Off Topic: Meu Apple TV

2007 June 02, 11:13 h - tags: apple obsolete off-topic

Finalmente, no fim de semana passado tive tempo de brincar com meu Apple TV. Fazia mais de um mês que havia comprado, já estava assistindo meus podcasts e DVDs ripados em H.264 (MPEG-4 Part 10). Mesmo assim ainda tinha um grande problema: os seriados que baixo via BitTorrent costumam vir em XViD (MPEG-4 Part 2) e o Apple TV não suporta. Problemão: eu precisava recodificar em H.264 antes de poder assistir.

PS: todos viram o encontro do ano? Bill Gates e Steve Jobs juntos no mesmo palco?

A primeira solução que a comunidade encontrou foi desmontar a caixa, retirar o HD e montar em um estojo USB2 externo. Como o OS do Apple TV é um OS X Tiger sem ‘gordura’, seria trivial: ele monta o HD como HFS+ e eu poderia simplesmente copiar os plugins do Quicktime do micro local para dentro do HD e remontar de volta. Muito trabalho.

Felizmente alguém conseguiu descobrir como fazer o Apple TV bootar o OS X de uma partição externa. Ele tem uma porta USB2 que ninguém sabia como usar. Conseguiram ripar a imagem do OS do Apple TV, descobriram que apertando o botão Menu e “-” o Apple TV boota em Diagnostic Mode e, caso encontre um sistema modificado na USB2, ele carrega de lá.

O PatchStick é exatamente isso: uma imagem de OS X mínimo, modificado para ser reconhecido pelo Apple TV. Baixa-se uma imagem, utiliza-se o utilitário “dd” para descarregar a imagem em qualquer Pendrive USB e pronto. Ao bootar o Apple TV com esse Pendrive, ele carregar o OS e nele estão scripts de inicialização que instalam e abrem um serviço SSH !

Agora eu posso acessar meu Apple TV remotamente, via SSH. Sem precisar abrir a caixa, eu pude copiar todos os drivers que queria. Além disso a Awkward TV organizou uma série de plugins que permitem usar o MPlayerX no lugar do Quicktime (o que me permite rodar vídeos com legenda, por exemplo), plugin de YouTube para assistir via streaming da Internet, plugin de RSS para ler notícias sem sair do sofá e assim por diante. Aliás, a Apple acabou de anunciar que vai suportar o YouTube num próximo upgrade: a comunidade foi mais rápida!

A solução é perfeita. Além do SSH eu abri o serviço AFP que permite montar o disco do Apple TV como um share de rede nos meus Macs, assim enviar um filme é basicamente arrastar e soltar. Não poderia ser mais simples: o usuário padrão se chama ‘frontrow’ e a senha é ‘frontrow’.

Existem algumas imagens de PatchStick rodando por aí, alguns sites de BitTorrent como BtJunkie podem ter. Porém estão todos por sua própria conta e risco. Existem relatos de gente que tentou rodar uma imagem dessas e apagou seu Apple TV. Para quem tiver mais tempo, paciência e não quiser arriscar a Awkward TV tem a receita de como criar sua própria imagem.

Algumas possibilidades: algumas pessoas desmontaram, pegaram o HD e re-instalaram um MacOS X do zero, modificaram o boot (o Apple TV não boota um OS X puro) e carregaram o OS X com Aqua e tudo. Interessante mas não acho prático e não faria. A grande característica de Apple TV é ser simples e controlado apenas com o controle remoto. O BackRow, como foi batizado a interface gráfica dá um banho no equivalente que vem em todo Mac: o FrontRow. E alternativas open source como o CenterStage são ruins demais para valerem a pena. Além disso o processador é um Intel simples de 1Ghz, com uma placa de vídeo NVidia antiga. O suficiente para assistir vídeos até 720p. Para mim não faz mal já que minha TV ainda não é full-HD também, vai só até 1080i.

Uma coisa que é possível fazer e vale a pena: atualizar o HD (que é de 40Gb) para um maior, de 160Gb, por exemplo. As versões mais novas do Apple TV já vem com HDs maiores. Mas a vantagem é poder abrir a máquina remotamente via SSH e instalar programas como o rTorrent que é o BitTorrent em linha de comando. Isso torna o Apple TV uma central de download de seriados.

Outra coisa que tenho feito: minha DVDteca é enorme, com 200+ títulos. Quero converter tudo em H.264 (na minha opinião, o melhor Codec disponível) e formar um Jukebox de filmes em um dos meus HDs externos. Como o Apple TV agora pode conectar em shares de rede, fica simples assistir filmes via streaming. Seriados acabam vindo em XviD, eu particularmente não gosto mas é melhor do que recodificar em H.264. Aqueles ‘outros’ codecs que alguns ficam inventando eu nem quero saber pois são ruins demais. Qualquer coisa diferente de H.264 eu considero ruim. XviD é simplesmente passável.

Enfim, as possibilidades são infinitas. O Apple TV é um Mac OS X “light”, portanto posso fazer o que quiser nele. Por agora, terminei de assistir Heroes e a 6a temporada de 24. Ainda tenho um box inteiro de Six Feet Under. Preciso escolher outra coisa pra ver.

Detalhe: estou falando de BitTorrent, mas eu particularmente detesto baixar filmes. A maioria demora muito, e ainda acaba vindo aquelas malditas filmagens de tela de cinema que os chineses fazem. Um lixo. Filme bom eu compro, muito melhor. Filme médio, que eu não compraria, eu também não assistiria, então tanto faz. Filme muito bom ou muito falado, assisto no cinema. Aliás, os únicos cinemas que vale a pena ir são os certificados THX como o Kinoplex, em São Paulo. Cinemark é ruim demais.

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Até a semana passada eu ainda estava usando cabos component na minha TV. A qualidade é muito boa, praticamente a mesma de quando eu ligo meu Macbook via cabo miniDVI-VGA. Agora estou com cabo HDMI-HDMI, mas não notei muita diferença. De qualquer forma, não recomendo nada abaixo de componente. SVideo e Composite eu nem considero como alternativas – e o Apple TV nem suporta, o que é bom.

Considero o Apple TV uma excelente prova-de-conceito. Ele não faz tudo que todos queriam, mas o que ele se propõe faz muito bem. Mal posso esperar pela versão 2.0. A versão 1.1 que eles acabaram de anunciar traz um HD de 160Gb e em breve haverá suporte nativo a YouTube com uma qualidade possivelmente melhor da atual (trocando o Flash por H.264). Aliás, a qualidade do YouTube é sofrível, para dizer o mínimo.

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