar as coisas mais importantes que um estrangeiro precisa ter em mente durante a estadia por aqui.

Antes de Tudo (TL;DR)

O clima está bem ameno nesses dias — é inverno no Brasil. Embora não chegue a ser tão frio quanto na Europa do Norte, vale trazer um casaco a mais se você não está acostumado com temperaturas baixas. Por outro lado, o clima em São Paulo pode mudar bastante em questão de dias. Por exemplo, agora está por volta de 12 graus Celsius, caindo para menos de 9°C à noite. Mas parece que durante os dias da conferência a temperatura pode subir para quase 30°C, então venha preparado, especialmente se for ficar uma semana ou mais.

NÃO ESQUEÇA DE TRAZER UM ADAPTADOR UNIVERSAL DE TOMADAS!!

Isso é muito importante: até 2011, as tomadas brasileiras eram compatíveis com os padrões americano e alguns europeus. Depois disso, o país adotou um novo padrão (pior, na minha opinião) completamente incompatível com qualquer outro. Alguns hotéis bons têm adaptadores para estrangeiros, mas eu não contaria com isso. Quando você chegar ao aeroporto, pode comprar um nas lojas de duty free — só não esqueça, senão seus dispositivos vão ficar sem carga!

Por falar nisso, outra coisa muito útil é procurar uma loja de telecomunicações no aeroporto (Claro, Vivo, Oi, Tim) ou em qualquer shopping ou área comercial grande (a Avenida Paulista tem algumas). Compre um chip pré-pago para o seu smartphone com 3G habilitado — e teste na loja! Vai facilitar muito a navegação pela cidade. Sempre que vou a outros países, essa é a primeira coisa que faço. E salve alguns contatos de amigos ou conhecidos locais para emergências ou caso se perca.

Provavelmente você não fala português brasileiro. A primeira coisa a saber é que não tem nada a ver com espanhol. É difícil encontrar pessoas que falem inglês fluente, mas pode ter certeza que a maioria aqui vai se esforçar ao máximo para te entender. A simpatia é algo com o qual pode contar. Fale devagar e de forma clara para se fazer entender. No transporte público e nos táxis a coisa pode ser um pouco diferente — trabalhadores sob o estresse do trânsito paulistano não são lá muito animados, então tenha paciência.

Sobre táxis: quando você chegar ao aeroporto, é possível que motoristas particulares se aproximem. NÃO ENTRE NO CARRO DELES. Use uma empresa de táxi oficial na saída do aeroporto. A distinção é fácil — os táxis oficiais são todos padronizados e você verá funcionários organizando as filas. Pague a corrida no balcão dentro do aeroporto com um preço pré-determinado. Mesmo andando pela cidade, use sempre uma fila oficial de táxi. Você também pode usar aplicativos como o 99Taxi pela cidade.

E por falar em navegação: Google Maps funciona muito bem por aqui, inclusive para horários de metrô. Waze também funciona ótimo.

O BRASIL NÃO É VIOLENTO!! (em geral)

Independente do que você possa ter ouvido ou lido na mídia, o Brasil em geral não é um país violento. Nem mesmo São Paulo, nossa maior e mais populosa cidade. Isso não quer dizer que a violência não existe, só não vá atrás dela. Tenha em mente algumas regras simples: não facilite para os batedores de carteira. Se deixar sua bolsa no chão, sem vigilância, pode não encontrá-la quando voltar.

Temos um ditado popular: “a oportunidade faz o ladrão”. Faz sentido em qualquer idioma. Só cuide para não deixar todo o seu dinheiro na carteira no bolso traseiro da calça. O ideal é distribuir entre os bolsos, especialmente se resolver circular por áreas mais complicadas da cidade (mais sobre isso abaixo).

É totalmente seguro caminhar sozinho pela cidade. Evite “se exibir” em áreas movimentadas. Falar ao celular do último modelo enquanto caminha em ruas cheias pode não ser a melhor ideia. Se estiver num táxi parado num engarrafamento, não fique mexendo no tablet com o vidro totalmente aberto. Preste atenção ao que está ao seu redor. Dito isso, não precisa ser paranoico. Em 6 anos recebendo palestrantes estrangeiros na Rubyconf, nunca ouvi falar de nada que tenha acontecido com nenhum deles, nem com mais ninguém. Eu mesmo vivi mais de três décadas aqui e fui roubado uma vez por década.

A Rubyconf vai acontecer perto de um dos marcos mais conhecidos da cidade: a Avenida Paulista. Se o seu hotel for nas proximidades, ótimo — é a região com acesso mais fácil a tudo que interessa na cidade. Se você não estiver perto do local da conferência nem de uma estação de metrô, prepare-se para enfrentar trânsito pesado. O horário de pico em São Paulo começa por volta das 8h da manhã e vai até as 10h, e depois das 17h até as 21h. E quando digo trânsito, estou falando de algo bem pior do que Manhattan. Seja organizado, acorde cedo. Se você estiver a mais de 8 quilômetros da conferência, conte com pelo menos 1 hora de deslocamento.

O horário comercial em São Paulo começa às 9h e vai até as 18h. Os bancos abrem às 10h e fecham às 16h. Shoppings e lojas em geral ficam abertos pelo menos até as 22h, e muitos funcionam até depois da meia-noite. A vida noturna em São Paulo é particularmente agitada. Você vai encontrar farmácias, mercados, lojas de conveniência e vários estabelecimentos funcionando 24 horas.

Entendendo a Cidade: Uma Visão Geográfica

Com os pontos mais importantes esclarecidos, vamos falar de localização. Como dizem por aí: “localização, localização, localização.”

Antes de mais nada, o nome “São Paulo” pode se referir a três coisas diferentes, o que confunde muita gente: o estado, a cidade capital do estado, e a grande área metropolitana conhecida como “Grande São Paulo”, que reúne 39 municípios ao redor da cidade de São Paulo.

A área metropolitana é gigantesca. A Grande São Paulo tem pelo menos 20 milhões de habitantes. Só a cidade de São Paulo tem mais de 11 milhões. Estamos falando da 6ª área mais densamente populada do planeta. Se incluirmos o eixo até Campinas passando por Jundiaí, essa região concentra 12% da população do país. Em termos de tamanho, estamos falando de algo equivalente ao território inteiro do Líbano ou da Jamaica.

Mesmo com essa dimensão, uma coisa que você vai notar rapidamente é que o transporte público é surpreendentemente precário para uma região com PIB superior a 300 bilhões de dólares (dados de 2011).

É importante entender o mapa geográfico. O mapa abaixo mostra o agrupamento metropolitano da Grande São Paulo:

Grande São Paulo

A cidade de São Paulo é a grande área cinza no centro. Quando você pousar aqui, chegará ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), na cidade de Guarulhos, que fica fora de São Paulo. É uma das cidades verdes ao norte. Você precisará de 40 a 50 minutos de trajeto (sem trânsito) para chegar ao centro.

Agora, vamos ampliar a área cinza do mapa anterior:

Cidade de São Paulo

Nossa cidade é dividida em 5 zonas: Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro — o que eu prefiro chamar de “Centro Velho”. São 11 milhões de habitantes, mas você jamais precisará sair da área que circulei em vermelho, principalmente perto do Centro Velho e do que eu chamo de “Centro Novo”.

Vamos ampliar um pouco mais a área ao redor do círculo vermelho:

Centro Expandido

Existe um rio chamado “Tietê” que corta a cidade. Ele cria uma espécie de “semi-ilha” que chamamos de “Centro Expandido”. Dentro dessa ilha estão o Centro Velho e o Centro Novo. A Avenida Paulista divide grosseiramente essas duas áreas — o centro mais antigo fica ao norte e o mais novo ao sul.

As linhas vermelhas são as principais avenidas que conectam o trânsito da cidade. A linha de número 4 no mapa é a Avenida Paulista. A linha azul é o que chamamos de “Marginal” — uma via larga que circunda o Centro Expandido e acompanha o curso do Rio Tietê. Embora seja uma única via contínua, ela tem dois nomes: Marginal Tietê na metade norte e Marginal Pinheiros na metade sul.

Ou seja, você passará a maior parte do tempo na área da Linha Vermelha número 4 do mapa — a Avenida Paulista — dentro do Centro Expandido e rodeado pelas Marginais. Você provavelmente passará pela Marginal ao vir do Aeroporto de Guarulhos, que fica bem ao norte, fora do mapa.

Lembrou que falei num trânsito pior do que Manhattan? Abaixo está uma captura da camada de trânsito do Centro Expandido de São Paulo por volta das 17h30 de uma quinta-feira — só para ter uma ideia do que quero dizer:

Trânsito

Eu chamo esse mapa de trânsito de “São Paulo sangrando”.

Espero que você ainda esteja comigo nessa aula de geografia. Agora vamos ao que interessa na prática: as linhas de metrô!

Vou sobrepor as linhas do metrô no mapa acima para dar uma ideia:

Metrô

Agora o mapa mais limpo (clique na imagem para ver a versão ampliada):

Metrô

E agora a representação esquemática para facilitar a navegação (novamente, clique na imagem para a versão maior):

Metrô

Provavelmente você não vai sair da área recortada na imagem acima — a linha verde, que passa por baixo da Avenida Paulista. Então já sabe: a partir da Paulista você tem acesso fácil a boa parte dos lugares interessantes da cidade.

Temos várias formas de usar o transporte público, mas o mais simples é saber que você pode comprar bilhetes unitários dentro das estações de metrô. Sempre compre pelo menos dois para garantir a volta. É o jeito mais barato e rápido de se locomover pela cidade. Use o táxi para ir de uma estação de metrô até o seu destino e vice-versa. Usar táxi para turismo é o caminho mais rápido para quebrar, porque não é barato, especialmente com trânsito pesado.

Conclusão

Isso cobre o básico para entender a cidade. A página de São Paulo na Wikipedia faz um ótimo trabalho detalhando mais sobre a cidade, opções de turismo e lazer. Tem também esta página no Wikitravel que pode ajudar.

A maioria das pessoas vai se hospedar no Hotel Pergamon. Fica a poucos minutos a pé do local da conferência (Teatro Frei Caneca), mas você provavelmente vai querer pegar um táxi até a Avenida Paulista — são menos de 5 minutos de carro. E a Rua Frei Caneca é paralela à Rua Augusta, famosa pela vida noturna agitada, se isso for do seu interesse.

Infelizmente não temos nada parecido com o Yelp! por aqui. Não tenha vergonha — se não conhecer ninguém da cidade, use a conferência para fazer novas amizades. Os brasileiros são muito simpáticos e vão adorar explicar tudo e dar ótimas recomendações.

Não fique só no hotel. Essa é uma excelente oportunidade para conhecer um lugar novo, pessoas diferentes e uma cultura diferente. Preste bastante atenção ao Centro Velho, o centro histórico, e contraste com o “Centro Novo”, onde você encontrará o bairro luxuoso dos Jardins e os bairros tech de Vila Olímpia e Brooklin. Entre em contato com a comunidade Ruby brasileira antes de vir para organizar visitas a startups e outras empresas.

Não seja estranho — esta é uma cidade e uma comunidade que quer trocar experiências e conhecimento. Bem-vindo a São Paulo!