[Off-Topic] Talento é Altamente Supervalorizado: Humanizando Einstein e Matando Deuses

2017 June 08, 21:23 h - tags: science religion off-topic principles

Uma coisa que eu vivo repetindo é: não tenha ídolos, não acredite cegamente em gurus e, principalmente, não siga falsos-Deuses.

Sou um antigo proponente em matar deuses, é praticamente um hobby. Eles dão excelentes personagens de ficção em histórias para dormir, mas obviamente não existem. Como o bicho-papão ou papai-noel ou o coelhinho da Páscoa. E não, este não é mais um artigo focado em anti-religião, calma.

Pelas mesmas razões, eu quero desmantelar o mito do "Talento" e trazer os semi-deuses de volta à humanidade.

Talento é Altamente Supervalorizado

Eu realmente detesto o uso da palavra "Talento". Ele deveria ser usado como um elogio, uma qualidade, mas é muito usado como uma desculpa. A raíz em latim da palavra significa simplesmente uma grande quantidade de dinheiro. O uso errôneo e comum de hoje em dia desvaloriza os reais esforços das pessoas realmente "talentosas".

Toda vez ele é usado para denotar algo do tipo "eu nunca vou ser um Einstein, nem vou me incomodar em tentar". É a desculpa preferida das pessoas preguiçosas.

Embora fatores ambientais, circunstanciais, tenham um papel crucial, não existe ABSOLUTAMENTE NADA, em nosso material biológico - como um gene - que, dadas as mesmas circunstâncias - não permitiriam alguém de atingir níveis similares de sucesso.

Sim, algumas pessoas acabam, aleatoriamente, por estar no lugar certo na hora certa. É como se ganha uma loteria. E infelizmente, é impossível recriar a mesma rede de circunstâncias para todo mundo e replicar níveis de sucesso (mais sobre isso no fim do artigo).

Ao mesmo tempo não ajuda em nada acreditar no misticismo de que "talento" pode ser definido fisicamente, "geneticamente". Esse é o pensamento que cria Josef Mengeles e muito do racismo e outras formas de segregação. Não existe predestinação.

Hoje em dia vocês já devem ter ouvido falar do conceito das 10 mil horas de treinamento deliberado para se tornar mestre em alguma coisa, primeiramente apresentado no livro "Outliers", do prolixo Malcolm Gladwell.

Outliers

De Bill Gates, a Oppenheimer, aos Beatles, o livro tenta descrever como o esforço continuado e focado - 10 mil horas (aproximadamente 5 anos em tempo integral) - dessas pessoas ajudam a explicar seus níveis de sucesso.

Geoff Colvin, em seu livro "Talento é Supervalorizado: O que realmente separa os empreendedores de classe mundial de todo mundo" tenta ir além de Gladwell em explicar que - obviamente - somente 10 mil horas de treino não é suficiente, se ele não for um treinamento de "prática deliberada", ou seja, não somente repetir o mesmo treino, mas um treino obsessivo focado em melhoria contínua.

Em resumo: quer (ter a chance de) se tornar um mestre em alguma coisa? Tenha a obsessão de realizar um treino excessivamente focado em melhorar milímetros, milissegundos, durante 10 mil horas, e não simplesmente treinar a mesma rotina durante esse período. Repetir a mesma coisa, sem focar em melhorar resultados, não leva ninguém a lugar nenhum, é somente passatempo.

Esse tipo de treinamento deliberado que Gladwell e Colvin detalham em seus livros, é um possível fator de sucesso.

10.000 horas

10% do Cérebro: o Mito

Este é fácil de derrubar, então já vou começar por aqui.

Um dos aspectos "místicos" do talento está ligado à crença de pessoas que conseguem ativar mais de 10% do cérebro. O mito de que não usamos todo o nosso "potencial".

Filmes de ficção recentes como "Lucy", de Luc Besson, não ajudam em nada porque perpetuam essa crença popular. Vamos descrever desta forma:

"O cérebro humano constitui 1/40 do total da massa do corpo humano, em média, mas consome 1/5 de todas as calorias que absorvemos. De um ponto de vista evolucionário, onde cada órgão do nosso corpo foi criado e naturalmente selecionado por eras por eficiência, ter um cérebro que suga 20% de toda nossa reserva de energia diária por meros 10% de eficiência simplesmente não tem sentido nenhum."

Pense em você mesmo neste instante. Você está usando seus músculos para ficar sentado agora? Usando suas mãos para scrolar o mouse do seu computador (ou dedo na tela do seu celular)? Talvez comendo ou tomando alguma coisa? Ouvindo alguma música? Respirando? Pode ficar tranquilo, você está usando mais de 10% do seu cérebro neste instante - Nature

10% do cérebro

Tirando esse fator do caminho, vamos continuar.

Humanizando Einstein

No geral, eu não respeito biografias. Raramente perco meu tempo lendo algum. Não sou contra, mas para mim biografia é uma história contada por um escritor, que levou em consideração todas as técnicas para me prender à história que ele quer contar. Toda biografia é limitada aos interesses do escritor, não do personagem que carrega o título do livro.

Na verdade, eu considero biografias como qualquer outro tipo de história de entretenimento. Exatamente na mesma categoria que assistir Capitão América ou Super Homem. Porque é exatamente assim que os escritores e diretores produzem os filmes de "baseado em fatos reais".

Aliás, palmas aos irmãos Cohen pelo filme "Fargo" que inicia com a frase "isto é uma história real". E muitas pessoas até hoje, acreditam que é real. Uma trolada em todo filme que começa com o famigerado "baseado numa história real" e todos acham que estão assistindo fatos, e não entretenimento.

Fargo

Coloque um nome que existiu, uma situação que existiu, e todo mundo associa a ficção inteira como se fosse real. Espero que ninguém pense que Lincoln tenha sido caçador de vampiros por causa do filme "Abraham Lincoln: Vampire Hunter".

Mas se eu perguntar a qualquer pessoa do mundo, quem foi o maior super gênio cientista de todos os tempos, com as teorias que mais revolucionaram a humanidade, ninguém vai hesitar em dizer: Albert Einstein!

Einstein, debunked

Mas por que?

O físico Roger Schlafly, em seu livro "How Einstein Ruined Physics: Motion, Symmetry, and Revolution in Science" trás uma tonelada de evidências ao contrário.

Em resumo, sim Einstein realmente publicou muitas coisas muito interessantes, mas o super inflado mito criado ao redor de sua figura é muito mais danoso do que proveitoso para o futuro da física e seus sucessores. E continua a incentivar o mercado criador de mitos.

Einstein foi uma pessoa - e cheia de falhas, como todos nós -, não um semi-deus.

Mark Green, em seu artigo "New Book Says Einstein Highly-Overrated and Ruined Physics" descreve:

"O que torna Einstein tão grande? A história oficial começa assim: Albert Einstein, um jovem funcionário num escritório de patentes suíço, sozinho transformou a física de uma ciência estática e tridimensional em um universo espaço-temporal quadri-dimensional de explodir as cabeças e 'experimentos de pensamento' solitários envolvendo gravidade, movimento, espaço e tempo. Einstein também fez progressos sem precedentes em entender a natureza da luz e energia e foi o primeiro a compreender a equivalência de energia e massa. As descobertas de Einstein não só transformaram a física moderna mas a forma como vemos o universo"

É o que todos nós sabemos. E eu fortemente recomendo que leiam o artigo completo de Mark Green, mas vamos aos pontos que interesssam.

E=MC2 - Não foi inventado por Einstein!

mind blow

A equação foi publicado 2 anos antes por Olin to de Pretto. Como Schlafly diz em seu livro "o entendimento da relatividade especial por Einstein ... era inferior a de (Henri) Poincare". Aliás, se nunca ouviu falar do físico francês Poincare, recomendo ler o livro "Chaos: Making a New Science" de James Gleick.

A noção de movimento e tempo como uma 4a dimensão separada do espaço tridimensional.

H.G. Well especulou o conceito na famosa peça de ficção "The Time Machine" em 1894. Nesse mesmo anos Lorentz escreveu o paper científico onde ele "propõe o conceito de tempo local em um objeto móvel". Poincare escreveu em 1898 e outro em 1900 explorando o relacionamento entre movimento e tempo.

E a relação do E=MC2 e a bomba atômica?

Como Schlafly descreve, E=MC2 não é sequer necessário para a bomba atômica. A equação não dá nenhuma pista em como separar o átomo, ou como criar uma reação nuclear em cadeia, ou qualquer dos outros passos necessários em fazer a bomba atômica. Relatividade sequer é necessária para entender a liberação de energia de uma bomba de urânio ou plutônio, já que a liberação pode ser explicada por considerações de eletromagnetismo ... previsões sobre a massa relativística estavam sendo testadas (pelo físico alemão Walter Kaufmann) em 1901, antes de Einstein escrever qualquer coisa a respeito.

E, pra completar, também foi H.G. Wells que publicou primeiro sobre o conceito de "bombas atômicas".

H.G. Wells

Existiram muitos cientistas excepcionais, que trabalharam duro, antes e durante a era de Einstein. O nobel Henri Poincare (que o filósofo britânico Bertrand Russell - lembram da chaleira de Russell? - chamou de o maior homem que a França já produziu), o outro nobel e físico holandês Hendrik Lorentz; outro nobel e físico e matemático escocês James Clerk Maxwell.

De acordo com Schlafly, Maxwell foi quem primeiro cunhou o termo "relatividade" e criou a primeira verdadeira teoria da relatividade de massa e energia. O Eletromagnetismo gerou as mais importantes equações na história da ciência.

O subsequente trabalho de Poincare em relatividade providenciou os teoremas que eram "matematicamente idênticos aos de Einstein" e a maioria do seu trabalho veio antes de Einstein. Lorentz e Poincare tinham todos os principais aspectos da teoria da relatividade, e publicaram antes de Einstein.

Poincare

Lembrem de outro detalhe da "história oficial". Einstein trabalhava num escritório de patentes. Ele entendia sobre a importância da "propriedade intelectual" e teve acesso a muitos trabalhos antes de terem sido patenteados!

E assim nasce um talento, insubstituível e de valor inestimável ... para o mercado de entretenimento de massas.

Atenham-se a outro detalhe: e se Einstein não tivesse existido? Teríamos sido privados da Teoria da Relatividade? Não, esse trabalho já estava praticamente completo antes dele. Outros teriam servido ao papel e a mídia e o folclore teriam apenas um nome diferente para chamar de Deus.

Talento, é relativo ...

Gênios não são indivíduos, são grupos!

Um fato importante é que a Teoria da Relatividade não foi uma invenção de uma pessoa. Um lobo solitário que teve um momento de "Eureka". Momentos de Eureka são muito diferentes do que você imagina.

Entenda que hoje, Teoria da Relatividade é material básico de qualquer estudante de física. Nada notável.

Tudo que temos hoje é o resultado de centenas de indivíduos e grupos, que ao longo da história vieram usando o que se sabia antes, jogando fora o que não funciona mais, refinando o que funciona e adicionando novas peças para as gerações seguintes.

Nada do que fazemos hoje é verdadeiramente feito "do zero". Tudo que temos à nossa disposição na atualidade, nos torna ordens de grandeza superiores, mais eficientes, mais rápidos, do que a geração que viveu 200 anos atrás, milênia atrás.

Não criamos nada baseados em verdades absolutas escritas em pedra milênio atrás. Evolução existe porque tudo é volátil. Tudo que vem se provando correto dado escrutínio de anos, séculos, se tornam as ferramentas mais fortes para criar as coisas novas. Engenharia, Medicina, etc.

Graças a isso saímos da era da subsistência para a agricultura. Para a Revolução Industrial. Para a Era da Informação. E para onde estamos caminhando para a Era da Inteligência Artificial, e assim por diante.

"Talento" é uma forma de apontar momentos nessa história contínua e ininterrupta onde a sociedade como um todo vem subindo nos ombros de gigantes para dar passos mais largos ao futuro. Mas nenhum "um" indivíduo foi necessariamente pivotal. As conquistas seriam realizadas por alguém, mas de tempos em tempos, elegemos alguns indivíduos.

É mais fácil contar a história dessa forma. Só isso, mas inovação é um trabalho de grupo, não individual.

Serendipidade, Aleatoriedade e Sistemas Complexos

Infelizmente nós, seres humanos, somos péssimos em entender aleatoriedade. O mundo é altamente aleatório.

Do que Einstein, o cientista que publicou o trabalho mais significativo para a humanidade foi Charles Darwin e seu magnum-opus "On the Origin of Species" onde ele explica como complexidade emerge num mundo de eventos aleatórios através de seleção natural.

Darwin

Eu escrevi em parte sobre isso no post "Processos, Metodologias e o Cérebro Humano" de 2013 e no post "Somos Matematicamente Ignorantes" de 2008. Vou tentar não me repetir muito.

A própria história de como sobrevivemos e evoluímos neste mundo, até chegar à forma humanóide que temos hoje, é o resultado do que tivemos que enfrentar no meio ambiente natural, ou não estaríamos aqui.

E um fator crucial no nosso cérebro primitivo é encontrar padrões, coisas que se repetem - muito rápido. Se na calada da noite, no meio de uma floresta, se virmos um pequeno par de círculos brilhantes se movimentando ao nosso redor, se não associarmos imediatamente com os olhos de um lobo à espreita e fugirmos o quanto antes, não estaríamos aqui.

Olhos de Tigre

Esse mesmo mecanismo é que nos faz ver "rostos nas nuvens", "imagens na borra de café", "o rosto de cristo numa manta suja" e assim por diante. Identificar padrões em meio à aleatoriedade nos garantiu sobrevivência, mas no mundo moderno essa capacidade do nosso cérebro nos leva a conclusões totalmente erradas de causa e efeito.

Esse é o motivo pelo qual eu escrevi tanto sobre "correlação não ser a mesma coisa que causalidade".

"cum hoc ergo propter hoc"

O mundo real é "complexo", no sentido matemático, que descreve a exponencialidade de resultados dada uma rede de fatores. Não existe um caminho linear, passo-a-passo na biografia de ninguém. Nem mesmo em gêmeos que nasceram e viveram juntos, sob - teoricamente - o mesmo conjunto de fatores.

Lorenz Attractor

"Complexidade" não é o que estamos acostumados a imaginar que seja, e é o que nos impede de prever o tempo mais do que além do curto prazo. É o que leva à famosa borboleta de Lorenz, os fractais de Mandelbrot, e à Teoria do Caos. E mais recentemente à Teoria Moderna de Redes (incluindo Redes Sociais) publicada por autores como Barabási, Strogatz ou Duncan.

Quem me conhece sabe que faz uma década que sou fascinado por esse tema e já recomendei todos os livros desses autores, inclusive foi o tema da minha primeira palestra pública em 2008, "Matando a Média"

Além das tais 10 mil horas de treino deliberado obsessivo em direção à melhoria contínua, você ainda precisa estar exposto ao máximo de situações e pessoas possíveis para aumentar suas probabilidades de "serendípede" que é a combinação do "estar no lugar certo, na certa e com a capacidade para agarrar a oportunidade".

Serendípede

Isto é o que pode levar ao tal "sucesso". Não há receita simples, apenas trabalho árduo e uma boa dose de aleatoriedade. E, quando todos esses fatores são alinhados, os resultados podem realmente parecer "milagrosos" ou "super-humanos" e - dado uma longa quantidade de tempo e a capacidade dos humanos de aumentar as histórias cada vez que são repetidas - e em alguns anos criamos novos Semi-Deuses.

Matando Deuses

Em toda mitologia existem muitos deuses. Tanto manifestações populares sobre crenças ao redor dos fatos "inexplicáveis" da natureza (na época) como tempestades, vulcões, as estações, o clima.

E também existem os semi-deuses, seres humanos que demonstraram algum tipo de superioridade ou feitos ditos "milagrosos" (na época) que nenhum outro humano jamais conseguiria atingir - e uma boa dose de criatividade ao contar a história.

Ambos os casos são explicáveis. Infelizmente a explicação lógica é bem menos dramática e não dá uma história tão boa assim, na maior parte das vezes. Curar doenças e avançar a humanidade não é tão "sexy" quanto um feito dito "milagroso".

Porém nosso estilo de comunicação em massa na sociedade, jornais, revistas, televisão, filmes, redes sociais, adoram "história sexy". Notícias negativas vendem. Sexy vende. Fatos lógicos não geram audiência. E, pior, alçam falsos mitos ao status de "verdade".

Geoff Colvin

"Diga uma mentira vezes suficiente e ela se torna verdade." - Joseph Goebbels

Só porque você - você mesmo - não sabe a explicação de alguma coisa, não existe o argumento "portanto existe a possibilidade de algo místico". Se eu não posso explicar que seu Deus não existe, tampouco você pode provar que ele existe. Portanto é uma argumentação falaciosa e não tem lugar numa discussão séria. E isso sendo bonzinho porque quem conta a história é quem tem o ônus da prova, não eu - que escuto - quem sou obrigado a lhe desprovar.

Os últimos 200 anos foram fantásticos, porque viemos matando deuses em taxas nunca antes registradas na história da humanidade. É o reflexo de quanto avançamos em nosso conhecimento sobre a natureza e como ela funciona. Faltam poucos, não precisamos ficar criando mais.

American Gods

Conclusão

As circunstâncias de porque certos indivíduos são alçados ao status de semi-deuses não é uma resposta fácil. Muito menos uma sequência linear de eventos. Muito menos um filme de entretenimento, com altas doses de ficção e drama, que clama ser "baseado em fatos reais".

Todos nós vivemos num mundo complexo - quero dizer, onde tudo é entrelaçado numa rede infinita de possibilidades. Cada indivíduo tem circunstâncias muito diferentes.

Complex System

Muitos não tem condição nenhuma e mesmo assim superam as expectativas, com determinação superior, com dedicação superior, com paciência superiores, e alguns realmente chegam ao sucesso.

Talento "natural"?

Muitos tem as condições, mas não tem dedicação, não tem paciência, não tem determinação. E fracassam. Quantas histórias de herdeiros de grandes fortunas destróem o legado de seus antepassados?

Falta de Talento?

Todo mundo tem chances. Mas não adianta esperar, o melhor a se fazer é criar as capacidades o quanto antes para, se a aleatoriedade chegar e você estiver no lugar certo na hora certa, tenha as condições de agarrar a oportunidade e surfar nela.

Mas não há respostas simples, nem receitas, nem milagres, e nem talentos naturalmente nascidos com a genialidade pronta e, portanto, ideais inalcançáveis.

Agora, se você tem as condições e não recebe o sucesso no colo, não é o "azar" de ter nascido sem o gene do talento. É pura preguiça. Simples assim.

Não tenha ídolos. Tenha referência.

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