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Off-Topic: Entendendo a Crise Econômica
by AkitaOnRails on Oct.09.2008 at 03:17am
Nassim Taleb, Benoît Mandelbrot devem estar, de maneira trágica, vendo essa crise com olhos muito diferentes de nós. Alguns devem estar cansados disso mas vou repetir novamente minha recomendação em ler as obras de ambos.

Veja este trecho do livro The Black Swan, de 2006, de Nassim Taleb:
A Globalização cria fragilidade interligada, ao mesmo tempo que reduz a volatilidade e dá aparência de estabilidade. Em outras palavras isso cria Cisnes Negros devastadores. Nunca antes vivemos sob a ameaça de colapso global. Instituições Financeiras continuam se mesclando em um número menor de bancos muito grandes. Quase todos os bancos estão inter-relacionados. Então a ecologia financeira está se acumulando em bancos gigantes, incestuosos, burocráticos – quando um cai, todos caem. O aumento da concentração entre bancos parece ter o efeito de fazer crises financeiras parecerem menos prováveis, mas quando acontecem eles tem efeitos muito mais globais em escala e nos atingem duramente. Nos movemos de uma ecologia diversificada de pequenos bancos, com políticas variadas de empréstimos, para um framework mais homogêneo de firmas onde todas se parecem umas com as outras. Verdade, agora temos menos defeitos, mas quando eles acontecem … eu tremo só de pensar.
A instituição patrocinada pelo governo, Fannie Mae, quando eu olhos seus riscos, parece estar montada num barril de dinamite, vulnerável ao menor soluço. Mas não se preocupem: eles tem grandes equipes de cientistas que consideram esses eventos “improváveis”.
Não, Nassim não é um profeta, um adivinho, bidu ou guru. Aliás, ele odiaria ser chamado de guru. Ele apenas fez uma observação baseada no que todos nós ignoramos: infelizmente nossa máquina humana é muito pobre para lidar com abstrações, por exemplo, com Aleatoriedade
Também não se trata de um argumento contra globalização ou outras baboseiras pseudo-socialistas. A parte importante mesmo é o segundo parágrafo da citação.
Isso já aconteceu antes
A Long Term Capital Management era a menina dos olhos do mundo financeiro. Um hedge fund americano formado em 1997, que tinha entre seus fundadores não apenas um, mas dois prêmios Nobel de Economia, Robert C. Merton e Myron Scholes. Eles acreditavam que tinham a matemática (cof gaussiana cof) que era capaz de prever qualquer tipo de eventos. Em 1998, a LTCM já devia USD 4.6 bilhões. A Crise Russa destruiu suas teorias gaussianas, que ignorava e subestimava completamente Cisnes Negros.
E você acha que as pessoas aprenderam a lição? Infelizmente nós somos mais teimosos do que isso: as teorias de Scholes e Merton são ensinadas nos cursos de economia até hoje.
Isso não é uma qualidade apenas do mundo econômico: diversas outras áreas aceitam e empregam teorias absurdas, sem fundamentos, sem resultados, e ainda assim tratados como se fossem as próximas grandes revoluções. As pessoas comuns se deixam enganar facilmente simplesmente por nomes, por credenciais. Enfim, se credencial valesse alguma coisa, um Nobel destruído em 1998 deveria querer dizer alguma coisa.
Eu costumo dizer o seguinte: empresas e charlatães que vendem metodologias (de qualquer tipo: financeira, recursos humanos, gestão, etc) tem o emprego mais fácil do mundo, basta serem bons vendedores.
Se seu cliente teve sucesso depois de implementar a tal metodologia: “viu só, vocês tiveram sucesso porque implementaram nossa metodologia revolucionária.” É claro que esse cliente passa a figurar como “case de sucesso” nos seus portfolios.
Se seu cliente fracassa depois de implementar a tal metodologia: “é claro que fracassou, vocês não implementaram exatamente como dissemos, faltou comprometimento das suas equipes. Não há nada errado com nossa metodologia e sim com vocês mesmos.” E, é óbvio, que esse cliente nunca vai aparecer no portfolio, afinal ninguém gosta de divulgar fracassos.
É muito fácil enganar as pessoas. E não olhe para o lado: você está implementando uma metodologia desse tipo hoje, eu sei!
Falseabilidade
As pessoas tem a péssima mania de fazer as perguntas erradas: “como saber se uma teoria é verdadeira?” Por isso mesmo também recebem as respostas erradas e isso leva à decisões mais erradas ainda.
Mais uma vez, como já disse inúmeras vezes em artigos anteriores, nós somos feitos para sermos enganados. Pior do que isso: conscientemente não exercemos nossas habilidades céticas.
Toda vez que vemos um “case de sucesso”, automaticamente aceitamos a teoria como sendo “verdadeira”. Ou de maneira ainda mais torta: “nunca ouvi falar de um caso de fracasso dessa metodologia, portanto ela só pode ser válida.” É o que a maioria dos “gerentes” e “executivos” conclui. Quantas vezes vamos precisar repetir isso?
Ausência de evidência não é evidência de ausência.
Hoje usamos muitos dados estatísticos para tomar decisões. Estatística é muito útil se usada da maneira correta. Mas quando usada da maneira errada, ela é um enorme desastre.
Vamos ver: “nos últimos 3 anos estamos crescendo 2% todo mês, portanto podemos concluir com certeza que vamos continuar crescendo 2% nos próximos meses.” Todo mundo já fez isso. Até que um Cisne Negro acontece e daí a desculpa é outra: “não sei o que aconteceu, foi um acidente, porque segundo os dados isso não deveria ter acontecido.”
Deixemos as coisas bem claras: um evento raro se chama raro justamente porque ele não acontece o tempo todo. E é exatamente esse tipo de evento raro, aleatório e imprevisível que costuma dar os prejuízos bilionários ou os ganhos bilionários, depende se você é do tipo gaussiano ou do tipo paretiano.
Mas retornando ao problema inicial: dados estatísticos do passado não são suficientes para assegurar a validade de uma teoria?
Óbvio que NÃO.
O que dados do passado podem fazer, no máximo, é assegurar a falseabilidade de uma teoria. Como Nassim explica em Fooled by Randomness, com dados do passado podemos sim provar que uma teoria é inválida, mas jamais poderemos provar que uma teoria é válida.
Por exemplo, hoje sabemos que as teorias da física clássica de Newton são inválidas, pois a Teoria da Relatividade de Einstein já as derrubou. Mas sabemos dentro de quais contextos a teoria clássica ainda pode ser usada e quando precisamos da relatividade. Boas teorias científicas são aquelas que permitem critérios para julgar sua falseabilidade, nunca sua validade.
Astrologia e outras pseudo-ciências são dogmáticas. Tudo que é dogmático deve ser automaticamente descreditado pois justamente impede qualquer tentativa de verificar sua falseabilidade. Essa é a assinatura dos charlatães.
O argumento que descrevi na sessão anterior é exatamente o que os charlatães fazem: se funcionou é graças à teoria, se não funcionou é porque você não aplicou a teoria corretamente. A previsão não deu certo apesar de Marte estar alinhado com Saturno porque na realidade ele estava “um pouquinho” fora de posição, caso contrário teria funcionado …
Nassim deu outro exemplo ótimo: “tenho feito um estudo sobre a vida de George Bush. Depois de 20 mil observações posso assegurar que em nenhuma delas ele morreu. Portanto posso afirmar com certeza, baseado nesses dados históricos, que Bush nunca morreu logo é imortal.”
Falácias
Ultimamente já dei várias dicas sobre coisas que vocês devem evitar: se estamos falando de gestão ou assuntos relacionados a controle – principalmente de pessoas – e coisas não mecânicas, e a teoria não leva Pareto em consideração, joguem fora.
Se o assunto oferece uma teoria mas não tem margens para avaliar sua falseabilidade, é charlatanismo, joguem fora.
Livros de auto-ajuda são assim mesmo: oferecem teorias floridas, cobertas de mel, empacotadas de forma atraentes. Mas ao contrário de teorias científicas, elas não nos deixam tentar provar que elas não funcionam, apenas afirmam que funcionam, citam vários “casos de sucesso” e escondem todas as tentativas fracassadas.
Desde o começo do mês passado tenho viajado para dar palestras toda semana e eu sempre passo na livraria do aeroporto ou da rodoviária. Prestando mais atenção, os livros que estão em destaque são exatamente desse tipo: charlatanismo barato. Se não todas, quase todas.
A teoria “bonita” só existe hoje simplesmente porque ainda não encontrou um Cisne Negro em seu caminho. “Ah, nunca vai acontecer pois nunca aconteceu até agora.” E é justamente por isso mesmo que tem, talvez, até mais chances de acontecer: porque nunca aconteceu!
Fiquem atentos às seguintes Falácias:
- Falácia da Indução: é uma falácia onde a indução está errada. Indução significa que você está tentando encontrar princípios gerais a partir de fatos conhecidos.
- Falácia Narrativa: é a criação de uma história post-hoc de tal forma que o evento pareça ter tido uma causa identificável.
- Falácia Estatística Regressiva: acreditar que a probabilidade de eventos futuros é previsível examinando ocorrências de eventos passados.
- Falácia Lúdica: acreditar que a aleatoriedade estruturada encontrada em jogos se parece com a aleatoriedade não-estruturada encontrada na vida. É o problema de confundir o mapa (modelo) com o território (realidade).
Essa última leva em consideração:
- é impossível ter todas as informações
- variações muito pequenas nos dados podem levar a um impacto enorme (Efeito Borboleta, sim ele acontece o tempo todo)
- teorias/modelos baseados em dados empíricos são falhos, já que eventos que ainda não aconteceram não tem como ser levados em consideração
É o exemplo que Taleb explica: digamos que você está tirando bolinhas coloridas a partir de uma caixa tampada – sem que você veja. Você tira 5 bolinhas brancas e 5 bolinhas vermelhas e, a partir desses dados empíricos, chega à conclusão que “sempre vai sair 1 bolinha vermelha para cada 2 bolinhas retiradas.” Mas mal sabe você que no fundo da mesa existe um buraco e lá está um menino escondido. Ao ouvir você afirmar isso, ele começa a te dar mais bolinhas brancas que vermelhas. Essa é a realidade.
Exercitamos muito pouco nosso ceticismo. Não se trata de virar paranóico, mas sim de avaliar só um pouco melhor do que a forma medíocre que fazemos hoje.
Emoções
Como Malcolm Gladwell diz em Blink nós efetivamente tomamos decisões num piscar de olhos. Claro, ela será tanto melhor quanto melhor for nossa experiência, nosso conhecimento e nossas habilidades.
Taleb descreve uma experiência que foi realizada com uma pessoa que precisou operar o cérebro – por causa de um tumor – e por causa disso foi necessário retirar o trecho do cérebro que é responsável pelas nossas emoções. Todo o resto permaneceu intacto.
“Excelente!” – alguém poderia pensar: esta é uma pessoa 100% racional, que não deixará as emoções esbarrarem na razão. Você poderia deduzir que essa pessoa seria capaz de tomar decisões inteligentes e racionais.
Surpresa: essa pessoa se tornou totalmente incapaz de tomar qualquer decisão. Sequer conseguia se decidir levantar da cama. Os estudos feitos mostram que talvez nossas decisões sejam muito mais realizadas pela parte emocional do que racional, ao contrário do que imaginamos.
Quem já lidou com inteligência artificial chega à conclusão que nós, humanos, provavelmente temos que ter um mecanismo de aproximação, pois é simplesmente impossível levar todas as variáveis em consideração. O tempo para avaliar tudo que sabemos levaria tanto tempo que já teríamos sido extintos por outros predadores milênios atrás.
Decidir num piscar de olhos ou pior, tentar ser “racional”, tem suas vantagens e desvantagens. Pessoas de mente aberta, extremamente estudiosas, muito experientes em muitas áreas, com muitas habilidades e capacidades, provavelmente serão capazes de tomar muitas decisões certas muito rápido (algumas na sorte, algumas erradas). Mas pessoas de mente fechada, medíocres, tomarão muitas decisões erradas.
Exemplo de decisão errada: confiar em vendedores de pseudo-ciências.
Como Karl Popper diria: “não se deve levar a ciência a sério demais” – exatamente porque a ciência se permite estar errada, refinando-se com o tempo e, se você levar tudo a sério demais, se arrisca usar teorias que ainda não foram validadas como falsas e sua próxima decisão pode justamente ser o Cisne Negro que a falsificará.
Conclusão
Muito, mas muito cuidado com os especialistas. Sem querer denegrir todos os tipos de especialistas pois realmente existem muitos bons, mas especialistas de coisas abstratas e não tangíveis como “metodologias”, “economia”, e coisas do tipo, devem ser vistos com olhos suspeitos sempre! Uma boa credencial não torna uma teoria melhor ou pior, é apenas irrelevante.
Não deixe sua decisão ser viciada por teorias não-científicas (pseudo-ciência, superstição, astrologia, homeopatia, etc).
Novamente, leiam Taleb: o que ele diz é óbvio, mas por alguma razão todos nós ignoramos. Pouca gente de fato entende o que é aleatoriedade. Parem de ficar freneticamente assistindo a Bloomberg, de ficar atualizando seu navegador a cada 5 segundos para ver os índices financeiros, nada disso vai te ajudar: você já ignorou o Cisne Negro, você já perdeu.
Apenas para dar uma pontinha sobre filosofia Ágil, me parece bastante inteligente, por exemplo, de porque as metodologias Ágeis insistem tanto em Sprints/Iterações curtas. Eles sabem que é impossível prever o futuro de longo prazo, por isso mesmo prioriza-se o que é realmente importante e se tenta planejar apenas o curto prazo, apenas o que é efetivamente possível. As metodologias Ágeis me parecem especialmente feitos para se defender dos Cisnes Negros que ainda assombram as equipes de desenvolvimento tradicional de software, como expliquei no meu artigo anterior.
Todo mundo conheceu apenas cisnes brancos no passado e induz que não existem Cisnes Negros. Eis onde mora o perigo!










Muito bom Akita. Parabéns! Obrigado.
Sem dúvida, o tópico “Isso já aconteceu antes” já aconteceu antes…
Pois é, essas “instituições financeiras” são um pé no saco. As vezes acho que se o google abrisse um banco não haveria crise. Nunca mais!
Pois é, mas notem que o tema “crise financeira” e “instituições financeiras” são apenas uma desculpa. Minha crítica é bem mais genérica aos charlatães em geral :-) Novamente, se for dogmático, se não tiver falseabilidade, é balela.
Detalhe sobre isto tudo e a “crise”.
Perceberam que o “efeito” dominante é ainda mais concentração…
Daqui a alguns anos você vai ter o que? tres ou quatro opções de banco.
Eu era um feliz cliente do Boavista, foi comprado por um gigante nacional.
Fugi pro Econômico, foi comprado pelo mesmo gigante nacional.
Fugi pro CitiBank, daí fui trabalhar numa grande empresa nacional, e adivinha, o tal gigante nacional é acionista e já sabem onde foi aberta a minha conta salário né.
Mas tudo bem, este “gigante nacional” nunca apresentou sinais de “crise”.
Agora se me aparece um cisne negro na porta do Citi…
Déjà vu?
http://port.pravda.ru/science/15-01-2007/14943-dejavu-0
" A crise no Ocidente é sobretudo uma crise do setor que produz alta tecnologia e bens de produção, o qual deixa à China margem para o seu desenvolvimento no referido setor, passando a ser uma grande potência tecnológica, financeira, industrial e comercial dentro de mais uns poucos anos. Nos anos 30, Franklin Roosevelt retirou os Estados Unidos do poço mediante grandes obras públicas keynesianas, concessões sociais importantes e a preparação da guerra mundial. A China poderia, só ou com a ajuda militar e técnica da Rússia, combater a contaminação, elevar os rendimentos, criar uma grande indústria pesada e um grande setor tecnológico de ponta.
O centro do capitalismo mundial deslocar-se-ia assim, num futuro não muito longinquo, para o Oriente e os Estados Unidos voltariam então a ser uma grande potência regional, aumentando sua pressão sobre um continente que ameaça escapar-lhe. "
http://port.pravda.ru/mundo/24780-0/
Acho que a crise econômica é um cisne negro dependendo do ponto de vista.
Muitos economistas sabiam que existia um buraco no sistema econômico, pra estes a crise não é um cisne negro; os governos tinham uma idéia dele mas acharam que isso ia ser resolvido por outros governos, estes sabiam da existência de um cisne negro, mas mesmo assim resolveram continuar ignorando os riscos; mas pra maior parte das pessoas, que não entendem nada de economia e que no máximo acompanham o indice bovespa, a crise é um cisne negro imenso!
Não acho que as formulações, ou simulações matemáticas feitas para modelar o sistema financeiro estejam equivocadas, são aproximações (como toda teoria) que possuem limites de validade, alguns limites nem são conhecidos, pois não conhecemos todas as variáveis do sistema. O modelo de black-scholes funciona muito bem em ‘condições normais’, acho que é um modelo excelente pra aprender como funciona o mercado de derivativos se este só dependesse das variáveis que levadas em conta.
A lição da crise é saber que os modelos matemáticos são aproximações que não levam em conta todas as variáveis como ganância das investidoras, por exemplo.
A teoria de Newton é válida nos limites de baixa velocidade, a de Einstein não vale nas escalas atômicas, do jeito que está escrito no teu post parece que a teoria de Newton é mesma coisa que astrologia.
Na fazenda de Murphy tem muitos Cisnes Negros :)
Sobre medíocres e teorias não-científicas
As teorias não científicas tem o seu valor. Elas valem para preencher a lacuna da carência existencial, a realidade chega ao ponto que queremos sair dela e embarcar em um cruzeiro fantasioso, romântico, dando assim o aroma da perfeição para criacionistas; o mesmo motivo da criação do mito. O não científico tem o valor da sobreposição do que “é” para o que “eu gostaria que fosse”. Todos somos carente, veja o valor do não-ciência ela alimenta a carência do cético em “provar” que tal teoria está errada(ou melhor não verificada). O medíocre é o carente, é a média, o ser fálico de Freud, a individualidade de Lebniz, a substância Spinosa,o normal. Jogamos pedras em Nietzsche porque ele diz “Deus está morto”, Nietzsche quer nos dizer “mate o Deus que está dentro de você, para que seja possível pensar racionalmente, e não se acomodar com sua existência”, vide outros pensamentos em Gaia Ciência. E falando de medíocres, bancos assistam http://video.google.com/videoplay?docid=-594683847743189197 fatos não verificados, não ciência mas uma visão real.
Daqui uns dias vc vira colunista.
@Fabio não! não! A Teoria de Newton não chega nem perto de uma astrologia ou similares. Justamente a idéia foi demonstrar que a Física Clássica é falsificável, por isso mesmo ela tem muita validade, pois nos permitiu falsificá-la e adicionar Einstein e Quântica para corrigir os extremos. Sobre os modelos econômicos é justamente o problema da Inferência: as pessoas confundem o mapa (ambiente controlado, sem levar extremos em consideração) com o território real (cheio de irregularidades). A crise atual é um Cisne Negro porque se fizer os “cálculos” de risco pré-crise, verá que a crise sequer figura como possibilidade (deve estar acima de Sigma-6).
@Shairon: sim e não :-) Considerando que você tem consciência de que o que está consumindo é fantasia, então sem problema, passa a ser uma literatura como outra qualquer. Você não vê ninguém vendendo George Orwell como profeta e nem 1984 como relato histórico, claro. Porém, estou me referindo ao material que é conscientemente vendido e consumido como técnicas reais e verdadeiras de como se fazer as coisas. Material dogmático e que usa inclusive a ciência de maneira errada. Por exemplo, eu estive numa Livraria – grande – esses dias, onde na seção de “Ciências” estava o livro “What the Bleep do we know?” que é sabidamente um livro absolutamente charlatão que usa teorias reais de física quântica, como entanglement, de forma absurda e irreal para pintar um mundo ideal e romântico que só existe na literatura de ficção.
Acho que Cisne Negro não se aplica a este caso, esses eventos “improváveis” já veem sendo anunciados faz muito tempo. Quem não sabia desta crise?
* é impossível ter todas as informações Muita informação equivale a nenhuma informação. Neste sentido, aqueles que pedem mais revelações como solução para o problema não entendem a informação. Se alguém compra um produto, necessita de uma informação simples e básica: qual é o risco. Essa é a questão. * teorias/modelos baseados em dados empíricos são falhos, já que eventos que ainda não aconteceram não tem como ser levados em consideraçãoCertamente, acredito na necessidade de uma maior transparência. No entanto, desde o ponto de vista dos critérios reguladores, esses produtos eram transparentes em um sentido técnico. Mas eram tão complexos que ninguém os entendia. Mesmo que fossem tornadas públicas todas as cláusulas destes contratos, elas não trariam a nenhum mortal alguma informação útil sobre seu risco.
variações muito pequenas nos dados podem levar a um impacto enorme (Efeito Borboleta, sim ele acontece o tempo todo)
Os ativos hipotecários que provocaram o caos estão em mãos de bancos ou fundos soberanos da China, Japão, Europa e países do Golfo, isto está mais para efeito dominó do que borboleta.
Uma coisa que agora se entende, a conseqüência dessa crise, é a informação assimétrica da globalização. Na Europa, por exemplo, não se sabia muito bem que as hipotecas norte-americanas são hipotecas sem lastro: se o valor da casa baixa mais que o da hipoteca, pode-se devolver a chave ao banco e ir embora. Na Europa, a casa serve de garantia, mas o tomador do empréstimo segue endividado, aconteça o que aconteça. Este é um dos perigos da globalização: o conhecimento é local, sabe-se muito mais sobre sua própria sociedade do que sobre as outras.
Então continuo acreditando nas simulações matemáticas como ferramenta para tomada de decisão.
Polêmico, mas para acrescentar ao debate (“Documentário” completo e legendado):
http://video.google.com/videoplay?docid=-1459932578939373300
Resumindo: Defende que grandes instituições baseadas no sistema monetário e em religiões supersticiosas efetivamente controlam as grandes massas em prol da manutenção do “status quo” que as beneficia. As noções estáticas e fundamentalistas derivadas destas criam uma espécie de “materialismo intelectual” que impede o desenvolvimento humano por não permitir a abertura e renovação de idéias necessárias para tal. Sendo essas as raízes para os atuais problemas mundiais (sobretudo ambientais e sociais) e a crise, desacredita-se que as soluções possam vir de políticos e suas ideologias, pois sugere que as soluções são técnicas e estes se distanciam delas. Percebendo a realidade com base nas propriedades emergentes e interdependentes da natureza, propõe um novo sistema que, por meio de educação ampla e generalista, volta-se para uma disruptiva evolução tecnológica que visa o bem-estar humano e a sustentabilidade.
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Doses de ingenuidade e utopia. Mas, droga, algumas coisas fazem sentido. Ainda estou refletindo sobre…