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Off Topic: Inimigos da Razão
by AkitaOnRails on Aug.23.2007 at 05:37pm
Meu blog definitivamente não tem nada a ver com religião, mas tem tudo a ver com formação. Não apenas formação técnica, mas formação de vontade. Eu não valorizo quem estuda com o objetivo apenas imediato de tirar um certificado. Mas valorizo quem estuda pura e simplesmente por gosto próprio, sem o objetivo de curto prazo de uma prova no final de seis meses, mas sim pela vontade de aprender. Este artigo é inflamatório, corro o sério risco de perder leitores … fazer o quê? ;-)

Nesse sentido, religiões, superstições, tem alguns problemas. Não quer dizer que religiosos ou crentes não possam ser excelentes programadores. E eles são! Existe a visão errônea que Ateus como eu, quando falam de religião, é com o exclusivo objetivo de caluniar, falar mal, ridicularizar. Calma lá, não somos tão maus assim. Da mesma forma como não somos racistas de cor, também não somos racistas de crença. Nosso problema é quando a desvalorização das evidências em favor de superstições leva a prejuízos, como o atraso no desenvolvimento das técnicas de células tronco. Ou quando a pessoa pára um tratamento médico sério por um copo d’água homeopático.
Interessante notar como muitas discussões no mundo de tecnologia tem muito de não-racional: minha linguagem é melhor do que a sua, meu processo é melhor do que o seu, meu Linux é melhor que seu Mac, meu Ruby é melhor que seu Java. As pessoas assumem que existe Certo e Errado absoluto. Para um ganhar o outro tem que perder. Se o meu é obviamente o Certo, o do outro é, obviamente, o Errado. Como diria Einstein (em outro contexto, eu sei), tudo é relativo.
Vocês devem ter notado em artigos mais antigos onde menciono várias vezes que eu não torço para nenhum time: sou um programador Ruby, mas não tenho nenhum problema em abrir um Visual Studio e codificar um pouco de C#. Tenho vários Macs, não não tenho problemas em otimizar um Windows ou um Linux. E assim por diante: tudo que puder me ajudar a melhorar meu conhecimento, é bem vindo. Qual o sentido prático de você se auto-limitar?

E a motivação de falar sobre isso foram dois vídeos do Channel 4 da Inglaterra, um documentário em dois episódios chamado “Enemies of Reason”, que podem ser assistidos na íntegra pelo Google Video (episódio 1 e 2). O apresentador é ninguém menos que um dos meus autores favoritos de livros de não-tecnologia: o Dr. Richard Dawkins. Biólogo, feroz defensor do evolucionismo, criador do termo Meme – cunhado pela primeira vez no excelente livro The Selfish Gene.
Ele também é autor do meu livro favorito recente: The God Delusion, que está para ser lançado no Brasil como Deus, um Delírio. Esse livro deu origem a outro documentário do Channel 4 – que também recomendo muito – chamado The Root of All Evil?, que também está no Google Video aqui e aqui (o segundo episódio é entitulado “The Virus of Faith”).

Dawkins faz parte de uma – muito criticada – nova geração de Ateístas, chamados de Novos Ateístas, onde figuram também outros autores e estudiosos como Sam Harris) (autor de “The End of Faith”) e o filósofo Daniel Dennett (autor de “Breaking the Spell: Religion as a Natural Phenomenon”).
O maior problema é o fanatismo. Existem religiosos não-fanáticos (felizmente, a maioria). Mas a minoria fanática é perigosa e muitos deles estão nas cúpulas de poder, definindo o futuro de todos. Já passamos por uma era de alienação religiosa, conhecida como Idade Média. Temos a sorte de sermos uma geração pós-Renascentista. Não faz sentido regredir por pura falta de razão.

Independente de todas as implicações políticas e culturais, pessoalmente o que me incomoda é a falta de valorização própria. Não estou dizendo em ser um arrogante absoluto: uma pessoa que ‘acha’ que sabe tudo sem saber. Mas o simples ‘Graças a Deus’ é um freio inconsciente. Se você conquistou alguma coisa, o mérito é único e exclusivamente seu e de seus colaboradores. Sorte ajuda, mas sorte não é milagre, é apenas um evento estatístico. Nada é impossível. Apenas algumas coisas são probabilisticamente mais improváveis.
Se você não conquistou alguma coisa, a culpa não é de Deus: é toda sua. Eu sinto que muita gente tem dificuldade de assumir responsabilidades: tanto dos acertos quanto dos erros. A culpa/mérito das suas ações é exclusivamente sua: viva com isso.
Outra coisa que me incomoda: todos os materiais que menciono acima, serão altamente criticados – talvez eu tenha uma inundação de comentários criticando, como de costume, ou apenas serei ignorado. Mesmo assim: os pré-conceitos farão com que muita gente simplesmente não queira ver. Esse é outro problema: o caminho do aprendizado exige razão e raciocínio lógico baseado em evidências sólidas. Faz um século que Charles Darwin publicou sua “Teoria da Evolução” e nenhum de nós, das ciências, fomos arrogantes o suficiente para transformá-la em “Lei da Evolução”. Da mesma forma, em tecnologia, ninguém pode afirmar “Minha Tecnologia é Superior”. É relativo, ninguém aqui tem autoridade para criar uma Lei comprovando uma afirmação dessas, é o que precisamos ter em mente para criar um ambiente conscientemente investigativo “se o meu não é o melhor, quais as alternativas? quais as evidências? quais as circunstâncias?”
Joseph Campbell diria que as sociedades precisam de mitologias, heróis, crenças. É uma forma de explicar coisas que não sabemos, de comunicar o que é considerado Certo ou Errado dentro de um determinado período no tempo (já que conceitos de Certo e Errado variam conforme o espaço e o tempo). À medida que evoluímos, matamos um Deus de cada vez. Ra, Isis, Osiris, Apollo, Artemis, Poseidon e muitos outros. Explicamos onde o Sol nasce, onde se põe, o que há no Céu, de onde viemos, para onde vamos, e uma tonelada de outros eventos naturais.

Como Richard Dawkins disse, sintimos falta de Carl Sagan. Para mim, ele fez dois dos trabalhos mais inspiradores: a série “Cosmos” e o livro The Demon-Haunted World: Science as a Candle in the Dark. Toda criança deveria ser encorajada a assistir a série inteira de Cosmos e aprender a pensar por si própria, verdadeiramente, livre de dogmas e superstições.
Como disse Dawkins no documentário: os livros de astrologia e outras superstições, ultrapassam numa taxa de 4 para 1 os livros de ciências. Até em documentários temos produções supersticiosas que pregam histórias da carochinha usando a ciência como pretexto, como no horroroso DVD “What the Bleep do We Know?”.
Num mundo competitivo, com diversos problemas a serem resolvidos, como doenças, conflitos, aquecimento global, escassez de recursos, precisamos da maior quantidade de cérebros não-supersticiosos e céticos de todos os tempos. Só assim poderemos dar passos à frente, e não estagnar em mandingas do passado. E mesmo sem considerar as grandes questões, enquanto evolução individual, não podemos nem devemos nos tornar inimigos da razão.
Definição de Ciência: vêm do Latin “scientia” ou “conhecimento”. Segundo o Webster’s New Collegiate Dictionary: “conhecimento adquirido através do estudo ou prática”, ou “conhecimento que cobre certas verdades da operação de leis gerais, como as obtidas e testadas através do método científico e que se preocupam com o mundo físico.”
Ciência se refere a um sistema para se adquirir conhecimento. Esse sistema usa observação e experimentação para descrever e explicar fenômenos naturais. O termo ciência também se refere ao corpo organizado de conhecimento que as pessoas ganharam usando esse sistema.
Ciência é um sistema elegante porque o método científico é simples e coerente (Observação/Pesquisa, Hipótese, Predição, Experimentação e Conclusão), porém é rigoroso o suficiente para ser confiável principalmente porque, por definição, possui mecanismos de auto-correção. Independe de opinião pessoal, crença ou ponto de vista. A Lei da Gravidade é a mesma para todos, independente de raça, cultura, ideologia, idade ou condição social.
Nenhuma hipótese ganha o caráter de “Lei” a menos que se tenha evidência sólidas o suficiente para tal. Além disso toda teoria (ou hipótese – definição: sugestão de explicação) pode ser descartada caso evidências sólidas em contrário apareçam.
Definição de superstição é: (1) uma crença irracional sobre um objeto, ação ou circunstância não logicamente relacionada a um curso de eventos influencia seu resultado. (a) Uma crença, prática ou ritual irracional mantido por ignorância das leis da natureza ou por fé em mágica ou acaso. (b) Um estado mental de medo ou rejeição resultado de tal ignorância ou irracionalidade. (c) Idolatria.
Finalmente, a definição de Dogma: (a) algo tido como uma opinião estabelecida; especialmente : define um princípio autoritativo. (b) um código de tais princípios (dogma pedagógico). (c) um ponto de vista ou princípio colocado de forma autoritária sem terreno adequado. (d) não pode ser disputado ou posto sob dúvida.








Mto bom…concordo 100%
Acho que tu tá vendo muito House eim :) lol
Olá, muito bom o artigo, me interesso muito por esse tipo de assuntos, até acabei de ver os dois documentarios, “A raiz de todo mal e o virus da fê, eh são ótimos, os outros q vc recomendou vo ver logo, os livro que vc citou tambem, li o do Daniel, e quero ver os do Richar, parabens, ótimo tema. t+
olá de novo, não tem legendas para isso ainda neh para o the enemies of reason?
O Universo é tão incrível, que limitar-se a crer em apenas aquilo que a ciência diz que realmente existe é um disperdício.
Contemplar a natureza já dá mostras de quão pequeno é o entendimento do homem sobre o ambiente que ele vive.
E quanto as religiões, há muita ignorância e sabedoria nelas. Pessoas muito especiais viveram neste planeta, e as religiões guardam parte deste momento.
Importante é saber que a ciência é apenas um ponto de vista, com acertos e erros.
House MD? Será que estou ficando muito óbvio? Eu adoro House! A visão superficial é que ele é apenas grosso, excessivamente cínico, arrogante ou coisa pior. Mas na prática, ele está quase sempre certo. Série recomendadíssima! Estou no meio da terceira temporada.
Falando em seriados, também recomendo a quem puder para assistir “Penn & Teller”. É um Mythbusters bem mais ácido, se vocês me entendem. Eu acho que na TV a cabo passa no canal FX. As quatro primeiras temporadas são excelentes.
não acho que as ciencias de alta tecnologia sejam a solução para os nossos problemas e tb não acho que as religiões do presente conseguem explicar Deus. Nem acho que o maior dos cientistas conheça profundamente a natureza humana ou natureza do planeta terra, por isso acho pretençao querer conhecer a natureza de Deus. Não devemos colocar as culpas da nossa ignorancia em Deus ou no Diabo. Mas falar que Deus não existe é pura ignorancia, olhe a sua volta, olhe o universo, olhe pra si. Liberte-se dos seus pre-conceitos, Deus está nas coisas simples da natureza, não procure ele onde não poderá encontrar.
Akita, texto maduro e objetivo. Muito bem.
Eu gostaria de traduzir o livro The God Delusion inteiro aqui. Primeiro seria uma tarefa escruciante, apesar de prazeirosa. Segundo, ela já foi traduzida e logo estará sendo vendida. Espero que os detentores dos direitos não se incomodem se eu pegar emprestado três trechos. De qualquer forma, é uma leitura recomendadíssima, se muito, por exercitar pensamento crítico.
Vou começar mais pelo fim do livro, depois voltar ao começo e ir de volta ao fim. Veja a pergunta crucial: “Se não existe Deus, por que ser bom?”
“Se você concorda que, na não presença de um Deus, cometeria roubo, estupro e assassinato, você se revela como uma pessoa imoral, e nós deveríamos prendê-lo. Se, por outro lado, você admite que continuaria a ser uma boa pessoa mesmo sem estar sob diligência divina, você fatalmente matou sua afirmação que Deus é necessário para sermos bons.”
“(...)‘Hitler e Stalin eram ateus. O que nos tem a dizer sobre isso?’ (...) A questão é colocada de maneira truculenta, indignadamente assustada com duas premissas: não somente (1) Stalin e Hitler eram ateus, mas (2) eles cometeram atos terríveis porque eram ateus. A premissa (1) é verdadeira para Stalin mas duvidosa para Hitler. Mas a premissa (1) é irrelevante de qualquer forma, porque a premissa (2) é falsa. É certamente ilógico pensar que (2) veio de (1). Mesmo se aceitarmos que Hitler e Stalin compartilhavam ateísmo em comum, ambos também tinham barba, assim como Saddam Hussein. E daí?”
E então volto mais ao começo: “Criacionistas ferozmente procuram por buracos no conhecimento ou entendimento atual. Se um buraco aparente é encontrado, assume-se que Deus, por default, deva preenchê-lo. (...) Mas o que preocupa os cientistas é outra coisa. É uma parte essencial da empreitada científica admitir ignorância, mesmo que seja para inspirar nela um desafio para futuras conquistas (...) A maioria dos cientistas estão entediados com o que já foi descoberto. (...) um dos efeitos verdadeiramente maus da religião é que ela nos ensina que é uma virtude se satisfazer com o não-entendimento.”
“Admitir ignorância e temporária mistificação são vitais para a boa ciência. Por isso é infeliz, para dizer o mínimo, que a principal estratégia da propaganda criacionista é a negativa de procurar buracos no conhecimento científico e clamar que ela deve ser preenchida com ‘Design Inteligente’ (DI) por default. (...)”
“A lógica acaba sendo mais convicente do que isso: ‘Eu [insira seu nome] pessoalmente não consigo pensar em nenhuma maneira pela qual [insira o fenômeno biológico] pudesse ter se formado passo a passo. Portanto ela é uma complexidade irreduzível. Isso só pode significar que foi intencionalmente desenhada assim.’ (...) O raciocínio por baixo da teoria do ‘design inteligente’ é preguiçosa e derrotista. (...)”
“Muito trabalho ainda precisa ser feito, é claro, e tenho certeza que será. Tal trabalho nunca seria feito se cientistas se satisfizessem com um padrão preguiçoso como a que ‘teoria do design inteligente’ encoraja. Aqui vai a mensagem que um imaginário ‘teorista de design inteligente’ diria aos cientistas: ‘Se você não entende como alguma coisa funciona, não se preocupe: apenas desista e diga que Deus criou. Não sabe como o impulso nervoso funciona? Bom! Não entende como a memória é gravada no cérebro? Excelente! Fotossíntese é um processo complexo e perplexador? Maravilhoso! Por favor não vá trabalhar no problema, apenas desista, e clame por Deus. Querido cientista, não trabalhe nos seus mistérios. Nos traga seus mistérios, pois podemos usá-los. Não acabe com a preciosa ignorância com sua pesquisa. Nós precisamos desses gloriosos buracos como um último refúgio para Deus.’ Santo Agostinho disse isso bem abertamente: ‘Existe outra forma de tentação, ainda mais cheio de perigos. Essa é a doença da curiosidade. É o que nos faz tentar e descobrir os segredos da natureza, esses segredos que estão além do nosso entendimento, que não podem nos dar nada e que o homem não deve desejar aprender.’“
Finalmente, no trecho Inspiração: “(...) Como muitos ateus já disseram melhor do que eu, o conhecimento (adquirido) de que temos apenas uma única vida deveria torná-la ainda mais preciosa. A visão ateísta é correspondentemente afirmadora e melhoradora da vida, enquanto ao mesmo tempo nunca manchada com auto-desilusão, pensamento desejoso, ou a auto-piedade daqueles que acham que a vida lhes deve alguma coisa. Emily Dickinson disse, “
_Que ela nunca voltará
É o que torna a vida tão doce._
As pessoas têm que aprender a duvidar, mas não de forma incrédula, temos que duvidar com o objetivo de descobrir, de criar.
Se eu fosse o ditador do universo, faria deus e o diabo se casarem e colocaria fim no certo e no errado, seria tudo uma grande teia de interdependência em um processo de retroalimentação.
Incredulidade* é uma faca de dois gumes. Quando você duvida de uma afirmação porque ela lhe é dada sem evidências sólidas (“Milagres existem”) é uma coisa. Mas quando você duvida por crença pessoal ou preconceito (“Os médicos não sabem explicar a cura, portanto só pode ser milagre”) estamos falando de argumentum ad ignorantiam, ou argumento por incredulidade pessoal, que é apenas uma das muitas falácias lógicas (e tem uma lista!) que as pessoas usam no dia-a-dia.
Resumindo com um exemplo: “os cientistas não sabem explicar as origens do Cosmos, portanto a ciência não funciona e, portanto, Deus tem que existir”. Ou seja, por que A ainda não pode ser provado (questão de tempo), não significa que B tem que ser verdadeiro.
Lembrem-se: “ausência de evidência não é evidência de ausência”. A faca de dois gumes é: “não existe evidência da existência de milagres, isso não prova que elas não existem, portanto elas podem existir”. Verdade, justamente por causa disso existe o Peso da Prova, que é a obrigação de provar alegações. Não sou eu quem está dizendo que milagres existem, em primeiro lugar, portanto quem fez esta afirmação que dê um passo à frente e nos entregue as evidências.
Alguém chega à mim e diz: “Milagres existem”, então eu digo, “ok, prove que elas existem”, e ele responde, “não, prove você que eu estou errado”. Isto não é uma argumentação: como eu não posso provar que milagres não existem, o alegador conclui: “como você não consegue me provar errado, portanto eu só posso estar certo: milagres existem.” As pessoas usam isso todos os dias, mas agora sou eu quem chego a esta pessoa e digo: “você é culpado de ter matado seu vizinho,” ao qual ele responde: “ah é? prove que sou culpado.” Seguindo o mesmo padrão da falácia lógica, posso retrucar, “claro que não, prove você que é inocente.” Ele continua: “mas eu não tenho como atestar minha inocência.” Perfeito, “como você não pode provar que é inocente, obviamente só pode ser o culpado.”
Felizmente as seculares instituições não foram construídas sobre falácias, mas sobre fundações sólidas de razão: “todos são ‘considerados’ inocentes – razões práticas – até que o acusador prove o contrário.” Ao exemplo anterior, conhecemos também como Prova Negativa e tem a forma de “X é verdade porque não existe prova de que X é falso”
No comentário anterior mencionei God of the Gaps : (1) existe um gap (um buraco) no conhecimento científico (2) o gap é preenchido com atos de um deus (e portanto também prova, ou ajuda a provar, a existência do dito deus). O fato é que essa explicação para fenômenos ainda não explicados não é realmente uma explicação, mas sim mais um argumentum ad ignorantiam_. Antigamente acreditava-se em Thor, o deus Viking do trovão. Os Vikings acreditavam que o trovão era o caminho dos martelos arremeçados por Thor dos céus em seus inimigos. Mais tarde os cientistas descobriram que trovão é o resultado de cargas estáticas se formando entre o solo e as nuvens durante uma tempestade, resultando num movimento de elétrons para contra-balancear a carga. Thor não é necessário para explicar o trovão.
Apesar de já termos dados longos passos nos últimos 2 mil anos, algumas hipóteses ganharam status de ‘fato’ (“Deus existe”) através de diversas técnicas falaciosas. Uma delas é a o argumentum ad nauseam, ou seja, uma proposição é repetidamente reiniciada apesar de contradições. Algumas vezes ela é repetida até que todo desafio cesse, e a partir desse ponto é postulado como verdade pelo fato de ninguém mais contradizê-lo. Em outros casos sua repetição é citada como evidência de ser verdade, e isso é uma variante do falacioso apelo à autoridade ou apelo à crença. Lenin parece ter dito: “Uma mentira contada com frequência suficiente se torna verdade.”
Outras técnicas empregadas: “Dawkins diz que Deus não existe. Mas quem me garante que Dawkins é confiável? Portanto sua teoria só pode estar errada”. Essa é a falaciosa argumentum ad hominem que tenta provar uma proposição como certa ou errada baseada na reputação do seu narrador. Há aqueles que se consideram agnósticos em vez de serem crentes ou ateus e acabam caindo na armadilha falaciosa do falso compromisso onde tenta-se chegar a consenso sem escolher. ”’A’ diz que Deus existe, ‘B’ diz que Deus não existe, deve haver um ponto no meio onde Deus ‘meio-existe’, por exemplo, milagres são impossíveis mas a criação do universo deve ter acontecido.” Isso é o mesmo que dizer: “Pedro está com fome, mas João não está com fome, portanto ambos devem comer meio prato,” ou “Júlio que ir para o Norte, André quer ir para o Sul, logo ir para o Oeste deve ser a escolha certa.” Finalmente, temos Wishful Thinking ou Pensamento Desejoso: apenas porque você quer que algo seja verdade, não é evidência que esse algo seja mesmo ou precise ser verdade.
Akita, sou leitor diário do seu blog mesmo não sendo especialista Rails (sou um mero ABAP querendo aprender mais) e confesso que me decepcionei com esse Post. A idéia de de coligar pensamento religioso com tecnológico, na minha opinião, foi como aqueles brinquedos de criança onde tem que se encaixar as formas. Você tentou colocar um quadrado em um circulo. Até conseguiu, mas quebrou todo o quadrado. Desculpa a sinceridade, mas como uma pessoa que já trabalhou com você e que te admira e respeita DEMAIS, eu tinha que comentar. Abraço…
“Out-of-body experience recreated”Lhttp://news.bbc.co.uk/2/hi/health/6960612.stm
Another ‘unexplained’ myth is on the verge of being disrupted yet again.
O mais importante é não ficar em cima do muro. Acho que todo mundo que “Evangeliza” (não sei se essa é a palavra correta) tem de ter uma opinião objetiva e concreta isso as vezes ou quase sempre parece ser radical com um determinado assunto. Ótimo artigo e bastante instrutivo, forte abraço e parabéns pelo posicionamento.
Não sei quem é esta mulher nem mesmo se a legenda é exatamente o que ela está falando, mas partindo da premissa que isto é verdade, eu espero que esta mulher ainda esteja viva para contar a história. Falar o que falei, aqui, é fácil, mas fazer o que ela fez, naquele lugar … é para poucos!! :-)
http://uk.youtube.com/watch?v=dGYqz-r__0o
Post e comentários muito longos… ai meu tempo :/
Algumas obervações: A igreja católica não é contra células tronco, é contra células tronco-embrionárias (discussão mais ética que religiosa, ética != religião)
Carl Seagan era agnóstico no final de sua vida (vide seu último livro publicado, antes era ateu).
Quanto a dizer “linguagem X é melhor que a linguagem Y”, isso pode ser totalmente racional, depende dos argumentos
Sobre à afirmação de que somente se formos super-céticos é que vamos resolver os graves problemas de hoje, discordo. Questões como meio-ambiente, pesquisa científica e até mesmo atritos entre religiões tem muito mais a ver com interesses políticos e econômicos do que com crenças e superstições.
Um dia Deus encontra vc…
Cara, admiro bastante as pessoas que têm conhecimento, seja ele tecnologico ou não, conhecimento ciêntifico é lindo!! Mas partir de premissas falsas pra chegar a uma verdadeira equivale a partir de meias verdades pra chegar a uma premissa meio verdadeira. A história tem mostrado o quanto a sabedoria fez o homem ser o que é hoje e o que poderá ser amanhã. A Sabedoria que vem do oriente, seja da China, India, Japão, Israel é muito maior do que os poucos mais de 100 anos de “investimento” tecnologico. Sabedoria independe do conhecer tecnologico, existem pessoas bem simples que têm muita sabedoria. A religião e a Ciência devem caminhar juntas, uma não exclui outra, uma precisa da outra. Um filme chamado “Kapax” ilustra bem o saber e a ignorância humana. Acho que todos os caminhos levam a Deus inclusive a ciência.
Estranho. Por que alguém me admirar, por exemplo, não pode significar também ‘entrar em discordância comigo?’ ou vice-versa? Não vejo como admirar e discordar sejam mutuamente exclusivos. Se todos concordássemos em tudo, qual seria o ponto de dialogar, certo? Por exemplo, se eu cometi uma falácia, eu preciso saber qual é a ‘premissa errada’.
Além do mais, não estamos falando de 100 anos. Tecnicamente, se considerarmos a primeira vez que o fogo foi dominado e se tornou uma técnica repetitível e entendida, começou-se a acumular um corpo de conhecimento que vem crescendo, se modificando e se refinando há dezenas de milhares de anos. Se considerarmos apenas a partir da fase de crescimento, estamos falando de pelo menos desde 5 milênios e meio atrás.
Ah sim, Carl Sagan chegou a se denominar agnóstico, segundo suas própris palavras: “Minha visão é que se não há evidência para isso, então esqueça sobre isso. Um agnóstico é alguém que não acredita em alguma coisa até que exista evidência para isso, portanto sou um agnóstico”. Citações normalmente não são muito boas porque tiradas do contexto podem significar outra coisa, como o fato de Einstein ter citado “Deus não joga dados” levar à conclusão errônea que ele era religioso. Mas vou correr o risco :-)
O fato do ‘super-cético’ tem razão, talvez eu tenha exagerado. Meu ponto continua o mesmo: não podemos usar a fé (sem ser pejorativo) como ‘muleta’. É o que eu quis dizer quando mencionei God in the Gaps. Não podemos ‘assumir’ que os Gaps não possam ser respondidos e sim trabalhar para respondê-las da maneira mais rigorosa possível. Graças a isso hoje temos medicina e médicos, com procedimentos controlados e entedidos e não curandeiros. Foi o que permitiu elevar a expectativa de vida da média de 30 a 40 anos para 60, 70 anos, mantendo uma boa qualidade. Poluição, por exemplo, foi uma má consequência não planejada. Por que este cozinheiro fez hoje um omelete queimado, não quer dizer que amanhã não será capaz de fazer um belo prato.
Essa é a direção que estou ‘pregando’. Não tem problema pegar os erros no texto, é para isso que ele é público :-) Mas não é esse o ponto. A pizza veio com uma azeitona com semente, por causa disso a pizza inteira não serve? Sejamos razoáveis (trocadilho intencional).
A discussão sobre a existência de Deus é milenar.
A Bíblia fala que o povo de Israel foi incrédulo em várias ocasiões, mesmo Deus tendo feito vários milagres diante deles. Uma das ocasiões foi: a mensagem da terra prometida e libertação do povo da escravidão; das pragas enviadas contra os egípcios (conseq. libertando-os); no deserto, abrindo o mar vermelho, a multiplicação dos pães e peixes; e, por fim, até a chegada à tal terra. Mesmo assim, com as obras feitas diante dos olhos de todos, o povo foi indolente e rebelde, consequentemente Deus não permitiu que Moisés entrasse na tal terra (...).
É fato que não será possivel medir a Fé ou Deus através de uma calculadora, um pedaço de papel e um lápis ou (aos high-tech) um computador quântico. Crer em Deus por si só não basta! Não, tem que haver uma manifestação da Fé, tem que haver uma parceria. Algo como: Faça a tua parte que eu faço a minha.
O fato é que as religiões trabalham emcima da emoção, do sentimento; e não da inteligência, razão. A Fé que Deus ensina tem que ser inteligente, pensada e NÃO emotiva. Quando entramos no mérito do que é espírito, desliga-se completamente do que é matéria. São coisas completamente diferentes.
O Reino de Deus está dentro de cada um, o poder de Deus pode ser visto na vida de todos aqueles (apenas os) que tenham em verdade manifestado a fé pura Nele. (nada de superstições/misticismo)
Outro dia conversaremos mais sobre este assunto…
Abraços!
Comecei a estudar, a pouco tempo, duas neo-ciências: a Conscienciologia e a Projeciologia que falam, dentre outras coisas, das questões levantadas nesse post sobre Ciência e Religião. Acho muito válido você questionar as coisas e não só receber tudo “empacotado”. Achar suas próprias respostas diante da vivência e do experimento é essencial.
Abaixo alguns trechos do livro “Projeciologia” de autoria de Waldo Vieira:
“Infância.A ciência, a rigor, igual como conhecemos, é uma criação humana dos últimos 4 séculos. Vive, portanto, ainda na sua infância, pois ocupou até o momento, somente 4% do longo período registrado de vida humana ou civilização terrestre”.
“Humano.O homem de Ciência, inevitavelmente, é ser humano em primeiro lugar e cientista em segundo lugar. Há, por exemplo, cientistas que buscam endeusar a Ciência”.
“Religiosidade. Os sentimentos religiosos são, de modo invariável, nitidamente muita mais imaturos, remanescentes da infância, construções ego-centralizadas nas quais se adota uma divindade útil que auxilia os interesses imediatos do indivíduo, qual um Papai Noel ou um pai excessivamente benevolente”.
Mais detalhes sobre essas novas ciências aqui
Desculpe talves não tenha conseguido ser claro quando dei enfase ao “investimento” tecnologico, o que quiz dizer é que os artefatos tecnológicos são produtos de uma economia ou um modo de produção, acho que poderia dizer nos ultimos 200 anos houve muito investimento tecnologico, mas nunca houve tanto investimento como nos últimos 100 anos. http://www.discoverybrasil.com/guia_tecnologia/resumo_historia/index.shtml http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI949109-EI4799,00.html
Quanto a discordar e admirar, eu passei boa parte da minha vida discordando de algumas opniões de meu pai (dentre elas religiosas), nem por isso deixei de admirar ele a vida inteira. Nem vou deixar de ser leitor do Akita, pois eu gosto verdadeiramente das suas opniões, exceto essa e nesse caso eu não poderia me calar.
sobre falácias : Ser bem e mau é inerente a natureza humana e das relações sociais, voce não precisa acreditar em Deus pra ser bem comportado socialmente e ser bom, e nem precisa de nada pra ser mau basta querer, e quando o texto fala que deveria prender os maus, fica claro que se vc prender um macaco e bater nele os outros também vão ter medo de ficar presos e apanhar . Só que não somos macacos, acreditar em Deus e nas suas leis vai muito além disso.
Eu acho que os ateus são filhos de Deus sejam eles bons ou maus, então generalizar que todos que acreditam em Deus acham que os ateus se comportam como Hitler está errado.
“Se um buraco aparente é encontrado, assume-se que Deus, por default, deva preenchê-lo. (...)”
Está partindo do princípio que todos que acreditam em Deus são idiotas. Inteligencia não é privilegio dos ateus.
_Que ela nunca voltará É o que torna a vida tão doce._ Parece que só os ateus aproveitam a vida. Eh pra ficar com inveja? ou pra conquistar novos adeptos?
Quando se le: “Conheça a Verdade que a Verdade vos Libertará” não promove Fé Cega nem Escravidão.
“Meu destino depende de mim, não de Deus.” Os estrategistas não acreditavam em predestinação e não estimulavam as pessoas a consultar livros que diziam a sorte ou esperar o que fosse acontecer. Ensinavam às pessoas a examinar suas situações e seus atos, e a assumir a responsabilidade consciente de seu comportamento e as consequências que ele provoque. —Ditado Taoísta
“Nunca se esquecam as lições aprendidas na dor” —Provérbio africano
“A coisa mais difícil para o homem é o conhecimento próprio” —Provérbio árabe
“Diga a verdade e saia correndo.” —Provérbio Iugoslavo
Impressionante como esse texto “bate” com 99% do que eu penso e falo quando sou questionado sobre o assunto.
O que mais me incomoda é o “Graças a Deus/Se Deus quiser”, ou seja, não tenho culpa de nada, se acontecer algo errado é porque Deus quis assim e, pra ter esse benefício, pago apenas o preço de não levar todo o crédito quando acerto. Argh, isso é abominável!
Ah, também chega a ser engraçado, embora seja triste, esse tipo de argumento das pessoas que crêem: “Um dia você vai encontrá-lo…” “Basta olhar à sua volta, a natureza, o universo…” “Deus está no coração daqueles que manifestaram a fé pura…” Nenhum fundamento, nenhum argumento válido… onde ficam o pensamento e o raciocínio?
Legal, vocês vêem quando as pessoas param, pensam e argumentam, saem algumas coisas racionais independente de crença.
Porque eu sou ateu, quer dizer que vou ficar escolhendo apenas autores não-religiosos? Não sejam ridículos. Qual seria a ‘razão’ de fazer isso? A maioria das pessoas do planeta tem alguma religião ou alguma crença. Os motivos deles são irrelevantes, mas o trabalho gerado, uma vez feita com rigor dentro do método científico, tem a mesma validade. Não importa se foi um negro, um judeu, um muçulmano, um indiano: se o trabalho foi bem feito, ele tem a mesma validade. Muita gente da comunidade de tecnologia é católica, judia. O que eu vi algumas pessoas aqui dizendo, indiretamente, foi: “o Akita é ateu, o que ele diz não tem mais validade pra mim.” Questionem minha técnica apontando empiricamente meus erros. Eu nunca disse a ninguém: “você é católico, o que você está fazendo provavelmente está errado. Seria exatamente o mesmo que dizer: “você é negro, obviamente o que você está fazendo é inferior.”
Aí vem o erro primordial: “porque eu sou religioso, não devo ser racional, não devo duvidar nem questionar”. Não é verdade, vocês racionalizam o dia todo, todo o tempo. (Antes que alguém leve ao pé-da-letra, de novo, eu sei, eu sei, nem todo dogma vale para todas as religiões nem filosofias de vida, é só um exemplo). Por que alguém coloca um filho na escola: fé que ele vai se tornar um médico? Pode ser, mas não é só isso: todo mundo ‘sabe’ que estatisticamente, os melhores médicos tiveram a melhor educação. É um dado empírico. Educação não é superstição. A qualidade da educação pode e deve ser questionada, refinada, mas o fator ‘educação’ é uma escolha totalmente racional. Por que você leva seu filho para se vacinar? Apenas rezar por ele não seria suficiente? Claro que não: empiricamente sabemos que existem bactérias e vírus que não conseguimos ver a olho nú que certamente matarão meu filho caso eu não o vacine. “Ah, mas teve o caso de fulano que não tomou remédio nunca e nunca ficou doente.” (ou alguma variação nesse sentido). Estudem a história médica e você vai achar diversos casos assim, a maioria tem soluções simples (sistema imunológico diferenciado) outras ainda estão em pesquisa e eventualmente serão respondidos. Ninguém em sã consciência deveria basear suas decisões mais importantes em eventos raros. Por que aconteceu uma vez, não significa que vai acontecer novamente, essa é a Falácia Invertida do Apostador,
Você não toma banho apenas por tradição: você sabe que isso o livra de germes. Por isso mesmo também lava suas verduras antes de comer. Você procura dormir cerca de 8 horas porque empiricamente temos dados que corroboram que o cérebro precisa do estado REM para aprender. Você não economiza algum dinheiro por fé, mas por planejamento calculado para comprar seu carro. Se você gasta mais do que ganha e tem única e exclusivamente fé que as coisas vão dar certo, você faz parte da fatia inadimplente da população. Alguns são inadimplentes por fracasso do planejamento, alguns por mero acaso, outros porque realmente se levaram a isso por ignorância. Empiricamente: atitudes racionais tem maiores chances de dar certo, atitudes ilógicas tem mais chance de não dar certo. Uma moeda pode dar cara dez vezes em sequência, nem por isso há ‘alguma coisa’ especial na moeda ou no jogador ou na circunstância. “Foi a boa ação que fim ontem”, não, simplesmente é um fenômeno matemático conhecido como Gambler’s Fallacy
Novamente, porque precisamos ser racionais: porque a falta de conhecimento e raciocínio nos leva a associar eventos puramente aleatórios com alguma ação, objeto ou acontecimento do passado. Em ignorando a lógica, as pessoas eventualmente caem em Cognitive Bias, como achar que tem controle sobre um evento sobre a qual não tem influência. Entender que ilusões existem, que nossos sentidos são facilmente enganados é o primeiro passo. Por isso mesmo que existem ilusionistas, mágicos e prestidigitadores: nenhum deles tem um dom mágico especial, todos nós ‘sabemos’ disso, mas por alguma razão, se a pessoa não disser que é um ‘ilusionista’, alguns acham que ele tem realmente o poder. Como as pessoas que usam Leitura Fria para “adivinhar” coisas de uma pessoa como se fosse um espírito soprando em sua orelha. A chance de uma moeda dar cara ou coroa é 50%. A chance de dar 21 caras em sequência é de 0.0000477%. Chance pequena não é zero: digamos que aconteceu, saiu 21 caras. Agora a chance da 22a. jogada dar cara de novo, continua sendo 50%, independente das 21 caras anteriores. Quando você acerta 5 número de 6 na loteria, não significa que da próxima vez você vai acertar os 6: são dois eventos completamente independentes.
Ninguém precisa – nem deve – ficar calado quando é apresentado com algo que não lhe agrada. Se seu pai diz para pensar de um certo jeito, você deve questionar. Pessoas autoritárias são justamente as que não sabem argumentar e que, infelizmente, lhes foi dado uma quantidade de poder maior do que deveria: estes devem ser derrubados. Pais que batem nas esposas, pais que reprimem seus filhos, professores que não incentivam os curiosos, chefes que dão ordens sem sentido. São duas completamente diferentes. Apenas um ditador acha que sua palavra é a final.
Akita,
Sugiro a você uma pesquisa racional. Pesquise na história, nas sociedades as religiões (incluindo aí o ateísmo como não religião) e o resultado no decorrer do tempo destas influências em cada sociedade. É provável que fique surpreso ao comparar cada religião ou não religião.
Abraços,
Heronim
O comentário acima não faz sentido porque não especifica onde quer chegar. Especulativamente, ela pode querer dizer “veja a importância que a religião teve durante a história”. Ou pode ser mais contundente: “veja a contribuição da religião na história e veja como o ateísmo não contribuiu em nada”. Enquanto não houver uma hipótese e uma linha de raciocínio, fica difícil concordar ou contestar.
Não sejamos tímidos. Vejamos nomes famosos de religiosos, praticantes, crentes ou afiliados que deram muita contribuição à história: Johann Gutenberg (católico), Christopher Columbus (católico), Albert Einstein (judeu), Louis Pasteur (católico), Galileo Galilei (católico), Charles Darwin (anglicano), Richard Dawkins (anglicano), Nicolaus Copernicus (católico), Antoine Laurent Lavoisier (católico), James Watt (presbiteriano), Martin Luther (católico, luterano), Genghis Khan (mongoliano shamanista), Adam Smith (protestante liberal), Napoleon Bonaparte (católico), Alexander Graham Bell (unitariano), Ludwig van Beethoven (católico), Werner Heisenberg (luterano), Rene Descartes (católico), Max Planck (protestante), Johannes Kepler (luterano), Nicoli Machiavelli (católico).
A lista é muito mais longa que isso, claro. Agora vejamos alguns ateístas: Abraham Lincoln, Albert Einstein, Arthur C. Clarke, Charles Darwin, Benjamin Franklin, Carl Sagan, Bertrand Russell, Francois Marie Arouet “Voltaire”, Freidrich Nietzsche, Galileo Galilei, Karl Marx, Marilyn Manson, Napoleon Bonaparte, Vincent Van Gogh, Thomas Edison, Sigmund Freud, Steve Wozniak, Frank Miller, George Soros, Bruce Sterling, Richard Stallman, Bill Gates, Fidel Castro, Larry Flynt, Warren Buffett, Linus Torvalds.
Essas lista vão e vão. Alguns aparecem em mais de uma lista, seja porque se converteram, reconverteram, ou porque uma lado clama que é de um lado, outro lado clama que é do outro.
Agora vem a questão? “ahá, uma lista é maior do que a outra”, ou “ahá, a lista da esquerda fez coisas mais importantes que a da direita”.
Não sejamos infantis. Cada uma dessas pessoas fizeram o que fizeram porque tinham talento, porque cultivaram talento, porque se esforçaram e brigaram, porque refletiram e revolucionaram. Mais importante: cada um deles pensou diferente em cada época e graças a isso, elevaram a sociedade como um todo a um novo patamar. Não vamos subestimar as pessoas geniais, elas são hoje nomes conhecidos e respeitados unica e exclusivamente por mérito absolutamente pessoal. Eles suaram, eles se sacrificaram, eles ousaram inovar, ousarem esticar os limites. Pessoas assim não podem ser meramente etiquetadas: “graças ao catolicismo ele disse isso” ou “graças ao ateísmo ele fez essa descoberta”. This is gibberish, plain bullshit.
O programador católico vai começar a xingar o software livro porque foi criação de um ateísta como Richard Stallman. Vai abandonar Linux porque é criação de um ateísta como Linus Torvalds. E eu, vou deixar de usar o telefone porque Graham Bell foi unitariano, ou parar de ler livros porque veio de Gutenberg que era católico? Não faz absolutamente nenhum sentido.
Pessoas inovadoras precisaram pensar além do que os outros haviam lhes ensinado. Precisou ouvir pessoas dizendo “isso é impossível” ou “isso é inexplicável” e procurar as respostas. Importa se elas eram religiosas ou não? De jeito nenhum.
Richard Dawkins diria: “sempre existirão pessoas bem intencionadas e pessoas mal intencionadas. Pessoas ruins farão coisas ruins, pessoas boas farão coisas boas. Mas é preciso religião para fazer pessoas boas fazer coisas ruins”.
Esqueci de outra muito interessante, de Epicurus (341-270 BC), disse:
_Is God willing to prevent evil, but not able? Then he is not omnipotent. Is he able, but not willing? Then he is malevolent. Is he both able and willing? Then whence cometh evil? Is he neither able nor willing? Then why call him God?_
Vejo que você não entendeu, preferiu a mera desqualificação do argumento. De que adianta citar pessoas, ora existem fumantes que vivem 90 anos e não desenvolvem câncer, porém qualquer pesquisa indicará que uma parcela maior de fumantes desenvolvem algum tipo de câncer. Não comparo um software desenvolvido por um cristão ou um ateu, até porque se assim fizesse teria de me isolar no mundo, comparo uma sociedade ateísta com uma cristã, ou islâmica, ou judaica, isto é relevante, os frutos desta sociedade. Do contrário a avaliação é completamente furada, pois um judeu poderia aponta Einsten, um católico Napoleão, esta analise não serve para nada. Nada influência mais a mente de um homem do que sua religião, e naturalmente a sociedade.
Só não entendi o Marilyn Manson constando na lista de gênios, não conheço esse cara direito, a única participação que considero interessante sobre ele é que foi no documentário Tiros em Columbine que “acho” que ele disse algumas verdades. Mas de resto, qual foi a contribuição que ele fez pra música ou pra sociedade pra merecer constar nesta lista?
Haha, Manson eu coloquei de ironia ;-) Assim como Fidel e Larry Flint.
Apesar do fanatismo científico, do abuso da força da palavra e do excesso irritante de contradições, seu artigo até que tem um fundamento.
[]’s Cacilhas
Einstein era ateu?
Science without religion is lame, religion without science is blind. (Albert Einstein)
Abraços e parabéns pelo texto.
“Obrigado! Finalmente alguém se lembrou desta frase! É mais um dos mitos (ainda assim completamente irrelevante ao objetivo do meu texto), mas já que foi levantado, nada mais justo do que refutá-lo.
Eu tinha certeza que esta ou outras citações falaciosas seriam usadas por isso mesmo eu disse num dos comentários acima: Citações normalmente não são muito boas porque tiradas do contexto podem significar outra coisa.
Passo minha palavra a Dawkins, em “The God Delusion”, p. 15, capítulo ‘A deeply religious non-believer’:
Uma das citações mais repetidas de Einstein é ‘ciência sem religião é ingênua, religião sem ciência é cega’. Mas Einstein também disse,
‘Isso foi, claro, uma mentira o que você lê sobre minhas convições religiosas, uma mentira que é sistematicamente repetida. Eu não acredito em um Deus pessoal e eu nunca neguei isso, pelo contrário, sempre expressei isso claramente. Se existe algo em mim que pode ser chamado de religioso então é a admiração sem limites pela estrutura do mundo que a ciência pôde revelar até agora.’
Parece que Einstein está se contradizendo? Que suas palavras podem ser escolhidas parcialmente para suportar ambos os lados dos argumentos? Não. Por ‘religião’ Einstein quis dizer algo totalmente diferente do que é convencionalmente dito. Enquanto eu continuo a clarificar a distinção entre religião supernatural de um lado e religião Einsteniana do outro, tenha em mente que estou chamando apenas os deuses supernaturais de desilusões. Aqui vão mais algumas citações de Einstein, para dar uma amostra da religião Einsteniana.
‘Eu sou um profundo religioso não-crente. Esse é um tipo de nova religião. Eu nunca imputei à Natureza um propósito ou objetivo, ou qualquer coisa que pudesse ser entendida com antropomórfica. O que eu vejo na Natureza é uma estrutura magnificente que podemos compreender apenas muito imperfeitamente, e isso deve encher uma pessoa pensante com um sentimento de humildade. Esse é um sentimento religioso genuíno que não tem nada a ver com misticismo. A idéia de um Deus pessoal é meio alien para mim e me parece completamente ingênuo.’“
Po Akita, muito muito bom mesmo… Eu nao sou mto de comentar em blogs (apesar de escrever em um… que coisa feia :P). Mas nesse nao tive como nao comentar… concordo contigo em numero genero e grau… Parabens, texto mto completo e pega todos os pontos. Ao mesmo tempo nao eh provocativo nem ataca ninguem de forma suja. Outra coisa, dessa vez assino teu RSS :D
att. Caio “Rufflez”
Pois é! Religião sempre dá Ibope. O Akita está muito afiado… Eu teria que pensar muito bem mesmo pra tentar contra argumentar. Geralmente eu fujo dos tópicos de religião e política do Reddit. Não por não gostar de discutir nenhuma das duas… Mas por saber que as conversas são longas e que me disperso muito fácil do trabalho.
Esta, não tive como escapar. :) :D
Bom o pensamento de Einstein, foi direto ao assunto sem rodeios, partiu de premissas verdadeiras e em momento algum se disse dono da verdade. Não considero que seja uma nova religião, mas uma forma de auto-conhecimento, de querer conhecer as leis que regem o universo e da certeza que Deus não é aquele velhinho que está lá no céu nos observando. Nada que não já havia sido dito por sábios a milhares de anos atrás.
Muito bom o texto e os seus comentários. Concordo com praticamente tudo que você disse. Parabéns.
Abraços.
Achei engraçado esbarrar neste blog português. Ao que parece a discussão lá é bem mais acalorada e muito mais irracional do que no meu blog. Parece mas discussão entre times de futebol rivais.
E para quem tem interesse no assunto, também esbarrei neste outro blog Ceticismo, Ciência e Tecnologia.
Vim parar aqui só por causa desse seu post.
E pelo o que eu vi temos mais em comum que o posicionamento frente a religião, já que também sou programador.
Parabéns pelo post, concordo com 100% do que você disse.
Olá Akita, venho lendo o seu blog a alguns dias e eu que já vinha gostando da sua sinceridade, adorei o seu posicionamento corajoso como Ateu. Hoje eu realmente não consigo entender como programadores com mais de 25 anos podem ser teístas…