Lendo o livro Systems Thinking esbarrei numa história interessante que deu origem ao meu tweet de ontem:

Information < Knowledge < Understanding
Or
What? < How? < Why?

A história é a seguinte: Havia um projeto de controle de natalidade da Fundação Ford na Índia. Eles estavam frustrados tentando ensinar planejamento familiar e controle de natalidade, sem resultados.

“Indianos são irracionais.”

É o que eles achavam pois:

“Eles sabem que o inimigo número um é a população, e aqui estamos nós ensinando sobre controle, dando os contraceptivos e até mesmo um radio como recompensa. Mas veja o que acontece. Eles voltam pra casa, ligam o rádio, e com música fazem um novo bebê.”

Algum tempo depois saiu The New York Times sobre uma mulher brasileira que havia dado a luz ao seu 42o. filho! E eles pensaram “Se isso não é ser irracional, então eu não sei o que é ser irracional.”

Mas pensando bem: “Se uma mulher pode ter 42 filhos, então porque os indianos, na média, tem apenas 4.6? Isso significa que eles sabem como praticar controle, mas não estão dispostos a fazê-lo. Talvez estejamos tentando resolver o problema errado.”

Depois eles descobriram que na época não havia seguro social, não havia aposentadoria, e nenhum benefício de desemprego. Portanto, 3 filhos homens, por padrão, era considerado o sistema de aposentadoria. A primeira prioridade de cada casal era preparar sua aposentadoria.

Estatisticamente, para ter 3 filhos requer uma média de 4.6 filhos. Sem surpresa, aqueles que tinham atingido 3 filhos pararam de fazer mais. Agora, quem é o irracional? O casal indiano que ganhou um rádio de graça ou o cara da fundação Ford que achou que poderia fazer o casal desistir de suas aposentadorias por um mero radinho?

Quando se fala em “problema de natalidade”, temos a informação, ou o que: casais com 4.6 crianças em média aumentam demais a população geral. Também temos o conhecimento, ou o como: programas de controle de natalidade, contraceptivos, palestras, etc. Mas o ponto crucial muitas vezes é a falta de entendimento, do porque. Sem o entendimento, vamos continuar aplicando receitas de bolo que simplesmente não funcionam. Entendendo o porque, conseguimos derivar soluções muito mais efetivas.

Lembram de todo papo de procura por solução raíz, ou os cinco porques, são todas maneiras de tentar eliminar a real causa e não os sintomas.

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