De vez em quando, acaba surgindo o assunto sobre “Onde estão as mulheres da nossa área?”

Como normalmente essa conversa surge quando estou participando de algum evento ou conferência, o argumento logicamente acaba caindo aqui:

E caso encerrado! O problema é porque as mulheres se sentem embaraçadas por causa das booth babes e por isso rejeitam a área. Sinceramente, acho que isso não poderia estar mais longe da verdade.

Pequena Pesquisa

Deixei uma pequena pesquisa nos 3 primeiros dias após ter publicado este artigo, perguntando aos leitores deste blog quem é homem e quem é mulher. O resultado foi o seguinte:

Booth Babes

Antes de ir para a discussão propriamente dita, quero fazer alguns comentários sobre esse assunto: booth babes, as garotas contratadas para ficar nas estandes em eventos. Muito já se falou sobre elas. Aliás, esse assunto é muito mais picante se sairmos de TI e formos para a área de jogos, entretenimento, carros e muito mais. Recentemente tivemos E3 e Comic Con nos Estados Unidos, eis algumas representantes:

Em áreas como jogos, a coisa estava indo bem mais longe do que nossas pobres conferências de tecnologia poderiam imaginar: as garotas andavam praticamente semi-nuas, de biquinis ou ainda menor. E considere que games é algo que não é só para adultos! A própria Nintendo, considerada por muitos como a melhor representante “família” nessa área fez o lançamento do Nintendo 3DS no seu Press Conference da E3 terminando com dezenas de booth babes que iriam demonstrar o 3DS ao público! Super família.

A situação estava tão controversa que em 2006 a organização da E3 literalmente baniu os trajes mínimos e colocou uma política mais pesada e restritiva, onde os donos dos estandes poderiam ser multados no ato, em flagrante, e as meninas seriam retiradas do evento. Com o tempo essa políticas voltaram a ficar mais flexíveis, principalmente depois que a E3 quase acabou no ano passado – por outros motivos.

Agora, eu não posso falar em nome das mulheres – afinal não sou uma – mas vou especular com o que eu já ouvi de algumas mulheres. Se a conferência tivesse tantas booth babes, todas em trajes tão mínimos, certamente haveria um certo embaraço. Algumas poderiam ficar realmente ofendidas, algumas poderiam levar na brincadeira e seguir adiante. Mas é fato que é algo que os homens não tem que lidar já que não há homens em trajes de banho nos mesmos eventos.

Nas conferências que estamos acostumados, os trajes nem de longe são tão curtos e as garotas costumam se comportar bem, sem se insinuar ou fazer coisas sensuais gratuitamente. O que eu já ouvi sim muitas vezes é que a maioria das mulheres não dá tanta bola para isso e basicamente ou ignoram ou entram na brincadeira.

Minha esposa mesmo disse isso: não dá a mínima, acha até legal e divertido.

Outra coisa que os críticos não levam em consideração é que essas garotas não estão ali sendo “abusadas”, elas estão ali por vontade própria. É um emprego como outro qualquer. Muitas dependem desses empregos para se sustentar, pagar faculdade e muito mais.

A famosa Morena Open Source que tivemos no Rails Summit, por exemplo, é estudante de direito. Alguns inconscientemente assumem que elas são necessariamente burras e estão ali sendo abusadas. Não poderia ser menos verdadeiro. Existem todos os tipos de pessoas, assim como em qualquer área.

Talento é algo diferente em todas as pessoas. Algumas nasceram mais bonitas que as outras. O mercado valoriza pessoas bonitas. Se essas pessoas decidiram ganhar dinheiro baseadas nessa característica, nada mais justo! Oferta e procura. Se há quem quer pagar, porque não receber?

Muitos já discutiram Por que existem booth babes?. Muitos questionam se isso é realmente válido, se uma empresa não deveria apenas mostrar seus produtos e ganhar o consumidor com qualidade e não com garotas, e assim por diante. É uma discussão válida.

Na realidade, minha conclusão desta parte do artigo é a mais simples: existem booth babes porque a grande maioria dos profissionais da área de tecnologia são homens! É a constatação óbvia mas o que muitos falham em entender é que booth babes não são a causa disso, mas o sintoma e consequência de outros fatores, esses sim que deveriam estar em discussão mas que não são. Discutir booth babes como “causa” é o que eu chamo de “Smoke Screen”!

Smoke Screen

Ainda não chegando na discussão central, todos sabem que adoro discutir sobre Falácias. Muitos dizem: “uma das causas de existir poucas mulheres na área de tecnologia é porque temos booth babes em todos os eventos!”

Isso é um Smoke Screen, uma cortina de fumaça ou também a falácia chamada de Red Herring. Significa apresentar um tópico irrelevante, tirando a atenção do problema principal. Traduzindo do artigo no link, é uma forma de “ganhar” a discussão tirando a atenção do argumento para outro tópico. A estrutura desse tipo de falácia corre assim:

  • Tópico A está em discussão (ex. poucas mulheres em TI)
  • Tópico B é apresentado como se tivesse alguma correlação com o Tópico A (ex. existem booth babes)
  • Tópico A é abandonado

Muito cuidado! Enquanto todo mundo continuar discutindo coisas como “booth babes deveriam existir?”, “elas deveriam usar trajes mais compridos?” e coisas do tipo, a verdadeira questão “por que existem poucas mulheres em TI?” continua ignorado e sem resposta.

Minha conclusão é: a área de TI é formada na sua enorme maioria por homens. Homens gostam de ver mulheres atraentes, isso é um fato. Empresas sabem disso, empiricamente, por isso contratam booth babes. Isso leva a um cognitive bias tornando a imagem da empresa inconscientemente mais “atraente”. Como eu sempre gosto de discutir: nós achamos que somos racionais o tempo todo, mas na maioria das vezes somos Previsivelmente Irracionais. Agora, o fato principal é: por que existem tantos homens assim nessa área?

Se a área tivesse maioria de mulheres, ou pelo menos iguais partes de homens e mulheres, as decisões todas tomadas na cadeia abaixo poderiam ser diferentes. Se, por exemplo, metade dos CEOs de empresas de tecnologia fossem mulheres, obviamente os estandes não teriam booth babes, já que seriam embaraçoso para eles receber tantas executivas tendo as babes do lado. Nesse caso talvez teríamos igual representação de booth babes e booth boys.

Cognitive Bias

Vamos expandir um pouco o argumento: “por que existem menos homens do que mulheres em áreas como enfermaria ou moda?” Me lembrei dos filmes Meet the Parents e Meet the Fockers onde o protagonista interpretado por Ben Stiller é justamente um enfermeiro e o autor resolveu chamá-lo de “Gaylord Focker”! E todo mundo faz piada das duas coisas: da profissão e do nome.

Eu expliquei na apresentação Entenda Software da Maneira Correta que nosso cérebro é uma máquina de determinar padrões. E também como isso nos leva a muitas armadilhas num mundo onde a maioria das coisas é puramente aleatório. Estereótipos é uma dessas formas. Nós temos na cabeça que “homens que trabalham em moda, obviamente, são homossexuais”, embora isso não seja verdade.

Também temos o estereótipo que “homens são melhores em matérias de exatas, como matemática, do que mulheres, que costumam ser melhores em artes e habilidades sociais.”

Isso é repetido centenas de vezes a nós desde quando somos crianças. Por que isso é relevante? Vamos voltar ao assunto das booth babes para enterrar essa falácia de vez: as mulheres que estão na área não são burras! Quando assumimos que elas saem da área por causa disso, estamos assumindo que elas encaram a área com tanta superficialidade que algo simplório como booth babes são o suficiente para afastá-las! Claro que não e ainda tem mais: esses eventos são para quem já está na área, ou seja, esse não pode ser o motivo para haver pouco interesse em TI desde antes da faculdade, no colégio e antes disso ainda. Portanto, vamos enterrar esse argumento.

Muitos de nós começamos com informática desde crianças, isso nos anos 80 e 70. Hoje em dia então, a barreira de entrada diminuiu ordens de grandeza. Mas enquanto continuarmos a dar bonecas às meninas e videogames aos meninos. Enquanto continuarmos jogando essa idéia às crianças que meninos são melhores em matemática, continuaremos minando a auto-estima das garotas.

Isso é, claro, apenas uma das muitas razões. Mas eu acho que é muito relevante porque leva justamente a Cognitive Bias, como mencionei acima. Segundo a Wikipedia, cognitive bias é a tendência humana de tirar conclusões incorretas em certas circunstâncias baseadas em fatores cognitivos em vez de evidência. Esse tipo de viés pode ser entendido como um “atalho cognitivo”, normalmente baseado em regras gerais, e incluem erros em julgamento estatístico, atribuição social e memória.

Estou lendo uma excelente pesquisa chamada Why so Few? publicada em Fevereiro deste ano pela AAUW (American Association of University Women). Recomendo a leitura. Eles dissecam dezenas de pontos. Veja este trecho desse relatório:

O problema de auto-avaliação, ou como vemos nossas próprias habilidades, é outra área onde fatores culturais parecem limitar o interesse das meninas em matemática e carreiras matematicamente desafiadoras. Pesquisas mostram que as meninas avaliam suas habilidades matemáticas como inferiores a dos meninos, mesmo tendo resultados matemáticos similares. Ao mesmo tempo, as meninas se cobram um padrão mais alto do que meninos em assuntos como matemática, acreditando que precisam ser excepcionais para serem bem sucedidas em áreas “masculinas”. Um resultado da baixa auto-avaliação das meninas sobre suas habilidades em matemática – mesmo confrontadas com boas notas e resultados – e sua cobrança por um padrão maior é que menos meninas do que meninos aspiram por carreiras em ciências, tecnologia, engenharia e matemática. Enfatizando que meninas e meninos se dão igualmente bem em matemática e ciência, pais e professores podem encorajar as meninas a se avaliarem de forma mais adequada.

Joshua Aronson, professor de psicologia de desenvolvimento, social e educacional da Universidade de Nova Iorque diz o seguinte:

Meninas se dão tão bem quanto meninos em seus trabalhos, mas meninas perdem a confiança à medida que avançam de grau e vão começar a se sair pior do que meninos em testes cronometrados, apesar de conseguirem boas notas. Uma razão para essa perda de confiança é o estereótipo a que crianças são expostas na escola, na mídia e mesmo em casa, que mostra meninos sendo naturalmente mais capazes em matemática. Sem negar o fato de que meninos talvez tenham alguma vantagem biológica, eu acho que a psicologia tem um grande peso aqui.

Shelley Correll, professora de sociologia da Universidade de Stanford acha o seguinte:

Meninos não perseguem atividades matemáticas em maior número do que meninas porque eles são melhores em matemática. Eles fazem isso, em parte, porque acham que são melhores.

E ainda tem coisa pior: o estereótipo diz que homens são bons em matemática e engenharia mas ruins socialmente, já mulheres são melhores socialmente, sabem lidar melhor com as pessoas. É o “senso comum”. Isso é fatal num ambiente de trabalho quando uma mulher persegue uma carreira em engenharia ou outra área dominada por homens porque a exigência de todos será: “ela tem que ser competente tecnicamente e socialmente!” Ou seja, sempre vamos exigir que a mulher tenha o dobro da capacidade dos homens! Empiricamente já vi isso acontecer. O resultado é que a mulher sofre exigência maior em muitos casos. E para piorar o pior, também ainda existem empresas que pagam menos para mulheres no mesmo cargo.

Abrindo um parágrafo, cansei de ouvir a frase: “esse cara é tecnicamente muito bom, mas …” Todos já encontramos aqueles profissionais que são meio “gênios”, que sabem tudo tecnicamente, mas são estupidamente grosseiros socialmente. Nós, homens, toleramos isso. Se fosse uma mulher o comentário mais comum seria “ah, não leva a sério, ela está de T.P.M.” ou qualquer brincadeira desse tipo. Já homens, para alguns é até uma virtude “esse cara é macho.” Se alguma empresa ainda pensa assim, merece falir logo. Minha recomendação é: toda vez que você se deparar com um funcionário do tipo “ele é bom tecnicamente mas …” mande embora de uma vez, não vale a pena a dor de cabeça.

Mas estou divagando. Veja o que tem a dizer Madeline Heilman, professora de psicologia também da Universidade de Nova Iorque:

Fazer o que os homens fazem, tão bem quanto fazem, não parece ser suficiente; as mulheres precisam adicionalmente serem capazes de gerenciar o balanço delicado de ser ambos competentes e cooperativas.

Também recentemente, o New York Times discutiu se talvez os investidores também não tivessem esse “bias”, esse viés de desconsiderar mulheres empreendedoras. Um depoimento foi assim:

Mas quando ela estava tentando levantar dinheiro para a Crimson Hexagon, uma empresa start-up que ela co-fundou em 2007, ela se lembra de um venture capitalist lhe dizer que não importava que ela não tinha um cartão de visita, porque tudo que eles diriam seriam “Mamãe”.

O NYTimes não está dizendo que todos os investidores são assim, provavelmente a maioria não, mas esse tipo de comportamento ainda acontece, em número suficiente para dificultar a entrada das mulheres que querem empreender. Ainda segundo o NYTimes:

As mulheres são donas de 40% dos negócios privados nos Estados Unidos, de acordo com o Center for Women’s Business Reserch. Mas elas criam somente 8% das start-ups de tecnologia, de acordo com a Astia, um grupo sem fins lucrativos que aconselham empreendedoras femininas.

A disparidade vai além do empreendedorismo. Somente 6% de cargos de chefia executiva nas empresas Top 100 de tecnologia são mulheres e 22% dos engenheiros de software em geral são mulheres, de acordo com a National Center for Women and Information Technology. E entre venture capitalists, a população de financistas que controlam a carteira para a maioria das start-ups de tecnologia, somente 14% são mulheres, segundo a National Venture Capital Association.

Patronizing

Uma palavra em inglês que eu gosto e não acho uma boa tradução direta em português é Patronizing. Traduzindo literalmente significa “tratar aparentemente com gentilezas que escondem um sentimento de superioridade.” E nesta palavra fica um dos grandes problemas quando discutimos este assunto entre homens: surge a falsa noção de “temos que fazer alguma coisa para facilitar a entrada das mulheres na nossa área.”

Isso está totalmente errado. Não devemos facilitar, no sentido mesmo de “dar uma colher de chá” ou coisa parecida. O que não devemos fazer é dificultar, no sentido de pagar menos cobrando mais, por exemplo.

Tem um artigo que eu gosto no TechCrunch escrito por Eileen Burbidge, uma tech angel/investidora e conselheira, ou seja, alguém que realmente sabe do que está falando. Vou traduzir um trecho (tem mais no blog dela) porque acho que diz tudo:

Surgiram chamadas recentes de ação para dar mais chances a mulheres na área de tecnologia; existem chamadas [presumivelmente para homens] para levar as mulheres mais a sério e para trabalhar mais duro no recrutamento para atrair mais mulheres (…). Eu não gosto dessas formas e perspectivas primeiro porque eu acho elas “patronizing” (olha essa palavra difícil de traduzir de novo) e segundo porque acho que a chamada a ação está direcionada para o lugar errado.

Não me trate com falsas gentilezas

Sobre o primeiro ponto, eu não quero que alguém me dê uma colher de chá ou “me dê uma chance” só porque sou mulher. Eu não quero esmola, eu não quero ser tratada falsamente com gentileza. Quero ser reconhecida e respeitada por causa do que sou capaz de fazer e conquistar. Se alguém me quiser na sua equipe somente porque sou mulher, então provavelmente alguma coisa está faltando nessa intenção. Então, não me trate com falsas gentilezas, por favor.

Isso funciona em ambas as direções – não é agradável (ou sábio) se alguém fecha a porta na sua cara somente porque sou uma mulher, mas também não quero que a porta se abra só porque sou mulher.

As mulheres precisam se livrar da muleta e se mexer

Sobre o segundo ponto, eu não acho que deveríamos apenas pedir aos homens para nos dar mais oportunidades. Em vez disso eu acho que precisamos juntar mais mulheres para nos mexer e se estão procurando oportunidades na área de tecnologia (e não conseguindo), eu acho que elas deveriam falar ou procurar mais. Eu tenho graduação em ciência da computação e trabalhei em empresas de tecnologia por toda minha carreira, então trabalhei na maior parte com homens. Eu atualmente trabalho no espaço de escritórios @whitebearyard com muitos homens em dois andares. Tenho certeza que cada um deles (ou pelo menos a maioria) sabem bastante bem sempre que há uma mulher no escritório. Parada completa. Eles sabem se uma mulher entra no escritório, está de passagem ou para uma reunião. Nessa configuração, as mulheres recebem muito mais atenção do que “somente mais um cara”. E se uma mulher nessa configuração não consegue deixar uma impressão positiva ou mostrar seu valor como prospecta fornecedora, parceira, funcionária/consultora, então talvez ela realmente não seja qualificada ou capaz o suficiente – ou não está querendo mesmo. Todos esses caras (e outros que eu conheço e trabalho com) adorariam trabalhar com mais mulheres. A maioria deles fala sobre o valor e vantagem que trariam para suas equipes pela maior diversidade para design de produtos, dinâmica de equipe, comunicação e inteligência emocional. Eles não se opõe a contratar mulheres e alguns prefeririam contratar mulheres, dados candidatos homem e mulher igualmente qualificados, mas eles (e eu) normalmente não vêem muitas para poder escolher.

Acho que isso diz tudo. Eu sou contra dar qualquer tipo de esmola a qualquer tipo de pessoa, especialmente por causa de raça, condição social ou sexo. É preconceito tratar mal porque se é “X” e é igualmente preconceito tratar bem porque “X”. Preconceito é preconceito, não importa para o bem ou para o mal, por isso também sou contra dar esmola na rua, sou contra cotas raciais em universidades e qualquer outro tipo de “cota” ou “benefício” ou “colher de chá”.

A única coisa que isso gera é mais sensação de baixa auto-estima e “vitimização”, onde as pessoas tratadas dessa forma se acham “as coitadas”.

Ninguém é coitado. Mulheres certamente muito menos. Elas tem inteligência, tem capacidade, portanto não somos nós – homens – que devemos achar que somos superiores e, portanto, devemos fazer alguma coisa para as “pobrezinhas”. Isso está errado e só agrava o problema.

Conclusão

Claro, não espero surgir com uma resposta à pergunta do título. Como todo problema real, não existe resposta direta. Mas existe muito a aprender se abrirmos as perspectivas e pararmos de discutir questões irrelevantes, como as booth babes, se pararmos de discutir as cortinas de fumaça e nos concentrarmos nos fatos.

Recomendo continuar lendo os links acima, as pesquisas e outros relatórios. A coisa precisa mudar desde criança. Parar de achar que menina brinca com boneca e que videogame é brinquedo de homem, por exemplo. Professores e pais pararem de seguir os estereótipos tão antiquados. Há muito o que se mudar inclusive no currículo dos atuais cursos de Ciências da Computação – eu acho que eles são extremamente antiquados, acho até incrível que alguém queira frequentá-los – mas isso é assunto para outro artigo.

Na prática, para nós, profissionais desta área, não devemos discriminar as mulheres de nenhuma das duas formas: nem tratá-las mal pagando menos e exigindo demais, e nem tratando bem porque elas são “inferiores”, “coitadinhas”, ou coisa parecida. Mulheres são capazes tanto quanto homens, portanto devem ter as mesmas condições e conquistar as coisas com o próprio esforço.

Como experiência pessoal, posso dizer que das poucas garotas que conheci atuando neste mercado, uma coisa que é constante é que nenhuma delas era “fraca”, justamente eram pessoas de atitude e confiança. A maioria não agia como “coitada”, muito pelo contrário. Isso foi sempre uma constatação muito positiva. E do ponto de vista de alguém que já entrevistou dezenas de pessoas para contratar, se eu tive 1 ou 2 candidatas até hoje, em 10 anos, foi muita coisa. Como a Eileen disse: as garotas precisam se mostrar mais, aparecer mais. Somente empresas muito retrógradas tem alguma restrição ao entrevistar candidatas mulher e essas são justamente as empresas onde vocês não iriam gostar de trabalhar de qualquer jeito, e nem eu.

E eu também não sou perfeito, já fiz “patronizing” também, mas agora não mais. No fim, quem tem que fazer alguma coisa para se ter mais mulheres na área de TI são as próprias mulheres. Nós homens podemos ajudar parando de atrapalhar.

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