Original de 24/4/2011: Gestão 2.0

O texto a seguir é uma tradução do excelente artigo Standards: excellence vs mediocrity, escrito por Jason Yip, consultor da Thoughtworks, que tive o prazer de conhecer pessoalmente ano passado.

Antes de iniciar o texto traduzido, uma pequena introdução: todos sabemos como muitos conceitos que temos como fundação no mundo ocidental podem ser radicalmente diferentes no mundo oriental. Um desses conceitos difíceis de transpor do mundo oriental para o ocidental é justamente o de “padrões”. No mundo ocidental “padrão” é um denominador comum, estático, rígido, difícil de mudar, o status quo. No mundo oriental, a idéia de “padrão” é “o melhor”. Se amanhã aparece outro “melhor”, este deve ser considerado o novo padrão. Não é algo inatingível, que admiramos de baixo para cima sabendo que dificilmente vamos alcançar, como um “recorde”.

Imagine um mundo onde o “recorde” é o “padrão”. Eu falei sobre isso em outro artigo chamado Padrões, Commodities e Inovação, recomendo ler. Agora sim, segue a tradução do artigo do Jason:

Alguns anos atrás, eu participei de um tour de estudos de Lean no Japão. Como esperado, fizemos uma visita à uma fábrica da Toyota. De forma não esperada, essa visita foi conduzida por um gerente da fábrica que também nos acompanhou no tour. Em um ponto, estávamos olhando para uma área de demonstração de treinamento de capacidades fundamentais – desenvolvendo capacidades básicas necessárias para ser um membro produtivo na linha de montagem. A maioria era sobre coordenação de mãos com olhos e capacidades motoras. Por exemplo, teve um exercício onde você pega uma corda finha e a conduz ao redor de pregos seguindo uma sequência conhecida na direção do relógio ou contra o relógio. Eu rascunhei um exemplo do que isso poderia parecer:

Teste

Eu fui capaz de fazer o exercício em 8 segundos. Então olhamos um vídeo mostrando o campeão da fábrica fazendo em 4 segundos. Então perguntamos ao gerente da fábrica qual era o padrão, esperando que a resposta seria algo entre 5 e 6 segundos. Sua resposta? 4 segundos, claro. Se alguém é capaz de fazer em 5 a 6 segundos, eles o treinariam para atingir 4 segundos, mas mais lento que isso, e eles provavelmente encontrariam outra coisa para o candidato fazer.

Nossa premissa básica era que “padrão” deveria ser alguma coisa fácil o suficiente que qualquer um poderia fazer. Às vezes esse “padrão” vem com a expectativa de treinamento mas muitas vezes acaba sendo sobre o menor denominador comum de forma a obter consistência. Obviamente, não podemos obter consistência se nossos padrões só podem ser atingidos por um subconjunto de pessoas. A consequência dessa forma de pensar é que “padrões” inevitavelmente empurram a organização em direção à mediocridade.

A premissa da Toyota é que o melhor deveria ser o padrão. Ainda existe a expectativa que as pessoas podem atingí-la (com treinamento) e uma expectativa de consistência mas é um padrão de excelência em vez de um menor denominador comum. Isso cria uma expectativa muito maior de performance e desafio. A consequência desse jeito de pensar é que “padrões” inevitavelmente empurram a organização em direção à excelência, especialmente à medida que as capacidades das pessoas continuam a se desenvolver com o tempo.

Em um dos casos, padrões são uma âncora; no outro caso, padrões são um motor.

E isso é diferente em nosso mundo de tecnologia da informação e desenvolvimento de software? Eu acho que não. Pense sobre o último padrão que você encontro (ex. padrões de código, padrões de design, etc.) Ele foi desenvolvido como uma âncora ou um motor? E como seria se todos os padrões fossem desenvolvidos para serem motores?

comentários deste blog disponibilizados por Disqus