/ 26.Mar.2007 at 11:00am
Novamente, meu tempo é escasso. Mesmo assim surgiram muitas coisas legais desde meu último pacotão de novidades.

Fiquei muito contente com a repercussão do meu último post, Um Desabafo. Existem mais assuntos que me deixam um tanto frustrado ou mesmo em reflexão. Um deles é exatamente tema deste outro post, The death of Agile. Não é tanto céu nem terra mas de fato as práticas Agile deixam um pouco a desejar. Todas as metodologias mainstream, Agile ou não, usam a mesma tática: quando um projeto dá certo e, por acaso, metodologia X ou Y foi usada, o mérito é da metodologia. Se outros projetos que usaram as mesmas metodologias deram errado, a culpa é da equipe que não soube implementar as práticas corretamente. Esse é, de novo, a famosa falácia da causa-e-efeito: ‘ontem eu fiz a dança da chuva, por isso hoje choveu’, ou seja, o efeito não tem, necessariamente, a ver com a causa. Tentarei discorrer sobre isso em outro artigo.
Esse comentário é pouco ortodoxo mas me lembrou do Papa João Paulo II, quando sofreu um atentado em Roma e disse que a bala foi desviada pelas mãos de Nossa Senhora de Fátima. Alguém poderia perguntar então, já que ela se deu ao trabalho de desviar, porque não tirar a bala completamente do caminho?
Voltando ao assunto, um conjunto de ferramentas que eu já mencionei antes e que parece promissor é o Hobo. No fundo me parece uma maneira de começar um projeto Rails de maneira mais rápida e prática. Ele tem alguns geradores que extendem os originais, conjuntos de helpers mais abrangente, infraestrutura de autenticação. Esses screencasts devem ajudar.
O assunto JRuby continua esquentando. Desde o lançamento da última versão 0.9.8 muitas pessoas estão fazendo seus experimentos inclusive sobre deployment de uma aplicação Rails em Tomcat como Dr. Nic descreve neste post.
Falando em Java e Ruby, surgiu uma pequena discussão de Grails vs Rails. O autor do artigo avisa que não é uma medição rigorosa. Várias alternativas de benchmark foram lançadas. Nem Grails nem JRuby on Rails são exatamente estáveis ainda. Há muito chão a ser percorrido e benchmark de performance, na minha opinião, são irrelevantes nesse ponto. O principal para a equipe do JRuby é conseguir rodar Rails sem absolutamente nenhum problema, com todos os drivers JDBC disponíveis e com todos os mecanismos de deployment dos application servers do mercado como JBoss, Glassfish ou Tomcat. Esse campo de integração Java-Rails é muito promissor e eu espero que vá muito mais longe.
Outro campo promissor é o de aplicações Web no desktop. Esse assunto começou a ficar famoso depois que empresas como Stardock, Yahoo!, Apple, Google e Microsoft lançaram produtos como Object Desktop, Konfabulator, Dashboard, Google Desktop, Sidebar. Agora existem milhares de Gadgets, Widgets que as pessoas consomem diariamente a muitos não sabem que esses mini-aplicativos são, na maioria, feitos com HTML e Javascript. Produtos da Web utilizados no Desktop.
Com Rails, alguns querem dar um passo extra. A Joyeur lançou o Joyent Slingshot. Sua proposta é ser um tipo de “máquina virtual Rails” para rodar aplicativos Rails offline, no desktop, como um aplicativo. E com vantagens adicionais, por exemplo, de sincronização do banco de dados local com o do servidor. A maior vantagem disso é levar a facilidade de programação Web para gerar aplicativos que antes demandariam muito mais tempo com toolkits como Java Swing.
Finalmente, tivemos recentemente o lançamento do Typo 4.1. Depois um longo hiato, finalmente surgiu uma versão compatível com o novo Rails 1.2.x. Em cerca de dois meses a versão 4.2 deve ser lançada.
Meu blog roda sobre Typo. Talvez ninguém tenha notado mas eu fiz o upgrade para a versão 4.1 e com isso estamos rodando sobre Rails 1.2. Ainda não investi muito tempo nisso, mas quero melhorar a localização. Eu traduzi o arquivo de linguagens para pt_BR (não sei se já existia) mas mesmo assim muitos strings não foram traduzidos.
4 Comments
Posso ver que você se tornou um fanboy da Apple. Minha dúvida é se isso aconteceu antes ou depois do Rails, já que o uso de Mac pra desenvolvimento em RoR é bem grande (estou esperando um textmate for windows :) Já comecei a ler o Getting Real (li uma parte em inglês e depois comecei a ler essa tradução) e encontrei alguns erros de tradução. Como eu devo entrar em contato? Não achei a página no google groups.
hugo / 13.Jul.2007 at 02:21pm
Haha, ‘fanboy’ é pejorativo :-) Ainda uso Windows e conheço todos os truques. Para esclarecer, meu namoro com a Apple é antigo. Eu fui exposto a Macs na época dos Quadra, Centris e o System 7.5 lá para 1997. O problema foi o de sempre: grana e conveniência para poder ter um Mac e ainda poder trabalhar com Windows.
A chave foi o anúncio de Apple+Intel em 2005, por isso comprei o Macbook assim que saiu. Coincidiu de eu resolver comprar meu primeiro iPod e agora a Apple começar a diversificar com Apple TV e iPhone. Substituí meu desktop de casa por um Mac mini porque em casa eu não preciso de Windows e minha mulher prefere o Mac OS X.
O Apple TV eu estou namorando desde o anúncio em setembro passado também.
E coincidiu mais ainda porque os desenvolvedores de Rails ganharam o Textmate no Mac. No fundo foi uma convergência de fatores. Mas isso de desenvolver no Mac eu sei que é mais antigo, acho que até o Linus Torvalds declarou uma vez seu gosto pelos G5.
Sobre o Getting Real, imagino que ainda tenha vários errinhos. Preferi lançar logo do que esperar meses até ter 100% de certeza (e 100% é impossível). ‘Release soon, Release often’, uma recomendação do próprio Getting Real.
Quem encontrar erros pode mandar e-mail diretamente para mim. Não vai entrar no dia seguinte, mas sempre que eu tiver um ‘pacote’ razoável, peço para publicar. Vamos ver em quanto tempo chegamos à versão 1.0.1 :-)
akitaonrails / 13.Jul.2007 at 02:21pm
Estava esquecendo!! Outra coisa muito legal que eu andei vendo (for Windows!) é o editor E ele vem na sombra do TextMate e até agora parece estar fazendo um ótimo trabalho.
Para quem queria um TextMate no Windows, talvez essa seja a solução.
akitaonrails / 13.Jul.2007 at 02:21pm
Me pareceu que o autor do post ‘The death of Agile’ tem uma concepção um pouco equivocada sobre as práticas Agile.
Antes de tudo, não existe método que o proteja de equipes despreparadas, mal gerenciadas ou profissionais ruins.
Não acredito que métodos ágeis sejam o santo graal da metodoligia de desenvolvimento.
O próprio Kent Back, um dos principais sistematizadores de XP diz isso: existem projetos e equipes que você pode aplicar XP.
Além do mais, métodos ágeis enfretam uma barreira cultural muito grande e creio que seja esse um dos principais pontos que levam a falhas nos projetos. Isso pode explicar porque um dos princípios de XP é coragem.
Abraços
daniel / 13.Jul.2007 at 02:21pm
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