Off Topic: Windows Vista?

2007 February 09, 04:16 h - tags: windows obsolete

30 de janeiro de 2007. Este dia deve ter entrado para a história da Microsoft como o “Dia do Primeiro Respiro”. Eu diria “Dia do Alívio”, mas acho que os problemas estão só começando.

Essa história começou com o Longhorn, cujo desenvolvimento se iniciou pouco depois do lançamento do Windows XP, em 2001. De lá para cá foram uma sucessão de atrasos e gafes. Desde os memorandos que vazaram na internet colocando Jim Allchin, um dos principais responsáveis pelo time do Windows, em maus lençóis; até as funcionalidades “revolucionárias” que foram sendo retiradas, uma a uma, como o aguardado file system para a próxima geração, WinFS.

Ao mesmo tempo, a Apple se divertia com a situação, pois já estava com um OS maduro em 2001, o Mac OS X Cheetah e Puma. Lançaria o Jaguar em 2002, Panther em 2003, Tiger em 2004, transição Intel entre 2005 e 2006 e está prestes a lançar o Leopard a qualquer momento de 2007. Por toda a internet as comunidades discutiram entre si quanto o Vista foi uma cópia mal-feita do Tiger. Isso sem contar a história revolucionária em paralelo do iPod, entrando no mercado em 2001 e subindo a mais de 70 milhões de unidades vendidas e mais de 1 Bilhão de música compradas via iTunes Store.

De fato, o Windows Aero é o Apple Aqua, o Windows Search é o Apple Spotlight, o Windows Gadgets/Sidebar é o Apple Widgets/Dashboard, o Windows Flip3D é o concorrente do Apple Exposé, o Windows Calendar é o Apple iCal e assim por diante, o BitLocker é uma versão até que melhor do que o File Vault. Ponto a ponto, do ponto de vista do usuário final, o Windows Vista é um rip-off do Mac Tiger.


As mudanças mais significativas, para mim e para todos os entusiastas de tecnologia, no entanto, foram as modificações invisíveis. As coisas começaram a andar nesse longo desenvolvimento de quase 6 anos, a partir de 2004 quando o projeto original foi dissolvido e remontado sobre a base do Windows 2003 server (de longe, muito melhor do que o XP). Avanços da tecnologia 64-bits que dentre outras coisas, no Windows, significa carga de componentes do sistema em endereços dinâmicos de memória (antes os endereços eram fixos, possibilitando a malwares, rootkits a possibilidade de interceptar esses códigos em qualquer máquina e explorar possíveis bugs).

Somado à capacidade de DEP nos novos hardware (Data Execution Prevention, que já existia no XP SP2), a obrigatoriedade de drivers de terceiros certificados, a impossibilidade de se colocar patches na kernel, a tecnologia Patch Guard que a Symantec e McAfee odiaram pois prejudica seus produtos atuais, nós adoramos pois agora não há exceção: tentou violar a kernel, shutdown).

O polêmico UAC (User Access Control), que tenta levar o sistema de permissão do Windows mais próximo do que já tínhamos em Unix, em particular no Linux e Mac OS X, também é uma passo na direção certa na tentativa de restringir os avanços de qualquer malware na Internet. Aaron Margosis já discutia o assunto do conhecido “LUA Bug” (Limited User Account) e como isso era inusável no XP e outros Windows anteriores.

Além disso temos os aplicativos, Internet Explorer 7, Windows Media Player 11, etc. Nada de muito empolgante nesse setor. Paul Thurrott tem um dos reviews mais completos sobre tudo que há no Vista, toda a história de seu desenvolvimento e o que esperar.

Porém, existem dois assuntos que surgiram nos momentos finais de desenvolvimento do Vista que acenderam os faróis vermelhos da comunidade. O primeiro foram alguns fatos levantados, novamente pela Symantec, sobre o novo Network Stack do Vista. A Microsoft afirmou que o stack de rede do Vista foi “re-escrito”. Ninguém levou isso muito a sério até que engenheiros da Symantec detectaram nesse stack bugs que já foram erradicados de todos os stacks maduros do mercado há anos. Bugs que encontrávamos no Windows 95 apareceram novamente no Vista. Steve Gibson dá uma geral nessa história no episódio 51 do podcast Security Now! com Leo Laporte.

Ele bem lembrou de rumores que eu também li pela internet por volta do lançamento do Windows 2000, onde surgiram suspeitas porque o stack de rede estava muito bom! Certamente não perfeito, mas era diferente do que se tinha nos Windows 98 e Me e no NT 4.0 e funcionava muito bem. Alguns sugeriram que esse stack poderia ter sido origindo de alguma versão de BSD. De qualquer forma, agora eles resolveram re-escrever esses componentes. Parece marketing mas o relatório da Symantec sugere que isso é verdade.

E qual o problema: bem, qualquer desenvolvedor sabe que código novo = código com bugs. É um fato da vida. Componentes complexos como network demoram anos para se tornarem maduros. Começar do zero é uma jogada arriscada e certamente tornou a camada de rede do Vista muito mais vulnerável do que o XP mais recente. Uma lição a ser aprendida: a decisão de se re-escrever qualquer coisa deve ser a última coisa a ser considerada.

Além disso surgiu um artigo na internet de Peter Gutmann. Nesse estudo ele explica porque acredita que a Microsoft atirou no próprio pé com a construção de uma grande infraestrutura de proteção de conteúdo exigida pela indústria de conteúdo para que o Vista fosse capaz de rodar conteúdo premium (HD-DVD, Blu-Ray, HD streaming). Esse assunto é mais longo e envolve algumas decisões puramente de negócio. Sugiro que vocês dêem uma lida também na resposta da Microsoft sobre o assunto, a resposta da resposta e os comentários de Steve Gibson nos episódios 73, 74 e 77. É bom começar a se familiarizar com acrônimos como AACS e HDCP.

E como se tudo isso não fosse suficiente, descobriram que o iTunes tinha problemas com o Vista. Uma correção já foi lançada, mas nada como más notícias para começar o dia. Com tudo isso, acompanhando o desenvolvimento do Beta 1 ao RC2, devo dizer que vou esperar muito até migrar do XP para o Vista. Ainda há muita incompatibilidade, o novo stack de rede precisa ser provado, a infraestrutura de DRM precisa ser testada para ver se demonstrará instabilidade, o UAC e Patch Guard também ainda precisam ser provados. Em termos de performance realmente parece que eles conseguiram se manter em um bom nível portanto talvez eu crie um sandbox no meu Parallels para rodar em ambiente virtualizado onde não deve me causar muitos problemas. Meu OS principal continuará a ser o Tiger (e no aguardo do Leopard), meu OS de trabalho infelizmente terá que continuar sendo XP e o Vista será uma curiosidade em sandbox. Atualmente ando mais curioso em ver o novo suporte Beryl= do Linux que está se mostrando muito promissor no setor de ambientes gráficos em 3D.

Ainda não vi nenhum relato de Railers usando Rails no Vista. Sabemos que o Leopard trará esse suporte, alguém já se arriscou a usar Rails no Vista? Certamente não recomendo usá-lo como servidor (continuem no 2003 Server, um dos melhores Windows já lançados). Eu detesto fanboys, desencorajo FUD mas quando você vê pessoas como Steve Gibson e Peter Gutmann falando de segurança, você escuta.

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