Off-Topic: O Poder do Mito, Redux

2008 September 20, 05:56 h - tags: philosophy career off-topic principles

Nos últimos posts eu dei uma introdução de porque o pensamento “medíocre” é ruim e porque é necessário entender que não existe tal conceito chamado “média” no mundo real.

Alguns já me pediram recomendações de livros, nos últimos posts deixei alguns muito importantes. The Black Swan é um dos principais. Ele explica como nós ignoramos os “cisnes negros”. Explica como tentar prever o futuro de longo prazo através de eventos passados é um exercício de futilidade e o principal: como nós naturalmente tentamos sempre “reduzir” as coisas, como tentamos “simplificar” para torná-las mais digeríveis e como isso é um problema.

Neste post quero tentar explicar como o herói moderno banaliza a importância dos grandes mitos.

Heróis modernos

Não necessariamente relacionado, outra obra que recomendo é O Poder do Mito do grande Joseph Campbell. Esse livro é fantástico e dentre outras coisas descreve o Arco do Herói. Em todas as civilizações os mitos sempre foram coisas predominantes. Cada cultura tem seus mitos, povoada de figuras “heróicas”.

Resumidamente a Jornada do Herói começa com alguém que começa exatamente como a maioria de nós, na “média”, ou abaixo dela. A jornada o leva por caminhos cheios de perigos, tentações e provações. No final o herói atinge o fim da jornada e retorna para pregar o que aprendeu nela. É um dos motivos de porque mitos como do Buda ou Jesus são contados até hoje. São alegorias heróicas que formam parte importante de cada cultura.

Todo fã de Guerra nas Estrelas sabe que George Lucas é discípulo de Campbell, e a história de Luke Skywalker é exatamente o conto do herói, que começa como um pobre garoto nos confins de Tatooine, passando por provas e tentações do Lado Negro da Força, até conseguir se superar e retornar aos seus como Herói. É um dos motivos de porque Guerra nas Estrelas é um clássico até hoje.

No mundo moderno ainda temos várias histórias heróicas. Hoje alguns deles são os homens de negócio bem sucedidos. Steve Jobs, Jack Welsh, Henry Ford e muitos outros.

Todos nós, de uma maneira ou de outra, gostamos de ter esses “heróis”. Suas histórias nos inspiram e, como efeito colateral, vendem muitos livros e outros merchandizings, como cursos e certificações.

A “auto-ajuda” de hoje é uma representação pobre da mitologia de outrora. E nesse mercado que tenta fabricar os próximos heróis, cópia pífias tentam conquistar o espaço do próximo Perseu.

Charlatães

Toda essa coversa de “Herói” foi uma introdução para o ponto que quero chegar: como somos facilmente enganados por charlatães e como sair desse ciclo vicioso.

Pergunte a Campbell, mas talvez esteja em nossa natureza a necessidade de ter heróis em quem nos espelhar, para usar como modelos e como inspiração. E não existe problema nenhum nisso. Os nomes que mencionei acima são razoavelmente dignos de serem “heróis” modernos.

Porém, muitos charlatães tentam se vender como heróis e muitos conseguem. O ‘Líder’ de hoje é o ‘Herói’ de ontem. Acabei de procurar pela palavra ‘lider’ no site do Submarino e só com isso já podemos ver a quantidade de livros com o mesmo tema: “Como se tornar um líder”. Essa é provavelmente a categoria de livros mais vendida dentre as auto-ajudas corporativas.

Antes de mais nada: auto-ajuda é um enorme exercício de futilidade. Se puderem evitar, evitem: representam uma grande perda de tempo. Pouquíssimos tem algum valor. Claro, editores não são exatamente os melhores filtros, portanto sempre teremos uma quantidade enorme de livros que não tem valor algum, basta sabermos separar o joio do trigo. Muita gente diz que se deve ler muitos livros, e eles estão certos. Porém precisam explicar melhor que não é qualquer livro. Ler livros sem valor algum, emburrece mais do que ajuda. Se só existisse esse tipo de livro, eu recomendaria parar de ler. Lembrem-se de Pareto: apenas 20% de todos os livros talvez valha alguma coisa.

Qualquer desses livros que tem como tema “Como ser …”, esqueçam, é perda de tempo. Para entender isso basta fazer a pergunta mais óbvia de todas: se perguntem se qualquer um dos grandes líderes da história precisou de algum livro ou curso ou palestra de auto-ajuda para se tornar um herói memorável. Vocês conseguem imaginar um John Kennedy, um Martin Luther King, um Abraham Lincoln, lendo um livro de “Como se tornar um Líder” nos bastidores? Dificilmente.

Agora se faça outra pergunta: quantas pessoas vocês conhecem, perto de vocês, que se tornaram realmente bons líderes por causa desse material? E vou mais longe: existem dezenas de “metodologias” de gerenciamento de projetos que prometem milagres e todo mundo compra.

A grande Falácia

A coisa funciona assim: se você aplica determinada técnica ou metodologia e por acaso seu projeto dá certo, o mérito é toda da metodologia! “Claro que deu certo, graças à metodologia revolucionária.”

Porém, se seu projeto dá errado, o problema é que você foi culpado, porque você obviamente não seguiu a metodologia como ela deveria ser seguida. Se tivesse seguido, tudo teria dado certo!

Estão entendendo o absurdo desse argumento? Todos esses livros e cursos, sobre gerenciamento, liderança e resultados, escondem como grande truque exatamente isso: eles listam dezenas de pessoas e empresas que já se beneficiaram de suas “técnicas”. Eu apostaria que todas elas foram bem sucedidas em seus projetos não por causa dessas metodologias mas sim pela qualidade das equipes, das pessoas que as executaram!

Foram as equipes com pessoas que tiveram a habilidade de contornar cada obstáculo, que subverteram a “metodologia”, até atingir seus objetivos. Elas atingiriam esse objetivo com ou sem a tal receitinha. Aliás, provavelmente elas seriam mais bem sucedidas ainda mais cedo sem o embrólio dessas receitas-mágicas.

Eu particularmente gosto da filosofia Ágil. Na realidade muita gente prefere chamar de “metodologias” Ágeis, mas eu prefiro dizer “filosofia”. Isso porque “metodologia” parece denotar uma receita sistemática que pode ser repetida à qualquer cenário, o que não é verdade. Se os membros da equipe não tem consciência e disciplina da filosofia então, mesmo que se implemente as técnicas, o projeto nunca será verdadeiramente Ágil. Só porque você escreve num post-it e cola na parede e cronometra suas reuniões para não passar de 15 minutos, isso não torna sua empresa ou seu projeto algo ágil.

Na era da modernidade, nós achamos que estamos mais espertos, mais inteligentes. Será? Nós buscamos os heróis, que venceram as adversidades e, como Nassim Taleb diria, queremos usar essa experiência anterior deles e suas receitas para aplicá-las em nossos próprios projetos. Ou seja, estamos tentando planejar nosso futuro baseado na experiência passada bem sucedida dos que consideramos como heróis.

Pior, nós ainda “adaptamos” essas receitas porque achamos que sabemos fazer melhor. Atualmente nós falamos muito mal do tal “processo Waterfall”, o processo em escada, que se caracterizou como um dos piores já criados para desenvolvimento de software.

O Waterfall foi descrito no paper Managing the Development of Large Software Systems, nos anos 70, por Winston Royce. É nesse paper que está o diagrama de fases em escada que caracteriza o waterfall. Porém pouca gente sabe que o próprio Winston escreveu nesse mesmo paper que “… a implementação acima é arriscada e propensa a falhas”. Ele mesmo já propunha que esse waterfall fosse executado pelo menos duas vezes, ou seja, ele já sabia que a coisa evoluiria para um processo iterativo.

Nós gostamos de nos basear em projetos anteriores bem sucedidos, em mestres e estudiosos que nos dão soluções mágicas, mas a grande maioria (se não todos), simplesmente não fazem a lição de casa e caem na conversa da carochinha como criancinhas ingênuas.

Querem ver outra coisa que pouca gente questiona? Alguém parou para checar, de forma empírica, quantos desses gerentes formados via treinamento realmente tem carreiras bem sucedidas de maneira consistente (não acidentais) no futuro? Eu não conheci nenhum. Também ainda não vi nenhum dado crível a respeito, vindo de nenhuma entidade de credibilidade, com nenhum estudo independente relevante.

Fabricando Gerentes

Eu já passei por todo tipo de palestra, curso e tudo mais a respeito de como se gerenciar projetos, como lidar com pessoas, enfim, como ser um líder. Num mundo Gaussiano onde todo o sistema educacional incentiva a média, quando todos esses estudantes caem no mercado de trabalho, agora sente-se falta das pessoas fora da média.

Óbvio: nós criamos as pessoas de forma paternalista, protecionista, a pior maneira de se criar uma pessoa. Na escola nós só estudamos o que nos dão para estudar. Nós só fazemos a lição de casa que nos dão para fazer. Nós só estudamos para tirar 5 na prova para passar de ano. Estamos tão acostumados a receber ordens que agora fica público e notório que isso gera excelentes operários, mas poucos profissionais pensantes e, certamente, muitos poucos grandes líderes.

Eu gosto de dizer que “líderes não são formados, líderes se formam sozinhos”. A maneira de se incentivar a formação de líderes quando eles ainda estão na infância é retirar deles o pensamento da média e passar a criá-los num ambiente meritocrático: onde o mérito é extremamente mais bem recompensado do que a mediocridade. E quando eu digo “extremamente” quero dizer que precisa ser de forma absolutamente desigual.

Uma civilização democrática e evolutiva não tem tanto a ver com forçar a igualdade, ou seja, tentar subir os fracos artificialmente e tentar fazer os fortes caírem, de forma que todos fiquem na média. “Igualdade” quer simplesmente dizer que ninguém irá impedí-los de subir acima da média. Mas a maioria confunde achando que isso significa fazer todos serem iguais.

A solução correta é justamente o contrário: manter uma alta desigualdade baseada no critério do mérito. No mundo real é isso acontece: os bem sucedidos são ordens de grandeza mais ricos do que os que se esforçam pouco. Riqueza não somente em forma de capital, mas também em forma de reconhecimento, influência.

Em vez disso, as empresas continuam fazendo o oposto: tentando seguir o currículo escolar primário de colocar seus funcionários numa sala de aula, esperando que disso saiam grandes líderes.

Eu sei como isso funciona: eu sou Gerente de Projetos PMP, certificado pelo PMI, o “renomado” Project Management Institute. Eu digo o seguinte: é mais uma das grandes mentiras corporativas, tão comuns hoje em dia.

Funciona da seguinte forma: você é obrigado a frequentar uns 2 ou 3 meses de aulas para aprender o “ofício” de como ser um gerente. Você aprende como dividir seu projetos em WBS, como colocá-los num Gantt Chart, como calcular ‘slacks’, como criar um Project Chart, como analisar riscos (de forma Gaussiana!!!) e assim por diante.

Você recebe uma apostila, faz sua lição de casa toda semana, exatamente como se fazia no primário. No final tem o “vestibular”, a prova de certificação de 300 questões. Passando da nota de corte de 70% (a média), você ganha um bonito diploma de PMP, um broche e um modelo de etiqueta para colocar no seu cartão de visitas e também já pode passar a assinar seus e-mails como “Fabio Akita, PMP”.

Tudo isso te torna um gerente melhor? Bom, se você era muito ruim, pelo menos sai um pouquinho da ruindade absoluta e vira algo próximo da média. Não se sinta muito orgulhoso disso …

Mas a pergunta é: isso cria “bons gerentes”? Absolutamente não. No máximo isso prova que você sabe ler o suficiente para acertar 200 questões em 4 ou 5 horas, o que convenhamos, não prova nada. Depois da lavagem cerebral e do decoreba, você pode se tornar hábil para passar numa prova. Vocês já passaram pelo vestibular, sabe como é. Curso de gerente é exatamente igual a um cursinho.

Conheci muitos gerentes de projeto – mais do que eu gostaria – que são notoriamente péssimos, e eles passaram na prova de PMP! Quando você se forma, fica contente, claro, eu fiquei. Mas se você é esperto, começa a ficar com vergonha de mostrar esse título quando vê os outros gerentes PMP ruins. Foi quando parei de usar o título de PMP mesmo depois de ter passado por um processo que custou uns R$ 5 mil (pois é, um pedaço de papel custa caro), fora dezenas de horas de simulados para a prova.

Ah sim, e nós nos tornamos Líderes com data de validade: o meu expira em 2009 …

Fabricando Líderes

De qualquer forma, se seu currículo é ruim e se tem consciência que não dá conta do recado, vá em frente e se certifique no máximo de coisas possíveis. O mercado de certificações existe porque as pessoas não aprenderam na escola como devem fazer para aprender de verdade.

Todo mundo só aprendeu a estudar o que lhe dão e a passar na prova, na média. Conheci poucas pessoas verdadeiramente auto-didatas que tem “jogo de cintura”. Essas pessoas são justamente as que não dão a mínima para certificações. Um conhecido meu – que infelizmente tive pouco contato – mas que é muito inteligente foi um dos que me disse “caras bons não se formam”. De fato.

Aliás, “passar na prova com 10” e “inteligência”, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Você pode tirar 10 em todas as provas e isso não o torna automaticamente uma pessoa inteligente. De fato, conheci muitos nerds que tiravam 10 em todas as provas e não passam de operários um pouco melhorzinhos.

Nossos conceitos de heróis mudaram muito. Para mim a figura do “Herói” sempre foi muito forte e muito influente nas minhas atitudes. Pessoas que são pontos fora da curva, que sozinhos conseguiram sair do zero e erguer impérios. Dentre meus heróis sempre estiveram os grandes artistas da Renascença, por exemplo. Pessoas como Leonardo DaVinci que quebrou barreiras como pintor, escultor, inventor, filósofo, anatomista, físico, matemático, etc. Fora outras grandes personalidades como Thomas Edison, Benjamin Franklin, Carl Sagan, Stephen Hawkings, Charles Babbage e diversos outros que conheci lendo a enciclopédia quando estava no ginásio. Sim, enciclopédias não foram feitas para servir de enfeite.

Felizmente minha criação sempre foi de pressão para superar a média. Se eu chegasse depois da prova dizendo que tirei nota 9, minha mãe iria responder “a nota da prova vai até 10, se faltou 1 ponto significa que faltou esforço.” Se eu tirasse 5 – a média – então, era castigo. Meu pai, por sua vez, sempre primou pelo auto-conhecimento, comprava livros, revistas científicas, me deu um globo com mapa mundi como presente de aniversário.

Você é uma empresa e quer formar grandes líderes? Coloque grandes desafios em suas mãos, pressione-os ao máximo, extraia tudo que puder deles. Seja um tirano sem ser um ditador. Exija perfeição, e para isso é preciso saber até onde se consegue ir. Somente os que conseguem superar obstáculos fora do normal são pessoas fora do normal. Líderes são Heróis, por definição!

Agora, “líder” não é algo que se ganha por cargo. Respeito dos subordinados simplesmente por hierarquia do cargo é a mesma coisa que nada, zip, zero. Uma estrutura onde a única forma de comando é a velha “cadeia de comando”, onde o subordinado obedece simplesmente porque seu emprego depende disso, representa uma empresa que não consegue tirar uma fração da capacidade que poderia. Por isso sou contra organizações hierarquizadas. Como mencionei no outro post, hierarquias são mais uma forma Gaussiana de controle através da média, coisa que não funciona. Insistir no erro só torna as coisas mais erradas.

A Morte dos Heróis

Eis o problema do pensamento Gaussiano: num mundo que incentiva a média, não existe espaço para Heróis. Segundo esse pensamento, os heróis que existem hoje são “acidentes” pois segundo a probabilidade Gaussiana, a chance de um herói aparecer é tão pequena que é quase zero, ou seja, algo que uma pessoa “normal” jamais vai alcançar e por isso nem deve ser considerado como possibilidade. É mais “seguro” ficar na média.

Heróis existem, eles aparecem todos os dias. Abra a Fortune e veja a lista dos 500 mais ricos do mundo. Já são 500. Mas o último lugar desses 500 é infinitamente mais rico que qualquer um de nós. Estenda a lista e pegue os 10 mil mais ricos, ainda assim o último lugar dessa lista é muito mais rico do que qualquer pessoa que você já conheceu. Desça ainda mais na lista e você se dará conta que existem milhares de pequenos heróis: pessoas que saíram do caminho “normal” e se tornaram pequenos heróis. E não só em termos de dinheiro.

Porém há outro problema no mundo da média: muitas pessoas sabem desse truque. O “truque” é que as pessoas até gostariam de ser heróis, mas isso dá trabalho: todo mundo sabe que é um esforço descomunal e altamente arriscado tentar seguir o caminho do herói. Todo mundo sabe que no Arco do Herói, o meio do caminho é lotado de provações, perigos, tentações do demônio. Ninguém gosta de sofrer por um futuro incerto. As pessoas são naturalmente imediatistas. Elas gostam de “dizer” que planejam o futuro, mas isso é só retórica.

Exatamente as pessoas que conhecem esse truque é quem inventam as receitas-mágicas, as metodologias, os procedimentos passo-a-passo de como você pode se tornar um herói em 24 horas, sem suar, sem se esforçar, sem se arriscar. Por uma pequena quantia em dinheiro e algumas poucas horas do seu dia, qualquer um pode ser um herói: e eles até lhe dão um certificado dizendo isso! E as empresas contratam esses heróis fast-food! Lhes dão cargos de comando e seus subordinados irão lhe obedecer pela simples força do cargo. Quer coisa mais fácil?

Agora, como eu disse antes, não existe nenhum dado empírico que comprove a eficácia desse tipo de método. As empresas simplesmente “acreditam” que elas funcionam. Afinal o pedigrée dos treinadores parece bom, outras empresas dizem que funciona, tem boas referências, por que duvidas?

Todos caem na falácia de mostrar apenas os projetos que deram sucesso (graças às pessoas e não à metodologia) e, claro, se “esquecem” de listar os projetos que aplicaram a metodologia e não deram certo.

Parece tão inteligente quando o treinador diz: “como Líder, você precisa motivar sua equipe.” Só falta ele explicar exatamente, passo-a-passo, como que se “motiva” alguém. Mas, claro, isso ninguém diz. Pior ainda: como Taleb descreve, as pessoas são reduzidas a estereótipos e papéis: fantoches inanimados que, segunda a receita mágica, são previsíveis e facilmente controláveis. Basta “motivar”, basta “incentivar”, basta “ser comunicativo”. É muito fácil construir retóricas atraentes – embora completamente vazias. Difícil é realmente levar um projeto ao sucesso.

Um conhecido meu já dizia: “Quem sabe faz, quem não sabe, ensina.”

Mas, segundo Pareto, isso é normal. Pelo menos 80% da população, das empresas, dos profissionais pensará da mesma maneira. Bom para os outros 20% ou menos: tem menos concorrência.

O mundo não foi feito para ser justo nem igual. O mundo real é, por natureza, altamente injusto e altamente desigual. No mundo real os verdadeiros heróis são calejados, tem a pele grossa de tanto apanhar e sobem graças única e exclusivamente aos seus próprios esforços. O mundo real é baseado na meritocracia. Muitos vão se iludir por um tempo, achando que estão num lugar que será infinitamente estável e igual, porém esse período é temporário e fadado a desaparecer, dando lugar a um sistema baseado em mérito, que irá esmagá-los sem piedade. A maioria morre de medo disso, morre de medo de perder sua zona de conforto.

Todas essas receitas-de-bolo, fantasiadas em auto-ajudas, travestidas em cursos sérios não passam de mitologia barata em doses homeopáticas. Não vou descrevê-las por mais do que elas realmente são. Todas têm grandes “conselhos”. A melhor definição de conselho que eu vi foi no famoso vídeo Sunscreen :

“Conselho é uma forma de nostalgia. Aconselhar é uma maneira de pescar o passado da lata de lixo, dar uma limpada, pintar as partes feias e revendê-las por um preço muito maior do que elas valem.”

Os Heróis de Campbell não vivem na zona de conforto: a rotina dos heróis é justamente sair do caminho comum. A jornada do herói começa exatamente quando ele resolve desafiar o que os outros consideram impossível. O herói se torna mito quando ele conquista o impossível. E o impossível não se conquista através de caminhos “normais”.

Mitos são raros, infelizmente (ou felizmente).

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