20 Fevereiro 2011, 17:53 h

Talvez quem tenha entrado no mercado de tecnologia nesta década não acompanhou a história da década de 90 que culminou com o caso antitruste contra a Microsoft. O “medo” da Microsoft “monopolista” foi substituído por um desdém e ridicularização. Eu sei, eu mesmo uso essa figura de vez em quando, é quase que uma piada universal onde a Microsoft é o mal eterno e todo o resto, as Canonicals, as Apples, os Googles, são os mocinhos do bem.
Ou quase, porque agora é a Apple que está crescendo demais, assim com o Google que já tem milhares de detratores em vez de fãs. Em breve talvez estaremos vendo um novo caso antitruste: contra um iTunes Store da Apple, por suas práticas “injustas” e “anticompetitivas”. Se isso acontecer, é porque as pessoas não aprendem nada mesmo e estamos fadados a retroceder em vez de progredir.
Em termos de gosto pessoal – garantido por liberdade individual de expressão – eu desgosto da maioria dos produtos da Microsoft e gosto da maioria dos produtos da Apple. Mas isso não significa que eu não entendo, respeito e admiro a capacidade da Microsoft, e da Apple, de sairem de uma garagem para o topo do mundo. É o que um mercado livre capitalista possibilita. E eu igualmente desgosto quando o sucesso passa a ser visto com o desdém da inveja dos incompetentes que, no fim, acham que tem “direito” à alguma coisa sem a mesma capacidade. Aliás, eu considerar um produto “tecnicamente” melhor ou não, é irrelevante. “Melhor” ou “pior” é questão de gosto. E o melhor termômetro no mercado é a demanda. Se houver alta demanda o produto pode ser considerado “bom” mesmo sendo “tecnicamente ruim”.
Ninguém tem “direito” a nada além do que ele próprio produz. Mais do que isso, ninguém tem direito a nada dos outros e graça. Mas muitos acham que ninguém pode crescer demais, senão como ficam os competidores menores? Pensamentos estadistas como esse levam à Grande Depressão de 1929, levam à Guerras Mundiais, levam à Crise Financeira de 2008 … Eu particularmente acho desorientado juntar o fato de um software ser “aberto” ou de uma empresa apoiar “software livre” com movimentos sociais e populistas. Tecnologia não deve se misturar com ideologias socialistas fracassadas. Em outro artigo vou explicar porque Software de Código Aberto (open source) tem tudo a ver com Capitalismo e não tem nada a ver com movimentos sociais politizados.
O texto a seguir é antigo, traduzido do artigo original de Ghate Onkar (Pittsburgh Tribune-Review, 17 de março de 2002) deve convencê-los do que quero dizer. Larguem os preconceitos (“Microsoft = Mal”) e leiam com cérebro e raciocínio porque todos os argumentos são lógicos. Claro, o contexto é de 2002, desde então a Microsoft decresceu bastante e as qualidades dela mudaram.
04 Fevereiro 2011, 02:40 h
Acabei de postar sobre A Revolta de Atlas: Dinheiro é a raíz de todo o mal? e logo em seguida fui assistir o filme The Fountainhead adaptação cinematográfica de 1949 do romance homônimo de Ayn Rand, se não me engano, sua primeira ficção. Recomendo ler o livro e assistir o filme também. Seu trecho final contém um discurso de defesa do personagem principal que é a descrição da idéia de individualismo de Rand. Achei tão bom que resolvi publicar o trecho legendado em português. O texto completo d...
03 Fevereiro 2011, 22:17 h
Fui apresentado a Atlas Shrugged e Ayn Rand pela primeira vez em 2007, por ninguém menos que Carl Youngblood. Até então não conhecia nem o livro e nem a filosofia do Objetivismo. Desde então, pouco a pouco fui estudando a respeito. Li livros como The Virtue of Selfishness, um dos meus favoritos. Transcrevi 3 trechos da obra de Rand nos posts:
E só este ano finalmente me coloquei para ler esta enorme obra que é Atlas Shrugged. Estou ainda chegando à metade e adorando a história e as idéias. Objetivismo é definitivamente a filosofia que melhor descreve a forma como gosto de pensar. Se tiverem interesse recomendo o livro Egoísmo Racional: o Indivíduo de Ayn Rand do brasileiro Rodrigo Constantino, um dos poucos pensadores/escritores nacionais que gosto de ler com frequência.
Por acaso finalmente este ano deve estrear a primeira parte da versão cinematográfica dirigida por Paul Johansson. Particularmente gostei das escolhas de Taylor Schilling como Dagny Taggart e Grant Bowler como Henry Rearden, pra mim ele tem um ar meio Gary Cooper como Howard Roark no filme The Fountainhead, de 1949 que adapta o livro da Rand de mesmo nome:
Estava justamente lendo o trecho do livro que chega ao casamento de James Taggart, onde o personagem de Francisco D’Anconia, industrialista muito rico e celebridade reconhecido como um playboy, é questionado por uma pessoa na festa:
- Sr. D’Anconia, o que acha que vai acontecer com o mundo?
- Exatamente o que ele merece.
- Ah, mas como o senhor é cruel!
- A senhora não acredita na lei moral, madame? – perguntou Francisco, muito sério. – Eu acredito.
Rearden ouviu Bertram Scudder, que estava fora do grupo, dizer a uma moça que emitira algum som que traduzia indignação:
- Não se incomode com ele. Sabe, o dinheiro é a origem de todo o mal, e ele é um produto típico do dinheiro.
Rearden achou que Francisco não deveria ter ouvido o comentário, porém o viu se virar para eles com um sorriso muito cortês.
E aí se inicia um dos melhores discursos que eu já li. Francisco discorre a respeito do Dinheiro. Nós raramente paramos para contemplar coisas do nosso dia-a-dia e dinheiro é algo que todos temos, usamos, ganhamos e perdemos mas para o qual temos pouco entendimento consciente, e este discurso é praticamente uma Ode ao Dinheiro que achei legal compartilhar para deixá-los com mais vontade de ler o romance inteiro.
Abaixo está a íntegra do discurso de Francisco D’Anconia. E lembrando que em inglês, quando se fala em “ganhar dinheiro” eles falam “make money”. É uma diferença que eu não tinha me dado conta, mas nós falamos em “ganhar” dinheiro, mas os americanos falam em “fazer” dinheiro. É uma diferença importante.
Lembram daquela velha indagação: “Dinheiro trás felicidade?” Este discurso é em parte uma resposta a isso também, junto com a outra indagação “Dinheiro é a raíz de todo o mal?” Leiam: